Domingo, 28 de Maio

18/06/2015 - Copyleft

O ódio e a guerra aos meninos pobres do Brasil

Os meninos jovens e pobres não preocupam as elites políticas, apoiadas numa opinião pública envenenada pela manipulação da mídia privada.

por Emir Sader em 18/06/2015 às 07:32



Emir Sader

De volta ao Brasil depois de muitos anos fora – que incluíram toda a década de 1970, portanto grande parte da ditadura –, o que mais me impactou foi uma cena que vi na televisão. Não me lembro se era uma propaganda ou um ficção. Uma mulher caminhava por uma rua deserta, à noite, com pouca iluminação, quando na direção oposta vem um menininho negro.
 
À reação espontânea de se debruçar sobre o menino, perguntando onde ele mora, onde ele estava indo naquela hora, como se ele chama, etc, se contrapôs um atitude nova. A mulher se apressa  em cruzar a rua e se distanciar do menino, com evidente medo e pânico mesmo de ser assaltada.
 
Me dei conta ali que algo de muito profundo tinha mudado no Brasil com a ditadura. Ao invés de gerar piedade, atenção, cuidado, o menino pobre era sinal de perigo. Os meninos pobres do Brasil estavam incorporados às classes perigosas, aquelas que representam risco para a propriedade, para a integridade física dos que possuem bens e se sentem vítimas possíveis de assaltos.
 
A aprovação, numa comissão da Câmara, da diminuição da idade de maioridade penal, é uma continuação e consolidação daquela atitude. Neste caso, a maioria dos deputados ouve falar de menino pobre e não cruza a rua, mas saca o revolver.
 
Assim as “elites” políticas, eleitas com o financiamento das grandes empresas privadas, tratam os meninos pobres do Brasil – a grande maioria da infância e da juventude, a maioria da população brasileira. Trata-se de desatar uma guerra aberta, agora com cobertura legal, contra os meninos e jovens pobres. De usar o aparelho legal, além do policial, para condena-los às sórdidas prisões, pelas quais nenhum desses deputados se interessa – porque não são filhos dos seus eleitores, nem parentes dos seus financiadores.
 
Os meninos e jovens pobres não suscitam atenção e preocupação da grande maioria das elites políticas, apoiadas numa opinião pública envenenada pela manipulação da mídia privada. Suscitam posturas de encerramento nas masmorras, das quais só sairão, se saírem, diplomados pelo crime organizado. Porque nem o Judiciário se ocupa de que a função oficial de recuperação social seja minimamente cumprida. A condenação às prisões é a condenação à morte social. A isso querem condenar agora também os jovens de entre 16 e 18 anos.
 
A forma como uma sociedade trata dos meninos e dos jovens é a forma como pensa seu futuro. Neste caso, se está excluindo a grande maioria do futuro, reservado apenas aos que se deixam levar pela mentalidade de ódio e de guerra contra os meninos e os jovens pobres do Brasil.
 
 

Tags: Direitos Humanos





decio carvalho - 23/06/2015
Anália e Dan...Meu questionamento faz todo sentido...o que essa esquerda tem proposto de concreto em 12 anos de poder pelos meninos carentes ? Vcs só conseguem apelar para o vitimismo e colocar a responsabilidade nos outros...Na história, na direita, no FHC, na elite...mas de prático não tem capacidade para executar nada essencial para resolver os problemas sérios que temos como nação e povo...

Quem disse que vcs gostam dos mais pobres do que eu ? Quem disse que vcs são mais sensíveis aos necessitados ? Quem disse que vcs sabem a melhor maneira de minimizar essa injustiça social ?A melhor maneira de sintetizar o que essa esquerda fez e faz no Brasil é embuste...

E mais, leiam mais sobre fascismo...esse lugar comum é tão delirante quanto as ações do Governo...mas podem me chamar de coxinha...



Rose Sardeiro - 22/06/2015
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Marco Antonio Lahr Moura - 21/06/2015
Vamos pensar. Com a diminuição da maioridade meninas vão poder se prostituir com 16 anos já que é maior de idade, outro ponto a progressão de pena,se um condenado por homicídio, hoje maior, condenado a pena mínima de 12 anos tem direito a progressão de pena, será solto com 2 anos,logo, os hoje menores que passarão a maiores com a nova"lei" serão beneficiados,ou seja, o invés de ficarem 3 anos preso ficarão somente 2 anos, fora isso juízes mais benevolentes tentarão beneficiar os menores com penas mais brandas.


inis ferreira da costa - 21/06/2015
pura verdade..esse negocio de criminalidade violenta em nosso país é coisa que puseram em nossa cabeça..literalmente aliás, em meu caso: da ultima vez foi um três oitão enferrujado que se não matasse com com bala matava de tétano: e a arma era maio que o pequeno demônio, certo da impunidade, que a empunhava.


Anália Maria Rodrigues Torres - 21/06/2015
Décio, vai procurar a tua turma, coxinha. Tem muito site de fascista por aí. Vai pra lá e derrama todas essas tuas pérolas. Este site aqui é de ESQUERDA.


Leandro Biciato Oliveira David - 19/06/2015
Eu sinceramente, penso que essa mudança na lei só irá sobrecarregar mais os presídios já sobrecarregados. Irão transferir os presos da Fundação Casa , diminuindo a quantidade de pessoas nela e aumentando nos presídios. Onde enfiarão tanta gente ? Eu penso que essa questão é muito complexa para nós pensarmos somente em piedade, atenção, cuidado. A violência pra mim, é fruto de uma sociedade desigual, que pensa errado. Portanto devemos primeiro reformar o pensamento e pensar a reforma de pensamento assim reformando a nossa sociedade. Falta cultura, falta educação, falta saúde, falta entretenimento. Está tudo errado. Mudar a maioridade penal será só mais uma pequena mudança, pra pior, claro, em um sistema em crise e em depressão.


Jair Macedo - 19/06/2015
Indignar-se com as atitudes das elites, contra crianças negras, pobres e sem perspectivas em nosso país, é logo rotulado de VERMELHO. O mínimo de senso de humanidade incomoda muitas pessoas. A hi


Dan Moche Schneider - 18/06/2015
Décio, oxalá você pare de cercear sua inteligência e sensibilidade quase fossilizada e passe a sonhar com um país que caminhe para mais escolas e menos máquinas de produção de insensíveis miseráveis (e abastados).


EXPEDITO JUNIOR - 18/06/2015
Esta semana presenciei uma cena que me chocou.Quatro policiais militares consideraram um menino suspeito e o espancaram sem nenhum motivo e destilando um ódio incompreensível.Tudo isso em pleno dia,num bairro popular de Salvador.Seu crime:ser negro,pobre e não estar bem vestido para certos padrões.Agiram pior que marginais e amedrontaram quem estava vendo a cena.


Marcia Eloy - 18/06/2015
Esta cena descrita pelo professor me lembra a cena do filme !ao miseráveis. Os anos passam mas a humanidade não muda...Os judeus que já foram perseguidos pelos nazistas, escravos no Egito, hoje invadem as terras da Palestina e os tratam como uma raça inferior. Os americanos que já foram perseguidos pelos ingleses, pela sua religião, hoje perseguem os árabes e invadem suas terras, e assim o mundo gira...


decio carvalho - 18/06/2015
Acho que até os delírios deveriam ter limites...

"Me dei conta ali que algo de muito profundo tinha mudado no Brasil com a ditadura. Ao invés de gerar piedade, atenção, cuidado, o menino pobre era sinal de perigo" Como é que alguém tem a desfaçatez de escrever isso ?

Essa esquerda tem uma marca indelével, escreve muito para não se comprometer com nada...

E o Brasil vai seguindo rumo ao precipício...


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