Segunda-Feira, 25 de Julho

28/04/2014 - Copyleft

Somos todos macacos

Depois da enésima vez que jogaram bananas contra jogadores negros na Europa, Daniel Alves resolveu comer a banana e Neymar declarou: Somos todos macacos.

por Emir Sader em 28/04/2014 às 05:39



Emir Sader


Depois da enésima vez que jogaram bananas contra jogadores negros na Europa, Daniel Alves resolveu comer a banana e Neymar declarou: “Somos todos macacos”. É o começo da reação, que os próprios europeus parecem incapazes de fazer, contra a discriminação nos campos de futebol, que é apenas a extensão da vida cotidiana em países que se consideram  “brancos e civilizados”.

 A Europa “civilizada” se enriqueceu às custas da escravidão e do seu corolário – a discriminação e a redução dos negros a “bárbaros”. Vieram com a cruz e a espada a “civilizar-nos”,  isto é, destruir as populações nativas e submete-las ao jugo da dominação colonial. Tiraram milhões de  africanos do seu mundo para trazê-los como animais a trabalhar como escravos para explorar as riquezas daqui e enviá-las para enriquecer a Europa  “civilizada”.

Todo o movimento histórico da “liberdade, igualdade, fraternidade”, foi feito em função da libertação dos servos da gleba europeus, desconhecendo a escravidão que essa mesma Europa praticava. Ninguém – salvo o solitário Hegel – tomou conhecimento da Revolução Haitiana contra a dominação da França “emancipada” por sua revolução, mas opressora da primeira Revolução Negra de independência nas Americas.

Séculos depois, quando a Europa “civilizada” termina com seu Estado de bem estar social e joga no abandono a milhões de pessoas – antes de tudo os imigrantes, que foram trabalhar em condições degradantes quando suas economias os necessitavam -, o racismo mostra toda sua força. Os partidos de extrema direita são os que mais se fortalecem, ao mesmo tempo que o racismo aparece nos também nos campos de futebol, sem que gere indignação na Europa “civilizada”.

Ao mesmo tempo, desenvolvem uma campanha discriminatória contra o Brasil, desenhando um país de “cobras, tigres, macacos”, além de ser, segundo o absurdo e estúpido informe do Ministério de Relações Exteriores da Alemanha, “um país de alto risco”. Fosse assim porque estão instalando fábricas da BMW, da Mercedes, além de ampliar a da Volkswagen e várias outras?

Fazem por isso porque o Brasil de hoje incomoda os adeptos do neoliberalismo, que leva a Europa a um desastre social, enquanto nós – e vários outros países da América Latina – crescemos e diminuímos a desigualdade e a miséria. Nós os incomodamos porque estamos fora do Consenso de Washington, que eles tentaram impor-nos, nos causaram muitos danos, mas de que soubemos recuperar-nos e somos a região do mundo que se contrapõe aos descaminhos que a Europa assume.

Vamos recebê-los com a maior cordialidade no Mundial de Futebol. Comendo e oferecendo bananas a todos eles, assumindo que: “Somos todos macacos”.

Tags: Direitos Humanos





Orlando F. Filho - 29/04/2014
Neymar deve ter sentido o golpe e ele é um bom garoto e somos primatas sim, ora pois!!! Um dia fomos macacos tal qual os chimpanzés. A europa "civilizada" não é representada por esses idiotas, mas sim pela revolução francesa, os grandes escritores, shadespeare, A Real Sociedade identifdicou o agressor e o afastou dos estáqdios.Mas deveriaqm colocar sua foto na rede e enfiá-lo na cadeia. Aqui no Brasil o jogador Tinga também sofreu racismo e ninguém fea apesar de racismo ser um crime im prescritível e inafianlável no brasil. Mas aqui anistiaram torturadores imagine se iam prender um racista...


Marcio Gomes da Silva - 29/04/2014
O ato de jogar banana demonstra a arrogância que parte dos europeus, apesar da crise que enfrentam, possuem. Eles acham que estão acima dos outros.

O texto é perfeito.


Lais Borges - 29/04/2014
E o que dá mais raiva ainda, é ver esses nojentos desses espanhóis vindo para o Brasil trabalhar em empregos qualificados aqui no Brasil porque as empresas espanholas, que ganharam presentes -como o Santander ganhou o Banespa e a Telefónica ganhou a Telesp - agora tiram brasileiros de cargos executivos, com salários melhores para trazer seus funcionários de Espanha para ganhar dinheiro aqui, porque lá a coisa está feia.... E aqui, o que fazemos ?? Acostumados a ser colonizados, "cedemos a assento"ao europeu "superior".... Nojo !! É só isso que consigo sentir....


RAUL ALVES - 28/04/2014
Meu comentário ( que quase ninguém lerá a essa altura) equivocou-se. Como sou um perfeccionista, tenho que tentar corrigi-lo. A lógica formal depreende da afirmação "Daniel Alves é um macaco"- afirmação expressa implicitamente no arremesso da banana em sua direção - a conclusão óbvia de que, então, "todos (nós, os humanos como Daniel Alves) somos macacos". O ato que se generaliza de comer a banana nada tem de chacota ou de atitude de aceitação da ofensa dos que chamam aos negros macacos. Essa interpretação é típica dos esquerdistas que se atrapalham em meio as palavras , tornando-as mais importantes do que os significados que estas assumiram para os envolvidos. Comemos a banana para nos somarmos ao gesto perspicaz de Daniel Alves. O excesso de purismo esquerdista me assusta. Perder a oportunidade de estigmatizar o racismo, de revelar que nós da esquerda nos solidarizamos com o gesto do Daniel Alves em nome de falsos moralismos ou porque não queremos aparecer ao lado da Globo que , oportunisticamente, repercutiu a campanha,é assumir atitude de isolamento em relação a um movimento que aponta na direção certa. Essa unidade contra o racismo será fugaz e todas as peças misturadas incompatíveis logo retornarão aos seus lugares antípodas , sem prejuízo de nossos princípios políticos, ideológicos e morais. Como dizem os mineiros: me ajuda aí, véio!


josé fonseca - 28/04/2014
Somos todos macacos. O macaco no lugar do tatu. Há uma cidade dos macacos. Lá na Índia onde o macaco é sagrado. Vijaya( )nagara é o nome dela. Na época, há milhares de anos atrás, que a cidade dos macacos era próspera chamava-se Kishkindhah. Burroughs e Kipling descrevem traços, rastros, dela. Rama, encarnação de Vishnu ( este deus em todas suas encarnações humanas é pintado, literalmente, com a pele preta, negra o que o liga ao continente negro ) teria chegado na cidade dos macacos desolado, perdido, acabado, com o rapto de sua esposa pelo rei dos demônios, Ravana, que a levou pelos ares quando estava sozinha. O rei dos macacos ajuda Rama a resgatar a esposa. A cidade no séc. XVI em seu apogeu hindu antes de ser destruída pelos árabes, tinham governadores portugueses como aliados : Paes & Muniz.


Ely José Gonçalves Constante - 28/04/2014
Isto é oportunismo! Aproveitar a ocasião para tentar, mais uma vez, fazer de Neimar um bom môço, coisa que ele não é. Esta campanha do "somos todos macacos", já estava programada para acontecer.

Parabéns ao Daniel Alves, que soube encarar um gesto condenável de racismo, com inteligência.


RAUL ALVES - 28/04/2014
Existe gente na esquerda repelindo o slogan "somos todos macacos". O fato de a campanha ter sido deflagrada pelo Neymar, que não prima pelas suas declarações políticas ( lembrando que, no Brasil, Neymar não se reconheceu como um descendente de negros, quando indagado precisamente sobre a hostilidade racista que conheceria na Espanha) parece ter dificultado a adesão de algumas pessoas que começam a ensaiar uma campanha de resistência. Para mim, o que conta é a eficiência da resposta e não a interpretação particular que se possa derivar dela. A grande adesão ao "somos todos macacos" representa uma eficiente resposta contra o racismo, posto que se adere com esse propósito e nenhum outro , não havendo nenhuma admissão implícita de que sejamos realmente macacos, e isto é o que importa. Segundo a lógica formal, temos que se "Daniel Alves é macaco", então "somos todos macacos", precisamente porque Daniel Alves ( nem eu e nem ninguém ) é macaco, pouco importando que não sejamos descendentes de uma "raça de chipanzés" ( o que, aliás, de fato , não somos, pois , até onde pôde deduzir a ciência, humanos e chipanzés têm um ancestral comum, assim como zebras e jumentos, não descendendo os humanos dos chipanzés e vice-versa). Por último, vale destacar o gesto genial de Daniel Alves. Ao vê-lo jogar da próxima vez, para além de sua habilidade como jogador de futebol, reconhecerei também um homem inteligente que soube agir com habilidade equivalente a do atleta no plano da luta política contra o racismo. Muitos jogadores tiveram a chance de fazer o gesto simbólico de Daniel, mas somente ele teve a percepção da oportunidade. Coisa de gênio.


Marcia Eloy - 28/04/2014
As pessoa se esquecem que tiveram como origem uma raça de chipanzés.


Anaximandro Orleans - 28/04/2014
Racismo é crime e não deve ser encarado como algo que mereça um ato engraçado ou peculiar, como resposta (comer a banana). Racismo tem que ser combatido.



Pedro de Alcantara Figueira - 28/04/2014
É muito importante conhecer os feitos de Napoleão para entender a história da Europa, mas não é menos importante ler o livro O Sonho do Celta do Vargas Llosa para conhecer a entranhas do capitalismo europeu.


Eduardo - 28/04/2014
É preciso seguir o exemplo da NBA. Após declarações racistas, o DONO - sim, eu disse DONO - dos Los Angeles Clippers provavelmente será BANIDO da Liga! Há uma enorme pressão por parte da sociedade e dos jogadores para que ele jamais compareça a um jogo de basquete novamente!



Após as declarações de seu chefe, os jogadores dos Clippers em partida disputada em Oakland, jogaram no chão os uniformes de aquecimento da equipe, além de terem feito o próprio aquecimento sem mostrar o slogan do time.



Os Clippers até hoje já haviam perdido 5 dos principais patrocinadores e há uma campanha para que os torcedores boicotem o time na partida de amanhã, válida pelos playoffs do basquete americano!



Para todos e todas aqueles/as que acompanham questões envolvendo racismo, vale a pena conferir o que está se passando na NBA.


Roméro Samuel Carneiro - 28/04/2014
"Alem do mais quem é a Espanha? Pais medíocre que creceu às custas de nossos compatriotas da América latina";pergunta e afirma Ricardo Munhoz,mas acho que ele,Ricardo Munhoz,poderia ir mais longe,pais que se não fosse o papa Alexandre VI,com a bula do tratado de Tordesilhas,acho que nem existia hoje como pais,aja visto os movimentos separatistas que até hoje a dita cuja enfrenta:e com dificuldades. Fico P. da vida quando tomo conhecimento de tais fatos,e não é só a discriminação nos Campos de futebol não; nos descriminam nos aeroportos,nos empregos...enfim,nos discriminam em tudo,e ,o que fazemos?...nada. Deveríamos dar a eles banana também,mas não a fruta da Bananeira e sim,aquele gesto que dobramos um braço e colocamos o punho no meio dele.Dar este tipo de bananas aos bancos e empresas onde esses metidos a Besta tiverem investimentos,até que nos peçam desculpas. Os idiotas estão revoltados porque não vêem futuro,enquanto nós,somos o grande futuro.


Cheyenne Fernandes Duarte - 28/04/2014
Sua visão de crescimento é reducionista e privilegia aspectos objetivos como números. O verdadeiro crescimento de uma nação é bem mais que isto!

Reduz-se a miséria mas as classes continuam, puro contrassenso esquerdista...

Abs!


Ricardo Munhoz - 28/04/2014
Caro Professor Emir, quando da sua passagem aqui em Brasília em dezembro de 2013, para uma palestra, perguntei ao Senhor se o Estado do Bem Estar Social não existe somente às custas de do Império Colonial Europeu de 3 séculos. Acredito que sim, não existe um capitalismo bom, aquele que fornece benefícios e garantias sociais. O capitalismo europeu, principalmente o inglês e francês, foi benevolente para com sua população, mas negligenciou, usurpou e dilapidou países africanos, asiáticos e latino americanos durante séculos, não tiveram pena usaram e abusaram da escravidão. Na década de 60 quando o custo da mão de obra estava alta, resolveram importar braços colonizados para "baraterar" o emprego, agora que estão numa crise sistêmica do capital e, não encontram formas para sair deste imbróglio social atacam todos aqueles que não fazem parte do padrão "branco" europeu. Além do mais quem é Espanha? País medíocre que cresceu às custas do sangue dos nossos compatriotas da América Latina.

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