Terça-Feira, 25 de Julho

 

10/03/2014 00:00 - Copyleft

Mercado de trabalho menos desigual em 2013

Os indicadores do mercado de trabalho de 2013 no Brasil apontam uma tendência positiva e uma melhoria da situação de ocupação, desemprego e renda.


José Carlos Peliano (*)
Arquivo


Em contraste com os analistas de plantão de boa parte da mídia brasileira, que dia a dia descrevem situações e condições preocupantes da economia do país, um olhar imparcial e limpo de impurezas ideológicas dos indicadores mostra uma realidade totalmente diferente inclusive em comparação com quadros semelhantes de outros quadrantes do mundo.

A tendência da mídia em qualquer área econômica segue à risca sua postura em outras áreas e não foge ao padrão convencional. Evita a todo custo apontar os bons resultados, relegando-os, e quando não  consegue escapar por ser muito evidente, minimiza o lado positivo e trata de indicar uma observação negativa, factual ou inventada, a qual invariavelmente maximiza.

Dados recentes saídos do forno do insuspeito órgão público Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), fornecidos pelo seu Boletim de Mercado de Trabalho, no. 56, de fevereiro deste ano, descrevem a situação prevalecente no país, mês a mês, em 2013.

O conjunto da obra permite obter uma visão geral de tudo aquilo que não foi comentado pela grande mídia nacional. Ainda bem que apesar das críticas e maledicências dela, a caravana da economia brasileira passa e de cabeça erguida.

Começando pela taxa de atividade da população apta ao trabalho (ativa), que mede a disposição dos trabalhadores de irem procurar trabalho no mercado, o resultado de 2013 é praticamente o mesmo de 2012: enquanto este atingia 57,3%, aquele chegou a 57,1%.

Os percentuais de 2012 e 2013 superam os observados nos anos anteriores (2012 e 2011). Assim, apesar das oscilações sazonais habituais em cada ano, não houve variação digna de nota na chamada população economicamente ativa nos dois últimos anos. Sinal de que não tem havido dificuldades na procura de trabalho pelo conjunto dos trabalhadores.

Mulheres e homens continuaram a ter praticamente as mesmas disposições ao trabalho, mantendo cada um suas participações anteriores. Pelos grupos de idade, os jovens de 18 a 24 anos tiveram ligeira queda na procura por trabalho e, por anos de estudo, foram aqueles de menor escolaridade os que obtiveram relativamente maior disposição de chegar ao mercado.

Por sua vez, as taxas de desemprego mantiveram-se quase idênticas entre 2012 e 2013, 5,5% e 5,4% respectivamente. Dados estes que confirmam a boa situação da economia brasileira como um todo em termos de cfriação e manutenção de postos de trabalho nos últimos anos. Ainda não foi a vez da crise internacional, que abala outras economias ao redor do mundo, que veio afetar os pilares e as vigas da nossa.

Tomando como referência a zona do euro e utilizando os dados disponíveis de janeiro de 2013 para comparação, somente Áustria e Alemanha registraram taxas menores, 4,9% e 5% respectivamente. Todas as outras economias apresentaram taxas superiores, destacando-se Espanha 25,8%, Portugal 15,3%, Itália 12,9%, Irlanda 11,9%, França 10,9% e Suécia 8,2%.

A performance segura da economia brasileira até aqui é referendada mesmo assim pelos dados de Áustria e Alemanha. As taxas brasileiras de 2012 e 2013 ficam em torno da mesma faixa das taxas daqueles países. As pequenas diferenças em pontos percentuais demonstram a condução favorável da política econômica no país e do impacto menor das rebarbas da crise através das transações comerciais e financeiras com o exterior.

E o desemprego baixo tem sido garantido por vagas no setor formal da economia. Os empregos sem carteira assinada e sem proteção social vêm caindo em proporção ao total nos últimos anos. Hoje em dia, para cada três empregos formais criados, 1 deles ainda é informal (33%) – em 2010 esta proporção estava em torno de 37%.

Já com relação aos rendimentos, o valor médio real alcançado em 2013 é superior a 2012 bem como aos obtidos nos dois anos anteriores subsequentes. O valor alcançado em novembro de 2013 em especial é o maior de todos os anos anteriores desde 2002, quando o levantamento começou a ser feito pelo IBGE.

O crescimento do rendimento médio real foi observado regionalmente para todas as áreas metropolitanas bem como para todas as posições na ocupação, destacando-se os trabalhadores da iniciativa privada com taxa de 2,9%; em seguida os trabalhadores por conta própria com 1,3% e os trabalhadores do setor público com 0,5%.

Em resumo, os indicadores do mercado de trabalho de 2013 no Brasil apontam uma tendência positiva e uma melhoria da situação de ocupação, desemprego e rendimentos reais. A combinação destes três componentes, aliados a maior participação dos trabalhadores com pouca escolaridade no mercado, sugerem também a continuação da redução da desigualdade de rendas, a qual vem sendo observada nos anos anteriores desde o início da década passada.

Mesmo que comentários desairosos continuem a rolar para o lado da economia brasileira empurrados pela turma do contra da grande mídia, dados como os apresentados acima não têm como serem questionados. Nem se comparados com as situações das demais economias. Resta falar mal de alguma estatística menos relevante ou agourar com alguma premissa falsa como bons urubólugos que são!


(*) Economista



Créditos da foto: Arquivo



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