Quarta-Feira, 23 de Agosto

 

27/09/2014 00:00 - Copyleft

Aderbal Freire-Filho declara voto em Dilma: "a mudança precisa continuar"

"Aos que pensam que é possível mudar às pressas, peço que olhem para os que mudaram para outros partidos e que em geral não saem do lugar".


Aderbal Freire-Filho
EBC

A mudança é o que mais me inspira a votar em Dilma. Não uma mudança aparente, a mudança dos móveis da sala, mudar um quadro de lugar. O que me leva a votar em Dilma é a grande mudança que está sendo feita nas estruturas sociais do Brasil desde o primeiro governo Lula. Votei em Lula querendo mudar.  E, como quis continuar mudando, votei nele uma segunda vez, votei em Dilma e vou votar nela outra vez. 
 
Penso que os eleitores que votaram em Lula na sua primeira eleição e mudaram de ideia depois – muitas vezes vi a exploração de uma foto dos artistas que estavam com Lula e que não estariam mais – teriam sido levados por duas razões principais: assustaram-se com as mudanças quando elas de fato começaram a acontecer ou desejaram que elas se fizessem mais rapidamente.
 
O Brasil que começou a cortar privilégios, mudar prioridades, dialogar de outro modo com o mundo, dar voz a quem não tinha, pode ter mesmo assustado, sobretudo porque essas mudanças são conhecidas através dos jornais que lemos e que são a voz dos que não queriam e não querem essas mudanças, voz ampliada, cada dia mais rouca de ódios, que não tem pudor em mentir, deturpar, difamar. São cômicos (se não fossem trágicos) os colunistas de uma droite bonbon que se pretendem modernos, inteligentes, espirituosos e incluem na sua prosa expressões cansadas como gauche caviar (velha por velha, muito mais bacana a nossa esquerda festiva), vendendo como novas umas teorias cansadas e desgastadas e acusando de velhos aqueles que são a evolução do pensamento de esquerda dos anos 60. É exatamente o contrário, as teorias da droite bonbon, como seu vocabulário, estão cada vez mais superadas nos centros avançados da discussão política internacional, onde Lula é visto como o novo, estudado e admirado. 
 
Do outro lado, estão os que querem que as mudanças sejam mais rápidas. Esses reclamam das alianças, das concessões, não aceitam os erros que ainda cometemos, acreditam nas versões desses erros dadas pelas vozes da oposição. Não sei se o ritmo certo de mudar o Brasil é este em que vamos, mas sei que mudar uma estrutura gigantesca, de um país gigantesco, de um passado monstruoso, de uma cultura impregnada dos piores vícios não se faz muito rapidamente. O futebol é um bom modelo: é preciso recuar um pouco, voltar a bola para a defesa, treinar bem os fundamentos, atacar pelas pontas e quando se tem um craque diferenciado, que todo o mundo gostaria de ter em sua seleção, passar a bola para ele que, além de fazer o gol, sabe escolher com quem jogar, que inspira o time todo. 
 
Aos que pensam que é possível mudar às pressas, peço que olhem para os que mudaram para outros partidos e que em geral não saem do lugar. Há ainda o risco de serem enganados por quem mostra atalhos que, insinuando caminhos mais curtos, levam de volta ao passado. 
 
 
Quem quer mesmo mudar, vota com mais convicção agora do que quando votou a primeira vez em Lula: ali era a esperança de mudar, depois veio a certeza de estar mudando, em seguida a segurança da mudança e agora a evidência de que a mudança precisa continuar. 
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Aderbal Freire-Filho é (Fortaleza/CE, 1941) é ator, dramaturgo e um dos mais conceituados diretores de teatro do Brasil.

Créditos da foto: EBC



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