Terça-Feira, 03 de Janeiro

 

03/09/2014 00:00 - Copyleft

Líder da Rede no Pará retira apoio à Marina

Charles Alcântara critica a adesão da presidenciável à teses neoliberais e lembra que nos anos Fernando Henrique Cardoso os juros eram muito mais altos.


Najla Passos
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Brasília - Se a comoção nacional com a morte prematura de Eduardo Campos fez com que Marina Silva deslanchasse nas pesquisas de intenções de voto, as escolhas políticas que a nova candidata do PSB vem fazendo afastam cada vez mais seus companheiros de trajetória política. A última baixa, bastante significativa, foi a do líder coordenador da sua Rede Sustentabilidade no Pará, Charles Alcântara, que retirou o apoio a sua candidatura.

“Não vou acompanhá-la porque considero uma fraude a pregação de que todos os interesses e todas as forças políticas podem ser conciliados sem conflitos e sem escolhas que desatendam e contrariem os que sempre se beneficiaram da desigualdade em favor dos que sempre foram as vítimas dessa mesma desigualdade.”, desabafou ele na sua página no Facebook.

Com críticas contundentes aos novos caminhos escolhidos pela ex-companheira, Alcântara avalia que, desde que se tornou presidenciável, “as declarações mais explícitas e compreensíveis de Marina Silva foram em direção aos mercados, em especial o financeiro”.

“Os que vivem da especulação financeira e que faturam bilhões com a dívida pública brasileira estão eufóricos com as declarações de Marina, reveladoras de uma crença quase religiosa nos fundamentos mais caros ao velho receituário neoliberal, fundamentos estes que colocam no centro das preocupações e da ação estatal os interesses do mercado e na periferia os interesses da sociedade brasileira, com o cínico argumento de que esses interesses são convergentes - e, mais ainda - que os interesses da sociedade tendem a ser satisfeitos se o mercado estiver satisfeito”, alega.

Auditor fiscal da Receita Federal e diretor da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), ele sabe muito bem que a defesa de Marina da autonomia do Banco Central e da obediência cega ao tripé macroeconômico neoliberal trará prejuízos imensos para os trabalhadores do país: menos recursos públicos para as áreas sociais, arrocho salarial e ameaça de mais desemprego.

“Institucionalização da autonomia do banco central e obediência incondicional ao tripé macroeconômico neoliberal são os compromissos mais enfáticos que Marina oferece aos brasileiros para acabar com a velha política e para mudar o Brasil. Se não em nome de uma nova política (até porque se trata da velha solução neoliberal), mas ao menos em razão das virtudes próprias de sua formação religiosa, Marina tinha e tem o dever de dizer ao povo brasileiro as prováveis consequências de seu programa econômico.”, afirma.

Para Alcântara, o modelo econômico escolhido pela candidata aprofunda os problemas econômicos que o Brasil enfrenta. “Marina dá sinais de conversão ao fundamentalismo neoliberal como sinônimo de desenvolvimento, estabilidade econômica e inflação baixa, como se os índices inflacionários pudessem ser combatidos com a mera alta dos juros; como se a inflação no último período do governo de FHC - de fidelidade canina à sacrossanta fórmula neoliberal - não tenha sido ainda maior que a verificada nos dias atuais; como se o maior e mais indecente gasto público não fosse exatamente o pagamento de juros da dívida pública”.




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