Quinta-Feira, 25 de Maio

 

04/03/2016 00:00 - Copyleft

URGENTE: Fórum 21 convoca a intelectualidade brasileira à defesa da democracia, contra o golpe

Resistir ao golpe para construir um Brasil mais justo e soberano: essa é a tarefa para a qual a História nos convoca nesse momento.


Redação
Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

A democracia vive  horas decisivas em nosso país.

 

O ar empesteado de avisos da véspera, lubrificados pelo Jornal Nacional, e pelas manchetes desta fatídica 6ª feira, 4 de março de 2016, desdobrou-se na ruptura longamente cevada, desde outubro de 2014.

 

Os agentes da PF chegaram a residência do ex-presidente Lula e o levaram sob condução coercitiva. Praticamente sequestrado: durante horas não havia notícia oficial de seu paradeiro, com a desculpa de se evitar manifestações, ou seja, parecem temer o povo ou a democracia.

 

A revanche dos interesses derrotados nas eleições presidenciais do ano passado desfechou assim seu bote final contra a soberania das urnas.

 

Dê-se a isso o nome que se quiser dar.

 

Os acontecimentos das últimas horas, a obscena sintonia entre a mídia e a polícia partidarizada, falam por si.

 

O pudor e as aparências foram sacrificados em nome do que importa: a caça implacável à  Lula, apontado pelo Datafolha, no início desta semana, o melhor presidente da história deste país, por 37% dos brasileiros

 

É impossível levar a cabo o projeto de restauração neoliberal preconizado pelos grandes interesses do dinheiro local e estrangeiro, com um estorvo que detém esse trunfo na urna.

 

Não se trata da pessoa do ex-presidente.

 

O que foi sequestrado neste  4 de março  de 2016 é o que ele representa em carne e osso – com todas virtudes e limitações da carne e do osso humanos.

 

Os pilares erguidos desde 2003, na construção da grande ponte de  acesso dos brasileiros  aos direitos da civilização e da  democracia social, estão sendo demolidos.

 

A caça a Lula, consumada agora, é a parte mais  explosiva dessa faina demolidora, edulcorada de cruzada ética pela narrativa dominante.

 

O Fórum 21 nasceu como um espaço ecumênico de aglutinação da inteligência brasileira.

 

Reúne todos aqueles empenhados em contribuir para a construção da frente democrática e progressista em formação no país.

 

Não podemos subestimar o que temos pela frente a partir de agora.

 

O assalto em curso visa a democracia, as lideranças que dificultam a subordinação radical do país aos interesses rentistas  e, em última instancia,  sonegar um futuro melhor ao povo brasileiro.

 

O ataque desfechado por José Serra esta semana às maiores reservas de petróleo descobertas no século XXI ilustra a força motriz desse mutirão.

 

Dilapidar o pré-sal e o potencial que ele representa em direitos e autonomia econômica simboliza o modelo que eles querem vestir a fórceps no país.

 

Isso não se faz sem o uso da força.

 

Reacende-se a velha fornalha que incinerou ou tentou incinerar governos, soberania e direitos em 1932, 1954, 1962, 1964, 1989 …

 

Hoje, como das vezes anteriores, vivemos uma transição de ciclo de desenvolvimento.

 

Esgotou-se um capítulo do crescimento brasileiro.

 

Outro precisa ser construído.

 

A complexidade da travessia consiste no fato de que o velho já não atende às necessidades nacionais, mas o novo ainda não se estruturou para servi-las.

 

Estamos na soleira de escolhas cruciais na vida de uma nação.

 

O passo seguinte terá como bússola a solidez econômica voltada para atender as necessidades e urgências do nosso povo? Ou o país, seu parque fabril, seus recursos e seu gigantesco mercado de massa serão reduzidos a um anexo de interesses dissociados das urgências nacionais?

 

É isso que está em jogo nas horas que rugem.

 

Para resistir não basta a emoção.

 

É preciso organização --local, regional, nacional.

 

É preciso impulsionar uma espiral ascendente de mobilizações, consistentemente preparadas.

 

O Fórum 21 conclama seus integrantes, o mundo acadêmico e todos os intelectuais brasileiros a cerrarem fileira ao lado da democracia.

 

Não apenas para resistir.

 

Mas para fazer dessa resistência uma ponte de repactuação da nossa riqueza e do nosso potencial, com o potencial e a riqueza do nosso povo.

 

Esse é o sentido das reuniões que o Fórum 21 convocará em seguida, para discutir o novo degrau do golpe, a crise econômica, a partidarização da justiça e a manipulação do discernimento social pela mídia.

 

Essa maratona não se confunde com uma tertúlia acadêmica.

 

Trata-se de aglutinar a inteligência brasileira para refletir e agir.

 

E isso significa, entre outras coisas, levar a círculos amplos da população a verdadeira natureza do embate que se acirra e se acelera.

 

O embate entre um projeto de sociedade para 30% de sua elite; ou a árdua luta pela construção de uma verdadeira democracia social no Brasil.

 

Em breve, a agenda de  encontros do Fórum 21 nas universidades e capitas brasileiras será divulgada.

 

Todos nós sabemos de que lado devemos marchar.

 

Trata-se agora de exercer integralmente esse discernimento juntando forças na trincheira ecumênica do Fórum 21 e de outras iniciativas democráticas em curso.

 

Resistir ao golpe para construir um Brasil mais justo e soberano: essa é a tarefa para a qual a História nos convoca nesse momento.

 

Só podemos cumpri-la juntado forças em torno da nossa maior arma: a palavra engajada.



 





Créditos da foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula



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