Quinta-Feira, 29 de Junho

28/02/2015 00:00 - Copyleft

Levy fala aos mercados, quem fala ao Brasil?

Se ainda há tempo para reverter a marcha dos acontecimentos é forçoso reconhecer que esse tempo se gasta aos saltos.

por: Saul Leblon

Arquivo/Maracanã Oficial

A via ortodoxa escolhida pelo governo para viabilizar o quarto mandato presidencial do PT está implantada e o paradoxo começa a dar frutos.
 
São ácidos.
 
O desemprego saltou de 4,3% em dezembro para 5,3% em janeiro; o governo acaba de anunciar um corte de 23,7% do orçamento do PAC e o BC  deve aumentar a taxa de juro na próxima 4ª feira, para 12,75%.
 
Significa dizer que o ciclo econômico ajustou-se ao ciclo político.
 
Ao cerco conservador que antecedeu o período pré-eleitoral, e somente ali foi afrontado, sobrepõe-se agora uma asfixia econômica, que cada vez mais será percebida pela população como um torniquete que se ajusta diariamente.
 
Estamos só no começo da primeira volta.
 
A emissão conservadora ostenta uma coerência editorial de cabo a rabo. Não há mais dissonância entre o salvacionismo antipetista do noticiário político e os resultados registrados nas páginas de economia.
 
A recessão vai engrossar as fileiras do neoudenismo -- se não no aventado dia 15 de março, um pouco mais adiante.
 
Não há pressa. O tempo age a favor da turma que recentemente uivou contra o ex-ministro Guido Mantega, e sua esposa, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Ali ficamos definitivamente cientes de que ‘SUS’ para a fina estampa da elite paulista é o sinônimo de um palavrão.
 
O governo assiste a tudo com notável desdém pela própria cabeça.
 
A hora de Brasília não define mais a hora do Brasil.                                                                                                                                                                                                           
A abertura e o fechamento dos mercados agendam a sociedade e não há contraditório.
 
A democracia não fala.
 
O ministro Joaquim Levy fala por ela.
 
Diariamente, oferece libras de carne fresca às tesourarias que no final do expediente dão a nota seca para o cardápio da jornada e deixam orientações para o desjejum da manhã seguinte.
 
É uma conversa de brancos de olhos azuis.
 
À Nação mestiça ninguém se dirige; tampouco lhe é facultado dizer o que pensa sobre o seu futuro.
 
Ilhadas na inundação das más notícias, sem comunicação com o governo, forças progressistas lançam manifestos desesperados em garrafas que nunca ultrapassam o espelho d’água do Planalto.
 
O aparato conservador não disfarça a sulfurosa agitação, nem camufla mais suas bandeiras no fundo do armário.
 
Serra fareja o clima e hasteia no peito a mais reluzente de todas.
 
O tucano quer fatiar e vender a Petrobras.
 
Sinal dos tempos: agora explicita aquilo que sempre teve o cuidado de ocultar.
 
Seu projeto resgata o plano sedimentado no governo FHC.
 
Trata-se de criar uma situação de fato.
 
Qual?
 


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