A OPÇÃO DA MÍDIA
Globo silencia diante do crime do vazamento das fotos do dinheiro
Emissora não divulga gravação que comprova as intenções políticas do delegado Bruno ao entregar as fotos do dinheiro apreendido pela Polícia Federal e sua decisão de forjar um boletim de ocorrência para justificar o suposto “desaparecimento” do CD com as imagens.
Bia Barbosa – Carta Maior
SÃO PAULO – Jornalistas ouvidos pela Carta Maior neste sábado informaram que três jornais, uma emissora de rádio e a TV Globo possuem a gravação da fala do delegado Edmílson Pereira Bruno no momento em que ele entregou aos repórteres o CD com as fotos do dinheiro apreendido pela Polícia Federal. Na fita, o delegado diz “tá aqui. Agora vamos f... o governo e o PT” e informa à imprensa que, dali, iria forjar um boletim de ocorrência para justificar o suposto “desaparecimento” do CD com as imagens.
Em reportagem do Jornal Nacional deste sábado (30), o repórter César Tralli informa que o delegado afirmou que não divulgou as fotografias por vingança, mas por se sentir prejudicado pela Polícia Federal por ter feito as prisões daqueles que tentaram vender o dossiê contra José Serra e depois ter sido afastado do caso.
No entanto, em coletiva dada na tarde deste sábado, o coordenador da campanha eleitoral do PT à Presidência, Marco Aurélio Garcia, garantiu que os jornalistas que receberam as fotos sabiam da intenção do delegado Bruno de prejudicar o governo e a candidatura de Lula à reeleição.
"Temos absoluta certeza de que estas fotos foram passadas por um delegado a vários profissionais e, no momento em que foram passadas, foi dito por este delegado que o propósito dele era, sim, um propósito político e que ele pretendia prejudicar com essas fotos”, disse Garcia.
A TV Globo exibiu no Jornal Nacional este trecho da coletiva. Mas, logo na seqüência, o apresentador e editor William Bonner afirmou aos telespectadores que nenhum jornalista da emissora tinha essas informações.
Mas, segundo garantiu um funcionário da TV, a direção da Globo recebeu na tarde de sexta, mais de 24 horas antes, a fita que comprova as claras intenções políticas do delegado Bruno e sua iminente fraude de um boletim de ocorrência. Por que então não questionou a fala do delegado? Por que não colocou no ar a gravação com a sua declaração? Por que disse aos telespectadores que não sabia das intenções do delegado da PF?
Ao saber das intenções políticas do delegado, que não poderia divulgar as imagens, e que ele forjaria um boletim de ocorrência – ou seja, que um alto funcionário da Polícia Federal, com objetivos eleitorais, estava a caminho de cometer um crime – a única coisa que os jornalistas que receberam as fotos foram capazes de fazer foi se calar. A imprensa justificou a divulgação de imagens que quebraram um sigilo de justiça com base no interesse público. Mas “esqueceu” que também seria de mesmo interesse público informar seus leitores, ouvintes e telespectadores do crime que estava por trás deste “vazamento”.
Coincidências?
Neste sábado, o candidato ao governo de São Paulo pelo PT, senador Aloízio Mercadante, também declarou que alguns veículos estão omitindo informações do público que podem prejudicar o processo eleitoral. A imprensa não divulgou o trecho do depoimento à Polícia Federal em que Hamilton Lacerda, seu ex-assessor, o inocenta de participação no episódio de compra do dossiê contra Serra.
"Ontem, o Hamilton Lacerda foi à Polícia Federal e disse que eu não tinha nada a ver com esse episódio e alguns veículos simplesmente omitiram essa informação. Pode até discordar da informação, mas não pode omitir", criticou Mercadante. "Vocês [jornalistas] correm o risco de fazer uma brutal injustiça em relação, não apenas à minha candidatura, mas a esse momento da história do país", disse Mercadante.
Quando Luiz Antônio Vedoin depôs à Polícia Federal na última semana e isentou Serra de participar da máfia das sanguessugas – apesar de acusar seu sucessor, Barjas Negri – a Folha de S.Paulo estampou a seguinte manchete no dia 22: "Vedoin isenta Serra do caso sanguessuga". A um dia das eleições, não pareceu importante à grande imprensa fazer o mesmo com Mercadante.
02/09/2010
• Novo escândalo atinge governo tucano no Rio Grande do Sul :
Ação conjunta do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul, do Ministério Público de Contas e da Polícia Federal aponta existência de uma quadrilha no interior do Banco do Estado do RS (Banrisul). A força tarefa constituída pelos três órgãos investiga a ação de uma suposta organização criminosa, integrada por um alto funcionário do banco, agências de publicidade e prestadores de serviços, que pode ter causado um prejuízo de mais de 10 milhões de reais nos últimos 18 meses. Três pessoas foram presas em flagrante por peculato e lavagem de dinheiro. A PF encontrou em suas residências e empresas cerca de R$ 2 milhões sem origem identificada (foto).
01/09/2010
• Jornal JÁ: como calar e intimidar a imprensa :
Ação movida pela família do ex-governador Germano Rigotto, candidato ao Senado pelo PMDB gaúcho, está asfixiando financeiramente o jornalista Elmar Bones (foto), editor do Jornal JÁ, de Porto Alegre. Motivo de ação é uma premiada reportagem de Bones sobre aquela que seria uma das maiores fraudes da história gaúcha, ocorrida durante o governo de Pedro Simon: a licitação manipulada de 11 subestações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), que teria causado um prejuízo de R$ 840 milhões aos cofres do Estado, segundo investigações realizadas na época. Em recente decisão judicial, contas pessoais de Bones e sócio foram bloqueadas online para pagar advogados. O artigo é de Luiz Claudio Cunha, do Observatório da Imprensa.
30/08/2010
• O Globo se perde entre o céu e o inferno de São Conrado :
O jornal da família Marinho superou-se em sua edição de 22 de agosto ao dedicar em uma mesma edição um caderno para enaltecer a ótima qualidade de vida no bairro nobre de São Conrado e outro caderno para denunciar a “guerra do tráfico” e a insegurança no mesmíssimo bairro. A matéria do jornal especial sobre São Conrado começa indagando “o que leva alguém a escolher o bairro para viver”. Publicada no mesmo, dia a matéria sobre a “guerra no Rio” deixa essa pergunta sem resposta.