CARTA DE BERLIM
E a Alemanha disse não...
Repercute Europa à fora a rusga entre o governo norte-americano e o governo alemão em torno do Afeganistão. A situação é crítica, em mais este fracasso ou impasse da política do Big Stick (Grande Porrete) que Theodor Roosevelt apregoou e usou com sucesso no Caribe no começo do século XX e agora Bush quis usar em escala mundial, sem obter os mesmos resultados.
Flávio Aguiar
A OTAN mantém dezenas de milhares de soldados no Afeganistão numa situação que pode ser descrita como de confinamento. O “controle”que essas tropas – na maioria dos Estados Unidos, cujo contingente passa dos 25 mil soldados e agora receberá um reforço de mais 3.500 militares – têm sobre o território é mínimo e precário. Em geral ele não passa dos limites dos quartéis fortemente armados que, é claro, são bem equipados para resistir a possíveis ataques, ou se limita à guarda de comboios com armamentos e outros suprimentos que viajam pelo país. No restante, impera o Talebã ou o estado de “terra de ninguém”, ou por outra, “de todo mundo”, percorrida por bandos armados que nada têm de revolucionários ou de milicianos. Na prática, esta foi a “democracia” que os Estados Unidos e a OTAN levaram ao Afeganistão, depois de atacarem o Talebã que eles mesmos tinham insuflado para combater os soviéticos.
O principal refúgio das tropas da OTAN está no norte do país. O sul é considerado uma “zona conflagrada”, e ali o controle do Talebã é maior. Ali se engaja a maioria dos combates. E os Estados Unidos e a OTAN estão reclamando da falta de apoio dos alemães nesta região.
A Alemanha mantém 3.340 militares no Afeganistão, todos no norte do país. Essa presença é controvertida e contestada na Alemanha, cuja imprensa reportou casos de desmandos, alcoolismo e outras drogas, além de suspeitas de corrupção. Mas o mandato dado pelo Parlamento de Berlim é claro: trata-se de forças que devem operar em “questões de segurança”, e que não devem tomar a iniciativa em combates. Na prática isso quer dizer que as tropas germânicas só podem agir, em campo aberto, em caso de legítima defesa.
Nesta semana o Secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, enviou uma carta ao seu colega alemão Franz Josef Jung, pedindo o envio de mais tropas e maior engajamento nas frentes de combate. A carta, de 8 páginas, provocou constrangimentos e reações adversas dentro do governo de Berlim, pois, além de se confrontar uma determinação parlamentar do país, chegou em momento difícil em que o partido da democracia cristã, CDU, tenta se recompor da queda que sofreu nas eleições do importante estado de Hessen. O próprio Jung se viu forçado a se engajar na batalha de Hessen onde estava em jogo o destino de seu correligionário e amigo, Roland Koch, líder da facção mais conservadora do CDU.
O resultado foi que o governo alemão rejeitou o pedido de Gates, dizendo que a decisão do parlamento sobre o mandato das tropas não estava em discussão. A decisão provocou reações negativas dentro da OTAN. Os noruegueses ameaçam retirar seus soldados das zonas de combate caso não recebam mais reforços da OTAN. O Canadá, que também pressionara a Alemanha para mudar sua posição, também manifestou seu descontentamento.
Do ponto de vista estratégico a decisão alemã é um golpe para a OTAN, não só no que se refere ao Afeganistão, mas porque esse “desalinho” abala a política da Organização de manter e reforçar o “cordão de cerco” que existe claramente diante da Rússia. Este “cordão de cerco” é tanto militar como político, e o papel da Alemanha sobretudo na frente política continua sendo vital para os Estados Unidos. Nada pior para a política de controle mundial desse novo “Grande Porrete” do que uma Alemanha demasiadamente próxima da Rússia, assim como também não interessa um confronto aberto entre os dois velhos inimigos, o que traria forte instabilidade para a Europa inteira.
Agora resta saber, no futuro próximo, o que dirão Barack Obama, Hillary Clinton e John Mcain diante desse novo impasse da política da superpotência, que se comporta como um “hegemon”, mas que tem cada vez menos hegemonia dom ponto de vista político, o que é vital para assegurar a hegemonia militar de que dispõe. De Bush, já se sabe o que vai se ouvir, e Bush, ainda no poder, é claro, é hoje uma estrela cadente na constelação mundial.
Carta Maior Recomenda
Carta Maior recomenda nesta sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008, um bom fim de semana para todos os nossos companheiros e companheiras de caminho, aquele que, como se sabe, “se hace al andar”.
| COMENTÁRIOS (3 Comentários) | |||
| Opinião | Comentário | Autor | Data |
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Isto vai dar samba, mas a (... | João Aguiar | 03/02/2008 |
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Ótima notícia essa, Flávio.... | Ronaldo Irion Dalm... | 02/02/2008 |
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É importante lembrar que a ... | marcosomag | 02/02/2008 |
31/08/2010
• Uma análise do poder midiático na Argentina :
O discurso que Cristina Fernández de Kirchner fez em 24 de agosto foi mais além do que tinham ido todos os discursos dos presidentes argentinos até hoje. Ninguém – nem sequer o primeiro Perón ou Evita – fizeram tal desconstrução da estrutura do poder na Argentina. De quê ela estava falando? Do poder nas sombras, do poder detrás do trono, do verdadeiro poder. Qual é? É o poder midiático. A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia. O artigo é de José Pablo Feinmann.
30/08/2010
• "Hay que persuadir a Obama de que evite la guera nuclear" :
Durante alrededor de cinco horas que duró la charla-entrevista –incluido el almuerzo– con La Jornada, Fidel aborda los más diversos temas, aunque se obsesione con algunos en particular. Permite que se le pregunte de todo –aunque el que más interrogue sea él– y repasa por primera vez y con dolorosa franqueza algunos momentos de la crisis de salud que sufrió los pasados cuatro años. "No quiero estar ausente en estos días. El mundo está en la fase más interesante y peligrosa de su existencia y yo estoy bastante comprometido con lo que vaya a pasar. Tengo cosas que hacer todavía".