CRISE NA PM
Grupo de coronéis lidera críticas ao governo
Formado no ano passado por nove coronéis, grupo conhecido como Barbonos passou a liderar as reivindicações salariais e a incomodar o governo. Oito coronéis já foram exonerados. O nono rompeu com o movimento e é o novo comandante-geral da PM.
Maurício Thuswohl - Carta Maior
RIO DE JANEIRO – A queda-de-braço travada entre parte da cúpula da Polícia Militar do Rio de Janeiro e o Governo do Estado começou bem antes da passeata pela orla que, no domingo anterior ao carnaval, reuniu 500 oficiais e familiares para reivindicar melhores salários para a categoria. A tensão começou no fim de 2006, quando um grupo de oficiais colocou no ar, na internet, a página Projeto 200 Anos que, tendo como pretexto o aniversário da instituição, virou ponto de debates e exposições dos problemas, sobretudos os salariais, dos policiais.
Em julho do ano passado surgiu o grupo dos Barbonos, formado por nove coronéis que passaram a liderar as reivindicações salariais. Os Barbonos originais são os coronéis Hildebrando Esteves Ferreira, Paulo Ricardo Paúl, Dario Cony dos Santos, Ronaldo Antônio de Meneses, Rodolpho Lyrio Filho, Renato Fialho Esteves, Leonardo Passos Moreira e Francisco Carlos Viva, além de Gilson Pitta Lopes, que rompeu com o grupo e é o atual comandante geral da PM do Rio.
Com o passar do tempo, o grupo original se expandiu, ainda que secretamente, transformando os Barbonos num movimento de peso considerável dentro do comando da PM. Após a finalização de uma frustrante negociação que resultou num aumento de apenas 4% no ano passado, a insatisfação salarial entre os oficiais e a influência dos Barbonos cresceram. Na internet, começaram a pipocar blogs pedindo a saída do secretário Beltrame.
O aumento da pressão fez com que o corregedor interno da PM e um dos mais importantes Barbonos, o coronel Paulo Ricardo Paúl, fosse exonerado em janeiro por Beltrame após escrever em seu blog na internet críticas ao governo, além de outras declarações consideradas polêmicas acerca do nível salarial dos policiais e suas conseqüências.
A postura de enfrentamento teve sua gota d´água na passeata pré-carnavalesca, que chegou a se aproximar da residência de Sérgio Cabral, e só não fez um “apitaço” sob a janela do governador porque o ainda comandante-geral Ubiratan Ângelo conseguiu impedir. Segundo revelou depois, foi nesse exato momento que Cabral decidiu exonerar Ubiratan, “pois teve certeza que ele tinha comando sobre o grupo”.
Tentativa de reação
Dois dias após a passeata, as exonerações do comandante-geral e do chefe do Estado-Maior da PM, além de outros oito coronéis, fizeram com que os Barbonos e outros grupos de oficiais descontentes ensaiassem uma reação. Em 30 de janeiro, dezenove coronéis e 26 tenentes-coronéis entregaram ao novo comandante-geral, coronel Gilson Pitta, seus pedidos de afastamento, deixando 12 batalhões sem comando às vésperas do carnaval.
A onda de rebeldia se estendeu aos batalhões e, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública, pelo menos quatro deles (Jacarepaguá, Praça da Harmonia, Belford Roxo e Ilha do Governador) ameaçaram fazer greve, o que só foi impedido quando os soldados, cabos e sargentos foram convencidos de que seriam punidos diretamente pelo novo comando da PM se aderissem ao movimento.
A resposta do governo foi rápida. Em seu primeiro dia no cargo, Pitta exonerou dez oficiais e os transferiu para a Diretoria Geral de Pessoal (DGP), mais conhecida entre os policiais militares do Rio como “Geladeira”. Entre os enviados para a Sibéria da PM fluminense, estão sete dos nove coronéis que formam o grupo original dos Barbonos. O oitavo é Paulo Ricardo Paúl, que já havia sido exonerado. O nono é o próprio Pitta, que agora, como se percebe, está rompido com o movimento.
“Nos enganou a todos”
O papel do novo comandante geral da PM em todo esse enredo é motivo de polêmica, pois alguns Barbonos acusam abertamente Gilson Pitta Lopes de traição: “O Pitta nos enganou a todos”, resume o coronel Paúl, interessado em se transformar numa nova liderança política da categoria. Em entrevista ao jornal O Globo, outro Barbono, que preferiu não ter sua identidade revelada, foi além: “Pelo que observamos, ele estava infiltrado no grupo desde sua concepção. Nos sentimos apunhalados pelas costas”.
No dia de sua posse, indagado pela imprensa sobre o fato de ser um membro fundador dos Barbonos, Pitta foi direto: “Aquilo era minha posição naquele momento, em julho de 2007. De lá pra cá, o rumo do movimento mudou muito. Eu não concordei com isso e decidi me afastar”, disse o coronel. Em seu discurso, o novo comandante geral da PM falou várias vezes em disciplina e hierarquia, mostrando que, em que pese seu passado, agora está afinado com as necessidades políticas do secretário de Segurança Pública e do governador.
07/09/2010
• Estado policial: filhos de deputada são espionados e seguidos no RS :
Clima de faroeste segue no Rio Grande do Sul, beneficiado pelo silêncio da chamada grande mídia. Na tarde de segunda-feira (6) promotor que investiga sargento segurança de Yeda Crusius preso por extorsão avisou a deputada Stela Farias (PT), que presidiu CPI da Corrupção na Assembléia Legislativa, que seus três filhos, incluindo uma criança, foram espionados e seguidos pelo ex-integrante da Casa Militar do governo Yeda. O araponga do governo tucano no RS armazenou fotos e o itinerário dos filhos da parlamentar.
06/09/2010
• MP divulga lista de espionados por segurança de Yeda Crusius :
Relação de nomes espionados por sargento que trabalhava na segurança da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), inclui políticos (como os do ex-ministro da Justiça e candidato ao governo gaúcho, Tarso Genro, do PT, e do senador Sérgio Zambiasi, do PTB) filhos de políticos (incluindo pesquisas de fotos de crianças), jornalistas (entre os quais o do editor da Carta Maior), delegados, oficiais da polícia e das forças armadas, e integrantes do Judiciário. Sargento foi preso semana passada acusado de cobrar propinas de proprietários de máquinas cala-níqueis, usando carros oficiais do governo.
04/09/2010
• “Serra que vá para a rua tentar convencer o eleitor” :
Presidente Lula criticou duramente a postura do candidato tucano José Serra, em entrevista à imprensa, ontem, no Rio Grande do Sul. Lula disse que Serra está sem argumento, com dor de cotovelo, tentando censurar a internet e ganhar a eleição impugnando a candidatura adversária via Justiça Eleitoral. "Isso já aconteceu em outros tempos de ditadura militar. Em tempo de democracia, o Senhor Serra que vá para a rua, que melhore a qualidade de seu programa, que faça propostas para o nosso país", disse o presidente.
03/09/2010
• Hipóteses para o caso do vazamento :
Há várias hipóteses para o episódio do vazamento das declarações de renda. Uma delas, que os autores tenham sido "aloprados". Outra, que tenha sido fruto de brigas intestinas no próprio PSDB. Uma terceira, que seria uma manobra da própria inteligência de José Serra, visando contrabalançar os efeitos das investigações do jornalista Amaury Ribeiro Junior. Luis Nassif publica relato que joga água no moinho das duas últimas hipóteses.