Internacional| 07/03/2008 | Copyleft

COLÔMBIA

Revista denunciou envolvimento de Uribe com o narcotráfico

Artigo publicado pela revista Newsweek, em agosto de 2004, revelou informações de um relatório dos serviços de inteligência dos EUA, apontando o envolvimento do presidente colombiano, Álvaro Uribe, com narcotraficantes e com o Cartel de Medellín.

Em agosto de 2004, a revista Newsweek publicou um artigo apontando o envolvimento do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, com integrantes do narcotráfico. Assinado pelos jornalistas Joseph Contreras e Steven Ambrus, o artigo citou informações de um relatório do serviço de inteligência dos Estados Unidos para sustentar a afirmação sobre o envolvimento de Uribe com narcotraficantes e grupos para-militares colombianos.

Entre outras informações, o relatório a que os jornalistas da Newsweek tiveram acesso fala do envolvimento de Uribe com o Cartel de Medellín, com atividades com narcóticos nos EUA e com o líder do narcotráfico Pablo Escobar Gaviria, morto pela polícia em 1993. Na época, a assessoria de Uribe divulgou uma nota negando a ligação de Uribe com negócios nos EUA, mas silenciando em relação às outras acusações. A íntegra da matéria da Newsweek é a seguinte:

“Um relatório liberado pelos serviços de inteligência do Departamento de Defesa (dos EUA), datado de setembro de 1991, pode ser visto como uma espécie de ‘Quem é Quem’ no tráfico de cocaína na Colômbia. A lista inclui o cabeça do cartel de Medellín, Pablo Escobar, e mais de 100 outros escroques, assassinos, traficantes e obscuros advogados supostamente a seu serviço. Lá se encontra o número 82 da lista: ‘Álvaro Uribe Velez - político e senador colombiano dedicado à colaboração com o Cartel de Medellín a partir dos altos escalões governamentais. Uribe esteve envolvido em atividades com narcóticos nos EUA.... Uribe trabalhou para o Cartel de Medellín e é amigo íntimo de Pablo Escobar Gaviria’. Escobar morreu em 1993, em meio a uma blitz policial. Há dois anos, Uribe tornou-se presidente da Colômbia.

Washington o ama. Numa declaração impressa de duas páginas, a assessoria do presidente colombiano negou que Uribe tenha tido ligações de qualquer tipo com negócios nos EUA, conforme consta do relatório de 1991 (a lista foi obtida pelo Arquivo de Segurança Nacional - NSA - um grupo independente de pesquisa nos EUA). Entretanto, a declaração não tratou das alegações de que Uribe tenha trabalhado para o Cartel de Medellín e que tenha sido amigo íntimo de Escobar. Isto se deve, talvez, ao fato de Uribe acreditar que seus atos mais recentes falem mais alto do que seus desmentidos: nos últimos dois anos, a Colômbia extraditou 140 acusados de tráfico para os EUA - uma cifra jamais igualada por qualquer presidente anterior. ‘Este é provavelmente um dos presidentes mais pró-americanos em toda a história da América Latina’, afirmou Adam Isacson, no Centro para a Política Internacional, em Washington.

Ainda assim, algumas questões permanecem. Uribe tem falado de paz com os grupos fora-da-lei de paramilitares de direita. Esses grupos começaram a agir em auto-defesa, frente ao movimento de guerrilha marxista fora de controle, embora eles mesmos (os paramilitares) tenham apoio do comércio de drogas. Após obter permissão legal para combater a guerrilha de esquerda, Uribe passou a oferecer perdão aos paramilitares que renunciarem ao tráfico e se desarmarem. ‘Algumas dessas pessoas nem mesmo têm credenciais que indiquem sua atuação anti-guerrilha’, comenta Isacson. ‘São simplesmente traficantes de drogas que compraram seu ingresso no movimento paramilitar como uma forma de obter status político, legitimar suas fortunas e poder caminhar livres’. Muitos colombianos parecem despreocupados. Com os níveis de aprovação do presidente beirando os 70%, provavelmente ele conseguirá aprovar uma emenda constitucional, ainda este ano, que permitirá que ele concorra novamente ao cargo em 2006 - e vença”.



 

>> INSIRA SEU COMENTÁRIO >>

COMENTÁRIOS (7 Comentários)
       
Opinião Comentário Autor Data
Caro Nirdo! Se você tivesse... Francisco Antonio ... 10/03/2008
Essa, a mídia direitista nã... Carlos Henrique Si... 10/03/2008
Até eu que ando viajando pe... Yawara 09/03/2008
grande matéria! Parece que ... altamiro souza 08/03/2008
Parabéns ao Carta Maior! Es... nirdo 07/03/2008
Francisco, desaprovo tentat... nirdo 07/03/2008
No meio de toda essa parafe... Francisco Antonio ... 07/03/2008
 
Leia Mais

31/08/2010

Uma análise do poder midiático na Argentina : O discurso que Cristina Fernández de Kirchner fez em 24 de agosto foi mais além do que tinham ido todos os discursos dos presidentes argentinos até hoje. Ninguém – nem sequer o primeiro Perón ou Evita – fizeram tal desconstrução da estrutura do poder na Argentina. De quê ela estava falando? Do poder nas sombras, do poder detrás do trono, do verdadeiro poder. Qual é? É o poder midiático. A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia. O artigo é de José Pablo Feinmann.

Os EUA, o Chá e o 11/09: modernidade e regressão : Embora o Partido do Chá não constitua um partido oficial, represente a maioria ou detenha uma face única, sua mobilização social atrai segmentos diversos. A sua atração reside na externalização de problemas ao outro, o governo, as instituições públicas ou o diferente, sintetizado em um discurso composto pelos “antis” e pelos “prós”: anti-Estado, anti-impostos, anti-minorias, anti-direitos civis e sociais, pró-armas, pró-vida, pró-religião. O espírito é conservador, o que gera posições paradoxais: critica-se a reforma da saúde e do sistema financeiro como intrusivas, mas, ao mesmo tempo silencia-se ou apóia-se o Ato Patriota que, mais do que estes ajustes, é contrário às liberdades individuais. O artigo é de Cristina Soreanu Pecequilo.

Un análisis del poder : El discurso que la presidenta CFK ofreció el 24 de agosto fue más allá de lo que han ido todos los discursos de los presidentes argentinos hasta la fecha. Nadie –ni siquiera el primer Perón o Evita– procedieron a una destotalización de la estructura del poder en la Argentina. Analíticamente, destotalizó, en primer término, la totalidad y luego la armó otra vez para exhibir su funcionamiento. ¿De qué estaba hablando la Presidenta? Del poder en las sombras, del poder detrás del trono, del verdadero poder. ¿Cuál es? Es el poder mediático.

30/08/2010

"Hay que persuadir a Obama de que evite la guera nuclear" : Durante alrededor de cinco horas que duró la charla-entrevista –incluido el almuerzo– con La Jornada, Fidel aborda los más diversos temas, aunque se obsesione con algunos en particular. Permite que se le pregunte de todo –aunque el que más interrogue sea él– y repasa por primera vez y con dolorosa franqueza algunos momentos de la crisis de salud que sufrió los pasados cuatro años. "No quiero estar ausente en estos días. El mundo está en la fase más interesante y peligrosa de su existencia y yo estoy bastante comprometido con lo que vaya a pasar. Tengo cosas que hacer todavía".

"Não tenho dúvida de que ocorrerão grandes mudanças no México" : Na segunda parte da entrevista à jornalista Carmem Lira Saade, do La Jornada, Fidel Castro comenta suas recentes declarações a respeito de uma fraude que teria ocorrido nas últimas eleições presidenciais mexicanas prejudicando o candidato Andrés Manuel López Obrador.

Fidel Castro: “Cheguei a estar morto, mas ressuscitei” : Em entrevista exclusiva ao jornal La Jornada (a primeira concedida a um veículo impresso desde que uma diverticulite obrigou seu afastamento da liderança do governo cubano), Fidel Castro fala sobre o que aconteceu, diz que esteve à beira da morte, mas ressuscitou. E fala de seus planos para o futuro: "Não quero estar ausente nestes dias. O mundo está na fase mais interessante e perigosa de sua existência e eu estou bastante comprometido com o que está acontecendo. Ainda tenho muitas coisas para fazer".

Busca:
  Cadastro: somos 64096
.

Boletim Carta Maior
.
.
.

.

.
Destaques
 
Parcerias
.
Principal | TV Carta Maior | Blog do Emir Sader | Colunistas | Análise & Opinião | Arte & Cultura | Direitos Humanos | Economia | Educação | Humor | Internacional | Meio Ambiente | Movimentos Sociais | Política | Radio Carta Maior | Cartas dos Leitores | Expediente | Quem Somos