CONTRA A VIOLÊNCIA DE ESTADO
Mais de 200 mil marcham contra Uribe na Colômbia
Em repudio às matanças perpetradas pelos paramilitares, milhares de colombianos protestaram contra o governo de Álvaro Uribe. Multidão chamou presidente de "lacaio imperialista". Jovens enfrentaram a polícia no fim do protesto. Pelo menos dez ficaram feridos.
Jorge Enrique Botero - La Jornada
BOGOTÁ - Como um rio furioso cujas águas tivessem estado represadas por anos, a maior multidão vista nos últimos tempos saiu às ruas de 21 cidades colombianas, no dia 6 de maço, para render tributo às vítimas dos paramilitares e de crimes de Estado.
Nesta capital, pelo menos 200 mil pessoas caminharam pela central Carrera Séptima rumo à Praça de Bolívar, que ficou cheia pelo menos três vezes ao longo de quase cinco horas, durante as quais os manifestantes lançaram duras críticas ao governo do presidente Álvaro Uribe.
As marchas que tinham sido qualificadas por altos funcionários governamentais como “de apoio à guerrilha”, foram uma verdadeira avalanche humana em que a maioria dos manifestantes acusou Uribe de ser aliado dos grupos paramilitares de extrema direita.
“Vamos à rua, derrubar o governo paramilitar”, gritavam centenas de estudantes da Universidade Nacional, enquanto milhares de trabalhadores de empresas estatais acusavam o mandatário colombiano de “fascista, lacaio imperialista”.
Organizadas pelo Movimento Nacional de Vítimas dos Crimes de Estado, as marchas tomaram um rumo inesperado quando os participantes se pronunciaram sobre os mais recentes acontecimentos políticos, incluída a crise diplomática com o Equador e a Venezuela. Inclusive, numerosos manifestantes marcharam ao grito de “Chávez sim, Uribe não”, no meio dos aplausos do grande público que se lotava cada lado da principal avenida da capital colombiana.
Jaime Caicedo, vereador de Bogotá pelo Pólo Democrático (esquerda) disse para La Jornada que a massiva mobilização era uma contundente resposta à idéia vendida pela mídia de que Uribe conta com o apoio majoritário dos colombianos. “Parece que os pesquisadores nunca perguntaram a opinião destas centenas de milhares de colombianos”, ironizou.
No cair da tarde, quando a manifestação na Praça de Bolívar já estava se dissolvendo, centenas de jovens tiveram um enfrentamento com a polícia, que literalmente tinha ocupado o centro da cidade. Os fatos derivaram para uma verdadeira batalha campal que deixou um saldo de pelo menos 10 feridos, vultosos danos em locais bancários e comerciais, e um número indeterminado de detidos.
Um dos organizadores da homenagem às vítimas, Iván Cepeda, filho do senador comunista Manuel Cepeda, assassinado em 1992, confessou para este correspondente que a magnitude da marcha superou suas expectativas e explicou que participaram, além de órfãos e viuvas, milhares de camponeses expulsos de suas terras pelas ações dos grupos paramilitares.
De acordo com cifras de organismos especializados, mais de quatro milhões de pessoas foram vítimas do êxodo forçado após centenas de massacres perpetrados pelos paramilitares. Atualmente, mais de 60 congressistas que apoiaram a eleição de Uribe estão presos ou são investigados por seus vínculos com os esquadrões da morte.
Cepeda acrescentou que também houve homenagens às vítimas dos paramilitares e dos crimes de estado em 150 cidades dos cinco continentes.
La Jornada entrevistou, também, um grupo de jovens associados ao movimento “Filhos e Filhas”. Alejandra Gaviria, cujo pai foi assassinado no início dos anos 80 na cidade de Medellín, disse que não permitirá que este crime seja esquecido. Explicou que até agora o assassinato de seu pai está impune. “Por isso, um dos nossos lemas é: nem perdão nem esquecimento, castigo para os assassinos”.
Também foram destaque nas marchas a grande quantidade de coloridas expressões culturais: pequenas representações da violência, música e dança.
Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores
| COMENTÁRIOS (10 Comentários) | |||
| Opinião | Comentário | Autor | Data |
|
|
Essa manifestação não foi m... | Sérgio César Júnio... | 18/03/2008 |
|
|
Até quando permitiremos que... | Mauro Carneiro | 14/03/2008 |
|
|
Podiam ter posto uma foto ... | Cassio | 14/03/2008 |
|
|
Obrigada, CArta Maior! A im... | Patricia | 13/03/2008 |
|
|
eu já imaginava, a notícia... | moacir cesar matio... | 13/03/2008 |
|
|
Não saiu nadinha em lugar n... | João Aguiar | 11/03/2008 |
|
|
Sempre acompanho os princip... | Raimundo W. S. Mel... | 10/03/2008 |
|
|
Ainda bem que Carta Maior e... | Lú Vigiano | 10/03/2008 |
|
|
Desafio os leitores que ain... | luiz claudio pinhe... | 10/03/2008 |
|
|
Alguém, por acaso, viu a co... | sergio | 10/03/2008 |
09/02/2010
• Uma Bolsa Família Internacional para o Haiti?
:
Se no Brasil o Bolsa-Família foi capaz de assegurar alimentação diária para 44 milhões de seres humanos que viviam , ou melhor, vegetavam dormindo e acordando com fome, como não será possível que algumas dezenas de países juntos, sobretudo os ricos, destinassem parte de seus recursos para assegurar a 10 milhões de haitianos que possam alimentar-se regularmente, enquanto o país é reconstruído? O artigo é de Beto Almeida.
08/02/2010
• Fórum Urbano Mundial discutirá futuro das médias e grandes cidades
:
Para enfrentar o desafio de reverter essa tendência e encontrar soluções sustentáveis para as grandes cidades, a ONU criou em 2002 o Fórum Urbano Mundial, que terá sua quinta edição entre os dias 22 e 26 de março no Rio de Janeiro. Com a expectativa de reunir um público de 15 mil participantes de diversos países, esta será a primeira vez que o evento acontecerá em um país da América Latina. O tema da quinta edição do Fórum Urbano Mundial será “O direito à cidade: unindo o urbano dividido”.
06/02/2010
• O papel do Pentágono na catástrofe global :
Como o Pentágono conseguiu a isenção de todos os acordos climáticos? Durante as negociações para o Acordo de Kyoto, os EUA exigiram, como condição para a sua assinatura, que todas as suas operações militares no mundo, bem como as operações em que participa com a ONU e com a OTAN, ficassem totalmente isentas das medidas restritivas de redução da emissão de gases. Depois de obter essa gigantesca concessão, o governo Bush se negou a assinar os acordos. A total exclusão das operações globais do Pentágono faz com que as emissões de dióxido de carbono dos EUA pareçam ser muito menores do que são na realidade. O artigo é de Sara Flounders.


