Internacional| 05/05/2008 | Copyleft

TENSÃO NA BOLÍVIA

Abstenção no referendo pela autonomia de Santa Cruz chega a 35%

Resultado final do referendo realizado neste domingo deve demorar seis dias. Primeiros resultados apontam para uma abstenção de cerca de 35% dos eleitores. Entre os que compareceram às urnas, cerca de 84% votaram pelo "Sim". Presidente Evo Morales diz que quase metade dos habitantes de Santa Cruz não aprovaram consulta autonomista. E faz um apelo aos líderes oposicionistas para debater uma "autonomia verdadeira".

O referendo convocado pelo governador de Santa Cruz, Rubén Costas, para decidir a autonomia do departamento (o mais rico do país) em relação ao governo central, teve cerca de 35% de abstenção, segundo os números já apurados nesta segunda-feira. A previsão é de que a apuração dure seis dias. Entre os votantes, cerca de 84% disseram “Sim” à proposta de autonomia.

Somando o índice de abstenção com o daqueles que votaram contra a proposta de autonomia e os votos nulos, mais de 45% não aderiram à campanha da oposição, o que levou o governo boliviano a qualificar a iniciativa como um fracasso. Segundo os primeiros dados da Corte Departamental Eleitoral (CDE), com um terço das mesas apuradas, a participação foi de 64%, com 84% dos votos pelo “Sim”.

Para a representante do governo Evo Morales na região, Gabriela Montaño, “se os resultados fossem mostrados de maneira transparente, a abstenção superaria amplamente os 50% nas zonas rurais e os 40% na cidade”. Ela colocou sob suspeita a apuração da CDE, ligada ao governo do departamento.

Apelo por uma "autonomia verdadeira"
Em uma mensagem transmitida em rede de TV na noite de domingo, o presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que a consulta autonomista convocada pelo governador oposicionista, Rubén Costas, e pelo presidente do chamado Comitê Cívico, Branco Marinkovic, “fracassou rotundamente” e “dividiu Santa Cruz”. Evo Morales fez apelo aos governadores para que trabalhem em defesa de uma autonomia verdadeira.

“O estatuto autonômico fracassou rotundamente. Essa consulta ilegal e anticonstitucional não teve o êxito que esperavam algumas famílias ou grupos de poder do departamento de Santa Cruz”, disse o presidente boliviano. Segundo ele, a principal causa desse fracasso foi a violência e o enfrentamento verificado entre as famílias de Santa Cruz. Além disso, referiu a fraude evidenciada no bairro de Plan Tres Mil, na cidade de Santa Cruz.

Denúncia de fraude
Neste bairro, foram encontradas dezenas de urnas, com cédulas em seu interior marcadas com a opção “Sim”. Detalhe: Plan Tres Mil rejeitou a consulta autonomista. Evo Morales também criticou a ação de jovens de outros pontos de Santa Cruz, que se somaram à milícia da União Juvenil Cruzenhista em atos de violência e agressão.

Outro ponto destacado pelo presidente boliviano foi a alta abstenção na votação. Segundo dados preliminares da Corte Departamental Eleitoral de Santa Cruz, quatro em cada dez eleitores do departamento não votaram na consulta. Conforme essa tendência, dos 935.527 eleitores aptos a votar, cerca de 374 mil não compareceram às urnas. Para Evo Morales, os primeiros resultados indicam uma abstenção de cerca de 39%, que somada aos votos pelo “Não”, brancos e nulos superaria a casa dos 50%.

''Se queremos dizer a verdade, estou seguro de que é muito mais de 50%. Por isto digo que não se pode enganar o povo boliviano dizendo que há um vencedor com mais de 80%'', disse o presidente, que acrescentou: “Se compararmos os dados do comparecimento com os de anos passados, praticamente triplicou a abstenção do povo e das famílias que habitam Santa Cruz, porque não concordam com a ilegalidade, a inconstitucionalidade e menos com o separatismo”.

Lamentavelmente, afirmou ainda Evo Morales, “essa consulta dividiu o departamento de Santa Cruz e confrontou suas famílias”. “Mas eu acredito na consciência, na força e na sabedoria do povo boliviano, que neste domingo, apesar das agressões e ameaças, desenvolveu uma grande rebelião”, concluiu. O presidente encerrou seu pronunciamento com um chamado aos governadores da oposição para um diálogo em torno do tema das autonomias regionais.

Reabertura do diálogo
Nesta segunda-feira, Evo Morales voltou a pedir a reabertura do diálogo com os governadores. “O governo só está esperando um chamado dos governadores para que possamos marcar hora e local desta reunião”, disse o porta-voz da presidência, Ivan Canelas. Também nesta segunda, alguns dos principais jornais bolivianos, como El Mundo e El Dia, publicaram um anúncio pago do governo, convocando os prefeitos para trabalhar por uma verdadeira autonomia. Além disso, Evo Morales agradeceu a todos os que resistiram a “consulta ilegal e inconstitucional”.

A representante do governo em Santa Cruz, Gabriela Montaño, previu que os conflitos no departamento se agravarão se os líderes opositores tentarem aplicar o estatuto autônomo submetido ao referendo. Segundo ela, a votação de domingo mostrou que a polarização não é entre oriente e ocidente, mas sim que existe uma profunda polarização no interior do departamento de Santa Cruz.



Fotos: Arquivo
 

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COMENTÁRIOS (5 Comentários)
       
Opinião Comentário Autor Data
bobagens, nenhuma nacao que... pinheiro 15/06/2008
O PRESIDENTE EVO MORALES, ... MARIA GORETTI 13AM... 10/05/2008
Quando a consulta, a pressã... Gilberto Martins 08/05/2008
Oh, burguesia. No poder com... Achiles Lemos Neve... 06/05/2008
E quem disse que toda a abs... carlos eduardo 06/05/2008
 
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31/08/2010

Uma análise do poder midiático na Argentina : O discurso que Cristina Fernández de Kirchner fez em 24 de agosto foi mais além do que tinham ido todos os discursos dos presidentes argentinos até hoje. Ninguém – nem sequer o primeiro Perón ou Evita – fizeram tal desconstrução da estrutura do poder na Argentina. De quê ela estava falando? Do poder nas sombras, do poder detrás do trono, do verdadeiro poder. Qual é? É o poder midiático. A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia. O artigo é de José Pablo Feinmann.

Os EUA, o Chá e o 11/09: modernidade e regressão : Embora o Partido do Chá não constitua um partido oficial, represente a maioria ou detenha uma face única, sua mobilização social atrai segmentos diversos. A sua atração reside na externalização de problemas ao outro, o governo, as instituições públicas ou o diferente, sintetizado em um discurso composto pelos “antis” e pelos “prós”: anti-Estado, anti-impostos, anti-minorias, anti-direitos civis e sociais, pró-armas, pró-vida, pró-religião. O espírito é conservador, o que gera posições paradoxais: critica-se a reforma da saúde e do sistema financeiro como intrusivas, mas, ao mesmo tempo silencia-se ou apóia-se o Ato Patriota que, mais do que estes ajustes, é contrário às liberdades individuais. O artigo é de Cristina Soreanu Pecequilo.

Un análisis del poder : El discurso que la presidenta CFK ofreció el 24 de agosto fue más allá de lo que han ido todos los discursos de los presidentes argentinos hasta la fecha. Nadie –ni siquiera el primer Perón o Evita– procedieron a una destotalización de la estructura del poder en la Argentina. Analíticamente, destotalizó, en primer término, la totalidad y luego la armó otra vez para exhibir su funcionamiento. ¿De qué estaba hablando la Presidenta? Del poder en las sombras, del poder detrás del trono, del verdadero poder. ¿Cuál es? Es el poder mediático.

30/08/2010

"Hay que persuadir a Obama de que evite la guera nuclear" : Durante alrededor de cinco horas que duró la charla-entrevista –incluido el almuerzo– con La Jornada, Fidel aborda los más diversos temas, aunque se obsesione con algunos en particular. Permite que se le pregunte de todo –aunque el que más interrogue sea él– y repasa por primera vez y con dolorosa franqueza algunos momentos de la crisis de salud que sufrió los pasados cuatro años. "No quiero estar ausente en estos días. El mundo está en la fase más interesante y peligrosa de su existencia y yo estoy bastante comprometido con lo que vaya a pasar. Tengo cosas que hacer todavía".

"Não tenho dúvida de que ocorrerão grandes mudanças no México" : Na segunda parte da entrevista à jornalista Carmem Lira Saade, do La Jornada, Fidel Castro comenta suas recentes declarações a respeito de uma fraude que teria ocorrido nas últimas eleições presidenciais mexicanas prejudicando o candidato Andrés Manuel López Obrador.

Fidel Castro: “Cheguei a estar morto, mas ressuscitei” : Em entrevista exclusiva ao jornal La Jornada (a primeira concedida a um veículo impresso desde que uma diverticulite obrigou seu afastamento da liderança do governo cubano), Fidel Castro fala sobre o que aconteceu, diz que esteve à beira da morte, mas ressuscitou. E fala de seus planos para o futuro: "Não quero estar ausente nestes dias. O mundo está na fase mais interessante e perigosa de sua existência e eu estou bastante comprometido com o que está acontecendo. Ainda tenho muitas coisas para fazer".

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