
COLÔMBIA
Betancourt: uma libertação comprada?
Rádio pública da Suíça coloca em dúvida versão oficial do governo colombiano sobre a libertação de Ingrid Betancourt. Segundo emissora, transação teria custado cerca de US$ 20 milhões. Governo colombiano nega transação e reafirma tese do resgate
Sergio Ferrari - ALAI AmLatina
Escassas horas antes da chegada de Ingrid Betancourt a Paris, na tarde dessa sexta-feira, 4 de julho, a Rádio Suíça Francesa (RSR) lançou uma nova hipótese sobre a libertação da refém colombiana. A mesma coloca em dúvida a versão oficial oferecida pelo Governo desse país sul-americano.
Ingrid Betancourt e os outros 14 reféns que estavam sob controle das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) não foram libertados durante uma ação militar, mas comprados por alto preço.
Essa é a tese de uma informação difundida somente após o meio-dia da sexta-feira pela Rádio Suíça Francesa, a principal emissora pública da região francófona.
A RSR, apoiando-se em uma "fonte segura" - que colabora há anos com a emissora - assinala que "o valor da transação oscila entre os 20 milhões de dólares".
Segundo a mesma rádio, na base do acordo encontra-se a esposa do responsável pelos reféns detidos. A mulher "serviu de intermediária desde que foi detida por parte das forças" militares colombianas. Ela havia permitido abrir um canal de negociações com o grupo que tinha em seu poder os reféns e obter que seu responsável, Geraldo Aguilar, mudasse de lado.
Segundo a emisora, "na origem da transação (estiveram) os Estados Unidos". Três dos quinze detidos pelas FARC são "agentes do FBI... e haviam sido emprestados a DEA (Agencia Federal de Luta contra o tráfico de drogas).
Para a rádio pública suíça, "a libertação, com as armas na mão, no melhor estilo Ninja, não seria mais que uma máscara (ou disfarce)" midiático.
A tese desmente também o outro argumento oficial da "infiltração" da condução das FARC por parte de agentes militares.
Dois elementos centrais motivaram os observadores e jornalistas sobre os acontecimentos que desencadearam a libertação dos 15 reféns.
Em primeiro lugar, que a ação se realizara sem nenhum tropeço, nem complicação militar. Além disso, que não existem imagens completas da mesma.
Normalmente, em situações similares, os operativos são detalhadamente filmados e as imagens são amplamente difundidas. A RSR se pergunta: "Dado que a operação foi um êxito, por que não foi difundido nenhum vídeo sobre a mesma?
Perguntando-se sobre as razões desse show midiático, a emissora busca a resposta no interesse em reforçar externamente a "linha dura oficial" do presidente Álvaro Uribe. E no desejo do mesmo de adaptar a apresentação do suposto resgate a sua "própria agenda política".
Há dez dias, o chefe de Estado colombiano solicitou ao Congresso que convocasse de imediato as eleições presidenciais antecipadas. A RSR conclui, afirmando que, nesse sentido, "o timing, o tempo político é perfeito ".
NOTA DA REDAÇÃO: O governo colombiano negou, na tarde desta sexta, que tenha pago um resgate para a libertação de Betancourt e reafirmou a tese do resgate. A emissora suíça, por sua vez, manteve sua versão.
31/08/2010
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O discurso que Cristina Fernández de Kirchner fez em 24 de agosto foi mais além do que tinham ido todos os discursos dos presidentes argentinos até hoje. Ninguém – nem sequer o primeiro Perón ou Evita – fizeram tal desconstrução da estrutura do poder na Argentina. De quê ela estava falando? Do poder nas sombras, do poder detrás do trono, do verdadeiro poder. Qual é? É o poder midiático. A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia. O artigo é de José Pablo Feinmann.
30/08/2010
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