Internacional| 10/09/2008 | Copyleft

OBAMA x McCAIN

Nos EUA, empate técnico. O “resto do mundo” está com Obama.

Em pesquisas que a imprensa dos EUA tem chamado de “opinião do resto do mundo”, o apoio a Obama é de 49%, e a McCain, de 12%. Em território estadunidense, no entanto, três pesquisas feitas desde o final da convenção republicana mostram McCain entre 1 e 4 pontos à frente, resultado dentro da margem de erro. Em outras duas, há empate numérico entre republicanos e democratas.

Ao que tudo indica, a convenção partidária fez bem à candidatura de John McCain, e as pesquisas agora mostram o republicano empatado com o candidato democrata à presidência nos Estados Unidos, Barack Obama. A crise econômica e a impopularidade do presidente George W. Bush tornam o ambiente político ruim para os republicanos, mas diretórios do partido em todo o país relatam uma onda de voluntários e doações nestes últimos dias.

Os estrangeiros, legais ou não, residentes no país apóiam a candidatura de Obama. Cerca de nove milhões de hispânicos podem votar nas próximas eleições presidenciais, e, em quatro estados onde o voto desta comunidade é crucial, os latinos demonstram inclinação ao Partido Democrata, ainda segundo as pesquisas divulgadas na última semana.

Em pesquisa, divulgada na segunda-feira (8) em conjunto pelo Washington Post e pela ABC News, Obama tem 1 por cento de vantagem entre os eleitores registrados, enquanto McCain está 2 pontos à frente entre pessoas que pretendem votar. Em ambos os casos, há empate por causa da margem de erro. Antes da convenção republicana, Obama tinha uma ligeira vantagem na maioria das pesquisas, embora em várias delas o empate técnico já aparecesse.

Segundo o grupo Nielsen Media Research, o discurso de McCain, durante a convenção do partido, foi assistido por 38,9 milhões de telespectadores, quebrando o recorde de audiência registrado na semana passada pelo rival democrata. "Obama tinha a bola e marcou na sua convenção, aí McCain pegou a bola e marcou. Então voltamos para onde estávamos: empate", afirma Dane Strother, consultor democrata. "Esta corrida vai se resolver em algum condado obscuro de Ohio ou da Flórida, exatamente como sabíamos que seria", prevê.

Segundo matérias publicadas no The New York Times da última semana, Mc Cain estaria tentando se distanciar de Bush durante a campanha, mostrando-se como “o candidato da mudança”. Em matéria de 4 de setembro último, intitulada “Partido no poder, correndo como se não estivesse”, Peter Baker analisa:

“Depois de assistir os dois conclaves políticos das duas últimas semanas, é fácil de confundir qual dos dois foi o encontro da oposição. Assim que o senador republicano John McCain aceitou a nomeação para candidato à presidente da república, ele e os seus apoiadores começaram a soar como insurgentes tentando derrubar o atual governo”.

O reflexo da impopularidade de Bush é tão grande que, pela primeira vez desde 1952, o partido que detém a Casa Branca não nomeou o presidente ou o vice como candidato. A escolha por McCain para concorrer foi por “alguém sem grande interesse de aparecer como apoiador do governo, justo em um momento em que o partido entende ser difícil defender o que aconteceu nos últimos oito anos de governo Bush”, diz a matéria de Baker.

Ainda segundo o Times, assim que a imagem de George Bush desvaneceu da tela depois de seu discurso gravado e apresentado durante a convenção republicana, nenhuma das pessoas que falou depois mencionou o nome do atual presidente. Uma contagem feita por computador pelo jornal mostrou que o nome de Bush apareceu 12 vezes mais durante falas da convenção democrata.

Em breve discurso de aceitação como candidato, McCain agradeceu "o presidente", sem indicar seu nome, por conduzir o país "naqueles dias negros" e para "manter-nos seguros de outro ataque”. Referindo-se aos ataques de 11 de setembro, o candidato não fez qualquer referência a Bush, e creditou “as vitórias” militares "à liderança de um brilhante general, David Petraeus".

Enquanto isso, “no resto do mundo”, Obama é o preferido pela população de 22 países. Segundo pesquisa realizada pelo instituto GlobeScan e divulgada pela emissora pública britânica BBC no dia 3 de setembro, 46% da população mundial acredita que o mundo será melhor se o candidato democrata vencer as eleições. A preferência por Obama aparece em todos os 22 países pesquisados.

Obama passou o mês de julho em uma grande viagem pela Europa e pelo Oriente Médio, que incluiu um discurso para 200 mil pessoas em Berlim. Para 46% dos consultados, as relações dos EUA com o mundo podem melhorar se Obama assumir. Se McCain ganhar, apenas 20% acreditam que haverá avanços nas relações. A vantagem de Obama varia de 9% na Índia a 82% no Quênia, onde o democrata tem família. Foram entrevistadas 22.500 pessoas.

A aprovação geral do atual governo estadunidense também é baixa. Em pesquisa divulgada neste ano também pela BBC, os números apontam que 49% das pessoas entrevistadas tinham uma visão negativa da influência do país no mundo, e apenas 32% avaliaram a nação positivamente. Nas eleições de 2008, os mais entusiasmados com o impacto de um possível mandato de Obama são justamente os aliados do país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) - Canadá, França, Alemanha, Reino Unido e Itália. Além deles, Austrália, Nigéria e Quênia também estão com Obama.

Na avaliação geral, segundo 46% dos entrevistados, um presidente estadunidense negro "mudaria fundamentalmente" a percepção deles sobre o país. Para 27%, isso não se alteraria. "Um grande número de pessoas pelo mundo claramente gosta do que Barack Obama representa", avalia Doug Miller, presidente da GlobeScan.

No entanto, a popularidade internacional não garante sucesso em nada. Uma pesquisa parecida da mesma BBC noticiada em 2004 mostrava que a maioria da população mundial preferia John Kerry, porém o democrata perdeu as eleições presidenciais para George Bush.

*Com agências internacionais



 

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COMENTÁRIOS (8 Comentários)
       
Opinião Comentário Autor Data
Se os responsáveis por eleg... Hélcio Lunes 15/09/2008
O comportamento do eleitor ... Ivan 13/09/2008
O Marcos é o perfeito idiot... Válber Almeida 12/09/2008
Se Obama for eleito preside... Ary da Silva Marti... 11/09/2008
O que me irrita mais nessa ... Afonso de Oliveira 11/09/2008
Um presidente mais impopula... Jorge Nogueira Reb... 11/09/2008
Pois é, com tanta popularid... Mariana França 11/09/2008
Obama não passa de um Collo... Marcos 11/09/2008
 
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31/08/2010

Uma análise do poder midiático na Argentina : O discurso que Cristina Fernández de Kirchner fez em 24 de agosto foi mais além do que tinham ido todos os discursos dos presidentes argentinos até hoje. Ninguém – nem sequer o primeiro Perón ou Evita – fizeram tal desconstrução da estrutura do poder na Argentina. De quê ela estava falando? Do poder nas sombras, do poder detrás do trono, do verdadeiro poder. Qual é? É o poder midiático. A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia. O artigo é de José Pablo Feinmann.

Os EUA, o Chá e o 11/09: modernidade e regressão : Embora o Partido do Chá não constitua um partido oficial, represente a maioria ou detenha uma face única, sua mobilização social atrai segmentos diversos. A sua atração reside na externalização de problemas ao outro, o governo, as instituições públicas ou o diferente, sintetizado em um discurso composto pelos “antis” e pelos “prós”: anti-Estado, anti-impostos, anti-minorias, anti-direitos civis e sociais, pró-armas, pró-vida, pró-religião. O espírito é conservador, o que gera posições paradoxais: critica-se a reforma da saúde e do sistema financeiro como intrusivas, mas, ao mesmo tempo silencia-se ou apóia-se o Ato Patriota que, mais do que estes ajustes, é contrário às liberdades individuais. O artigo é de Cristina Soreanu Pecequilo.

Un análisis del poder : El discurso que la presidenta CFK ofreció el 24 de agosto fue más allá de lo que han ido todos los discursos de los presidentes argentinos hasta la fecha. Nadie –ni siquiera el primer Perón o Evita– procedieron a una destotalización de la estructura del poder en la Argentina. Analíticamente, destotalizó, en primer término, la totalidad y luego la armó otra vez para exhibir su funcionamiento. ¿De qué estaba hablando la Presidenta? Del poder en las sombras, del poder detrás del trono, del verdadero poder. ¿Cuál es? Es el poder mediático.

30/08/2010

"Hay que persuadir a Obama de que evite la guera nuclear" : Durante alrededor de cinco horas que duró la charla-entrevista –incluido el almuerzo– con La Jornada, Fidel aborda los más diversos temas, aunque se obsesione con algunos en particular. Permite que se le pregunte de todo –aunque el que más interrogue sea él– y repasa por primera vez y con dolorosa franqueza algunos momentos de la crisis de salud que sufrió los pasados cuatro años. "No quiero estar ausente en estos días. El mundo está en la fase más interesante y peligrosa de su existencia y yo estoy bastante comprometido con lo que vaya a pasar. Tengo cosas que hacer todavía".

"Não tenho dúvida de que ocorrerão grandes mudanças no México" : Na segunda parte da entrevista à jornalista Carmem Lira Saade, do La Jornada, Fidel Castro comenta suas recentes declarações a respeito de uma fraude que teria ocorrido nas últimas eleições presidenciais mexicanas prejudicando o candidato Andrés Manuel López Obrador.

Fidel Castro: “Cheguei a estar morto, mas ressuscitei” : Em entrevista exclusiva ao jornal La Jornada (a primeira concedida a um veículo impresso desde que uma diverticulite obrigou seu afastamento da liderança do governo cubano), Fidel Castro fala sobre o que aconteceu, diz que esteve à beira da morte, mas ressuscitou. E fala de seus planos para o futuro: "Não quero estar ausente nestes dias. O mundo está na fase mais interessante e perigosa de sua existência e eu estou bastante comprometido com o que está acontecendo. Ainda tenho muitas coisas para fazer".

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