Internacional| 04/11/2008 | Copyleft

Nossa Carta a Obama

Se os EUA querem reconquistar o respeito dos outros povos do mundo, se querem resgatar a imagem, que se deteriorou, devem se considerar como um país entre outros, e a eles igual, não como uma potência eleita para a missão de impor a ordem imperial e os interesses capitalistas no mundo. Devem permitir que progrida o espaço de um mundo multipolar, em que todos os países participem das decisões fundamentais.

(Essa carta está aberta a adesões de veículos da pequena grande imprensa alternativa de todo o mundo.)

O seu governo pretende resgatar a imagem dos EUA no mundo e mudar sua relação com a América Latina. É preciso que o sr. saiba que a imagem do seu país no mundo é a imagem da maior potência imperial da história da humanidade. Que à horrível imagem de potência intervencionista no destino de outros países, de exploradora das suas riquezas, ao longo de todo o século passado, se acrescentou no século XXI a política de “guerras humanitárias”, invasões que mal escondem os interesses de exploração e opressão de outros territórios e povos, de que o Iraque e Afeganistão são os exemplos mais recentes.

Não basta retirar as tropas do Iraque imediatamente – embora isso seja um começo indispensável para o resgate proposto. É necessário fazer o mesmo com o Afeganistão, assim como terminar com o apoio à ocupação israelense dos territórios palestinos, reconhecendo o direito à existência de um estado palestino soberano. No caso da América Latina, é imprescindível terminar com a Operação Colômbia, que militariza os conflitos naquele país, e os que ele provoca, com graves riscos de produção de crises regionais, pela dinâmica belicista do Exército e do governo colombiano.

Para demonstrar que mudou de atitude, os EUA devem, sobretudo, terminar definitivamente com o bloqueio a Cuba, desativar sua base de interrogatórios ilegais e torturas na base de Guantanamo e devolver esta incondicionalmente a Cuba, terminando com a prepotente e juridicamente insustentável usurpação de território cubano, que dura já mais de um século. Deve retomar relações normais entre os dois países, respeitando as opções do povo cubano na definição soberana dos seus destinos.

Os EUA devem reconhecer publicamente o grave erro de terem apoiado o golpe militar de abril de 2002 contra o presidente Hugo Chavez, legitimamente eleito e reeleito pelo povo venezuelano. Devem terminar definitivamente com articulações golpistas nesse país, na Bolívia e no Equador e comprometer-se, publicamente, a nunca mais desenvolver atividades de ingerência nos assuntos internos de outros países.

Se quiserem ter relações cordiais com a América Latina, o novo governo dos EUA devem destruir imediatamente o muro na fronteira com o México, legalizar a situação dos trabalhadores imigrantes nos EUA e favorecer a livre circulação das pessoas, como tem pregado a livre circulação de mercadorias e de capitais.

Além disso, os EUA devem deixar de utilizar organismos internacionais como a OMC, o FMI, o Banco Mundial, para propagar e tentar impor suas políticas, as mesmas que levaram ao fracasso dos governos que seguiram as suas receitas, assim como à crise financeira internacional que hoje grassa no planeta. Os países da América Latina e do Sul do mundo devem ter liberdade para encontrar suas próprias alternativas e soluções à crise, gerada nos EUA, que devem assumir suas responsabilidades e não permitir a exportação de seus efeitos negativos.

Se quiserem voltar a ser respeitados, os EUA devem deixar de tratar de favorecer ou forçar a exportação de sua mídia, de sua indústria cultural, de sua forma de vida, que pode ser boa para os EUA, mas pode ser nefasta para outros países. Essas fórmulas, muitas vezes impostas, favorecem formas ditatoriais de imprensa, formas estereotipadas de ver o mundo, modos consumistas de viver. Que os EUA deixem cada país escolher suas formas de se pensar a si mesmo, de ver o mundo, de viver e de produzir arte e cultura.

Se o sr. quiser fazer um governo diferente, deve abandonar qualquer idéia de querer impor o que os EUA considerem que seja democrático. Que cada país, cada povo, defina seu próprio caminho. Os EUA nem inventaram a democracia, nem são mais democráticos que muitos outros países.

Os EUA devem abandonar suas pretensões de ser um império mundial que zele pela ordem imperialista no mundo. Devem dar espaço para que progrida o espaço de um mundo multipolar, em que todos os países participem das decisões fundamentais. Neste sentido, devem apoiar o fim do direito de veto no Conselho de Segurança da ONU, devem dar lugar à democratização desse órgão. Devem obedecer as decisões da ONU de terminar o bloqueio à Cuba, em favor do direito do povo palestino a um estado próprio e independente, entre tantas outras decisões, bloqueadas pelo veto norte-americano. Se vetos de outros países há, isso deve ser combatido pela suspensão universal do direito ao veto.

Em suma, se os EUA querem reconquistar o respeito dos outros povos do mundo, se querem resgatar a imagem do seu país que se deteriorou, devem se considerar como um país entre outros, e a eles igual, não como uma potência eleita para a missão de impor a ordem imperial e os interesses capitalistas no mundo. Devem respeitar as decisões que outros povos tomem no sentido de escolher caminhos antiimperialistas e anticapitalistas. Devem assinar o Protocolo de Kyoto, aceitando reduzir suas emissões de gases poluidores, condição básica para iniciar uma nova etapa na luta contra a destruição ambiental no planeta. Devem diminuir seu orçamento militar, revertendo essas verbas para o campo social. Devem combater os monopólios privados da mídia, a indústria tabagista, a da segurança para-militar, devem colocar como seu objetivo principal construir uma sociedade justa, a começar pela de seu próprio país, aquele em que, dentre aquelas do centro do capitalismo, a desigualdade mais cresceu nos últimos anos.

Se o sr. fizer tudo isso, ou pelo menos se mover nessa direção, pensamos que poderá contar com o respeito e com relações cordiais por parte dos governos populares e dos povos da América Latina.



 

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COMENTÁRIOS (78 Comentários)
       
Opinião Comentário Autor Data
Essa carta é interessante, ... Eduardo 06/04/2009
Sou totalmete a favor dessa... Daniel 03/04/2009
OBAMA o NOVO CLINTON,,, enq... Fred 02/12/2008
As idéias são boas, não duv... Thaís Nunes 22/11/2008
Acredito na boa vontade des... william lyra 22/11/2008
Como sabemos, Obama foi ele... Maiara Sanabria Ma... 20/11/2008
Importante carta , com clar... Daniele Juchneski 20/11/2008
Interessante, muito dissera... Wanderson Luis 18/11/2008
Concordo com o David...utóp... Pedro 16/11/2008
Obama não está nem aí para ... Bruno Ferreira 14/11/2008
utópico e...ingênuo... David 13/11/2008
Gostei muito do texto, poré... ROBÉRIO DOS SANTOS... 12/11/2008
Olá Amigos! A liberdade ... Gessimario Dorea d... 11/11/2008
Sou contra Mario Augusto de S... 11/11/2008
Inteiramente de acordo. Deonice M. M. de A... 10/11/2008
Concordo plenamente com ess... Jorge Sampaio 09/11/2008
Essa Carta foi uma importan... Gidasio Silva 09/11/2008
Enquanto militantes precisa... jussara brum motta 08/11/2008
Mil quilómetros começam por... Guilherme Coelho 08/11/2008
Gosto da carta, creio que p... Irangá Lima Iglesi... 07/11/2008
Concordo plenamente com a c... Luiz Arraes 07/11/2008
Caro(a)? Ade Passos: Não ac... Roberto Barboza 07/11/2008
A Carta é contundente, cor... Júlio Garcia 07/11/2008
Acho que o autor está fora ... Leonardo Medeiros ... 07/11/2008
A eleição de Barak Obama, é... Lauro Lustossa Net... 07/11/2008
Esta carta parte do pressup... Argemiro Pertence 07/11/2008
Parabéns! Boa iniciativa pa... Marcelo Nunes 07/11/2008
Eu estou com o comentarista... Ade Passos 07/11/2008
ESTE SITE NÃO É CARTA CAPIT... Ade Passos 07/11/2008
Irretocável. Pablo del Valle 07/11/2008
Assino embaixo. Recomendari... Lúcio Flávio V. Li... 07/11/2008
Entretenimento, Abilio!... Cláudia 07/11/2008
O comentário é interessante... vieira 07/11/2008
A carta de apoio e reivindi... Roberto Barboza 07/11/2008
Nossa cordial saudação à to... Prof. Ivanildo 07/11/2008
Seria muito bom se sequer p... Paula 07/11/2008
Pode contar conosco, Telma.... Marco Aurélio Weis... 07/11/2008
O síto oficial do president... Telma Alencar 07/11/2008
A iniciativa da Carta é óti... Cláudio Letro 07/11/2008
Só alteraria a frase "Devem... Anides 06/11/2008
Em resumo: deixem de interf... guilherme coelho 06/11/2008
Algumas reivindicacoes faze... Abilio Andries 06/11/2008
Existe o sonho de um mundo ... william alves 06/11/2008
MM não colocou o principal ... joubert ildefonso ... 06/11/2008
Olá. Caso o autor ache poss... Roberto E. S. Juni... 06/11/2008
Se o Obama seguisse os prin... Jorge Nogueira Reb... 06/11/2008
A mudança chegou no EUA, ok... Luis José Ariosto ... 06/11/2008
Maior potencia imperial da ... Maurício Szabo 06/11/2008
Faltou mencionar que os EUA... Tales 06/11/2008
Passei a noite e o primero ... Ralf Rickli 06/11/2008
Isso é ridículo! Vcs querem... Leonardo Castro 06/11/2008
NAO ESPEREM absolutamente n... Ivan Moraes 06/11/2008
Não tenho palavras para elo... Glécio Rodrigues 05/11/2008
Com a licença do autor vou ... Sóstenes Antônio d... 05/11/2008
Simplesmente a melhor carta... Rodrigo Santos 05/11/2008
Meus parabéns. Linda a cart... Álvaro R.O.Netto 05/11/2008
Excepcional. Que Barak Obam... FERNANDO BATISTA D... 05/11/2008
Repetitivo ela... até no se... Fúlvio Simoni 05/11/2008
Concordo com tods os temas ... Ewerton da Silva V... 05/11/2008
Parabéns a Carta Capital pe... Wilma Ferreira 05/11/2008
Concordo com o teor da Cart... Edison Netto Lasma... 05/11/2008
Concordo indiscutivelmente ... Paulo Henrique Sch... 05/11/2008
Muito bonita a carta, mas m... Nina 05/11/2008
Será dificil conseguir muda... Adams da Silva 05/11/2008
A vitória do Obama simboliz... Edu Cezimbra 05/11/2008
Será dificil conseguir muda... Adams 05/11/2008
A Daniel Campos: Não é ped... Pedro Desgualdo 05/11/2008
Vamos Celebrar a ascensão d... Elze Cordeiro 05/11/2008
Estou radiante, mais uma de... Lúcia Adélia 05/11/2008
Cara Elisabete, não foi em ... Lúcia Adélia 05/11/2008
"Ilusão, ilusão olha só com... Eder Fernando dos ... 05/11/2008
A carta é ótima só comete o... Elisabete 05/11/2008
Creio que é pedir demais qu... Daniel Campos 05/11/2008
Também fiquei emocionado: c... Antonio Tadeu de M... 05/11/2008
Creio que o mundo está em f... Odamir Feitosa 05/11/2008
Linda carta, estou emociona... Lúcia Adélia 05/11/2008
Parabéns à Carta Maior. Ser... Anselmo Pecci 05/11/2008
Maravilhosa carta! Coloca a... Carlos Henrique Si... 05/11/2008
 
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31/08/2010

Uma análise do poder midiático na Argentina : O discurso que Cristina Fernández de Kirchner fez em 24 de agosto foi mais além do que tinham ido todos os discursos dos presidentes argentinos até hoje. Ninguém – nem sequer o primeiro Perón ou Evita – fizeram tal desconstrução da estrutura do poder na Argentina. De quê ela estava falando? Do poder nas sombras, do poder detrás do trono, do verdadeiro poder. Qual é? É o poder midiático. A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia. O artigo é de José Pablo Feinmann.

Os EUA, o Chá e o 11/09: modernidade e regressão : Embora o Partido do Chá não constitua um partido oficial, represente a maioria ou detenha uma face única, sua mobilização social atrai segmentos diversos. A sua atração reside na externalização de problemas ao outro, o governo, as instituições públicas ou o diferente, sintetizado em um discurso composto pelos “antis” e pelos “prós”: anti-Estado, anti-impostos, anti-minorias, anti-direitos civis e sociais, pró-armas, pró-vida, pró-religião. O espírito é conservador, o que gera posições paradoxais: critica-se a reforma da saúde e do sistema financeiro como intrusivas, mas, ao mesmo tempo silencia-se ou apóia-se o Ato Patriota que, mais do que estes ajustes, é contrário às liberdades individuais. O artigo é de Cristina Soreanu Pecequilo.

Un análisis del poder : El discurso que la presidenta CFK ofreció el 24 de agosto fue más allá de lo que han ido todos los discursos de los presidentes argentinos hasta la fecha. Nadie –ni siquiera el primer Perón o Evita– procedieron a una destotalización de la estructura del poder en la Argentina. Analíticamente, destotalizó, en primer término, la totalidad y luego la armó otra vez para exhibir su funcionamiento. ¿De qué estaba hablando la Presidenta? Del poder en las sombras, del poder detrás del trono, del verdadero poder. ¿Cuál es? Es el poder mediático.

30/08/2010

"Hay que persuadir a Obama de que evite la guera nuclear" : Durante alrededor de cinco horas que duró la charla-entrevista –incluido el almuerzo– con La Jornada, Fidel aborda los más diversos temas, aunque se obsesione con algunos en particular. Permite que se le pregunte de todo –aunque el que más interrogue sea él– y repasa por primera vez y con dolorosa franqueza algunos momentos de la crisis de salud que sufrió los pasados cuatro años. "No quiero estar ausente en estos días. El mundo está en la fase más interesante y peligrosa de su existencia y yo estoy bastante comprometido con lo que vaya a pasar. Tengo cosas que hacer todavía".

"Não tenho dúvida de que ocorrerão grandes mudanças no México" : Na segunda parte da entrevista à jornalista Carmem Lira Saade, do La Jornada, Fidel Castro comenta suas recentes declarações a respeito de uma fraude que teria ocorrido nas últimas eleições presidenciais mexicanas prejudicando o candidato Andrés Manuel López Obrador.

Fidel Castro: “Cheguei a estar morto, mas ressuscitei” : Em entrevista exclusiva ao jornal La Jornada (a primeira concedida a um veículo impresso desde que uma diverticulite obrigou seu afastamento da liderança do governo cubano), Fidel Castro fala sobre o que aconteceu, diz que esteve à beira da morte, mas ressuscitou. E fala de seus planos para o futuro: "Não quero estar ausente nestes dias. O mundo está na fase mais interessante e perigosa de sua existência e eu estou bastante comprometido com o que está acontecendo. Ainda tenho muitas coisas para fazer".

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