Vitória de Luís Nassif no processo da Veja
Algo importante aconteceu na blogosfera brasileira quando o jornalista Luis Nassif começou a publicar reportagens a respeito da revista Veja: o debate mudou de plano. O que Nassif batizou de dossiê analisa, com farto material, o jornalismo praticado pela publicação semanal. Nesta semana, o Juiz Carlos Henrique Abrão, da 42ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, julgou improcedente a ação de danos morais movida pelo ediretor de redação Eurípides Alcântara contra Nassif.
Redação - Carta Maior
“O maior fenômeno de anti-jornalismo dos últimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja. Gradativamente, o maior semanário brasileiro foi se transformando em um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando que suas páginas e sites abrigassem matérias e colunas do mais puro esgoto jornalístico”, é o que se lê logo no primeiro parágrafo do visualmente simples blog de Luis Nassif.
A fundamentação do jornalista contra a revista baseia-se em três afirmativas. Segundo ele, é necessário juntar um conjunto de peças. “O primeiro conjunto são as mudanças estruturais que a mídia vem atravessando em todo mundo. O segundo, a maneira como esses processos se refletiram na crise política brasileira e nas grandes disputas empresariais, a partir do advento dos banqueiros de negócio que sobem à cena política e econômica na última década. A terceira, as características específicas da revista Veja, e as mudanças pelas quais passou nos últimos anos”.
Não há dúvida de que o blog é leitura fundamental, para se pensar o jornalismo contemporâneo. Diversos blogs, inclusive, lançaram campanhas para que a página de Nassif figurasse no topo do site de buscas Google, quando a palavra Veja fosse procurada. A Revista Veja chegou a impor dificuldades tecnológicas de busca e os próprios leitores do blog passaram a ajudar o Nassif a encontrar reportagens específicas.
Em sentença anunciada esta semana, o juiz Carlos Henrique Abrão, da 42ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, julgou improcedente a ação de danos morais movida pela Revista Veja e seu diretor de redação Eurípides Alcântara contra Nassif. “A fundamentação da sentença é magnífica e a decisão é histórica, na medida em que não é muito comum que um grupo de mídia processe um jornalista por reportagens dedicadas a estudar esse mesmo veículo”, analisa Idelber Avelar, do blog Biscoito Fino e a Massa.
“A liberdade plena de imprensa, maior conquista das democracias ocidentais, observa o ângulo da transparência, seriedade e compromisso com a verdade. Difícil manter a harmonia quando interesses econômicos, políticos, sobretudo empresariais, sem sobra de dúvida, flexionam os limites da ética e da moralidade da imprensa”, diz a sentença.
“Desenhada a arquitetura da lide, o seu ambiente divergente, feito o bosquejo do essencial, e tendo em mira a mudança de mentalidade surgida com a guerra midiática dos informes eletrônicos, blogs, equipamentos disponíveis, sopesando, um a um, todos os aspectos, a prova amealhada não permite, salvo melhor juízo, o acolhimento desta ação. Explicando a procura de justificativa, embora forte e contundente na sua crítica, Luis Nassif se cercou do contexto que tinha em suas mãos para escrever a matéria e não patinar nas informações, abordou assunto próprio de sua característica e o desagrado, como não poderia deixar de ser, fora generalizado”, prossegue o juiz.
“Técnico, impecável, o magistrado reitera que julga a ação, não a veracidade da reportagem de Nassif. Mas estabelece claramente que Nassif seguiu pautas jornalísticas em seu trabalho. Categórico, o Juiz desmonta a pretensão da Revista Veja de extorquir cem mil reais de indenização do jornalista.Muito pouco apreço pela verdade e pela própria dignidade terá qualquer advogado que recorra desta decisão em nome da Revista Veja. Trata-se de uma sentença histórica em defesa da genuína liberdade de imprensa, não desse falso slogan que evocam os grupos de mídia quando são contrariados”, avaliou Avelar em sua página.
O diretor de redação de Veja, Eurípedes Alcântara, e o editor especial Lauro Jardim entraram em fevereiro de 2008 com as ações civis na Justiça de São Paulo. Foram quatro ações: duas de Alcântara contra o jornalista e o portal que hospeda seu blog, o iG, cujo mantenedor é a Brasil Telecom, e outras duas de Jardim também contra Nassif e o iG.
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Ainda bem que chega-se a um... | Alberto Miranda | 08/04/2009 |
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Desde que a revista Veja, ... | Selma | 08/04/2009 |
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São essas e outras ações qu... | Welington Araújo S... | 07/04/2009 |
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Vitória expressiva, esta do... | Leila Brito | 07/04/2009 |
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O doce dia da caça! Parabén... | Antonio Carlos Rib... | 07/04/2009 |
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O texto vinha fluindo legal... | César | 06/04/2009 |
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é a primeira vez em todos e... | joão fernandes luc... | 05/04/2009 |
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bingo!para o JORNALISTA LUI... | Pedro Luiz | 05/04/2009 |
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Graças ao Bom Deus, no Bras... | Ednaldo Correia Fo... | 05/04/2009 |
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Todos devemos comemorar! | Leandro Laube | 05/04/2009 |
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Estou feliz pela vitória do... | ANIBAL | 05/04/2009 |
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Obrigada ao Nassif pela bri... | Eri Carlos de Cast... | 05/04/2009 |
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parabens ao nassif e ao seu... | altamiro souza | 05/04/2009 |
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E não é sóisso... Ontem à n... | Paganelli | 04/04/2009 |
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Eu sei que o Nassif foi obr... | Ricardo Periera Gu... | 03/04/2009 |
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Eu sei que o Nassif foi obr... | Ricardo Periera Gu... | 03/04/2009 |
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Parabéns Nassif, mais uma v... | Suzana Perrone | 03/04/2009 |
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Parabens Nassif. Mais uma v... | José Carlos Pereir... | 03/04/2009 |
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Na verdade quem perdeu a aç... | Clara Azevedo | 03/04/2009 |
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Devagar, devagarinho, a heg... | Rogério Tomaz Jr. | 03/04/2009 |
09/02/2010
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Os resultados estão aí, brotando do fundo da sociedade brasileira: entre 2003 e 2005, 27 milhões de pessoas mudaram de patamar social no Brasil, ascendendo para uma condição social superior, mais digna e mais humana. Também a desigualdade regional foi atacada e recuou nos últimos cinco anos. O Nordeste cresceu a um ritmo “chinês” atingindo 7.7% ao ano. Mesmo sofrendo os efeitos da crise, o país foi capaz de oferecer oportunidades e esperança de vida melhor para 91 milhões de brasileiros. O artigo é de Francisco Carlos Teixeira.
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