Política| 02/04/2009 | Copyleft

Vitória de Luís Nassif no processo da Veja

Algo importante aconteceu na blogosfera brasileira quando o jornalista Luis Nassif começou a publicar reportagens a respeito da revista Veja: o debate mudou de plano. O que Nassif batizou de dossiê analisa, com farto material, o jornalismo praticado pela publicação semanal. Nesta semana, o Juiz Carlos Henrique Abrão, da 42ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, julgou improcedente a ação de danos morais movida pelo ediretor de redação Eurípides Alcântara contra Nassif.

“O maior fenômeno de anti-jornalismo dos últimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja. Gradativamente, o maior semanário brasileiro foi se transformando em um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando que suas páginas e sites abrigassem matérias e colunas do mais puro esgoto jornalístico”, é o que se lê logo no primeiro parágrafo do visualmente simples blog de Luis Nassif.

A fundamentação do jornalista contra a revista baseia-se em três afirmativas. Segundo ele, é necessário juntar um conjunto de peças. “O primeiro conjunto são as mudanças estruturais que a mídia vem atravessando em todo mundo. O segundo, a maneira como esses processos se refletiram na crise política brasileira e nas grandes disputas empresariais, a partir do advento dos banqueiros de negócio que sobem à cena política e econômica na última década. A terceira, as características específicas da revista Veja, e as mudanças pelas quais passou nos últimos anos”.

Não há dúvida de que o blog é leitura fundamental, para se pensar o jornalismo contemporâneo. Diversos blogs, inclusive, lançaram campanhas para que a página de Nassif figurasse no topo do site de buscas Google, quando a palavra Veja fosse procurada. A Revista Veja chegou a impor dificuldades tecnológicas de busca e os próprios leitores do blog passaram a ajudar o Nassif a encontrar reportagens específicas.

Em sentença anunciada esta semana, o juiz Carlos Henrique Abrão, da 42ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, julgou improcedente a ação de danos morais movida pela Revista Veja e seu diretor de redação Eurípides Alcântara contra Nassif. “A fundamentação da sentença é magnífica e a decisão é histórica, na medida em que não é muito comum que um grupo de mídia processe um jornalista por reportagens dedicadas a estudar esse mesmo veículo”, analisa Idelber Avelar, do blog Biscoito Fino e a Massa.

“A liberdade plena de imprensa, maior conquista das democracias ocidentais, observa o ângulo da transparência, seriedade e compromisso com a verdade. Difícil manter a harmonia quando interesses econômicos, políticos, sobretudo empresariais, sem sobra de dúvida, flexionam os limites da ética e da moralidade da imprensa”, diz a sentença.

“Desenhada a arquitetura da lide, o seu ambiente divergente, feito o bosquejo do essencial, e tendo em mira a mudança de mentalidade surgida com a guerra midiática dos informes eletrônicos, blogs, equipamentos disponíveis, sopesando, um a um, todos os aspectos, a prova amealhada não permite, salvo melhor juízo, o acolhimento desta ação. Explicando a procura de justificativa, embora forte e contundente na sua crítica, Luis Nassif se cercou do contexto que tinha em suas mãos para escrever a matéria e não patinar nas informações, abordou assunto próprio de sua característica e o desagrado, como não poderia deixar de ser, fora generalizado”, prossegue o juiz.

“Técnico, impecável, o magistrado reitera que julga a ação, não a veracidade da reportagem de Nassif. Mas estabelece claramente que Nassif seguiu pautas jornalísticas em seu trabalho. Categórico, o Juiz desmonta a pretensão da Revista Veja de extorquir cem mil reais de indenização do jornalista.Muito pouco apreço pela verdade e pela própria dignidade terá qualquer advogado que recorra desta decisão em nome da Revista Veja. Trata-se de uma sentença histórica em defesa da genuína liberdade de imprensa, não desse falso slogan que evocam os grupos de mídia quando são contrariados”, avaliou Avelar em sua página.

O diretor de redação de Veja, Eurípedes Alcântara, e o editor especial Lauro Jardim entraram em fevereiro de 2008 com as ações civis na Justiça de São Paulo. Foram quatro ações: duas de Alcântara contra o jornalista e o portal que hospeda seu blog, o iG, cujo mantenedor é a Brasil Telecom, e outras duas de Jardim também contra Nassif e o iG.



 

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COMENTÁRIOS (20 Comentários)
       
Opinião Comentário Autor Data
Ainda bem que chega-se a um... Alberto Miranda 08/04/2009
Desde que a revista Veja, ... Selma 08/04/2009
São essas e outras ações qu... Welington Araújo S... 07/04/2009
Vitória expressiva, esta do... Leila Brito 07/04/2009
O doce dia da caça! Parabén... Antonio Carlos Rib... 07/04/2009
O texto vinha fluindo legal... César 06/04/2009
é a primeira vez em todos e... joão fernandes luc... 05/04/2009
bingo!para o JORNALISTA LUI... Pedro Luiz 05/04/2009
Graças ao Bom Deus, no Bras... Ednaldo Correia Fo... 05/04/2009
Todos devemos comemorar! Leandro Laube 05/04/2009
Estou feliz pela vitória do... ANIBAL 05/04/2009
Obrigada ao Nassif pela bri... Eri Carlos de Cast... 05/04/2009
parabens ao nassif e ao seu... altamiro souza 05/04/2009
E não é sóisso... Ontem à n... Paganelli 04/04/2009
Eu sei que o Nassif foi obr... Ricardo Periera Gu... 03/04/2009
Eu sei que o Nassif foi obr... Ricardo Periera Gu... 03/04/2009
Parabéns Nassif, mais uma v... Suzana Perrone 03/04/2009
Parabens Nassif. Mais uma v... José Carlos Pereir... 03/04/2009
Na verdade quem perdeu a aç... Clara Azevedo 03/04/2009
Devagar, devagarinho, a heg... Rogério Tomaz Jr. 03/04/2009
 
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Novo escândalo atinge governo tucano no Rio Grande do Sul : Ação conjunta do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul, do Ministério Público de Contas e da Polícia Federal aponta existência de uma quadrilha no interior do Banco do Estado do RS (Banrisul). A força tarefa constituída pelos três órgãos investiga a ação de uma suposta organização criminosa, integrada por um alto funcionário do banco, agências de publicidade e prestadores de serviços, que pode ter causado um prejuízo de mais de 10 milhões de reais nos últimos 18 meses. Três pessoas foram presas em flagrante por peculato e lavagem de dinheiro. A PF encontrou em suas residências e empresas cerca de R$ 2 milhões sem origem identificada (foto).

Banrisul foi vítima de uma quadrilha, diz delegado : Banco público gaúcho foi vítima de uma quadrilha formada por funcionários públicos e privados que retiravam dinheiro do banco para usar de maneira particular, diz superintendente da Polícia Federal do RS. A investigação iniciou por meio da denúncia feita ao MP Estadual por uma das pessoas subcontratadas neste esquema e que não recebeu o que deveria. A PF entrou na investigação, explicou o delegado, em função da suspeita de prática de crimes federais como evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

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O sucateamento da saúde pública de São Paulo : Avaliação de 350 mil usuários do SUS de São Paulo, efetuada pela própria Secretaria de Estado da Saúde (SES) relata ausência de vacinas do calendário básico em diversas unidades de saúde da Secretaria, analgesia durante o parto realizada com “panos quentes” e a demora absurda na realização de diversos exames complementares. No município de São Paulo, o atual prefeito Gilberto Kassab pauperizou a tal ponto alguns dos hospitais sob tutela da Autarquia Municipal, que há vários meses, por exemplo, não existem colchões em hospitais da Zona Leste da cidade. O artigo é do médico João Paulo Cechinel Souza.

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O Globo se perde entre o céu e o inferno de São Conrado : O jornal da família Marinho superou-se em sua edição de 22 de agosto ao dedicar em uma mesma edição um caderno para enaltecer a ótima qualidade de vida no bairro nobre de São Conrado e outro caderno para denunciar a “guerra do tráfico” e a insegurança no mesmíssimo bairro. A matéria do jornal especial sobre São Conrado começa indagando “o que leva alguém a escolher o bairro para viver”. Publicada no mesmo, dia a matéria sobre a “guerra no Rio” deixa essa pergunta sem resposta.

Deputado propõe Conselho Parlamentar de Comunicação em SP : O projeto do deputado Antonio Mentor tem como base iniciativas semelhantes, em alguns outros estados brasileiros como Rio de Janeiro e Piauí, bem como as deliberações da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). O objetivo é contribuir no processo de democratização das comunicações no Estado de SP. Segundo o projeto, caberá ao Conselho, entre outras coisas, a fiscalização, avaliação e proposição de políticas estaduais de Comunicação e a promoção dos direitos humanos.

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