10/08/2007
Saiu, finalmente, no Brasil, a edição impressa do Le Monde Diplomatique, a melhor publicação de política internacional do mundo. Fundado há 50 anos por Claude Julien, o Diplô – como é conhecido – se afirmou como o mais importante veículo de política internacional sob a direção de Ignacio Ramonet – seu editor – e de Bernard Cassen.
A edição brasileira, publicada graças a um enorme esforço de entidades civis – em que a Polis teve um papel central, sob a direção de Silvio Caccia Bava – chega às bancas com uma tiragem de 40 mil exemplares, na contra-mão da grande mídia oligárquica – que, como se poderia esperar, trata de desconhecer o lançamento do Diplô no Brasil, ao invés de saudá-lo.
Na contra-mão porque se lança corajosamente na rua, quando a imprensa tradicional diminui de tamanho – em tiragem, em prestígio e no plano ético -, porque sabe que se soma à imprensa alternativa no Brasil, recentemente consagrada por pesquisa insuspeita da revista Imprensa – em particular Carta Capital, Carta Maior e o blog de Luis Nassif. Porque teve sensibilidade do vazio que existe nas análises de um mundo sobre o qual informa tão mal e de maneira tão deformada a mídia tradicional.
Uma vez perguntei ao editor-chefe de um dos jornais mais conhecidos da imprensa tradicional – ele também filho do seu pai, proprietário do jornal – por que a cobertura internacional do jornal era tão ruim. Ele respondeu que era porque a demanda dos leitores não valorizava a cobertura internacional. Argumentei que era um raciocínio circular, que a péssima cobertura não alimentava a demanda. Ele mesmo não havia lido o que eu considerava a notícia mais importante que o seu própio jornal havia publicado com certo destaque naquela semana – a maquiagem dos danos causados numa das guerra imperiais, que os militares dos EUA confessavam terem feito, para influenciarem o governo e a opinião pública, para passarem a idéia de que estavam ganhando a guerra e poderem seguir adiante.
E, no entanto, a direita – incluído esse jornal – usam a política internacional como exemplos seletivos do que seriam exemplos de suas teses conservadoras. Para tanto tem que informar mal ao público, tem que omitir informações, tem que ser totalmente parciais em temas como a globalização neoliberal, a China, os EUA, a Venezuela, Cuba, Bolívia, a Argentina, a Coréia do Sul, a Índia, o Equador, entre tantos outros.
O Diplô chega na contramão também porque se situa inequivocamente na onda da construção do mundo alternativo. Não por acaso, o editorial de Ramonet denunciando o pensamento único – publicado há dez anos – e convocando à construção de um pensamento crítico e alternativo, faz parte da história da luta anti-neoliberal. Não por acaso, Bernard Cassen foi o grande idealizador do projeto do Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Não por acaso, o Diplô conta atualmente com com dezenas de edições nacionais pelo mundo afora, que somam várias centenas de milhares de exemplares, incluindo edições na Argentina e no Chile, às quais se soma agora a do Brasil. Publica, além disso, o caderno Maneiras de Ver, a cada dois meses, um indispensável dossiê sobre temas fundamentais do mundo contemporâneo.
A edição brasileira, que deve ser saudada, lida, assinada e propagandeada por todos os que lutam por um outro mundo possível – procurem nas bancas ou em assinaturas@diplomatique.org.br – tem os artigos essenciais da edição mensal francesa e textos produzidos no Brasil. Neste primeiro número, em particular, entrevista con Chomsky sobre a América rebelde; artigo de Cassen contra a globalização do idioma inglês; dossiê de Regis Debray sobre a Palestina; dossiê sobre o conflito entre muçulmanos; artigo sobre o genoma e a biologia como armas de guerra; artigo sobre a segurança alimentar e os direitos humanos; um balanço da esquerda francesa depois das eleições; um artigo sobre a nova América Latina, que a imprensa oligárquica não consegue captar; um artigo sobre o resgate da memória histórica, por John Berger; um debate sobre o etanol; um artigo sobre Sade e o espírito do capitalismo; um sobre a Amazônia e a busca do desenvolvimento responsável; um sobre a redescoberta da literatura indiana; um sobre os intelectuais e a rede mundial do saber, por Pierre Lévy; um artigo de Armand Mattelart sobre a batalha das palavras; um de Leo Ferrez sobre o nosso rosto da periferia.
Tudo isso numa bela edição, mais bonita que todas as outras que conheço do velho e cada vez mais novo Diplô, agora, para alegria nossa, também no Brasil. Comprem, leiam, aproveitem, opinem, recomendem, critiquem, debatam, gozem, mas não relaxem, nunca.
Benvindo ao Diplô no Brasil.
Postado por Emir Sader às 09:24
NIRO diz:
28/09/2008
Caramba, como podem escrever tantas inverdades e tantas imposturas como "Cuba mostra, ao resto da América Latina, qual é o caminho que pode e deve ser seguido no presente" ?!
Tudo isso é engodo...
Mozart Maia Neto diz:
04/10/2007
Fiquei bastante feliz quando, ao procurar a Caros Amigos especial sobre Cuba, encontrei o Le Monde Diplomatique Brasil. Mais um grande veículo que preza pela informação correta, revolvendo o mundo do jornalismo.
José de Anchieta Nobre de Almeida diz:
25/09/2007
Como historiador da recente realidade brasileira, saúdo o surgimento do Le Monde Diplomatique, como mais uma ferramenta que posso utilizar para comprenender nossas problemáticas, através da visão de uma uma mídia internacional de tão alta qualidade e que sempre procurou se pautar pela independência dos modismos qUe os poderosos de cada época, tentam impor ao mundo todo sobre suaS (deles poderosos) influências.Obrigado, José de Anchieta Nobre de Almeida
maria de lourdes diz:
24/09/2007
Congratulo-me com todos aqueles que se dizem previlegiados com o DIPLÔ agora em portugues...moro numa cidadezinha do interior do rs, mas qdo fui na capital, PORTO ALEGRE logo, logo procurei uma banca de revista e já tenho o primeiro...graças ao artigo lido aqui na CARTA MAIOR.AGRADEÇO !!!
Paulo Athayde diz:
16/09/2007
Caro Emir, já esperava a novidade e, claro que fiquei feliz.Li algumas vezes a versão francesa e há já algum tempo recebo a newsletter, alem de ler o Le Monde com regularidade.
Tenho um blog o http://colunadleitor.blogspot.com, onde divulgo desde o primeiro momento um link do Diplô, pois até me angustiava conhecer algo tão fundamental, e ve-lo tão puco conhecido.
A luta continua!
Paulo Athayde
carlos batista diz:
01/09/2007
Sobre o jornal Francês,tenho uma dúvida.
A atual conjuntura americana diz em suas entrelinhas que:
Se o mundo e a europa dependessem da França(seus resultados)a europa estaria falando russo ou alemão.
Um jornal Francês não seria conivente ou exemplo do status-quo?.
abraços
carlos
Paulo de Rezende diz:
23/08/2007
Prezado Prof. Emir Sader, como sempre seus comentarios sao super interessantes. Velho assinante da ediçao francesa do Le Monde Diplomatique quero saudar o aparecimento da ediçao brasileira, esperando que ela continue e nao desapareça por questoes financeiras. E' a intelectualidade brasileira, os politicos interessados no internacional, organizaçoes da sociedade civil que devem apoia-la assinando o "Diplo" na sua ediçao brasileira. Voces podiam fazer como aqui na França onde existe uma associaçao dos "Amigos do Le Monde diplomatique" que patrocina assinaturas gratis para bibliotecas de colègios, universidades, bibliotecas publicas etc. Nao é uma boa idéia a ser posta em pratica ?
Um abraço e boas vindas a este magnifico jornal.
Paulo de Rezende - Paris
Jorge Ernesto Couto de Castro diz:
17/08/2007
Sempre ouço falarem e comentarem sobre esse jornal, que bom que chegou ao Brasil, bem que eu gostaria de ter a chance de lê-lo para ter uma opinião sobre esse jornal.
Como não o conheço não posso avaliar se esse jornal é bom ou ruim, de esquerda ou de direita, espero com isso ter a chance de conhecer esse jornal.
Felipe Liberal diz:
14/08/2007
Obrigado Emir.
Pedro de A. Figueira diz:
14/08/2007
A coisa está andando bem. Se conseguíssemos vencer a tentação de ler, ouvir ou ver o que a direitona veicula em seu órgãos, como seria bom. Tenho certeza de que, assim procedendo, a gente não ficaria sabendo o que eles querem que a gente saiba, e sobretudo ficaríamos, de certa maneira, vacinados contra a construção ideológica que, na verdade parece ser a única coisa que eles podem "noticiar". E evidentemente que esta construção ideológica não passa, a cada novo dia, de uma armadura mentirosa.
Recomendaria, aos que estão ligados com Carta Maior, um livro que agora estou lendo chamado Capitalismo Gângster, publicado pela Ediouro. Pelo que nele se lê nâo dá para acreditar em nada, mesmo quando se trata de imagens, do que publica a mídia comprometida com a guerra, com a tortura, com o genocídio, com as ditaduras, com o assassinato em massa, etc., etc., tudo, evidentemente, que decorre logicamente da exploração capitalista do trabalho.
Antonio Edmilson Cruz Carinhanha diz:
13/08/2007
Chegou em boa hora, já estou lendo. Ainda bem que temos mais essa alternativa de leitura, comprometida com o ser humano.
Felipe diz:
13/08/2007
A distribuição é setorizada? ='/
Moro no interior e não achei nas bancas de jeito nenhum ("diplô o quê?")
Paulo Kaiser diz:
12/08/2007
A edição está ótima! Parabéns à equipe do Diplô!
Rosa diz:
12/08/2007
Prezado Professor Emir Sader: amanhã, no Palácio Tiradentes, ALERJ, às 18:30 horas, Frei Betto será agraciado com a Medalha de Tiradentes.
Todos são convidados.
Abraço.
Walter Schmidt diz:
12/08/2007
Durante muitos anos minha mulher e eu assinamos a edição portuguesa do Diplo. Agora, vamos assinar a brasileira. Compramos na banca a primeira edição e ela está muito boa. Realmente é preciso saudar a iniciativa.
vilasboas diz:
12/08/2007
Verdadeiramente, um gozo! Dá até para relaxar, um pouquinho...só uns minutinhos.
Jacinto Pereira Sousa Júnior diz:
12/08/2007
Seja bem vindo Diplô. O Brasil merece muito mais! Agora, resta-nos deleitar com as informações formAdorAs sem deformações que, ocasionalmente, são servidas pela Imprensa Marrom brasileira à lá Direitona e ABSOLUTAMENTE Conservadora! Viva a Imprensa Alternativa autêntica. Parabéns!
Rodrigo Mattoso diz:
12/08/2007
Lembro ao Dr. Emir Sader que o uso de "benvindo", embora formalmente correto segundo o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, os dicionários não o recomendam.
Thiago diz:
12/08/2007
O que é "Grande Mídia Oligárquica", sr. Sader?
Amanda Soares de Brito diz:
11/08/2007
Resta saber o Diplô também irá chegar nas cidades do interior ou ficará restrito às capitais.
bentoxvi-o santo diz:
11/08/2007
PROFESSOR EMIR.
...VEM AÍ...A CRISE CICLICA DO CAPITALISMO MUNDIAL...E A VELHA "DONA MÍDIA" NACIONAL...APESAR DOS GRANDES ESFORÇOS DOS ULTIMOS ANOS DE PREPARATIVO DO ATUAL GOVERNO PARA ENFRENTA-LA...VAI LUTAR COM UNHAS E DENTES PARA CONTAMINAR NOSSA ECONOMIA...AGUARDEMOS...
maria santos diz:
11/08/2007
Caríssimo Mestre Emir Sader, mais uma vez vc. é o portador alvíssareiro. Vida longa ao Diplô do Brasil.
O povo brasileiro merece este presente.
Saudações jubilosas!!!
mfernandams diz:
11/08/2007
Excelente notícia !!!
Mas, me preocupa ainda a distribuição da edição impressa do "Le Monde Diplomatique", principalmente nas cidades do interior (não-capitais!), tão carentes de informação da imprensa alternativa.
Apoiaremos de todas as formas a nova imprensa alternativa que soma-se aos projetos já existentes no país!
Kaio Peixoto diz:
11/08/2007
Que otimo hein gente!! mais uma nova opcao de informacao e saida de escape dessa midia oligarquica!!
Seja muito bem vinda "Diplo"!
Raimundo W .S. Melo diz:
10/08/2007
Bem vinda “Le Monde Diplomatique¨. Hoje mesmo comprarei meu exemplar número um, da coleção que formarei com os muitos que virão. Como bem coloca o texto, se somara à imprensa alternativa o Brasil, no preenchimento do vazio que existe nas análises de um mundo sobre o qual informa tão mal e de maneira tão deformada a mídia tradicional.
Por falar em mal informar, veja-se o exemplo das pitonisas da economia a serviço da mídia oligárquica, pródigas em maus-agouros como prognósticos apocalípticos para as nações que adotaram ações não ortodoxas e que estão tirando seus países do fosso cavado pelo colonialismo e pelo neoliberalismo. Ficaram, agora, com cara de tacho, com o despencar das bolsas mundiais, que tanto idolatram.
Não acreditavam, nem previram esta possibilidade. Agora, aparecem na maior cara-de-pau, transmutadas em verdadeiros “profetas do acontecido”, e procuram minimizar o fato. Patético.
Daniel Pereira da Silva diz:
10/08/2007
Moro em Brasília-DF. Foi uma surpresa agradabilíssima encontrar hoje o primeiro número do "Le Monde Diplomatique Brasil" na banca de minha quadra. Adorei a edição impressa! Com uma qualidade gráfica extraordinária e uma seleção primorosa de artigos, é uma publicação há muito tempo aguardada. O pensamento único da grande mídia está na berlinda. Viva a pluralidade e o senso crítico! Vida longa ao "Diplo"!
Zilda de Araujo Rodrigues diz:
10/08/2007
Finalmente uma boa notícia em meio a tantas tragédias!
Walter Oliveira diz:
10/08/2007
Oba! Vou assinar e divulgar, porque merecemos esse presente.
Dário Lucas diz:
10/08/2007
Não me incomodaria de contribuir mensalmente para que esta Carta Maior pudesse continuar a ter sua redação permanente. Podem fazer uma proposta.
Porque não se pagaria para manter uma excelente publicação destas, que é uma das poucas plubicações de alto nível.
Como um Diógenes dos tempos modernos, procuramos a verdade!
Sonia Aparecida Nogueira diz:
10/08/2007
Até que enfim algo inteligente nas bancas.
Felip diz:
10/08/2007
Poder ler, em português, um diálogo entre Chomsky e Foucalt foi edificante.
JGSmBrqMnd diz:
24/05/2009
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