08/10/2008
A esquerda costuma ser acusada de catastrofista. Mas agora é a direita que, sem propostas, aposta no quanto pior melhor, para ver se consegue voltar ao governo, desesperada diante dos 80% de popularidade do governo Lula.
Primeiro apostavam na inflação, que ia tornar-se descontrolada e levaria o país à recessão pelas medidas que, no receituário deles, costumam ser tomadas. Seguiam o editorial do The Economist que esperava que o governo de Fernando Lugo fosse o último governo progressista na América Latina porque, dizem eles, chegam tempos de recessão e nisso a direita é craque. Propõem explorar temas dolorosos e que lhe são caros, como enfermeiros da recessão e dos sofrimentos para o povo: inflação e violência. Centram-se na exploração desses temas.
Se esquece a revista não apenas que o continente é outro hoje, mas que em El Salvador Mauricio Funes, candidato da FMLN é amplamente favorito para ampliar a lista de presidentes progressistas na América Latina. E que a capacidade de resistência desses governos diante da crise é maior do que durante aqueles dos seus fracassados queridinhos – FHC, Menem, Carlos Andres Peres, Sanchez de Losada, entre tantos outros.
FHC, apostolo do caos, aposta na crise, na recessão. Ele, que conhece bem isso. Afinal, nos seus oito anos de governo – recordar que ele comprou votos para mudar a Constituição durante seu mandato, para ter um segundo mandato -, quebrou o Brasil três vezes, teve que ir ao FMI três vezes para assinar novas Cartas-compromisso. Escondeu a crise durante a campanha eleitoral de 1998, fez tudo – ajudado amplamente pela mesma imprensa privada que agora aposta no caos – para ganhar no primeiro turno, porque o país estava de novo quebrado e Pedro Malan negociava novo acordo de capitulação com o FMI.
Não deu outra, veio a crise, os juros foram elevados para 49% (sic) e a economia entrou na prolongada recessão que acompanhou todo o governo FHC e fez com que os tucanos fossem amplamente derrotados em 2002 e FHC seja o político com pior desempenho na opinião do povo brasileiro. E foi uma crise provocada e sofrida aqui, não como conseqüência de uma crise internacional.
Agora a direita aposta na crise, que é a crise da sua doutrina, das suas pregações sobre as virtudes do mercado. Fariseus, tentam esconder que são discursos como os seus que levaram à farra especulativa dos EUA – meca do neoliberalismo – e cujos efeitos o governo tem que enfrentar. Governassem os tucanos, imaginem o que seria a economia do Brasil se Alckmin tivesse ganho - como queria a imprensa privada -, com o grau de fragilidade que teríamos, com a continuidade da abertura econômica que os tucanos pregam.
Lula precisaria fracassar, porque se o douto, o sábio, o ilustrado, o queridinho dos grandes empresários e da imprensa privada, FHC, fracassou – na política econômica, na política social, na política educacional, na política cultural, na política externa -, fracassou, como um torneiro mecânico, nordestino, que perdeu um dedo nas máquinas, do PT, pode triunfar.
É o fracasso das teorias que pregam que as elites sabem mais, podem mais, fazem melhor as coisas. A mesma teoria que fracassa na Bolívia, onde o índio Evo Morales dá certo, onde o gringo Sanchez de Losada fracassou. Na Venezuela, onde o mulato Hugo Chavez dá certo, quando a elite branca de Carlos Andres Peres, de Rafael Caldera, fracassaram.
As economias dos países que participam dos processos de integração regional, porque privilegiam os intercâmbios entre seus países, porque diversificaram seus mercados internacionais – com o da China ocupando lugar de destaque -, porque desenvolvem os mercados internos de consumo popular, dependendo menos das exportações, porque vão dispondo cada vez mais de recursos próprios de financiamento – que o Banco do Sul vai incrementar -, sofrem menos as conseqüências da maior crise do capitalismo desde 1929. Recordar que como efeito desta, caíram 16 governos latino-americanos. Agora, nenhum deve cair e sofrem mais os que mais se atrelaram à economia estadunidense e mais seguiram aferrados ao neoliberalismo – de que o México é o caso mais grave.
FHC, e todas suas viúvas na imprensa privada, podem chorar, podem pedir pelo pior, podem esperar sentados o fracasso dos novos governos latino-americanos. Seu tempo já passou, o funeral de Wall Street é o seu funeral, o da apologia dos mercados, do Estado mínimo, do reino da especulação. Que descansem em paz, que o povo brasileiro tem mais o que fazer, tem que se ocupar do seu destino, essas cassandras neoliberais que ele derrotou e segue derrotando.
Postado por Emir Sader às 07:23
Fabio Passos diz:
15/10/2008
O Eduardo Oliveira morre de medo da revolução...
E que se lasque todo... o capital.
Por mim a revolução começa hoje.
Você não precisa ser um escravo Eduardo.
http://www.youtube.com/watch?v=CemygE8hSJI
You are not a slave - ratm
eduardo oliveira diz:
15/10/2008
Fabio Passos,
Você escreveu que quer que o capital se lasque. Há um partido que realmente quer isso, que é o Psol. O PT não quer isso.
Como você vota no PT (creio eu), entendo que dizer que quer que o capital se lasque é só uma frase de efeito para você, como o universitário comunista que brada palavras de ordem no campus e à noite vai comer com os pais no McDonalds de um Shopping.
Fabio Passos diz:
14/10/2008
Eduardo Oliveira,
Tudo depende de quais forças e que interesses estão em oposição ao governo Lula em cada situação. Eu meço os interesses de cada lado e tomo posição. Por incrível que pareça, mesmo extremamente decepcionado com o governo, quando vejo o que representa o outro lado... defendo Lula até debaixo d'água.
Flávio Oliveira diz:
14/10/2008
Espero que o Neoliberalismo seja o último estágio do Capitalismo. Há tempos, uma nova ordem surgiu na América Latina. FHC e seus súditos nunca mais!
eduardo oliveira diz:
14/10/2008
Fabio Passos,
Temos visões distintas sobre política e sociedade.
Ainda bem que vivemos em uma democracia e podemos expressar livremente nossos pontos de vista, ainda que diferentes.
Porém, o que realmente não entendo é porque alguém que tem a sua linha de pensamento apóia o governo Lula. A meu ver, parece uma questão de orgulho, de não querer admitir que a esquerda apostou durante vinte anos em uma figura que não a representa no poder.
A realidade é que Lula, como ele mesmo já afirmou, não pratica uma política de esquerda (pelo menos em sua concepção).
Você quer o capital se lasque. Por outro lado, o governo Lula proporciona os maiores lucros da história para os bancos brasileiros. Maiores do que no governo FHC.
Agora mesmo Lula diminuiu o depósito compulsório que os bancos tem que fazer no Banco Central, o que vai proporcionar mais lucros aos bancos, e um menor poder de intervenção do Estado na economia.
Eu, se tivesse sua visão política, votaria no Psol. Eles sim querem que o capital se lasque....
Fabio Passos diz:
13/10/2008
Eduardo Oliveira,
Penso que te falta perceber o fundamental: Liberalismo e livre mercado é uma anedota em um mundo dominado por interesses de mega-corporações financeiras e industriais.
Se você procura um mundo de economia liberal, no atual estágio de desenvolvimento capitalista, terá de procurar fora do planeta terra. Não misture retórica do século XVIII com a realidade.
São os interesses destas mega-corporações capitalistas que impõe, em todo o planeta, as decisões chave de política econômica... não há absolutamente nada de livre nisso. Muito pelo contrário. Os interesses destas mega-corporações controlam a mídia, a sociedade e consequentemente os Estados. Estes interesses são tão poderosos que patrocinam guerra para acumular riqueza... percebe o que acontece no Iraque?
Agora o mercado financeiro ruiu... e os neoliberais correm para o Estado salvar o sistema. Será incongruência? Claro que não!
A luta fundamental dos neoliberais é exatamente pelo controle da definição de política econômica... sempre em benefício da acumulção destas mega-corporações.
Não é por outro motivo que a desigualdade aumentou em todo o planeta nos últimos 30 anos de neoliberalismo.
Prá mim não interessa a liberdade de mega-corporações para especular, fazer a guerra e promover segregação social em todo o globo.
Interessa a liberdade do ser humano. O capital eu quero que se lasque.
Por mim a revolução começa hoje.
eduardo oliveira diz:
13/10/2008
Fabio Passos,
Não há nada de liberal em manter uma moeda hipervalorizada.
Ao contrário, isso é o avesso do liberalismo, pois representa uma intervenção estatal no sistema monetário (no caso, advinda da política de juros).
Pra mim, tanto faz o governo ser do FHC ou do Lula. O que importam são as medidas adotadas na prática. No que se refere à política monetária, não há diferença entre os dois.
Infelizmente, pois não estou de acordo nem com o governo FHC fez nem com o que o Lula está fazendo nessa área.
Fabio Passos diz:
11/10/2008
Eduardo Oliveira,
E não tenha dúvida que a despeito do erro capital - insistir em um modelo econômico errado - há outras variáveis que os distinguem.
Leia o post acima que é um exemplo.
"Cultura brasileira na clandestinidade"
Fabio Passos diz:
11/10/2008
Eduardo Oliveira,
Então... agora que já está evidente que o neoliberalismo irresponsável, praticado por opção interna, quebrou o Brasil no passado recente e ainda é nossa vulnerabilidade presente, só nos resta...
- Colocar os grupos de interesse e a retórica política do presidente anterior, que instituiu o modelo, onde merecem: No lixo.
- E exigir do atual presidente que rompa definitivamente com o modelo moribundo e os grupos de interesse irresponsáveis e incompetentes que o patrocinam.
eduardo oliveira diz:
10/10/2008
Fabio Passos,
Ambos concordamos com a recente hipervalorização do real tanto no fim do primeiro mandato do FHC como agora no governo Lula.
Só não entendo o porquê de você culpar o presidente da república no primeiro caso, FHC, e isentar Lula no segundo.
A indicação do Presidente do Banco Central é feita diretamente pelo Presidente da República. Pode-se até aceitar que no início de um mandato um presidente mantenha um dirigente no Bacen que não tenha a sua linha, apenas para não ter os indesejáveis efeitos de um rompimento bruto.
Mas no segundo ano do segundo mandato de um presidente reeleito?
Meirelles conduz uma política econômica por seis anos seguidos com o aval do Presidente Lula. A responsabilidade maior é de Lula. É para isso que os presidentes são eleitos, para assumirem as responsabilidades.
Fabio Passos diz:
10/10/2008
Eduardo Oliveira,
Toda pessoa bem informada sabe que o real estava (até duas semanas atrás...) hipervalorizado.
Meirelles sofre do mesmo mal de Gustavo Franco... ambos são incompetentes e irresponsáveis defensores de neoliberalismo excludente.
eduardo oliveira diz:
10/10/2008
Fabio Passos, há muita gente que acha que o governo Lula vinha mantendo o real hipervalorizado...
Lúcia Adélia diz:
10/10/2008
Ah! Mestre! Que delícia ler essas palavras! Como não se emocionar? Estou extasiada, com muita fé de que tudo isso que escreves é a pura realidade. Xô para sempre o maldito neoliberalismo e que renasça com muita força a ECONOMIA SOLIDÁRIA. Viva a América Latina e seus governos de esquerda e das liberdades. Que venha uma América Latina para todos os povos latinoamericanos. parabéns Mestre por tão lindo, belo e real artigo.
Vladimir Leon diz:
10/10/2008
SERÁ QUE O ATUAL GOVERNO TEM CORAGEM PARA FAZER O QUE FÁBIO PASSOS PROPÔS AQUI NESSE ESPAÇO, NA CARTA QUE ENVIOU EM 08/10?
FAZER AGORA O DESMONTE DA HERANÇA NEOLIBERAL?
Ivan diz:
09/10/2008
Mal posso esperar pra ver alguem falar: "Vai comer tudo sim, filho. Sabe quanta gente passa fome na Inglaterra?"
Marcelo diz:
09/10/2008
Grande Emir, que bom ler a tua análise bem posicionada e lúcida. Certamente reflete o pensamento e sentimento de muita gente nesta América Latina que se alegra quando alguém com a tua biografia manda os urubus desta direita golpista de volta para o arquivo morto de uma história que nao queremos reviver. Parabés!
Fabio Passos diz:
09/10/2008
Eduardo Oliveira,
Não perca seu tempo negando a realidade.
FHC quebrou o Brasil devido a política irresponsável que manteve o real hipervalorizado.
Crise devido a opções internas.
é um dos motivos que tornaram FHC o pior presidente da história do Brasil.
eduardo oliveira diz:
09/10/2008
Emir,
Como você falou, o México e a Argentina já foram os epicentros de crises mundiais.
Porém, não foi o caso do Brasil nas crises econômicas durante o governo FHC.
Naquele período, as crises tiveram início na Ásia (1997), na Rússia (1998) e na Argentina (2001). E tiveram reflexos em todos os países da região sim, inclusive no Brasil.
Mas nenhuma delas foi "fabricada" aqui no Brasil.
emir diz:
09/10/2008
foi uma explosão pelo acúmulo de ´problemas gerados pela frragilização da economia gerada pelas politicas do governo fhc. tanto assim que afetou ao brasil, mas não ao outros paises da região. o mexico teve sua crise similar em 1994, a argentina em 2001-2002.
João Aguiar diz:
09/10/2008
Amém.
Estou lendo os melhores textos de teoria econômica produzidos na explosão dos acontecimentos, digo para minha filha e mulher que daqui 50 anos nós vamos ser mais citadosque a mini-crise de 29. O Lulinha vai ser apontado como a liderança nacional que anteviu o angu de caroço que estava sendo gerado e não precisa dar crédito ao Meireles porque este é mais um que acredita no mercado, ou melhor acreditava. Onde estão os babacas que achavam um absurdo um superavit primário de 4,3%?
eduardo oliveira diz:
09/10/2008
Emir,
Em relação ao governo FHC, você escreveu que "foi uma crise provocada e sofrida aqui, não como conseqüência de uma crise internacional".
As três "quebras" no governo FHC ocorreram em função das crises da Ásia, da Argentina e da Rússia.
Nenhuma delas foi fabricada aqui.
E foram crises que tiveram impacto em todo o mundo. Certamente não com a gravidade da crise atual, dos EUA.
Mas não é verdade que foram fabricadas aqui, como você afirmou.
Uma coisa é discutir a gravidade de cada crise, outra é atribuir um problema que foi mundial a um governo brasileiro por não gostar de FHC.
orlando sp-sp- 09/10/08 diz:
09/10/2008
FHC é um cadáver político conservado em formol pela mídia. Ainda tem gente aqui neste espçao querendo defendê-lo. O programa do JÔ Gordo entrevistou o farol da alexandria. Emitiu conselhos ao governo Lula, uma baboseira sem fim.
As únicas coisas que ele não fala, ou a imprensa não lhe pergunta, é onde estão os 100 bilhões da privatização;
sobre aquelas gravações dos grampos do BNDES, onde ele concorda com as fraudes do Mendonça de Barros.
-->Agora, permitam-me dar outra na ferradura. Lula declarou para a imprensa que, caso as propostas do PT para a Constituição tivessem sido aprovadas, o país seria ingovernável. Que beleza!!!
O PT nem precisa da oposição. O Lula faz o trabalho dela. Parece que até hoje as leis complementares sobre direito de greve, direitos fundamentais dos cidadãos não foram aprovadas. Tudo de acordo com os desejos da elite para que tudo ficasse exatamente igual.
->Não é a primeira vez que Lula faz isso.
-->Lamentável aquela foto nos jornais dele de Dilma ao lado do José Serra, nosso Homer Simpson. Quanta subserviência. Receber o sujeito, claro é governador, mas deixar-se fotografar daquela maneira!!!???
emir diz:
09/10/2008
não houve crisis no centro do capitalismo, nada que se pudesse dizer que fosse uma crise internacional, como claramente existe agora.
eduardo oliveira diz:
09/10/2008
A crise da Rússia também foi fabricada pelo FHC....
eduardo oliveira diz:
09/10/2008
As crises da Ásia e da Argentina foram fabricadas aqui no Brasil? Não foram crises internacionais?
Roberto diz:
09/10/2008
Com diria o grande Romário, o fhc calado, é um grande economista.
nilton stachissini diz:
08/10/2008
Caro Emir
Excelente e, como sempre, lúcido o seu texto.
Felizmente a borrasca neoliberal, por temer a reação popular, não entregou aos abutres do sistema financeiro internacional (nossos bancos privados inclusos, vide Vale do Rio Doce para o Bradesco) a Petrobrás e o Banco do Brasil. Lembra-se do projeto do "Serjão". A mídia brasileira, aliada de primeira hora do projeto neoliberal, o tratava assim, para fazer os incautos acreditarem numa certa proximidade familiar que o apelido no aumentativo nos transmite (coisas da nossa loucura civilizatória que o Prof. Darci Ribeiro explicou). Pois é, chegaram na metade ou quase isto. Recuperamos em parte o dano com o governo do PT e seus aliados.
Neste momento de crise, em que os mentores internacionais desta ópera bufa, projeto do qual, PSDB e PFL (DEM) eram atores de cenas de menor relevância, mas que usaram o dinheiro do povo brasileiro para participar daquele espetáculo, cujo teatro hoje pega fogo, pois o astro principal Sir Bush, embriagou a atriz principal, Wall Street, que acabou por atear fogo no palco, correm atrás do valoroso Corpo de Bombeiros, o Estado, para apagar o incêndio. Onde está a segurança privada contratada para dar segurança ao espetáculo, o tal deus mercado. Embriagou-se junto com a atriz e passa por uma ressaca de dar dó. E o que fazem esses nossos concidadãos que se contentaram com um papel secundário, no qual só foram aceitos mediante o financiamento do projeto com o patrimônio do povo brasileiro (Sistema de Telefonia, Geração e Distribuição de Energia, Vale do Rio Doce, Estradas, etc, etc,......e etc) torcem para que o incendio atinja as casas vizinhas.
Essa turma neoliberal não vai dar mole. Atenção é o que o momento pede.
Forte abraço.
antonio rodrigues diz:
08/10/2008
sader, tu tens toda razao. FH deixou o governo com acordo com o FMI (entre serra e lula) dizendo que nao haveria mudanças na economia etc e com o dolar a R$4. ele nao deixa saudade, ao contrario do Lula. tu tens coragem e clareza de raciocinio. parabens. antonio rodrigues
Fabio Passos diz:
08/10/2008
Putz! Só a nossa mídia-lixo-corporativa prá dar trela a este fantasma que nos atirou no neoliberalismo mais desvairado.
Tem de deixar o ociólogo FHC de lado e trabalhar...
Agora é a hora da verdade!
O governo não pode mais bancar o mero espectador.
O Estado precisa intervir. Pesado.
1) Estatizar o BC e:
- prover crédito abundante e barato para promover vigoroso crescimento interno e suportar a queda dos preços das commodities e redução de atividade em função da recessão dos países ricos.
- aumentar sensivelmente a participação dos salários no PIB
2) Tem de bloquear temporariamente toda e qualquer saída de capitais.
3) Tem de nacionalizar todos os bancos até a proporção mínima que permita o controle do Estado.
Quanto ao valor que ainda permanecer em mãos privadas…
…bem, vamos ver se o rombo não é superior a este valor.
Quem quebrou assume as perdas… perde o negócio… e o patrimônio.
Ué?
Tão com medo de que?
Medo era antes da crise… agora é hora de agir.
vantuk diz:
08/10/2008
Tomo este espaço para me dirigir ao povo de São Paulo, especificamente àqueles que no domingo passado deram ouvidos ao todo poderoso guru de todo o saber, José Serra. Agradeçam, meus compatriotas, ao povo nordestino, dêem graças a eles pelo seu emprego, pelo seu dinheiro que continua seguro no banco, pela sua condição de pagar o financiamento do seu carro e da casa, agradeça pelo seu padrão de vida que, ao contrário do que muitos pensam, não depende só da sua competência individual. Depende tambem de uma economia sólida, de um governo que diante da crise pode jogar dólares no mercado para conter sua ocilação, que tem ferramentas para fazer as instituições financeiras jogarem dinheiro na economia em linhas de crédito. Não neguem mais que estamos melhores hoje do que há 7 anos atras. Lembrem que temos estas possibilidades porque o povo nordestino ajudou em massa a reeleger este torneiro mecânico com menos dedos e mais cabeça.
Waldemar Azevedo diz:
08/10/2008
A vitoria política da esquerda e do PT nesta eleições dificultam em muito os sonhos daquelles que berraram que iriamos dar trinta anos sem nossa presença. Como diz Chico Buarque "voçe me prende vivo eu escapo morto". Vamos derrota-llos nos segundos turnos. Waldemar Azevedo
izaias almada diz:
08/10/2008
Caro Emir, sempre lúcido em sua análise. Pena é ter que ficar lembrando, nesses momentos de depressão capitalista, figuras como a desse vendilhão da pátria que atende pela alcunha de FHC. Se juntarmos os diplomas e títulos acadêmicos desse tal de PSDB, não valerão o dedo perdido pelo presidente metalúrgico. E o que dizer de Obama e McCain, esses dois palhaços de um circo que vai pegando fogo aos poucos? Pena que boa parte da esquerda brasileira seja tão míope e se preocupe mais com o passado do que com o futuro.
Mais uma vez os meus parabéns e um abraço,
Izaías Almada.
antonio donizeti da costa diz:
08/10/2008
Caro Emir, a cereja no bolo da hipocrisia do FHC, tucanos, demos e essa mídia politica/partidária que lhes dá apoio, é que no final do segundo mandato do histriônico FHC (o sujeito agora quer dar conselhos sobre a crise!!), o grande projeto tucano era atrelar a economia brasileira de forma umbilical à norte americana, via adesão do Brasil ao Acordo de Livre Comércio das Américas, a famosa ALCA.
Se isso tivesse ocorrido, hoje estariamos no "olho do furacão" da crise mundial, e não sofrendo seus pequenos efeitos colaterais.
Não podemos esquecer que a adesão do Brasil à ALCA, projeto tucano, era vendido ao povo por essa mesma mídia safada e venal como a verdadeira "salvação da economia e da lavoura nacional" através de seus "colonistas"!!!
Hoje tucanos, demos e o PIG - Partido da Imprensa Golpista, arrancam seus cabelos, estrebucham e apontam o dedo inquisidor porque o Presidente Lula não quer fazer o que eles"acham" que é melhor para o Brasil.
Na verdade, a única coisa que a oposição psdb/demos e essa mídia venal e sem vergonha querem, é que o Brasil e seu povo se esborrachem com a crise mundial, para que eles tenham alguma chance de voltar a lotear o poder federal entre eles e mamar nas tetas do Estado brasileiro, o que o povo lhes nega nas urnas.
Non passaran!!
maria ronilda de oliveira diz:
08/10/2008
Ler seu texto é aprender, é sentir-se bem, é diverti-se, é entender como a política funciona.
Encontrar uma análise tão perfeita dos momentos e/ou dos movimentos políticos, percebidos apenas por uma parte da população, é ótimo.
A clareza dos fatos apresentados e a apresentação para os leitores do que há realmente por trás dos movimentos, atos e factóides direitistas - NÃO TEM PREÇO.
Piragibe diz:
17/10/2008
Incrível, Emir, como as coisas estão óbvias e são solenemente ignoradas pela "mídia nativa". Outro dia um papagaio pseuddo-reporter estava a dizer: "O país está bem, têm reservas, não tem inflação, não tem desemprego, mas o Presidente Lula deveria estar aqui a acompanhar e administrar essa crise mundial e o que ele faz? Vai passear na Espanha para ganhar uma comenda da língua espanhola". Não acho que a direita morreu, nem pode. Hà necessidade, sempre, de grupos opositores, sejam demagogos ou extremistas ou sei lá o quê. No momento em que não houver dissenço, nossa estrutura pseudo-democrática-ocidental rui.
Parabéns por não ter se calado, Emir.