12/04/2009

Quem está doente: Adriano ou os outros?

Que sociedade é esta que, quando alguém diz que não estava feliz no meio de tanto treino, tanta pressão, tanta grana, tanta viagem, que prefere voltar à favela onde nasceu e cresceu, compra cerveja e hambúrguer para todo mundo, fica empinando pipa – se considera que está psiquicamente doente e tem que procurar um psiquiatra? Estará doente ele ou os deslumbrados no meio da grana, das mulheres, das drogas, da publicidade, da imprensa, da venda da imagem? Quem precisa mais de apoio psiquiátrico: o Adriano ou o Ronaldinho Gaucho?

O normal é ter, consumir, se apropriar de bens, vender sua imagem como mercadoria, se deslumbrar com a riqueza, a fama, odiar e hostilizar suas origens, se desvincular do Brasil. Esses parecem “normais”. Anormal é alguém renunciar a um contrato milionário com um tipo italiano, primeiro colocado no campeonato de lá.

Normal é ser membro de alguma igreja esquisita, cujo casal de pastores principais foram presos por desvio de fundos. Normal é casar virgem, ser careta, evangélico, bem comportado, responder a todas as solicitações e assinar todos os contratos. Normal é receber uma proposta milionária de um clube inglês dirigida por um sheik, ficar pensando um bom tempo, depois resolver não aceitar e ser elogiado por ter preferido seu clube, quando antes ele ficou avaliando, com a calculadora na mão, se valia a pena trocar um contrato milionário por outro.

Considera-se desequilibrado mental quem recusa um contrato milionário, para viver com bermuda, camiseta e sandália havaiana. Falou à imprensa de todo o mundo, disposta a confissões espetaculares sobre o que havia feito nos três dias em que esteve supostamente desaparecido – quando a imprensa não sabe onde está alguém, está “desaparecido”, chegou-se até a dizer que Adriano teria morrido -, buscando pressioná-lo para que confessasse que era alcoólatra e/ou dependente de drogas, encontrar mulheres espetaculares na jogada.

Falou como ser humano, que singelamente tem a coragem de renunciar às milionárias cifras, eventualmente até pagar multar pela sua ruptura, dizer que “vai dar um tempo”, que não era feliz no que estava fazendo, que reencontrou essa felicidade na favela da sua infância, no meio dos seus amigos e da sua família.

Este comportamento deveria ser considerado humano, normal, equilibrado. Mas numa sociedade em que “não se rasga dinheiro”, em que a fama e a grana são os objetivos máximos a ser alcançados, quem está doente: Adriano ou essa sociedade? Quem ter que ser curada? Quem é normal, quem está feliz?

Postado por Emir Sader às 11:46

75 Comentários

ANTÔNIO ALBERTO (Pe.Alberto)MENDES FERREIRA diz:

09/05/2009

È VERO ! È VERO !!! >>

SOMOS CONTRADITÓRIOS ... >>

C 'EST LA VIE !!!

Pedro diz:

08/05/2009

Óbviamente são os outros que estão doentes. É a sociedade que está doente.
O individuo enganou uma instituição (Internazionale) premeditadamente, com a mentira que pararia de jogar futebol. Agora, um mês depois da mentira, volta ao futebol, jogando no Flamengo, seu time de coração (isso é lindo, não?).

Talvez se toda a sociedade, que está doente, mostrasse o comprometimento, o caráter, a honra do jogador Adriano, a vida seria muito mais feliz. Não teríamos mais desigualdade social e todos seríamos irmãos... Os ´"arquétipos sóciais", fortuna, fama, sexo, beleza, seriam deixados de lado. O HERÓI ADRIANO deveria ter uma estátua em sua honra na Gávea.

Essa atitude, de MENTIR para milhões de pessoas, é sempre louvável. Deveríamos dar ainda mais oportunidades para os grandes mentirosos. Adriano mostrou todo seu desapego às questões materiais, visando apenas sua felicidade. Foi morar na favela, por três dias, pegou inúmeras mulheres-fruta (divas de nosso herói), fortaleceu seus laços afetivos com traficantes e drogados, dançou muito funk, fez muito churrasco na laje, bebeu muita cerveja...

Espero que meus filhos estejam acompanhando a saga do nosso herói para que, um dia, possam ter atitudes tão belas e que demonstrem tanto caráter.

As armadilhas de Adriano com certeza estão no mundo fashion-futebolístico, não com traficantes. Mas o importante é que ele foi lúcido em sua mentira.

Como pode alguém ser TÃO ingênuo?

Flavia diz:

25/04/2009

Emir,

é tudo tão inspirador nos teus textos, que sempre me lembro deles em discussões com outros blogueiros. Acabei de voltar aqui pra pegar o link deste post e colocar no meu comentário no blog de um amigo. Mas percebo que há uma dificuldade.

Por sorte, este post ainda é recente e consegui achá-lo facilmente, mas precisava ter um daqueles procuradores aqui, por meio do qual fosse possível achar os posts por palavras-chave.

Por exemplo, eu venho coletando dados e bons posts sobre a lei rouanet no meu blog, para poder fornecer a mim mesma e outros leitores elementos que possamos usar numa análise da situação em que o ministério da cultura se encontra neste momento e para poder tomar uma decisão e participar da consulta pública (que aliás, o ministério está de parabéns por ter lançado) só que não tem procurador no teu blog, e você pode ter algum texto revelador e eu com dificuldade de achá-lo... (chuif)

por isso peço encarecidamente por um procurador, para que os teus textos não sejam vítimas do progresso dos tempos ;)

Marcos Azevedo diz:

24/04/2009

Não sou flamenguista, ainda bem, mas acho que o Adriano está muito certo. Ganhou muito dinheiro, não sabe onde vai colocar o que ganho, quer viver ao lado da sua verdadeira galera. Só quem jogou bola descalço na rua, brincou de pipa, bola de gude com sua turma, sabe como isso é mais saudável do que qualquer fortuna mundo a fora. A Itália, França, Portugal e Espanha, após a globalização e a comunidade européia estão perdendo gradativamente sua raízes latinas, estão todas uma verdadeira chatisse, deixe o Káka, sim com acento na primeira sílaba, la na ítalia, gente medíocre e chata como ele jamais deve voltar ao Brasil.

Junior diz:

22/04/2009

Se o que aconteceu com Adriano foi mesmo uma decisão consciente e equilibrada, tudo bem, concordaria perfeitamente com o texto. Mas aparentemente não foi. O envolvimento dele com a bebida é notório, suas baladas também, e o receio de que haja coisa pior não é exagerado. O problema é que a sociedade está doente e produz indivíduos doentios, não pode produzir outra coisa. Adriano está sim doente, não sejamos ingênuos. E não por ter largado dinheiro e fama. Ele talvez seja uma pessoa mais sensível que o normal, e não suportou tamanha loucura (sim nossa sociedade é uma loucura), como fazem muito bem Ronaldo e Robinho por exemplo, mas isso não o faz menos doente que a sociedade em que vive.

Carlos Alberto M. Junior diz:

22/04/2009

Estamos sempre criticando o que fazem os outros. É assim que se gera prazer em uma cultura competitiva.
Estamos mergulhados em uma cultura que impõe verdades profundamente ideológicas baseadas em desejos de poder.
Somos seres vivos e pasmem, de uma espécie surgida em bases cooperativas (foi por isso que criamos linguagem e racionalidade). O que queremos nos degladiando em críticas mútuas e destrutivas? Encontrar consenso na competição?
Adriano e Ronaldinho Gaúcho são seres que vivem no fluir de suas emoções. Não cabe a nenhum de nós julgar o quanto a contaminação de uma cultura se fez nesse ou naquele indivíduo. O quanto nós, em nossos trabalhos, contribuímos para a manutenção de uma cultura do poder, da negação do outro como legítimo outro, da competição, do consumo e do colapso ambiental?
Parabéns ao Adriano pela atitude, ao Emir pela reflexão. Mas me digam qual é a parte do diabo (como nos alerta o filósofo Mafessoli)? A que rumos essa guerra entre o bem e o mal conduz nossa sociedade? O problema não é o bem nem o mal, é a guerra que se faz entre eles.
Emir, como você escreveria esse texto em bases cooperativas?

Jorge Ernesto Couto de Castro diz:

20/04/2009

Há alguns dias atrás, no time do Grêmio, teve um jogador que teve uma atitude semelhante a do Adriano, que sumiu inexplicavelmente, durante uns três dias, simplesmente viajando, sem ter explicado, nem comunicado isso a ninguém. Eu não creio que o caso do Adriano, isso seje um problema psiquiátrico, talvez um problema de saudade.
Todo mundo fala dos benefícios do trabalho, do quanto este dignifica as pessoas, mas o trabalho também desgasta as pessoas, também cansa e as vezes até irrita, acho que foi isso que deve ter acontecido com o Adriano.

rodolfo diz:

20/04/2009

Por acaso o Milan não tem torcida?

Pelo contrário. O faturamento do clube milanês com venda de produtos licenciados e bilheteria é infinatamente superior ao de qualquer clube brasileiro.

Em relação ao número de sócios então, é vergonhosa a diferença. Ainda mais quando comparado o tamanho entre as duas torcidas.

Muito melhor seria se o flamengo fosse administrado por profissionais capacitados e remunerados, do que essa corja, que se aproveita do clube e o usa para enriquecimento pessoal ou trampolim político.

Se o Flamengo fosse administrado de maneira transparente e profissional, seria um dos maiores clubes do mundo. O problema está justamente em ele não ter dono.

Lacyr diz:

17/04/2009

Prezado Emir, concordo plenamente contigo.
O Adriano retirou a alma do comércio. Somente isso!

emir diz:

17/04/2009

o leonardo propôs a venda do flamengo, da mesma forma que o milan, de que ele é empregado, foi comprada pelo berlusconi. é como se a globo comprasse o flamengo. o ideal do neoliberalismo, o fim dos clubes e das torcidas. querem que tudo tenha preço, que tudo se compre, tudo se vende.

Anelise diz:

15/04/2009

Parabéns!! Falou tudo!!

maria luiza diz:

15/04/2009

Acontece que nossa sociedade esqueceu de prestar atençao em canto de passarinho, cheiro de chuva, carinho de vó, saquinho de pipoca pequeno, cinema no domingo a tarde... enfim acho que ficaria horas dando milhares de simples sugestões que infelizmente foram atropeladas pela ganância, avidez de ser the best, que um gesto que inclusive deveria passar despercebido vira manchete escandalosa mundial.
Parabéns ao Emir e ao Adriano.

Fabio Passos diz:

15/04/2009

Adriano deve ter se ligado que os grã-finos, na verdade, desprezam suas origens e sua cultura... desprezam quem ele é.

Os grã-finos gostam - usam! - do Adriano é como instrumento prá vender produtos.

Não tão nem aí com ele de verdade.

Este sistema pervertido não presta.

Que venha abaixo!

Ontem!

Fred diz:

15/04/2009

Texto até que simples, mas às vezes coisas que deixam de ser ditas pela sua presumida evidência acabam passando desapercebidas.

Fabio Passos diz:

15/04/2009

Marcelo Jove,

Confesse... teu sonho é virar grã-fino. Assim você não vai parecer nem precisar conviver com quem tanto despreza: Os pobres e sua "cultura inferior".

Não percebe que desperdiça tua vida querendo ser algo que não presta?

Isto é tudo de plástico rapaz. Artificial.

Sai dessa neura de querer ser grã-fino.
Liberte-se.
Esta ricaiada não vale o que come.

Os ricos e seu sistema que só produz desigualdade... são horríveis. Os ricos são O Crime.

Marcelo Jove diz:

15/04/2009

Caro Marcelo,

com certeza "A maioria acha normal ter (e também quer) 10 carros importados, 30 loiras gostosas e 20 apartamentos de 500 metros quadrados." Muito pior do que isso é a maioria achar normal retornar para uma favela dominada por traficantes violentos, mesmo quando a pessoa que retorna possui dezenas de milhões de dólares na conta bancária. Este é o problema sobre o qual devemos refletir: que relações são essas entre os traficantes e as celebridades que nasceram e cresceram numa favela? Conivência? Condescendência? Cumplicidade? Vista grossa? Será que qualquer um de nós poderia andar de rolex numa favela aqui do Rio, sem medo de ser "tomado"?

Floriano Soares diz:

15/04/2009

A tônica dos comentários anteriores já deu a resposta, me parece. Ou seja: a imensa maioria não se encoraja, é verdade, a apontar o Adriano como "doente", mas, claramente, não a considera lógica. Como se a generalizada aceitação de um padrão notoriamente imposto por um discutibilíssimo sistema econômico fosse capaz de reger uma orquestra do tamanho da racionalidade humana. Ora, façam-me o favor!

Marcelo Figueiredo diz:

15/04/2009

O mundo está doente, Emir. A maioria acha normal ter (e também quer) 10 carros importados, 30 loiras gostosas e 20 apartamentos de 500 metros quadrados.

Isto aqui é um sanatório.

Jaqueline Teles diz:

15/04/2009

Lendo o artigo e os comentários vejo uma discussão que envolve, política, valores sociais e éticos. No entanto, ângulos se divergem e a verdadeira motivação se perde ao vento. Já que, os verdadeiros motivos, banais ou não, só pertencem ao estupim da discurssão. O Adriano.

francisco diz:

15/04/2009

Quem escreve a história da humanidade, para o bem e para o mal, não são os "imparciais".
Há pessoas que preferem pecar por ação do que por omissão, e a atitude deste post e do jogador serviu e serve de fermento para nossa " massa" cerebral.

Gutemberg Motta diz:

15/04/2009

É preciso separar as coisas, o ato em si, a forma do ato e os fatos que motivaram o ato. O ato de abandonar um contrato milionário na Europa e voltar ao Brasil, é um ato de coragem e admirável, tão admirável quanto ao do Romário em 1995. A forma como isso aconteceu é que foi atribulada, demonstrando a imaturidade do Adriano, uma pessoa que teve o contato com o dinheiro e a fama muito novo e sem nenhum preparo para lhe dar com isso. Já os fatos que o levaram a tomar essa atitude, somente ele ou quem está ao seu redor pode dizer, o resto não passa de especulação. Porém, pelo o que eu ouvi de frequentadores da região, os motivos não são muito nobres. Ouvi relatos de consumo de cocaína e tiro pro alto com armas de traficantes. O mais importante no caso é sabermos analisar com critério todos os detalhes, o Emir fez uma análise sociológica sobre o ato em si a partir de uma visão ingênua dos motivos. Mas a análise é totalmente pertinente e sua validade é independente dos motivos e da forma como foi feito.

CARLOS O. Gomes diz:

14/04/2009

Pelo amor de Deus!
Infelizmente no Brasil há uma prática de anos que é a lei de Gérson: "levar vantagem em tudo..." Não se cumpre horários, não se tem disciplina, não se respeita o espaço dos outros...
No exterior os conceitos de respeito às leis e a disciplina em tudo o que se propõe a fazer são aprendidos desde pequeno.
Ridículo se comparar um jogador com o outro, mas a exemplo do Adriano o Romário teve as mesmas dificuldades no exterior por não respeitar a disciplina e querer passar por cima dos outros.
O mais triste é pessoas apoiarem essa conduta, e o "pobre coitado" ser quase endeusado e idolatrado (como é de costume fazer no Brasil), como também é feito com os "famosos" lançados pelos bbb's da vida.
Doente é a sociedade que não tem base para ter conceitos e valores significativos, e fazer comentários em que fere até a contistuição no que tange a liberdade de culto.
É lamentável a total falta de visão de um povo manipulado por comentários desprovidos de qualquer equilíbrio e cheio de total maldade, insanidade e parcialidade. RIDÍCULO!!!

claudionor damasceno diz:

14/04/2009

Muito bem, Emir. Valeu.
Grande abraço!

emir diz:

14/04/2009

agora há 249 mensagens fajutas tentando atrapalhar o nosso blog. coitados!

Maloker diz:

14/04/2009

Aew!
Infelizmente a grande maioria da sociedade pensa dessa forma, de que na vida o importante é ganhar dinheiro e possuir bens.

Maloker diz:

14/04/2009

Aew!
Infelizmente a grande maioria da sociedade pensa dessa forma, de que na vida o importante é ganhar dinheiro e possuir bens.

Maloker diz:

14/04/2009

Aew!
Infelizmente a grande maioria da sociedade pensa dessa forma, de que na vida o importante é ganhar dinheiro e possuir bens.

Marcelo Jove diz:

14/04/2009

A esquerda sempre considerou o futebol o ópio do povo. Agora, Adraino passa a ser considerado um ídolo, por ter retornado para a favela onde nasceu. Seus milhões não são usados para melhorar nenhuma infra-estrutura, mas apenas para comprar cerveja e hamburguer. A esquerda acusa a burguesia de fazer eventos beneficentes, sem alterar realmente a vida dos favelados, mas o Adriano pode fazer festinhas na favela, sem que ninguém o desqualifique por isso. Continuamos pensando por aquelas categorias de casa-grande/senzala, optando sempre pelos mais pobres, como se a pobreza santificasse o homem.
Pobre Adriano, ele não sabe o que a favela está fazendo com ele. Ele não sabe o quanto a sociedade manda na sua vida. E nós, tupiquins, gostamos disso, de sermos cada um o que nos mandaram ser durante toda a vida. Viva Ronaldo e seus travestis, viva Cacá e sua virgindade nupcial. Adriano é que está perdido, sem saber o que fazer, já que só faz o que a sociedade marxista-leninista lhe manda fazer.

Urubu Guerreiro diz:

14/04/2009

O Adriano está doente é de saudade do Mengão, onde surgiu para o futebol e foi desencaminhado pelas mãos de um cartola inescrupuloso. Assim que rescindir com a Inter, ele voltará a ser feliz envergando o Manto Sagrado Rubro-Negro no Maracanã lotado pela Magnética. Ganhará um "salariozinho marromeno" de uns 150 mil reais por mês, mas pelo menos poderá soltar pipa e ir à praia quando quiser, e para um carioca da gema isso basta. Ainda por cima, pegará a mulher moranguinho e outras frutas - enquanto tiver algum no bolso, é claro. Quando a grana acabar, ele poderá escrever um livro de memórias.

Pietro diz:

14/04/2009

Emit, indigno de voce e da CM este comentario. Apoiar o comportamento deleterio do Adriano va' la'. Mas justificar usando o Kaka' como exemplo negativo?
Ficou mal.

Antonio Neto diz:

14/04/2009

Faltou um bom exemplo de "normalidade" correlata a este caso: ser atleta milionário e ainda assim voltar a ser garoto-propaganda de cervejaria...

Marcos diz:

14/04/2009

Miguel e Jorge não podem estar mais errados.
Muitas pessoas, em qualquer país do mundo, são felizes sendo artistas, professores, advogados, técnicos em eletrônica, contadores, venedores de ápolices de seguros, camelôs, ..., sem ficarem ricos, lucrarem excessivamente ou adquirirem 5 casas na praia.
A felicidade está associada à liberdade, inclusive à liberdade econômica.
O que ocorre é uma confluência em torno de um pensamento, correto e razoável, de que recompensas financeiras são um prêmio para a competência e para trabalhos que egreguem valor à sociedade.
Não qualquer trabalho, deixo claro, mas aqueles que agreguem valor e sejam reconhecidos por tal.

xico votuporanga diz:

14/04/2009

Quando a mídia dava mais importancia aos bons exemplos talves este fato não teria tanta repercursão, mas agora diante de desta fabrica de estrelas do futebol que se criou através dos empresarios e das marcas estampadas nas tais estrelas tornou-se verdadeiras orgias onde os pais nem sabem se deve deixar os filhos estudarem e ter uma vida miseravel ou tentar a sorte pagando uma escola para que qualquer perna de pau ensaiem algumas jogadas e conseguirem um contrato milionário, esses jogadores que nunca sentaram e analizaram o que é o prazer de apesar de palmeirense saber que já ouve jogador como o Poy goleiro do SPFC que assinava o contrato em branco para depois a diretoria pagassem o que era justo. hoje vemos garotos ainda q

Nelson Antônio Fazenda diz:

14/04/2009

Uma atitude humana e corajosa a do Adriano. Apenas isso. Mesmo o treinador José Mourinho - de quem muita gente não gosta por considerá-lo "bodoso" demais, digamos assim -, reconheceu isto e se conformou afirmando que preferia perder o atleta mas ver o homem feliz.
Por outro lado, é triste ver que, uma vez mais, o nosso Rei do Futebol, o Sr Edson Arantes do Nascimento, deu "uma bola fora". Ele que tantas bolas colocou nas redes. Pelé afirmou que Adriano seria um péssimo exemplo para os jogadores mais jovens.
Discordo completamente dele. Ao contrário, Adriano está é dando um belo exemplo para todos. O exemplo de que manter dinheiro e status não deve ser argumento forte o bastante para desistirmos do que realmente nos faz bem e nos deixa felizes.
Adriano pode até vir a se arrepender e voltar atrás na sua decisão. Porém, sua atitude é, repito, corajosa e humana.
Para terminar, desse jeito o Rei do Futebol vai acabar dando razão ao Romário, que desabafou: "Pelé calado é um poeta".

Raymundo De Paschoal diz:

14/04/2009

Parabens ao Professor, pois levanta um caso específico para esta auto comunicação da esquerda no Blog. Nós continuamos nas questões gerais, muitas vezes fazendo caber num pensamento ou ideologia a aprisionar a realidade; esta que é o cotidiano ou fatos específicos, nem sempre é analisada. Conheço muito bem favelas (em São Paulo, porém) e afirmo que têm vida comunitária muito melhor que loteamentos fechados e similares a gosto das classes de renda mais altas e da especulação imobiliária. Me parece que Adriano recupera a a frase que "eu era feliz e não sabia" da música popular brasileira ou "Narciso acha feio o que não é espelho, afasta o que não conhece" de Caetano Veloso em homenagear São Paulo e Paulinho da Viola com a frase "As coisas estão no mundo, só que preciso aprender". Tal como os citados grandes artistas, com origem popular, Adriano é um artista e tem direito à liberdade. Creio que a Arte e a criatividade deva ser melhor sopesada pelas correntes de opinião.

Marcela Schiavoni diz:

14/04/2009

Admiro atitude de Adriano, que é modelo e idolo de milhares e acaba incentivando o questionamento dos valores hoje em dia.
A felicidade pode estar em lugares diferentes do lugar comum!
E todo ser humano deve ser respeitado qualquer que seja sua escolha de vida.
Parabéns!

Patricia diz:

14/04/2009

Parabéns pelo artigo. Não me refiro ao caso particular do Adriano mas à uma reflexão maior de todos nós, inseridos numa sociedade. Resta saber os valores que esta sociedade doente exalta. Abraços,

ernesto diz:

14/04/2009

Estima-se que o Adriano tenha 100 milhões. Assim, está apenas deixando uma atividade que não o atrai, no momento em que não precisa mais dela, o que a grande maioria entende, elogia e, provavelmente, inveja.

As críticas que ele sofreu foram anteriores, quando tinha contrato e não o cumpria. Isso tem a ver com caráter, respeito e responsabilidade, não com sua pretensa visão simples da vida. Ou alguém acha que as orgias em Milão não se transformarão em orgias no Rio?

E por que o Kaká não tem direito de casar virgem, ser um profissional exemplar e seguir a igreja que lhe agrada? Ele não pode ter esses valores?

A visão totalitária é bem triste. Às vezes se traveste de libertação de preconceitos ou coisa assim, mas logo volta à sua lógica implacável: os da minha turma estão sempre certo, ainda que matem, roubem, torturem. Os que não compactuam dos mesmos valores que eu estão sempre errados, mesmo que só levem sua vida em paz, sem fazer mal a ninguém.

Marta Paes diz:

14/04/2009

Adriano é vítima do racismo ao avesso. Ele nunca pôde se livrar da favela que enfiaram goela abaixo dele. Nunca pôde. Todo mundo cobrava do craque que ele voltasse a andar pela favela onde ele nasceu. É isso, queremos que todo negro seja pobre e favelado. Não aceitamos que um negro pobre se torne craque, não aceitamos. Essa é a nossa miséria.

Daniel Fonseca Motta diz:

14/04/2009

Tal como analisa o caso tem-se a impressão de que o adriano abriu mão de toda a sua grana, numa atitude franciscana, para "voltar às raízes". Ora, é bastante diferente ser "condenado" a viver no morro de o fazer por opção, podendo mudar de mundo a cada instante, quando bem lhe convier, o que, é claro, também não deixa de ser atitude humana.

Fernanda Ticianelli (CeUPES 2009) diz:

14/04/2009

Bom dia, Emir,
desculpe tentar contato por aqui, preferia via e-mail, mas não sei se tem aberto sua caixa.
Enfim, nós, do Centro Acadêmico de Ciências Sociais da USP (CeUPES), gostaríamos de convidá-lo a participar de um evento de nossa Faculdade que é a Semana de Ciências Sociais, numa mesa que discutirá as democracias latino-americanas.
Estou, nesse momento, enviando um e-mail a você (na conta da uol) com detalhes do convite.
Se tiver interesse por favor, nos responda,
abraços,
Fernanda

rodolfo diz:

14/04/2009

Grande pensamento arcaico brasileiro. O jogador que é exemplo de profissionalismo, é criticado e demonizado por não se deixar levar pela fama repentina e por exaltar a sua fé (deixo claro que não suporto igrejas caça-níquel). O jogador que personifica a falta de preparo psicológico, que denigre a imagem de outros jogadores brasileiros no exterior, é exaltado como um heroi revolucionário. Primeiro, o Adriano não renunciou à riqueza (sua fortuna já ultrapassa dezena de milhões). Segundo, o ato do Adriano foi totalmente antiprofissional; quer renunciar à fama, cumpra o contrato até o fim, com quem investiu durantes anos na sua formação.

Emir, o senhor afirma que o Adriano destoa do deslumbramento dos milhões que lhe oferecem, pelo contrário, ele personifica esse deslumbramento. Orgias com escorts caríssimas, treinos alcoolizados, sumiços de concentração.

Glamourizar um jogador que atingiu o fundo do poço, justamente por esse deslumbramentro, e criticar aquele que apenas externa sobriedade e profissionalismo, é o fim da picada.

CARLOS HENRIQUE FURTADO COSTA diz:

14/04/2009

Concordo plenamente com você Emir, inclusive enviei um correio ao Adriano, parabenizando-o pela decisão, mencionando que só um grande ser humano é capaz disto, pois como ele mesmo disse "o importante é ser feliz".
Enquanto as pessoas continuarem com a ilusão de que tudo se resolve com dinheiro e importante são os bens materiais o mundo continuará sendo essa podridão em em que vivemos.

adalberto diz:

14/04/2009

Brilhante artigo, eu trocaria o morro carioca, por Mião, desde que esse morro não tivesse traficantes, violencia sem fim e miséria total. Já morei em local muito pobre, porem, não tinhamos violência, tão pouco traficantes ou drogas, e só não éramos felizes, porque a casa era muito precária. Voce deve viver no lugar que vc. se sinta feliz, seja ele rico ou pobre.

edilasir afonseca diz:

14/04/2009

Cada vez te admiro mais. Não me importo muito com a vida de atletas, ma não pude deixar de me encantar com o que fez o Adriano

Luciano Faustina da Rosa diz:

13/04/2009

Ao revelar-se demasiado humano, Adriano, um personagem midiático, pôs em risco os fundamentos da fantasia vendida como realidade pelos meios de comunicação de massa.

Miguel Rodrigues diz:

13/04/2009

Brilhante sacada do Jorge Gonçalves. É isso aí, Jorge!

Jorge Gonçalves diz:

13/04/2009

O pensamento capitalista é totalitário. Quem faz afirmações que contrariam seus princípios é considerado louco. Na lógica capitalista a felicidade está associada a lucro, a propriedade.

francisco diz:

13/04/2009

Engana-se as pessoas de nossa sociedade que questiona a ideologização da situação deste jogador e outros.Numa sociedade onde o ser humano (famoso claro) é colocado o tempo todo como" referencia" e ao mesmo tempo, mercadoria de consumo,seja atravez da sua religião,vaidades,dinheiro e demais idolatrias,é ser ingenuo diante da manipulação da midia burguesa.

Bairrismos a parte, os homens e mulheres são frutos do meio social que vivemos; agora querer descolar a realidade humana da sociedade que se vive, das suas reações e consequencias,coletivas ou individuais fica dificil, só falta esse pessoal dizer que tudo veio do nada.

renilton diz:

13/04/2009

Parabéns pela reflexão Prof. Emir! Se a sociedade anda doente é porque nós todos ainda somos muito vulneráveis às tentações do capital e suas ilusões. Infelizmente a atitude ("isolada") do Adriano não representa uma ofensiva à lógica sedutora do luxo e da fortuna que o mundo do futebol alimenta no imaginário de nossos jovens que todos os dias precisam driblar as adversidades da vida. Mas, certamente, já serve para demonstrar que ainda há esperança no ser humano.

Jorge Gonçalves diz:

13/04/2009

Concordo com quase tudo. O quase fica por conta da favela onde o Adriano vive feliz. Lá no Morro do Cruzeiro se cultuam os mesmos valores que em Milão. É dialético.
Joãozinho Trinta foi perfeito (Marx tinha a mesma opinião: a única qualidade da miséria é ter o germe da revolta).
A felicidade do Adriano está associada a falta de cobrança. Lá, de fato, ele é o imperador. Quem discordar dele está fora do grupo. Se ele fosse sincero em relação ao Morro do Cruzeiro, faria como o alemão no Vidigal, investia lá. No entanto, foi comprar mansão na Barra da Tijuca.
Fico triste em ver o sofrimento de uma pessoa que com 11 anos acordava de madrugada para treinar acreditando que ia ganhar dinheiro e ser feliz.

emir diz:

13/04/2009

Não se trata de tomar o comportamento o Adriano como exemplar, mas o ruim é que alguem que destoa do deslumbramento dos milhões que lhe oferecem, é considerado doente mental, caso de psiquiatria. Parece que não conseguem pensar que há gente que assume outros valores - como o de ser feliz.

Umberto Cavalheiro Abrozino diz:

13/04/2009

Emir, seu raciocício está perfeito. A turma do raciocínio fácil diz que há suspeitas de crimes. Que crime que ele cometeu? O de romper um contrato com um clube milionário? O de buscar a sua essência?
Realmente o modelo NEOLIBERAL acabou! Até seus escravos de luxo estão "pulando do barco". A mídia tradicional está desesperada, com medo de que a moda pegue. Aí boa parte de seus ridículos programas poderão ir à falência.
O "Vale tudo por dinheiro" parece estar chegando ao fim...
... e isso incomoda alguns setores da elite que "só pensam naquilo".

edmundo diz:

13/04/2009

O peso dos brincos de diamantes que ele tem pendurados nas orelhas deve ter afetado o cérebro. Brincar de favelado com diamantes nas orelhas é muito perigoso, a menos que ele seja "assim" com a bandidagem.

Fernando Valeriano diz:

13/04/2009

Emir



As observaçõe são pertinentes, mas, pra valer mesmo gostaria que ele fizesse isso há 8 ou 9 anos atrás, quando não tinha um puto no bolso. Agora pode ser fácil. É melhor aguardar. Pode ser que a propalada fortuna de Adriano não seja o que se alardeia e nem dê pra ele manter a vida que leva (afinal só tem 27 anos e não sabe fazer outra coisa). A SAÍDA PODE ESTAR NUMA RENÚNCIA a tudo, inclusive ás casas da Barra e do Lago de Como e também á frota que mantém. Duvido.

Romilda diz:

13/04/2009

A coragem e a lucidez de Adriano deveriam servir de exemplo para muita gente! Taí um sujeito que ganhou o meu RESPEITO!

Leo diz:

13/04/2009

Emir, concordo contigo no tocante à sociedade, fizeste uma análise perfeita dessa nossa "doença" capitalista. Apenas lamento a ausência do Adriano profissional (jogador), pois ele ainda tem muita "lenha pra queimar", é um jogador muito acima da média, que brilhou e pode brilhar novamente na seleção etc... Mas, que ele seja feliz, e que a sociedade possa um dia se curar, através de valores mais ligados à dignidade humana.

Armando Machado diz:

13/04/2009

Há dias ouço os mais diferentes comentarios sobre a decisão do jogador Adriano em dar um tempo com o futebol. Se houvesse sido consultado não teria um parecer pronto para opinar, todavia, sabia que, nada até então dito, tinha lógica. Faço minhas as palavras do Professor Emir e questiono, -"Quem está enfermo?

Daniel Freixieiro Sampaio diz:

13/04/2009

Quando o Adriano voltar a morar na favela, abrir mão da grana e da riqueza e de todas aquelas futilidades que isso traz, aquela conversa bonitinha e politicamente correta dele fará sentido...

Até lá, é papo-furado, desculpa, pega-trouxa.

Há suspeitas de que ele cometeu crimes (saliento que não aceito a idéia de que a venda ou consumo de drogas seja considerado "crime"), mas ele conseguiu ludibriar muito esquerdista "chic" com essa história idílica.

Inácio Carvalho diz:

13/04/2009

Caro Mestre Sader,

Perfeito seu raciocínio sobre quem precisa de cuidados. Nas entrelinhas e nas evidências de seu artigo há muito para provocar ma reflexão sobre esse mundo do futebol, essa máquina de moer gente, principalementes os creques surgidos nas peladas de varzeas por esse Brasil a fora. Adriano é um dos famosos que não suportaram a destruição humana que essa máquina promove, mas há milhares de outros anônimos que são também triturados e não resistem. Muitos ainda perambulam, perdidos, em vários países europeus e asiáticos, principalmente. São jovens brasileiros, pobres e negros, na maioria, cujos sonhos dourados viraram pesadelos. Entre eles e Adriano a semelhança do sofrimento e da inconsciência do que os levou a essa situação. Entre eles e Adriana uam diferença, a fama e o dinheiro que este amealhou.

emir diz:

13/04/2009

o blog continua a ser vítima do envio de centenas de mensagens falsas diariamente, para tentar atrapalhar o seu funcionamento. não é porque não voltamos ao tema, que os ataques acabaram. eles continuam a ser literalmente diários, o que nos obriga a uma limpeza a cada tanto, para não termos a caixa superlotada. quer dizer que seguimos incomodando.

Sergio José Dias diz:

13/04/2009

O que deveríamos esperar de Adriano? Quem sabe sua morte, ou internação, por algum problema ligado à drogas. Talvez, o destino de Francis Farmer, atriz norte-americana da década de 1950, acusada de ser comunista, lobotomizada pelos pais por não aceitar seguir a carreira artística e imortalizada por Jessica Lange no filme "Frances", de Graeme Clifford, ou mesmo, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Kurt Cobain, John Bonham, Keith Moon, Garrincha, ...

willian diz:

13/04/2009

Complementando: Adriano (de quem tenho grande admiração como jogador e tb com ser humano ligado a família) vira noites tomando cerveja com os traficantes da Vila Cruzeiro é um herói e o Kaka, só por que professa uma religião que não é de agrado da esquerda festiva brasileira é um mau exemplo. Fé cega, faca imolada (para o Kaka e Emir Sader).

josué gomes da silva diz:

13/04/2009

Infelizmente a sociedade hipócrita, preconceituosa e ligada ao deus dinheiro, não entende que o glamour vivido pelo Adriano não se encaixa em seus pensamentos, a vida dele é a comunidade que cresceu, fez amigos( sinceros e sem intenções ) . Vamos deixa-lo viver, tenho certeza que sem salário ele será feliz, muito mais que foi em Milão .

Neuber de Souza diz:

13/04/2009

Como alguém já comentou(Adriano não estava preparado )Nos estamos errados em querermos ser Humanos, querer ser feliz.Temos é que ganhar dinheiro, renegar origens ,acatar imposições comportamentais!
"Eu só quero ser feliz, andar tranquilamente na favela em que nasci" Isso incomoda muita gente.
Valeu Adriano.

Willian diz:

13/04/2009

Para defender o Adriano não precisava ofender o Kaka. Este texto foi feito baseado na suposição que o Adriano deu um tempo porque estava cansado das excessivas cobranças da vida de jogador e preferiu ficar com seus familiares e amigos da Vila Cruzeiro. Mais uma vez, a esquerda glamourariza a favela. Lembrem-se o que disse Joãozinho 30: quem gosta de pobreza é intelectual, pobre gosta de luxo. O problema do excepcional jogador de futebol Adriano (quem dera jogasse no meu time!) é pessoal e não deveria ser usado pela esquerda festiva nacional para fazer proselitismo. A vida na favela não é facil. Força, Adriano e boa sorte na sua recuperação.

Marcos de Genova diz:

13/04/2009

A coragem do Adriano é admirável frente à sociedade hipócrita na qual vivemos.

Ramon Mendes diz:

13/04/2009

Infelizmente, o TER, tomou o lugar do SER, em nossa sociedade. O que o Adriano fez foi um ato de coragem. Foi escolher o SER. Nem uma multa milionária o deteve. Tudo bem, ele já tem o bastante, mas renunciar ao acumulo de capital, mostra que a felicidade do "imperador", não está apenas na ostentação e na riqueza.
Nossa sociedade precisa mudar, precisa voltar a valorizar o SER. Principalmente o humano.

Jéssica Fernandez diz:

13/04/2009

Adriano sentia falta do morro, porque no morro se aprende que cada um que mora na favela deve amar incondicionalmente o morro. Isto não é brincadeira. Para quem mora na Mangueira ou na Portella, a situação é bárbara: líderes comunitários fazem o trabalho de censores, dizendo quem pertence ou não ao morro, quem carrega ou não a consciência de ser negro e pobre. É um negócio hediondo o que ocorre aqui no Rio de Janeiro. Por isso Adriano sofre tanto: tiraram ele da favela, mas não tiraram a ditadura da favela de dentro dele. Para quem reclama do liberalismo burguês e da sovinice da classe média loira de olhos azuis, ainda não sabe como são as regras sociais que definem (ou melhor, exterminam) um indivíduo no morro.

rita diz:

13/04/2009

O post errou na mão ao "ideologizar" um problema de uma pessoa tão difícil de encarar como o alcoolismo.

Lúcia Thimóteo diz:

13/04/2009

Estamos acostumados com atitudes tão estúpidas por parte de alguns jogadores após se tornarem famosos que quando alguém deste meio tem uma atitude mais humana de inadaptação com este mundo aparentemente maravilhoso da fama ficamos surpresos. Dez para o Adriano e zero para nós insensíveis.

Izani diz:

13/04/2009

Emir, a resposta é uma só. A sociedade está muito doente. Adriano está lúcido, com certeza. Quem não quer ter o aconchego da família, dos amigos, na cidade onde nasceu e viveu? A lógica deste mundo capitalista onde estamos inseridos faz com que a maioria olhe para esse jogador, humilde e orgulhoso de ter saído de onde saiu e ter chegado onde chegou, como um "estranho no ninho". Valeu pelo teu textos se contrapondo com o que a mídia em geral tem apresentado desde que Adriano comunicou a decisão de abandonar o futebol.

Lauro Rocha diz:

12/04/2009

Adriano foi vítima de seus próprios desejos. Não vamos levar isso para um confronto ideológico, por favor.

A ótica é simples: uma pessoa não estava preparada para a fama e a riqueza e se perdeu no caminho.

maria da conceição do nascimento gomes diz:

12/04/2009

Adriano caiu na real! sabe das armadilhas que existem neste mundo fashion-futebolístico. Ele sente que quando não for mais importante irá ser dispensado e puyco importa a "favela" em que vai estar, afinal, ultimamente, somos os únicos responsáveis por fracassos em nossas vidas...

ANTÔNIO ALBERTO (Pe.Alberto) MENDES FERREIRA diz:

12/04/2009

COMO É DIFÍCIL, quase impossível, SE DESVENCILHAR DOS ARQUÉTIPOS SOCIAIS- fortuna,fama,sexo,beleza, que nos levam ao individualismo -. >>
LAMENTAVELMENTE, A HUMANIDADE É PRESA FÁCIL DESSAS ARMADILHAS QUE, CONSTANTEMENTE, A DESVIA DA FELICIDADE. >>
O AMOR, A SOLIDARIEDADE, A DOAÇÃO, A COMPAIXÃO, A HUMILDADE, O DESAPEGO SÃO AS PISTAS QUE NOS CONDUZEM AO "SHANGRI-LÁ", AO "RAINBOW" ...>>
SEM DÚVIDAS, QUEM ESTÁ DOENTE É A SOCIEDADE. O ADRIANO É UM HERÓI, CONSEGUIU VENCER A “LÓGICA” DESSA MULTIDÃO INFELIZ... >>

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