23/07/2009
O que seria dos interesses das elites dominantes, se não contassem com escribas, pagos pelas empresas de mídia privada, para tentar fazer passar esses interesses com se fossem os interesses do país? Para isso eles contam com equipes de “cães de guarda”, que defendem, com unhas e dentes, os interesses das elites dominantes, especialmente concentrados na mídia.
Tentam, por exemplo, identificar a liberdade com a liberdade do capital, condenando qualquer forma de limitação à sua livre circulação. Tentar identificar liberdade com a existência da grande propriedade privada, opondo-se a qualquer definição de critérios sociais para a propriedade, especialmente a monopólica e a propriedade não produtiva no campo, opondo-se a qualquer tipo de ação de socialização da propriedade. Porque essas próprias empresas são monopolistas.
O filósofo francês Paul Nizan escreveu um livro, em 1932, a que deu o nome de “Cães de guarda” para se referir aos intelectuais que prestam serviço de promover legitimidade e dar razões de sobrevivência ao poder das elites dominantes. “Eles adorariam ser Zola, mas para acusar as vítimas...”, escreve Serge Halimi, no prefácio da edição mais recente do livro, mencionando como esses guardiães da ordem estabelecida adoram estar de acordo com seus patrões, acusando os pobres, os marginalizados, as vítimas do sistema, como se fossem verdugos. “Quanto à sua obra, ela se autodestrói um quarto de segundo depois do tiro de morteiro midiático...”, acrescenta Halimi.
Na introdução do livro de Halimi, “Os novos cães de guarda” – publicado no Brasil pela Jorge Zahar -, Pierre Bourdieu recorda como trabalhos de denuncia desse tipo contribui a “arruinar um dos suportes invisíveis da prática jornalística, a amnésia...” E se pergunta: “por que, de fato, os jornalistas não deveriam responder por suas palavras, dado que eles exercem um tal poder sobre o mundo social e sobre o próprio mundo do poder?”
Mas, entrando já diretamente nos chacais de guarda daqui – para não ofender aos cães -, se tiverem paciência, olhem alguns dos livros que decretaram o fim do governo Lula em 2005. Uma jornalista que insiste em fazer comentários sem voltar sobre o que disse ontem, sustentava seu livro oportunista para ganhar dinheiro e agradar seus patrões com a crise de 2005, apoiada por outro colunista que come nas mesmas mãos, que reiterava essa morte do governo na contracapa do livro. Como não tem compromisso algum com o que escrevem, que só se justifica pelos serviços prestados a seus empregadores, fontes e outros representantes das elites dominantes, seguem em frente como se não tivessem dito nada ontem, como seguirão amanhã fingindo que não disseram nada hoje. Não são mais do que ventríloquos dessas elites.
Indo mais longe: a imprensa que convocou os militares a dar golpe militar, apoiou a derrubada do governo legalmente constituído de Jango e sustentou o golpe militar, inclusive reproduzindo as versões mentirosas que escondiam os seqüestros, as torturas e os fuzilamentos dos opositores, segue de acordo com as posições que tiveram. Um dos jornais, que emprestou seus carros, para que os órgãos repressivos da ditadura atuassem disfarçados de jornalistas, nem sequer tentou se defender das gravíssimas acusações, que faz com que a empresa, os jornais que publicam e os membros dos comitês editoriais, tenham as mãos sujas de sangue pelos seqüestros, torturas e execuções da ditadura. Ao não fazerem autocrítica, automaticamente aceitam ter cometido esses crimes de lesa democracia e jornalismo minimamente objetivo.
Essa mesma mídia vive acusando o povo de “não ter memória”. Talvez seja essa a razão pela qual elegem e reelegem os lideres políticos execrados diariamente pela mídia, porque hoje não obedecem a seus desígnios.
Mas são eles os primeiros a cultuarem a falta de memória, a amnésia, de todos, ao esquecer o que disseram ontem. Estiveram a favor da ditadura, com que moral acusam governos e partidos de não ser democráticos?
O que dizem os empregados de uma empresa que praticamente nasceu durante a ditadura, foi o órgão oficial da ditadura? Que legitimidade acreditam que podem ter órgãos dessa empresa?
Um dos colunistas de um dos jornais da imprensa de propriedade de uma das poucas famílias que dominam de forma monopolista o ramo, se orgulha de nunca ter ido aos Forúns Sociais Mundiais, por ter ido a todos os Foruns de Davos – onde manifestamente ele se sente no seu mundo. Seria bom ele ouvir agora os arautos da globalização – incluído seu prócer FHC – para saber o que pensam da crise atual, provocada por suas políticas. Teria que se deslocar não a Davos, mas algumas prisões, onde alguns deles foram encarcerados, depois de reveladas suas trapaças – alias, nenhuma delas revelada pela imprensa, conivente e complacente com o ricaços de Davos.
Um outro jornalista disse, em outro momento da sua carreira, em conferência pública, que quando um jornalista senta para escrever uma matéria, pensa, em primeiro lugar, no dono da empresa; em segundo, nas fontes do que vai publicar; em terceiro na enorme quantidade de desempregados do lado de fora da empresa. A esse filtro haveria que acrescentar as agências de publicidade e os grandes grupos econômicos que financiam os órgãos de imprensa e acabam pagando os seus salários.
Foi se criando uma verdadeira casta de jornalistas, empregados dos maiores meios de imprensa no Brasil, promíscuos com o poder, que renunciam a qualquer ataque aos interesses do poder que dominou o país durante séculos: capital financeiro, grandes monopólios, latifundiários, as próprias grandes empresas monopólicas da mídia, o imperialismo norteamericano, o FMI, o Banco Mundial, a OMC, a direita política – Tucanos, DEM, FHC, Serra, Tasso Jereissatti, Jarbas Vasconcellos.
Preferem, para conveniência de seus empregos e dos interesses dos seus patrões, atacar o que incomoda à direita – sindicatos, o MST, o pensamento critico, as universidades publicas, os partidos de esquerda.
Além dos casos mencionados, há os pobres diabos que querem adquirir certo verniz “intelectual” – não agüentam a inveja do pensamento crítico – e citam autores, viajam pelo mundo em eventos sem nenhuma importância, escrevem em jornais e falam em rádios e TVs, sem nenhum prestigio, colunas que ninguém leva a sério ou mesmo lê. Um deles foi chefe de gabinete de um dos ditadores, depois foi demitido, fotografado na cama para a Playboy, tentando mostrar méritos que não conseguiu na política e que circulava nos governos anteriores com toda promiscuidade pelos ministérios e Palácio do Planalto – de que esse tipo de gente sentem uma falta danada.
A ideologia do “’quarto poder” se tornou antiquada, porque o monopólio da mídia privada detém muito mais poder do que isso, termina dando direção ideológica e política aos fracos partidos opositores. Claro que o que realmente não são é “contra-poder”, porque na verdade fazem parte intrínseca dos poderes constituídos, como força conservadora.
Como a noticia se transformou definitivamente em uma mercadoria na mão dessa casta, perdeu toda credibilidade. Conhece-se o caso de colunistas econômicos que fingem estar preocupados com a situação de um setor do empresariado, ao vendem reunião e assessoria com eles, em troca de defender mais explicitamente seus interesses. Se devem às suas fontes, a tal ponto que a editoria econômica passou a ser a mais comprometida com os interesses criados, de forma similar a como certa cobertura policial se deve às fontes nas delegacias e nas policias, sem as quais ficam sem seus “furos”.
“Quem paga, comanda”, recorda Halimi. E a mídia, como sabemos é financiada não pelos leitores com as compras na banca e as assinaturas, mas pelas agencias de publicidade. E vejam quem são os grandes anunciantes, com os quais a mídia tem o rabo preso – bancos, telefonias, fabricas de automóveis, etc. Não pelas organizações populares, sindicatos, centros culturais, nada disso. Quem paga, comanda. Já vieram jornais, rádiosm televisões, colunistas, fazem campanha de denuncia – com um pouquinho da sanha que tem contra o governo e a esquerda – contra os bancos, suas falcatruas, contra as grandes corporações mutlinacionais, contra a lavagem de dinheiro nos paraísos fiscais? Nâo, porque seria tiro no pé, atentado contra os que financiam a essa mídia.
Perguntado sobre como a elite controla a mídia, Chomsky respondeu: “Como ela controla a General Motors? A questão nem se coloca. A elite não tem que controlar a General Motors. Ela lhe pertence. Albert Camus disse que a mídia francesa se tornou “a vergonha do país.” E a nossa? O Brasil e seu povo têm orgulho ou vergonha dessa mídia que anda por ai?
A lei apresentada pelo governo argentino para regulamentar o audiovisual – umas das razões da brutal ofensiva da imprensa de lá contra seu governo – determina que as empresas da mídia tem que declarar publicamente suas fontes de financiamento – quem as financia, com que quantidades de dinheiro. Poderiam aproveitar e declarar publicamente quanto ganham os magnatas dessa casta midiática, enquanto a massa dos jornalistas ganha uma miséria, é terceirizado e passível a qualquer momento de serem mandado embora, se não cumprem à risca as orientações que os chacais lhes impõem.
Um jornalista norteamericano citado por Halimi, disse: “Sobre as questões econômicas (impostos, ajuda social, política comercial, luta contra o déficit, atitude em relação aos sindicatos), a opinião dos jornalistas de renome tornou-se muito mais conservadora à medida que suas rendas foram aumentando”.
Quem discorda dos consensos que tentam impor nos seus desagradabilíssimos e redundantes programas de entrevistas ou suas colunas de merchandising , como se sabe, é chamado de “populista”, de “demagogo”, de “aventureiro”. Que são, como também se sabe, os governantes que fazem políticas sociais e têm alto nível de apoio da população. Por isso chamam sempre os mesmos, seus amigos, operadores das bolsas de valores, empresários que passam a lhes dever favores, para dizer as mesmas baboseiras que a realidade não se cansa de desmentir.
“Mídias cada vez mais concentradas, jornalistas cada vez mais dóceis, uma informação cada vez mais medíocre” –conclui Halimi. E cita um político de direita francês, Claude Allègre, sobre as possibilidades do meio midiático se reformar: “Eu vou lhes dar uma resposta estritamente marxista, eu que jamais fui marxista: porque não há interesse... Por que vocês queriam que os beneficiários dessa situação sintam necessidade de mudá-la?” E, para concluir, conforme se aproxima a Conferencia Nacional de Comunicação, declaração do também conservador jornalista Frances Jacques Julliard: “Uma das reformas mais urgentes neste país, seria aquela que pudesse dar às mídias um mínimo de seriedade e de dignidade. Sobretudo de dignidade!”
Postado por Emir Sader às 15:47
Donizeti - SP diz:
30/07/2009
Excelente artigo do Professor Emir Sader.
Acho que uma frase ou colocação do texto resume muito bem o que é, e quais os motivos das ações da grande mídia conservadora brasileira, que ganharam até o justo apelido de PIG - Partido da Imprensa Golpista.
- A elite não precisa controlar a grande mídia, pois esta lhe pertence!
Exite uma completa comunhão de objetivos e fins entre eles. Esta conclusão é minha.
Curto, direto, transparente !
Jorge Ernesto Couto de Castro diz:
29/07/2009
Eu acho que conheço o maior chacal da imprensa, o nome dele é Olavo de Carvalho, ele é conservador, paranóico, mentiroso e anti-esquerda, ele não é apenas direitista, ele
também é anti-comunista e pró-Estados Unidos e capitalismo.
Júlio Ramon T da Ponte diz:
29/07/2009
ÓTIMO!
Fabio Passos diz:
27/07/2009
Lá no PHA uma outra boa sobre a globo...
"As vísceras da Globo estão à mostra
As das meninas do Jô, também"
http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=14951
A globo serve a quem?
“Sinto-me feliz todas as noites quando assisto ao noticiário, porque na Globo o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz”
Emílio Garrastazu Médici.
Pois agora que o povo elegeu um "maldito-nordestino-analfabeto-pau-de-arara"... simplesmente não tem dia em que a globo não tente criar uma crise.
Alceste Pinheiro diz:
27/07/2009
Temos um padre aqui a favor da pena de morte. Que Deus o perdoe!
orlando sp-sp diz:
27/07/2009
O livro que dá nome aos bois chama-se "Cães de Guarda - Jornalistas e Censores" Beatriz kushnir.(2004)
Tem um outro, mais antigo: "Os novos cães de guarda" de Serge Halimi(1998). O de Beatriz levanta fatos que ocorreram na ditadura militar, ou seja, cai por terra a afirmação que a imprensa brasileira sempre defendeu a democracia.
O de Serge Halimi discorre sobre o mesmo tema sem retratar um período específico. O de Beatriz eu estou lendo. Vale a pena.
Fabio Passos diz:
26/07/2009
Olha o site pró-Confecom aí:
"Comissão Nacional Pró-Conferência de Comunicação"
http://proconferencia.org.br/
Chegou a hora de democratizar a mídia... é preciso questionar a concessão pública explorada pelos marinho.
Abaixo a rede globo!
Empresa golpista que usa um bem público prá cometer crimes...
José Petrucio Verissimo diz:
26/07/2009
Excelente artigo Prof.Emir, infelizmente, a lavagem cerebral é muito grande a maioria das pessoas perderam a capacidade da critica, enquanto , o sistema Globo de incomunicação a Folha Serra e a Veja casada com o Serra, manipulam a bel prazer a Opinião Pública.
Argumentam que isso é liberdade de imprensa.
Osvaldo Maneschy diz:
26/07/2009
Parabens, Emir Sader. Sou jornalista há 39 anos e entre outras redações trabalhei 10 anos no Globo e 10 anos no velho JB, onde comecei em 1970. Concordo integralmente com suas palavras, excelente artigo.
ANTÔNIO ALBERTO (Pe.Alberto) MENDES FERREIRA diz:
26/07/2009
HÁ TIPOS INESCRUPU LL OSOS E ESCROTOS DE OPOSITORES, COMO ESSA ESCUMALHA DO FHC/DIREITA/ STF/MILICOS GOLPISTAS E-OU COVARDES/LATIFUNDIÁRIOS/IMPRENSALONA PIC-PIG/VENDILHÕES DOS TEMPLOS/ KG (Kapitalist Golpistas), MALAN/MALÃO, ARMÍNIOs FRAGAs, BORHAUSENs, ACMs, JEREISSATIS, MAIAS, VIRGÍLIOS, HERÁCLITOS, MARCONI PERIGO, banqueiros bandidos et caterva ... ESSA TIIUURRMMAA DOS DEMocrápulas, TUCANalhas E PARTIDOS ADERENTES ; a camarilha do FHC/DIREITA/VENDILHÕES DOS TEMPLOS/STF/KG (kapitalist Golpistas), os banqueiros bandidos, os Gustavos Francos, os Mendonças de Barros, os Laras Rezendes, os Pérsios Aridas,os Armínios Fragas,Malan/Malão,os Borhausens, os ACMs , os Jereissatis, os Maias, os Virgílios, Heráclitos, Marconi Perigo, os Josés Serras e os Geraldos Alckmins da vida, esta escumalha que prega o sucateamento do Estado e a desregulamentação trabalhista, O CACCIOLA, O VERMINOSO DANIEL DANTAS E SEU$$ PARASITA$$ NOJENTO$$ - os corrompidos - QUE SÃO INSOCIÁVEIS E IRRECUPERÁVEIS. >>
NÃO SÃO DE BRINCADEIRA NÃO . >>
SÃO RACISTAS, DISSIMULADOS E ROUBAM MESMO ... >>
TEM QUE DESMASCARAR ESSES "FILHOS DA FRUTA" . >>
TEM QUE TIRAR ESSES VERMES DAS ... TOCAS. >>
NEM YAHWEH, NO ÊXODO (12,29-30), POUPOU GENTE DESSA LAIA ... >>
PORTANTO ... >>
GUILHOTINA NE LL ES !!! >>
AH ! QUE FALTA FAZ UM PAREDÃO NESTA TERRA DE IMPRENSALONA PIC/PIG/ POLÍTICOS/DIREITA/KG (Kapitalist Golpistas), HIPÓCRITAS, SAFADOS, CRETINOS , CORRUPTOS E RACISTAS ... >>
POPULAÇÃO, UNÍ-VOS ! >>
>
Fabio Passos diz:
25/07/2009
Confecom repercutindo lá no PHA...
"Por que o Globo e o PiG (*) estão mais aflitos do que nunca"
http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=14856
"
Neste momento, o desespero da Globo se deve, também, à Conferência da Comunicação marcada para 1º. de dezembro.
É uma conferência para discutir tudo sobre comunicação.
Com membros de diversos setores da sociedade brasileira.
"
Tá na hora de questionar a concessão pública da globo.
Os marinho não podem usar um bem público para continuar cometendo crimes contra a democracia no Brasil.
Claudemir Mazucheli diz:
25/07/2009
Raquel, só haverá liberdade na imprensa quando a grande parte das ideologias, dos discursos que compõem a sociedade estiverem presentes no meio midiático. No caso brasileiro há praticamente um sistema difusor de consenso, um pensamento único. Somente quando implentarmos a democracia na mídia (radio, Tv e jornal principalmente) podemos utilizar a máxima de Marx "A limprensa em geral é a consumação da liberdade humana. Portanto, onde existir imprensa, existirá liberdade de imprensa"
Sônia Gutierrez diz:
25/07/2009
Na Folha (SP24.7.09) o título da coluna Sarney : "A China sai na frente" quando seria pedagogicamente mais correto e oportuno se ele tivesse escrito: "Um negócio da 'china': o da família Sarney!"
emir diz:
25/07/2009
que congresso é pior? este, que é moralmente indefensavel? ou o que conviveu, sem nenhuma cpi, com o mais gigantesco processo de corrupção do país, o de privatiações, nem sequer quando os irmãos mendonça de barros foram pegos combinando por telefone a prvatização das comunicações? que nem sequer apurou as evidentes denuncias de compra de votos para mudar a constituição e permitir a reeleição de fhc?
Francisco Antonio Brum Corrêa diz:
25/07/2009
Caro Emir,
Não muito ao meu gosto,mas,caso viemos a considerar a democracia americana como exemplo(e ela é para muitos desses),uma lembrança se faz necessária:
- No filme "Todos os Homens do Presidente",o pavor do diretor do jornal ao qual pertenciam os dois repórteres invetigativos negando-se em publicar o Caso Watergate sem provas,baseado apenas em indícios e depoimentos coincidentes,inclusives gravados, de diversas pessoas,pois,se assim o fizesse, cassaríam sua licença e fecharíam o jornal,é emblemático.Esperando não ter interpretado errôneamente,tanto o filme como a legislação americana nesses casos, então,acho que a existência de uma lei rígida,dura,se faz necessária.
Hoje não temos nenhuma.Corremos para eliminar a que tínhamos pois datava da época da ditadura,tão ciosos que estamos agora por liberdade que nos esquecemos que é preferível alguma do que nenhuma.
Assim como as instituições republicanas e democráticas tem de ser organizadas e fortes o suficiente para que determinadas figuras que passam por elas, eventualmente, não a desvirtuem,a imprensa, como "o quarto poder", não pode fugir a regra inclusive de ser passível de investigações e até de CPI'S.
Pablo diz:
25/07/2009
Sr. Emir (bonito nome árabe) acabei de assistir uma reportagem, referente a uma cidade fantasma(detroit usa.) um caso típico e resultado dos "chacais de plantão" é muito esclarecedor e oportuna a sua explanação de como essa midia chacal se comporta neste país continente, os chacais de lá elevaram essa industria maléfica ao topo da montanha, fez acreditar ao povo de lá que os beneficios seriam destribuidos a todos os habitantes dessa cidade e hoje o que se vé é tão triste e estarrecedor que mas parece uma cidade destruida apos uma guerra convencional, e ainda os chacais de lá convenceram a opinião publica nacional e mundial, de que o governo do Sr. presidente Obama deveria socorrer-los com o dinheiro do povo que ja não tem o que dar, o que se vé na reportagem é taõ comovedor que um cidadão que antes orgulhava-se do progresso da sua nação agora está a pedir um mendrugo de pão para matar a fome, essa reportagem merce um premio, e deveria ser repassada nas universidades e mostrar o descalabro dos pig da vida antes que seja demasiado tarde para este país continente que não nasceu para pedir esmola e sim para ser grande, e rico apesar dos malfeitores de sempre, incluidos aqueles seudos jornalistas que se vendem por um punhado de doláres, me orgulho dos grandes PHA, Nasiff,mestre Mino, Leandro Fortes, e outros da area judicial e do direito económico, e obrigado a Vc. por essa magnífica e oportuna explanação em relação ao pig nativo.
emir diz:
25/07/2009
há um tempo atrás fizemos conjuntamente lista dos piores sites e blogs e dos melhores. não custa agora atualizar a dos piores: começando pelos saudosos bushistas dawww.veja.com.br. apenas um deles, me conta quem teve paciencia de entrar lá, me cita já quase mil vezes e aqui ele nunca foi citado nos textos. importância tem que tem, não quem se dá ou é partrocinado por centenas de empresas privadas nas paginas impressas e da internet. quanto mais publicidade privada, pior é.
Paulo diz:
25/07/2009
Prezado Emir Sader,
Compartilho a opiniao de Karin e outro(a)s. Enriqueceria nosso conhecimento se voce indicasse o nome desses "jornalistas e articulistas " bem como onde encontrar estes textos.
Eu, por exemplo, embora navegue pela web desde o inicio nunca tive real interesse pela politica de um modo mais amplo ateh, por sorte ( ou azar ), encontrar um link de Reinado de Azevedo e suas ideias.
Mediocre no pensamento, forma e modo estava para pular para outro site quando vi um elogio ao estado racista e fascista de Israel - normal vindo de um jornalista e ser humano mediocre - e uma critica a Emir Sader.
Atraves do lixo tive acesso a pensamentos e estilo que me enriquecem.
Alexandre Marques diz:
25/07/2009
Emir, bom trabalho. Ao ler este seu texto decidi tornar-me um colecionador. Será muito útil, além de tragicômico, colecionar textos, imagens e sons, sobrepondo o antes e o depois, contextualizando o dito e o não dito com os fatos. Muito melhor que colecionar selos ou bonecas Barbie e ainda prestando o serviço de mostrar quem é quem e a serviço de quem. Jornalistas, economistas, sociólogos, colunistas e colaboradores encabrestados da mídia venal, tremei. Para começar, faço minhas as sugestões da leitora karin no comentário, de 25/07/2009. Pode nos ajudar Emir?
francisco diz:
25/07/2009
Percebi ainda jovem,que a tal liberdade de expressão e de imprensa era e é só de fachada,a saber;
Me lembro que na nossa greve dos metalurgicos de(1979 ?),a nossa luta contra a exploração dos capitalistas(os patrões) estava no seu alge,a todo vapor,principalmente depois do assassinato do companheiro Santo Dias na porta da silvania,fabrica de lampadas /sp ,e neste mesmo dia,voltando para casa,depois de uma assembléia,assisti o sptv da globo,onde o ministro do "trabalho" era Murilo Macedo e na "entrevista" a reporter perguntou;ministro por que o sr. está voltando pra Brasilia? -Estou voltando porque em sp não há greve.A partir dai que comecei a entender esta afirmação;A imprensa é burguesa!!
Nesta época também aprendi que a sociedade que (sobre)vivemos,existe a luta de classes,uma sociedade dividida entre exploradores( patrões) e os explorados( "colaboradores") que se enriquecem através do suor dos trabalhadores,se apossando da MAIS-VALIA e pagando péssimos salários aos seus "colaboradores".
Hoje me considero politizado.sabendo que por detrás dos 29 partidos "brasileiros" só existem 3 ideologias;os capitalistas,os socialistas e os comunistas,e a tarefa do (PIG) ,Partido da Imprensa Golpista, braço politico dos empresários, -que não é o 4º poder e sim o 1°-, é fazer a nossa cabeça diante aos interesses dos "empeendedores" do Kapital.
DOM JAIR diz:
25/07/2009
No Brasil, liberdade de imprensa é:
Liberdade pra chantagear, extorquir, etc...
karin diz:
25/07/2009
Emir, gostaria de sugerir que você identificasse os colunistas e jornalistas, e seus respectivos textos, para que possamos resgatar isso que você está falando. Como trata-se de textos publicados, sinto que a crítica exige essa maior clareza. Uma idéia é colocar links que nos dêem o caminho para nos aprofundarmos na sua crítica. De resto, não tenho dúvidas de que a mídia corporativa é o grande sustentáculo dos interesses dominantes. Para o que se interessam pelo tema, sugiro um passeio pelo site http://www.medialens.org/
Fabio Passos diz:
24/07/2009
Confecom repercutindo lá no Azenha...
Os oligarcas da mídia-corporativa querem sabotar.
Que surpresa...
"
Os barões da mídia estão fazendo de tudo para implodir a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), fixada em decreto presidencial para o início de dezembro. Na reunião desta quarta-feira (22) da sua comissão de organização, formada por dez representantes do poder público, oito das entidades empresariais e oito da chamada “sociedade civil”, eles nem sequer compareceram, numa nítida postura de desrespeito e arrogância. Além de esconder totalmente a convocação da Confecom nos jornais e telejornais, eles parecem apostar no seu esvaziamento e cancelamento.
"
"Altamiro Borges: Conferência de Comunicação corre perigo?"
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/altamiro-borges-conferencia-de-comunicacao-corre-perigo/
Fabio Passos diz:
24/07/2009
A mídia-corporativa é o sustentáculo do Apartheid Social no Brasil.
Cotidianamente mentindo e manipulando... sabotando a democracia para favorecer os negócios e privilégios da minoria rica.
É tão evidente...
liberdade de imprensa pressupõe que não haja monopólio de opinião.
Tolo é quem ainda tenta negar.
Pietro Guerriero diz:
24/07/2009
Orlando, acho entao que ambos vivemos naquele periodo. E' o periodo em que jornais tinham censores na redacao, pois nao?
Naquele tempo, como hoje, donos de empresa nao sao importunados em funcao do poder aquisitivo, nao do alinhamento ideologico. Vide Dantas, Nahas e outros.
Se a imprensa era tao docil assim por que razao instalar censores nas redacoes? Por que um jornalista (Diaferia, Tabosa, Jaguaribe, etc) corria o risco de ser (e era) processado, se o patrao era "assim com os homens"?
E' tambem o periodo que tivemos operarios (Fiel Filho) e jornalistas (Herzog) vitimados.
Ate' depois, ja no periodo da Constituicao "cidada" tivemos um jornal (Folha) ocupado pela PF.
Como disse, nao sou jornalista, nao trabalho para essas empresas e nem tenho procuracao para defende-las. Entretanto, confundir o jornal e o jornalista e' temerario. Classificar toda a imprensa como golpista e' esquecer ,oportunisticamente, o papel que muitos de seus integrantes tiveram na historia do pais, principalmente os ultimos 45-50 anos.
Acredito que jornalistas, assim como politicos, refletem em sua grande maioria, a populacao. Haverao os eticos, os nem tanto. Aqueles a soldo de quem pagar mais e aqueles guiados por ideais. Aqueles que defendem ideais liberais na juventude e se tornam conservadores na maturidade. Se investirmos pesado na Educacao em nosso pais, os resultados se refletirao tambem nessas classes.
Raquel Moraes diz:
24/07/2009
Sua análse, Emir Sader, não considerou o que Karl Marx escreveu sobre a Liberdade de Imprensa (L&PM, 2006. p.45-45):"A limprensa em geral é a consumação da liberdade humana. Portanto, onde existir imprensa, existirá liberdade de imprensa". ". [..]A liberdade é a tal ponto a essência do homem que mesmo seus opositores o reconhecem posto que a combatem"[..]
Pitagoras diz:
24/07/2009
Caro Emir,
Não seria um progresso se votássemos lei que obrigasse as emissoras de TV e de rádio privadas a ostentarem o nome de seus donos.
Assim a TV Globo passaria a se chamar TV Roberto Marinho (postumamente tb. vale), a TV Record, seria chamada de TV Edir Macedo, a retransmissora da Globo na Bahia de TV ACM, a do Sarney, de TV Sarney, etc.
Se a TV pública for por demais atrelada ao governo, também. TV Cultura, chamaríamos de TV Serra
Que tal?
Derli diz:
24/07/2009
"Uma jornalista que insiste ... "
"... apoiada por outro colunista que come nas mesmas mãos ..."
"Um dos jornais, que emprestou seus carros, para que os órgãos repressivos da ditadura atuassem disfarçados de jornalistas ..."
Emir, não tenho a bagagem que tu tens, portanto, ampliarias meus conhecimentos se desses "nomes aos bois".
Grato.
Sandro Machado diz:
24/07/2009
Caro professor Emir Sader: Sou leitor deste espaço a três anos e posso lhe dizer sem exagero e sem vacilar: FOI O TEXTO MAIS IMPORTANTE QUE O SR. ESCREVEU. Já escreveste sobre direitos humanos, reforma agrária, educação, movimentos sociais, socialismo, mas este foi o mais importante e sabe pq? Por que a concentração da mídia no mundo e no Brasil na mão de poucos é a maior desgraça do século XX e agora do XXI. Não adianta querer tentar fazer reformas progressistas, se não houver uma pauta progressista nos meios de comunicação de massa. O BRIZOLA, entendeu isso muito bem. Viu o que a imprensa fez com o Jango em 1964, refltiu sobre isso no exílio e quando voltou ao Brasil em 1979 dizia em auto e bom som: SE EU FOR ELITO PRESIDENTE DO BRASIL, A MINHA PRIMEIRA MEDIDA COMO GOVERNANTE MAIOR DA NAÇÃO, SERÁ O DE REVER O MONOPÓLIO DA REDE GLOBO DE TELEVISÃO. Achava este grande brasileiro, que nada ia avançar no Brasil, sem rever o poderio da Rede Globo, pois eles não deixariam mudar nada em benefício do povo espoliado do nosso país. Eu que sou gaúcho, e vi de 1999 a 2002 o que o grupo RBS fez contra o Governador Olívio posso dizer: A DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA É A REFORMA MAIS IMPORTANTE A SER FEITA NO BRASIL. Parabéns professor. Fico muito feliz de saber que as pessoas estão se acordando para este lixo QUE SE CHAMA GRANDE MÍDIA. Abraço.
orlando sp-sp diz:
24/07/2009
Parece que Pietro Geurreiro esqueceu que na ditadura militar toda essa oligarquica imprensa apoiou o golpe(basta ter paciência e pesquisar os editoriais da época. Eu não preciso, pois vivi aquele período). Jornalistas foram presos, etc e tal, mas os donos da mídia nem sequer passaram perto do doi-codi. Seu argumento está furado, sorry.
antonio diz:
24/07/2009
Na verdade a chamada grande midia só consegue atingir a dois tipos de público: os acham que estão enganando, com suas idéias de pensamento único; e os que se deixam enganar, por pura ignorância aliada a um comodismo ingênuo.
Pietro Guerriero diz:
24/07/2009
Emir, a exemplo de muitos que comentam aqui, ainda tenho na memoria o que e' uma sociedade na qual a imprensa nao e' livre. Nos anos 70, os jornalistas (e jornais) viviam sobre a ameaca constante, nao da Lei de Imprensa mas da Lei de Seguranca Nacional. A ponto de um colunista ter sido processado (Diaferia) por ter escrito sobre a estatua de algum militar.
O que queremos? Uma imprensa livre, que escreve o que quiser e seja responsavel (judicialmente) pelos seus atos? Uma midia chapa branca que se atrela ao governo do momento e so' profere elogios ao governante e criticas 'a oposicao? Uma midia engajada que deixa claro de que lado esta' (esquerda, direita, centro) mas que enxerga os problemas e nao hesita em "cortar na propria carne"? Embora nao trabalhe em jornal ou empresa de comunicacao imagino que, a exempo de qualquer empresa, os jornalistas tem autonomia limitada. Limitacoes que vem dos patrocinios, dos editores, da "linha" do jornal, da vontade do dono, ate' mesmo aquelas de natureza pessoal.
O que estamos testemunhando, acredito eu, e' o efeito de midias alternativas nesse cenario. A possibilidade de interagir com o jornalista (blog), ou mesmo de externar a propria opiniao nesses meios, esta' nivelando o campo de jogo.
Adalberto diz:
24/07/2009
Saudações a todos!
É por isso que os jornalistas e a imprensa vêm gozando de cada vez menos credibilidade, juntamente com os políticos. É uma pena para aqueles, e eu conheço alguns raríssimos, que tentam fazer uma cobertura justa e até defender os oprimidos. Não podem mais porque a "imprensa livre" não permite punindo-os tirando-lhes o emprego. É essa a "democracia" da "imprensa livre": quando não as opiniões não lhe agradam coloca-se simplesmente como PATROA: não precisamos mais de seus serviços... Isso aconteceu com pessoas que conheço.
Fabio Passos diz:
23/07/2009
Vem aí a Conferência Nacional de Comunicação... já passou da hora de democratizar a mídia.
"... os pontos centrais a serem debatidos nessa Confecom e que devem gerar propostas de modificação são: a revisão e atualização do marco regulatório das telecomunicações; mudança nos critérios de outorga e renovação de concessões, com vistas à democratização do acesso; a concentração da propriedade dos meios e o fim dos oligopólios; a descentralização."
Luiza Erundina Ministra das Comunicações!
"A disputa pró-Conferência de Comunicação"
Luiza Erundina - por Mariana Martins, para o Observatório do Direito à Comunicação
http://www.direitoacomunicacao.org.br/novo/content.php?option=com_content&task=view&id=5246
Fabio Passos diz:
23/07/2009
Mídia-corporativa no Brasil?
globo, veja, estadão, fsp... são "O" crime.
Máquina de adestramento da "elite" para favorecer seus interesses e privilégios absurdos.
Que saudades do Brizola!
luiz pinheiro diz:
23/07/2009
Lembro que no início do governo Lula surgiu a proposta de instituir um Conselho dos jornalistas, encarregado de zelar pela ética profissional, como os que existem para médicos, engenheiros e outros. A proposta foi de cara bombardeada não só pelo oligopólio midiático, mas também por sindicatos, setores da categoria, intelectuais de esquerda, todos preocupados em se mostrar anti-oficialistas, contrários a um governo que condenavam politicamente. Pois o que o governo Lula propunha era o mesmo que Pierre Bourdieu: que os jornalistas respondam pelo que escrevem, dado o poder que possuem.
jose carlos lima diz:
23/07/2009
"(....) a filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Luciana Cardoso, recebia proventos do gabinete do senador pefelista Heráclito Fortes sem aparecer no Senado para trabalhar, e ainda recebendo mais de R$ 7 mil mensais por isso, fora os benefícios.
O assunto, porém, ficou nas páginas internas dos jornais por dois ou três dias e nem deu as caras na tevê. Pergunte-se por que...
Alguns expoentes da imprensa oposicionista tais como o colunista e blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo, por exemplo, “explicaram” a situação da filha de FHC dizendo que não viam nada demais no caso, pois quando se trabalha em casa acabar-se-ia “trabalhando mais” do que no local de trabalho de fato.
Diante disso, a rebenta de FHC pediu “demissão” do emprego no qual não trabalhava, e foi só. O caso ficou por ali, ao menos na imprensa, o que suscita várias questões:
Por que, com o namorado da neta de Sarney, está sendo feito todo esse auê na imprensa se com caso até pior da filha de FHC (porque ela não aparecia para trabalhar) não aconteceu o mesmo? (...)"
www.edu.guim.blog.uol.com.br
Paulo Luna diz:
23/07/2009
Perfeito, caro Professor Emir Sader. Termo mais do que correto ao chamar essa mídia de "Chacais", que é o que realmente são esses guarda costas dos interesses anti populares e anti nacionais. Por vezes fico até deprimido ao ver certos comentários nos jornais ou na TV e chego a pensar que estamoa à beira de um retrocesso com a volta ao poder daqueles que sempre dilapidaram o patrimônio público, entregaram nossas riquezes e escravizaram nosso povo. E só realmente não me deprimo porque penso que essa mídia perde cada vez mais em credibilidade e fala cada vez mais para os mesmos. De tanto pregar mentiras ela própria virou uma mentira, ou ainda uma piada do mais puro mal gosto.
Paulo Luna
paulo jonas de lima piva diz:
30/08/2009
Esse livro havia saído pela editora Vozes e não pela Zahar. E não tem prefácio do Pierre Bordieu. Será nova edição? Eu procurei e não achei...