05/12/2009
Em primeiro lugar, em continuidade com a política do governo FHC, o Brasil teria aprovado a ALCA – a Área de Livre Comércio para as Américas. O Brasil estaria submetido ao livre comércio, ao contrário dos processos de integração regional. O Mercosul teria terminado, não existiriam o Banco do Sul, a Unasul, o Conselho Sulamericano de Defesa.
As conseqüências atuais podem ser constatadas na forma como um país que assinou um Tratado de Livre Comércio com os EUA e o Canadá, como o México, e outro, de tamanho proporcional, como o Brasil, que teve papel destacado na inviabilização da ALCA e optou pelos processos de integração regional. O presidente do México, Felipe Calderón, tinha convidado a Lula para que os dois países fossem juntos ao FMI. Lula respondeu que nosso país não precisa mais disso e, ao contrário, terminou fazendo empréstimos ao FMI.
Ao assinar um TLC com os EUA, o México passou a ter mais de 90% do seu comércio exterior com esse país – nem sequer tem importância o comércio com o Canadá. O país não teve efeitos positivos, ao contrário, retrocedeu, sob os efeitos da livre circulação dos capitais norteamericanos no país. Pioraram os índices sociais, aumentou a imigração para os EUA.
Mas o pior viria depois, com a crise: pode-se imaginar o tamanho da recessão em que se envolveu o México – menos 7% do PIB, menos 16% da produção industrial neste ano – e os seus efeitos prolongados sobre uma economia que se tornou absolutamente dependente do vizinho do norte – onde se originou a crise e onde ela se revela de forma mais acentuada e prolongada.
Enquanto isso, o Brasil, assim como os países que privilegiaram a integração regional, saiu rapidamente da crise e voltou a crescer, além de, pela primeira vez, impedir que os pobres pagassem o preço da crise, ao manter as políticas sociais, seguir elevando o poder aquisitivo dos salários e os empregos formais.
Além disso, se diversificou o comércio internacional do Brasil – a China é o nosso primeiro parceiro comercial, não mais os EUA -, fazendo com que, pela primeira vez, se supere uma crise internacional sem depender da recuperação da economia norteamericana, da européia ou da japonesa, que seguem em recessão. Se intensificou também muito o comércio interrregional, entre o Brasil, a Argentina, a Venezuela, a Bolívia e os outros países dos processos de integração regional.
O terceiro eixo que favoreceu a recuperação da crise é a expansão do mercado interno de consumo popular, que não deixou se crescer durante a crise.
Nenhum desses três fatores – diversificação do comércio internacional, intensificação do comercio regional e expansão do mercado interno – estaria presente se os tucanos – FHC, Serra, Alckmin – continuassem governando. O quadro mexicano é a cara triste e angustiante que teria o Brasil, se os tucanos estivessem governando o país.
Esse é o tema que estará em jogo nas eleições do ano próximo. Por isso Aecio Neves diz que “será um candidato pós-Lula e não anti-Lula”, que “não nos convêm (aos tucanos) comparar números e Serra pretende ter um perfil próprio, querendo desvincular-se do governo de que foi ministro durante oito anos. Mas o caráter plebiscitário das eleições é inevitável, um plebiscito entre dois Brasis, o de FHC e Serra contra o de Lula e de Dilma.
Postado por Emir Sader às 13:16
ANA diz:
10/12/2009
A miriam leitão, ou seja, o PIGLOBO defendia ARDUAMENTE a adesão incondicional do Brasil a ALCA. Estariamos QUEBRADOS LITERALMENTE. FHC QUEBROU o país tres vezes com a politica neoliberal. País quebrado é mais facil de ser doado. E a Miriam leitão e demais colonistas do PIG continuam ditando soluções para o BRASIL. O PIG terminantemente tem ODIO do BRASIL e do povo brasileiro.
Lúcia Ribeiro diz:
09/12/2009
Também estou interessada na tabela comparativa.
Valmont diz:
06/12/2009
Excelente análise!
De fato, o México é um exemplo perfeito e acabado dos males provocados pelo modelo neoliberal.
Graças ao Lula saímos a tempo dessa canoa furada.
Eduardo diz:
06/12/2009
Emir,
o sr. não acha que deveria haver alguma forma extra de punição para políticos (e jornalistas) imperitos, imprudentes e negligentes, além da perda da eleição ? Eles, bem como seus correligionários, patrocinadores e eleitores, não deveriam literalmente pagar a conta do fracasso econômico, social e ambiental de suas decisões ? Ora, uma pessoa que perde um processo judicial não tem que arcar com todos os custos do processo? Que se faça algo parecido com esses políticos, pois essas criaturas arruinam a vida de milhões com suas idéias e atitudes egoístas, orgulhosas e vaidosas, deixam uma dívida ciclópica para a nação pagar e ainda falam, com amplificação dos jornanistas, que a culpa do fracasso, isso quando admitem fracassos, é sempre dos outros: o excesso de regulamentação e de leis (adoram criticar a legislação trabalhista e ambiental), a perseguição política da esquerda jurássica, a população sem qualificação, o clima instável, o humor do mercado, etc.
José diz:
06/12/2009
Muito bem feita sua reflexão Emir. Deixa clara a diferença, com suas repercussões economico-sociais, da postura de Lula em comparação com aquilo que se viu, e certamente teria continuado com a turma do fhc.
Está em nossas mãos ( do povo trabalhador, criador das riquezas do país), EM 2010 dar condições de continuidade e refinamento daquilo que o governo de LULA fez até aqui, com seus erros e acertos.
VADE RETRO TUCANOCORVADA...
paulo roberto diz:
06/12/2009
Caro Emir, perdoe a invasão no seu blog
Escrevo para contar sobre “GRAVURAS DA VIDA DE GRASSMANN”, talvez Grassmann seja o primeiro Grande Mestre na historia da arte a conseguir fazer uma edição especial completa reunindo toda sua obra em gravura em metal, cerca de 200 obras reunidas ( conheça detalhes também no blog, www.marcellograssmann.blogspot.com ).
Uma edição histórica, de valor artístico inestimável, importante que seja preservada para as futuras gerações, obra de um brasileiro que reconhecidamente está entre os grandes mestres da arte em toda sua história.
O Brasil com sua riqueza e diversidade tem muito a oferecer para a humanidade, e um país que busca cada vez mais um papel de liderança e respeito, o caminho da valorização de seus artistas, a preservação de sua arte, uma política de divulgação da nossa arte maior para o mundo, se faz urgente, necessária e será mais eficaz na conquista desse respeito do que a compra de arsenais bélicos.
grato pela atenção
Paulo Roberto Grassmann
Maria Aparecida da Rocha diz:
06/12/2009
Também gostaria de receber essa tabela, de sua autoria, sobre os governos do Lula e do FHC.
Bruno Moura diz:
06/12/2009
O melhor disso tudo é que LULA, nas entrelinhas, sabe que o país do qual os trabalhadores necessitam, através de garantias e direitos sociais, combate (não há outra palavra) da desigualdade social, preservação ambiental, desenvolvimento de demais regiões, fortalecimento da cultura nacional, etc. nestes oito anos apenas começaram. Assim como, maior liberdade de manifestações populares, fortalecimento da autonomia de sindicatos e outros setores de representações sociais organizados (por vezes achei o governo Lula reprodutor da direita – quando o presidente criticou grevistas). Porém, é como comecei, o próprio Lula admite que há muito o que avançar, mas, o país vem se modificando para melhor e para mais gente, com certeza. Emir, outro exemplo da diferença tucana x lulista bastante considerável é a defesa da Previdência Social como sustentável. Por fim, pelo tom da propaganda, parece que a prioridade do governo Dilma será educação e saúde. Uma educação libertária, de consciência cidadã e crítica é uma potência de fazer uma nação verdadeiramente soberana.
Ricardo Luiz diz:
06/12/2009
Prezado Emir,
não podemos nos esquecer do fortalecimento das instituições estatais tais como os bancos, a pretrobras, a politica de renda mínima, etc., que deram sustentação às politicas anti-ciclicas.
Com certeza este conjunto de ações não fazem parte do ideário direitista brasileiro. Assim, podemos dizer de coração aberto (menos os preconceituosos): Graças a Deus pelo nosso Sapo Barbudo e o PT.
Parabéns à voce, Emir, pelo belo trabalho.
Luis José Ariosto Pereira Silva diz:
06/12/2009
Maria Ronilda, parabéns pela sua mensagem, eh isso aí, os verdadeiros brasileiros agora estao no gôverno, para o bem de todo o país, agora sim o Brasil vai prá frente, ok!!!!!!!!!!!!!!!!!
Eh só ver a diferença, o FHC defende o uso de drogas, tem filho fora do casamento, não acredita em Deus, já o presidente Lula tem uma bela família, uma esposa dedicada e obediente ao marido, defendem valores cristães em cada ato, bem diferente da turma que antes estava no poder ok
VIVA ESSE NOVO BRASIL, E QUEM NAO AMA SEU PAÍS QUE VÁ EMBORA, NAO TEM LUGAR AQUI PARA TRAIDORES, OK
Zapper diz:
06/12/2009
Emir, recentemente eu li no Conversa Afiada, do PHA, uma tabela comparativa, de sua autoria, dos governos FHC e Lula. Gostaria, se possível, que você a republicasse, pois não consigo encontrá-la e gostaria de divulgá-la junto aos meus amigos. Obrigado.
Fabiano de Carvalho diz:
06/12/2009
cometi um erro: não me estou......Que sintaxe escorregadia a portuguesa.
Dimas Antonio Granado de Padua diz:
05/12/2009
A DIREITA já traçou o caminho para a catatstrofe eleitoral que irá sofrer em 2010.Para ela os desastres já começaram.Parece que estão num beco sem saida.O unico discurso que possuiam que era o da moralidade pública sucumbiu diante das gravissimas denuncias comprovadas de corrupção no governo demotucano do DF e suas possiveis e provaveis ramificações no governo de SP.Estão provando do proprio veneno.E isso é bom para o pais,pois tudo aquilo que possa vir a prejudicar,abater a direita delinquente e assassina,traz beneficios extraordinarios para toda a sociedade.
Maria Ronilda de Oliveira diz:
05/12/2009
Carissimo Emir, a cada dia de governo Lula tenho mais orgulho de ser brasileira. Deus nos livre de termos a volta desse trio fantasma fhc/serra/alckmin(aécio), na Presidencia da República. O povo brasileiro não merece esse retrocesso, principalmente depois que Lula transformou o ofício de ser Presidente do Brasil num dos cargos mais significantes do mundo. Ele colocou na cadeira e não podem mais tirar: valores, amor ao povo, carisma, ética, vontade de acertar, sabedoria e uma nova maneira de governar.
grande abraço e parabéns pelo texto que reproduzirei para todos os amigos.
O'Brien Ingsoc diz:
05/12/2009
Alca? Mercosul? Não é do interesse do país amarrar-se a nenhum bloco internacional, mas desenvolver uma política internacional e econômica independente.
ALEXANDRE GOMES MARQUES diz:
14/12/2009
GARRINCHA SORRI. Ô Emir, como é bom achar um tempo e deliciar-se lendo teus textos. O sonho não acabou. Lula dribla até os intelectuais de esquerda com Meirelles no BC, recebendo chefes de estado árabes, questionando a hipocrisia nuclear da OTAN, e outros tantos movimentos paradoxais. Lula, Chaves, Evo, e tantos outros, são a esquerda possível, teoria e prática. Mas há muito mais a fazer, a história não acontece, se constrói. Garrincha deve estar assistindo esta partida e dando um sorriso quase imperceptível, vendo Lula dar espetáculo e ainda fazendo alguns gols.