20/02/2010

Lula, Dilma, PT

Com a jaqueta que lhe deu de presente Evo Morales e uma camisa vermelha que recebeu de Fernando Lugo, Lula propôs a candidatura de Dilma Rousseff à sua sucessão e teve o apoio unânime dos delegados ao IV Congresso do PT. No dia anterior ele tinha recordado - depois de fazer uma homenagem a seu vice José Alencar - como oito anos antes, em convenção do PT realizada no Anhembi, tinha havido um ensaio de vaia, quando o nome de Alencar foi mencionado como seu candidato a vice-presidente.

O que ocorreu entre um momento e outro? Mudou o PT? Mudou Lula? Mudaram as condições? Que partido é esse que, ao contrário da sua tradição anterior, aprovou sem dissensões, a candidatura de Dilma?

Aquele esboço de vaia visava o que seria uma aliança com o grande empresariado, que obstaculizaria a realização do programa da candidatura de Lula. O alvo estava errado, embora a suspeita tivesse fundamento. A aliança para a qual apontaria a Carta aos brasileiros – que permitiu Lula saltar do patamar histórico dos 30% do PT para os 50%, possibilitando sua vitória – não era com o empresariado nacional vinculado ao mercado interno – como era o caso de Alencar -, mas ao capital financeiro, que teria no duo Palocci-Meirelles, seus melhores representantes. (Tão errada era aquela avaliação, que Alencar notabilizou-se, durante os dois mandatos do governo Lula, pela batalha contra as altas taxas de juros, responsabilidade justamente daquele duo.)

Aquele assomo de vaia desembocaria na cisão que levou à formação do Psol, em base à avaliação de que o PT e o governo não estavam “em disputa” – como era a linguagem característica da luta ideológica daquele momento na esquerda -, mas estariam definitivamente perdidos, levados – segundo a linguagem moralista dos dissidentes – pela “capitulação” diante da burguesia e do capitalismo, governo de “gangues”, como diria Heloisa Helena na campanha de 2006. Outros setores críticos preferiram ficar no PT e dar a batalha interna.

O tempo se encarregou de decidir quem tinha razão. O Psol, depois de gozar da lua-de-mel da candidatura de Heloisa Helena – objetivamente aliada com a direita contra a candidatura do Lula -, está reduzido à intranscendência, praticamente desapareceu do campo político, luta desesperadamente agora para não perder os poucos parlamentares que sobreviveram até aqui.

Enquanto o governo e o PT, depois de passarem pela pior crise das suas histórias em 2005, apresentam – como o Congresso recém realizado demonstra - uma força e um vigor que revelam como quem ficou na batalha interna do partido tinha feito uma avaliação correta: havia uma luta interna a dar, havia uma “disputa”, a tal ponto, que o governo Lula mudou e mudou para melhor. (Como se pode ver, entre outros textos, na análise de Nelson Barbosa sobre as duas fases da política econômica do governo Lula, no livro “O Brasil, entre o passado e o futuro”, organizado por Emir Sader e por Marco Aurélio Garcia, editoras Boitempo e Perseu Abramo, recém publicado.)

A mudança fundamental se deu na substituição de Palocci – coordenador real do governo na sua primeira fase, “contingenciador” dos recursos para políticas sociais, com o primado do ajuste fiscal que ele impunha – não por algum discípulo seu, mas por Guido Mantega, que divergia dessas orientação, ao mesmo tempo que a coordenação do governo passou a ser exercida por Dilma Rousseff. O governo assumiu a centralidade do desenvolvimento econômico, estreitamente ligado às políticas redistributivas, deslocando o ajuste fiscal, que até ali tinha sido o foco central do governo. O Estado, por sua vez, retomou seu papel de indutor do crescimento econômico e promotor do conjunto de políticas econômicas que começam a mudar a fisionomia do país.

No seu conjunto, essa virada representou uma segunda fase do governo Lula, responsável pelo extraordinário apoio popular que conquistou, por sua consolidação política e sucesso impressionante na política externa.

Dilma Rousseff surgiu quase naturalmente como a candidata para dar continuidade e aprofundar os avanços do governo Lula, porque representa a melhor expressão dessa nova fisionomia do governo. O PT, por sua vez, recompôs suas forças, referenciando-se, cada vez de forma mais direta, ao governo federal, o que lhe permitiu superar sua crise e voltar a afirmar-se como principal partido brasileiro.

Lula e Dilma, nos seus discursos no Congresso, desconstruíram alguns dos principais supostos do ideário neoliberal: o de que a economia deveria primeiro crescer, para depois redistribuir; que elevação real dos salários leva inevitavelmente à inflação; que o Estado mínimo interessa aos que não necessitam do Estado; que o que chamam de “inchaço “ do Estado é a contratação de médicos, enfermeiros, professores e tantos outros servidos públicos, para fazer política social e não para burocratas sem função social. Reiteram como os bancos públicos e o mercado interno de consumo popular foram decisivos para que o Brasil saísse rápido da crise e para que os pobres não pagassem o preço mais duro dela.

O Congresso revelou como o PT se reafirma como um partido de esquerda, comprometido com um projeto popular e democrático, centrado no desenvolvimento econômico sustentável, na justiça social e na soberania política. Restam muitos desafios pela frente, o maior deles, a organização das imensas bases lulistas, - “subproletárias”, como alguns a chamam -, beneficiárias das políticas sociais do governo, que necessitam organizar-se politicamente, adquirir consciência social e tornar-se sujeitos do novo bloco no poder em processo de construção no Brasil.

O PT sai fortalecido, Lula se projeta como um grande estadista e Dilma se revela como a melhor candidata para dar continuidade e aprofundar o projeto do governo. O IV. Congresso do PT está tão distante daquela convenção de 2002, quanto a herança maldita que Lula recebeu está distante da herança bendita que deixa, na expectativa que Dilma possa dar continuidade na direção da ruptura definitiva do modelo herdado e na construção de um país justo, desenvolvido e soberano.

Postado por Emir Sader às 13:30

32 Comentários

Cibele Vrcibradic diz:

26/02/2010

Excelente texto e análise precisa.
Exceto pela minoria esperneante, li aqui ótimos comentários, mas preocupei-me com algumas expectativas. Eis o que penso:
1) Ideal e real são coisas diversas. Por mais que se persiga ou dele se aproxime, o ideal será sempre inatingível.
2)A guinada p/ a esquerda será lenta e progressiva.
("Mingau quente se come pelas beiradas", Brizola).
3)Há uma potência hegemônica no meio do caminho.
Se com Honduras eles aprontaram, o que fariam com o Brasil se Lula não fosse um dirigente hábil.
4)A esquerda tem que sair da retórica, arregaçar as mangas e trabalhar muito nestas próximas eleições. As candidaturas proporcionais são fundamentais p/ ajudar a Presidente Dilma a governar e p/ nos livrarmos de alianças e apoios indesejáveis.

carlos saraiva e saraiva diz:

23/02/2010

Companheiro como sempre brilhante. Gostaria que todos que se reivindicam de esquerda atentassem bem à estas reflexões. A transformação de um país não se faz sem povo. A transformação de um país não se faz sem um espirito forte de nação. A transformação de uma sociedade não se faz sem a construção de uma nova hegemonia, tendo o povo que sempre foi esquecido, na sua centralidade. Este governo está procurando , trilhando e conseguindo suplantar os obstáculos e limites impostos, e ainda muito fortes, que foram construidos por uma elite escravista, colonizada e submissa. Espero que a esquerda, a academia e os intelectuais se abram para um debate franco, solidário, sem revanchismos, moralismos ou fundamentalismo doutrinário. Um novo momento é chegado. uma nova aurora civilizatória se avizinha. À luta pois a direita sabe muito bem o que quer.

Jorge Ernesto Couto de Castro diz:

23/02/2010

Sinceramente eu não sei é bom para o PT que a Dilma seja a candidata do PT para a sucessão do Lula, nada contra ela, mas não tinha outro nome melhor? O escândalo do mensalão, acabou com as lideranças do PT? Eu não sei mas acho que poderia ser Olivio Dutra ou Tarso Genro, esses dois por exemplo tem experiência em disputar eleições e também tem experiência de governar, acho que poderiam serem bons presidentes.

Natan Bastos diz:

23/02/2010

E lembrar que após o anuncio da substiuição de Palocci por Mantega, o Senador Tasso Jereissati (tenho jatinho porque posso) afirmou que o Governo Lula havia encontrado uma solução mediocre.

Thiago Cardoso diz:

23/02/2010

Prezado,
Com todo respeito ao texto, fica dificil olhar, a não ser pelo olhar ideológico as realizacoes de "esquerda" anti-neoliberais do governo Lula-Dilma. Na verdade muito neoliberar mas com novas faces e muitas contradicoes. De certo avancou-se nas questoes internacionais e "economicas". Entretanto socialmente e ambientalmente vemos inumeras "avancos"negativos. O avanço do agronegocio no campo, detruindo florestas, povos e comunidades coma val do Estado. Obras de infraestrutura para o grande capital, violencia crescente, corrupcao crescente, Destruicao da agricultura familiar...detre outras tantas contradicoes deste governo contraditorio.

orlando sp-sp diz:

22/02/2010

O escåndalo do DF com a gang de Roberto Arruda, acabou com as perspectivas do DEM-PSDB para a presidencia. Sei que a política, tal qual o futebol, é uma caixinha de surpresas. Dilma tem personalidade, sabe exatamente o que falar, como falar e tem timing.
Serra tem consciencia que enfrentará um páreo duríssimo, mesmo com o apoio do PIG o qual, convenhamos, perdeu sua credibilidade pois o povo brasileiro näo é idiota para cair na mesma esparrela.

Anelise Rizzolo diz:

22/02/2010

Oi Emir, muito sensata e consistente sua avaliação. Agora também introduziria a perspectiva de gênero na possiblidade da eleição de Dilma. A dimensão histórica na eleição de uma mulher é muito relevante num universo de política que é tão masculino. Do ponto de vista da militância política esse movimento pode ser muito positivo. Acho que Miriam Langenbach tem razão também.

EDILSON PEIXOTO diz:

22/02/2010

É professor, o legado de Lula não só dedicado à Dilma, que de certo será a primeira presidente mulher desse País (brindemos a isso!!!), mas ao povo brasileiro, só não encontra ressonância naqueles que encarnam o desespero pela ausência tão duradoura do centro do poder político nacional. Aqueles parasitas que, aliados a um histórico de preconceitos...por que não dizer, ódio mesmo de tudo que e de todos que procedem das classes alijadas da população, de tudo que não é sofisticado, intelectualizado, estético, adequado, etc. e, sobretudo, nos que insistem em manipular os "ainda não emancipados", mediante os ditames alienantes da elite, amparada nos discursos acadêmicos e na mídia golpista burguesa, perpetuantes da desigualdade social e da imensa massa de miseráveis e excluídos no Brasil e na América Latina.
Insisto. a candidatura e a muito provável vitória de Dilma, só desagrada a parcela (minoritária, mas articulada ao extremo) que diuturnamente confabulam esquemas sórdidos que culminam na elaboração sistemática de ataques e tentativas, quase sempre frustradas, de ridicularizar o Lula e tudo o que ele representa para nova conformação da sociedade brasileira.
Só pra constar, o Presidente Lula do Brasil foi considerado, recentemente, um dos homens mais influentes do atual cenário mundial. O Brasil, após anos de estagnação, será a 5ª maior potência econômica do planeta, já em 2014, ano da Copa do Mundo que sediará, além dos jogos olímpicos, só pra que não esqueçamos, que, "sim, nós podemos". Os índices de miséria e extrema pobreza, o IDH, em franca evolução; e o que dizer da valorização e dos salários do funcionalismo público? o ganho real do salário mínimo, a redistribuição de renda; o freio no repasse de incalculáveis somas de dinheiro público para a iniciativa privada, como a venda de estatais a preço de banana ("vale" lembrar); o rompimento com o monopólio das transações comerciais com os EUA; o fortalecimento do Estado Social "interventor"; entre tantas outras políticas impactantes nos privilégios e interesses de uma elite historicamente construída a custa de massacres, estelionatos, golpes políticos, amparada outrora por uma justiça classista de olhos bem abertos aos seus interesses.
É professor, em síntese, somente a essa "república de requintados (ou "requentados") inescrupulosos, composta por, entre outros, aqueles que tentam "justificar" investidas tão anti-éticas, imorais contra a imagem de Dilma e do governo Lula, em nome da liberade de imprensa (mas, e isso que me resigna, irremediavelmente patéticas e desemcorpadas) não devem ter ficado nada satisfeitos com o desdobramento do último congresso do PT.
Portanto, celebremos a aclamação de Dilma e vamos com tudo rumo às eleiçõeso presidenciais ratiificar as transformações cocorridas para melhor no Brasil, elegendo-a nas urnas, no franco embate democrático que se anuncia, e, espero, fiéis às nossas bandeiras históricas de luta por justiça social, as quais, apesas de ainda longe de ser consolidadas nesse país, contudo tão mais próximas e concretas depois do governo Lula.

miriam langenbach diz:

22/02/2010

Prezado emir Sader,
Muito bom seu texto e sua análise. Só fico impressionada como dilma pouco é abordada como primeira vez que uma mulher no Brasil tem perspectiva de assumir o mais alto cargo da republica. E como tal, passa coerencia, firmeza, sinceridade . seu discurso é comovente tanto no sentido das referencias que faz à amigos que se foram na luta, quanto a maneira como se coloca, com humildade mas se vê que é uma guerreira. além do toque poético, também muito do universo feminino.De forma sintética indica suas prioridades que poderão realmente ir mudando substancialmente o Brasil. Nos comentários no blog não vejo a presença feminina, nem em geral há uma valorização deste aspecto no que é abordado.

João Martins diz:

22/02/2010

Mais.

Quem sabe daqui para frente nossa divisa seja:

REFORMA SOCIAL OU REVOLUÇÃO?

Nesse sentido, os caminhos da história encontraram-se com os caminhos de Lula, Dilma e PT, para realizar o que está destinado ao Brasil em alavancar a integração revolucionária latino-americana: sonho maior de Bolívar àChe Guevara; por onde o planeta poderá respirar um novo fôlego e, sobretudo, se refundar uma multipolaridade a partir das suas imensas diversidades culturais e ambientais, frente ao conserto das nações. O acolhimento à humanidade que restar da profunda tribulação capitalista e ambiental.

Estaria, em ocaso, ROSA LUXEMBURGO incorporada em Dilma? Indaga-se à esta encruzilhada...

Mas, se se realizar esta indagação "profético-delirante", e o PT não se converter às suas origens populares deixando para trás esseBernsteinianismo Lassaliano em seus quadros burocrático e parlamentar, DILMA, tal qual ROSA, poderá ser arrastada pelas ruas do Brasil, até à morte, como um exemplo a não ser seguido pelas massas afim de se manter o tal evolucionismo gradualista no capitalismo brasileiro profundamente desigual e perverso.

Torso para que estas contradições se superem, e a história, grávida de Dilma e Dilma da história, dêem a luz ao que anciosamente esperamos.

Fraterno abraço.

O'Brien Ingsoc diz:

22/02/2010

Não tenho qualquer afinidade com o regime democrático. Mas, se for votar em outubro, prefiro a Dilma, por seu perfil tecnocrático, aparatchik.

João Martins diz:

21/02/2010

Reforço as posições dos Srs Francisco e Luciano.

Penso que o poder constituído hoje no Brasil, tem um corte de centro-esquerda, embora com seus quadros dirigentes oriundos da esquerda que se espalhou por divergências táticas. Não vejo como ruim este cenário. Muito pelo contrário, promissor.

No entanto, a conjuntura política das correlações de forças atuais nos dão margem para que a candidatura de Dilma Rouseff, como ficou indicado pelo congresso do PT, deverá cumprir a missão de deslocar o poder, programaticamente , para a esquerda. Aí sim, nos reencontraremos um pouco mais adiante para se realizar o socialismo brasileiro. Assim esperamos em nossa paciência histórica.

Enquanto isso, segue uma pedagogia de esquerda para manter antigas bases sociais e organizar as transformações no "Lulismo" em força crítica e potencialmente revolucionária.

Por fim, professor, caso haja um deslocamento para a esquerda, programaticamente traduzindo-se em atos governamentais com a vitória de Dilma e uma maioria de parlamentares de esquerda, a tarefa será readequar o PT para um partido realmente de massas e popular, expurgando de seus quadros todo o exército de oportunistas, burocratas reformistas obcecados contra toda e qualquer ideia de uma revolução popular e participativa, encastelados em suas academicas posições anti-Marxistas, via exclusivamente parlamentar, e políticos e burocratas do partido profundamente fisiológicos.

Eis aí um desafio que as esquerdas reais, transversais à vários partidos, terão pela frente.

Pereira diz:

21/02/2010

De fato Professor Emir Sader, a saída do Palocci e do Dirceu, foram fundamentais para estarmos vivenciando um Brasil pujante e destravado. O Palocci travava a economia e o Dirceu travava o surgimento de novas lideranças no Brasil. É fato que em São Paulo o Dirceu continua a sufocar o surgimento de novas lideranças. Não dão espaço para o brilhante Ministro da Educação Fernando Hadad.
Dilma e Mantega nós salvaram!!!

francisco diz:

21/02/2010

Sr. luciano,reforço a sua tese,com respeito as atitudes do partido que era dos trabalhadores,aqui em minha cidade,esta igual,que de partido ideológico passou a ser fisiológico.A idade que voce tem foi justamente o tempo que atuei,e aprendi muito,sobre as idéias socialistas e comunistas,hoje jogadas dentro do lixo da estória(sem H),"socialista" ,deste arranjo fisiológico em que se transformou este partido.

Quanto a esquerda,ela não se apresentou até o momento,nem como partido e nem nas portas das empresas/fabricas,por isso,devo dizer que o Psol,não passa de mais um partido pequeno burgues(de classe média),metido a falar em nome da classe operaria(um ovo choco),que dependendo dos resultados eleitorais de 2010,vai começar a apodrecer antes de ter nascido.Na empresa que trabalho já tomamos uma decisão,precisamos CONSTRUIR O NOVO,um trabalho de base e socialista(de fato),seja no bairro que moramos ou na empresa que trabalhamos,porque os partidos que aí estão,ficaram velhos,viciados na velha tática de se usar os pobres,para servir aos ricos.Isto me faz lembar o Getulio Vargas,era pai dos pobres e mãe dos ricos.

Anselmo Machado diz:

21/02/2010

Concordo com o prof. Emir quanto ao Psol e outros da esquerda burra e que não enxerga a correlação de forças políticas em curso no nosso país. Mas, o que diz o companheiro Luciano de Fortaleza é uma verdade. Sou petista da Bahia, tenho 28 anos, e vejo muitos canalhas dentro do PT. Alianças são necessárias, mas, daí colocar gente da direita dentro do partido não concordo. O governador Wagner desrespeita a legislação educacional na Bahia e faz feio na educação, explorando profissionais que ganham míseros 390 reais por mês. Claro que desbancamos o carlismo e que o PT fez muita coisa legal na Bahia. No entanto, precisamos repensar a idéia de partido de massa e de esquerda.
A eleição de Dilma é fundamental para a construção do bloco anti- estadunidense na América Latina e consolidar a democracia participativa que tanto sonhamos.

Luciano diz:

21/02/2010

Procuro esse novo PT, mas não encontro. Só vejo oportunistas, como o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza e intelectuais falando ao vento (santos homens). Sou um petista de alguns anos e afastei-me quando, após as eleições de 2006, o petismo do poder não ousou fazer uma autocrítica, não atreveu-se a dizer, precisamos repensar a estrutura do partido desde a base, através do debate e do fortalecimento dos diversos movimentos. O que eu vi e vejo de perto é uma grande massa de petistas com carteirinha que têm suas anuidades pagas e são carregados, a cada eleição interna, para votar e depois para um bom churrasco patrocinado por algum candidato. O cenário petista, pelo menos aqui do Ceará, meu caro prof. Emir, não é bem esse que o senhor alenta nos seus sonhos. Infelizmente, não encontro tantas esperanças. Eu, um jovem petista de 26 anos, não tenho tão boas perspectivas. O PT conseguiu esvanecer até um jovem no fulgor de sua juventude revolucionário.

Marcelo Sales diz:

21/02/2010

O PSOL foi oportunista e acabou abraçado à forças sombrias. Apostou e se deu mal.

Paulo Ribeiro diz:

21/02/2010

Quem bom sera se a presidenta Dilma escolhesse para minsitro da Educação o professor EMIR SADER. Fica desde já lançda a campanha;

EMIR SADER PARA MINISTRO DA EDUCAÇÃO!!!!

Eugênia diz:

21/02/2010

Não concordo com o seu texto não. Quer dizer então que o PT saiu vitorioso neste 4º Congresso (e nisso eu concordo acho q saiu vitorioso sim), mas por conta, digamos assim, daqueles que queriam sair do partido ou pensaram em sair em 2005, mas preferiram travar uma luta interna? Ora, não concordo com isso. E também não concordo com a demonização de Palocci. Os dois governos Lula são dois momentos econômicos distintos, entre diversos outros aspectos. E não penso que seu sucesso (dos dois governos) possam ser creditados com maior destaque a uma minoria que pensou em sair. Foi resultado de um coletivo partidário que amadureceu e como já disse Lula e Dilma jamais mudou de lado.

Raimunda Maria Barbosa diz:

21/02/2010

É muito bom ler seus textos, que me ajuda muito na análise da situação política do Brasil.
É triste ler o que a Folha de São Paulo publicou hoje sobre o congresso .Será que seus editores são mesmo brasileiros?Se fossem , certamente, iriam querer o bem do povo brasileiro. Iriam nos defender.
21/02/2010

Marcelo diz:

21/02/2010

Ao Fábio, o cético quanto a eticidade do PT, proponho uma reflexão. Ética é algo que precisa ser galgado no dia-a-dia, pois a rigor cada um de nós cometemos atos que podem ser considerados eticamente questionáveis a todo momento. Ética, portanto, precisa ter o sentido de aguçar nossa crítica e auto-crítica, para continuarmos melhorando e melhorando o mundo. Do contrário é moral, donde se alimentam os moralismos e os moralistas. Sendo assim, podemos errar individualmente e coletivamente, como ocorreu e continuará ocorrendo com o PT e qualquer partido ou grupo social. A questão é se estamos aperfeiçoando nossa crítica e nossa prática social. Eu sou daqueles que consideram que a crise do PT foi benvinda, pois fez vir a tona problemas reais e inevitáveis (não somos anjos e este mundo está longe de ser o paraiso) e com isso afastou aquela bandeira moralista e maniqueista de ocasião que encobria as imperfeições inevitáveis, porém criticáveis dos seres políticos que somos, para aprofundarmos o debate político e ideológico. Com isso o PT cresceu como espaço de elaboração política e como partido, o Governo Lula melhorou o tratamento que o o Estado dá à moralidade no trato da coisa pública e os resultados estãoaí para os observadores atentos constatarem, apesar de haver muito ainda para ser feito.

Fábio Faiad diz:

21/02/2010

Emir, após ler este seu texto, resolvi tentar avançar no assunto. A grande pergunta que, a meu ver, deveria ser sempre ser feita é a seguinte: se o Lula não tivesse se aliado aos setores financeiro (fiadores: Palocci e Meirelles) e empresarial (fiador: José Alencar), TERIA RESISTIDO À CRISE DE 2005 (DO MENSALÃO)?

Para mim, o Lula só se garantiu até o fim do primeiro mandato (e só se reelegeu para o segundo) porque estava aliado aos 2 segmentos acima citados e porque se mostrou uma alternativa bem melhor à dupla PSDB-PFL (o que, como já pude comentar em post anterior, não foi nada difícil). Caso contrário, o desfecho da crise de 2005 teria sido bem pior...

Como todo o Brasil conhecia os prós e os contras do Lula (inclusive a questão do mensalão) quando o reelegeu com mais de 60% dos votos válidos, a tal crise do mensalão acabou sendo superada PELO RESULTADO INCONTESTÁVEL DAS URNAS. A reeleição, para mim, deu um recado bem claro para o Lula: "mesmo com os problemas do mensalão e outros, você realizou boas coisas e é muito melhor que sua oposição, mas ainda há espaço para melhorar muita coisa".

Sendo assim, após ter aprendido muito após 4 anos de erros e acertos, Lula tentou dar uma nova cara para seu segundo mandato. E conseguiu! Hoje ele tem cerca de 80% de aprovação em virtude de seus acertos: política econômica não-invencionista e mais distributiva, políticas sociais em grande quantidade (e com qualidade), política externa acertada e fortalecimento do Estado no seu papel correto (indução de crescimento, fortalecimento dos bancos públicos, educação etc.).

Por fim, não se pode deixar de destacar que grande parte da popularidade do Lula é dada também pelo seu simbolismo: ele é o torneiro mecânico que chegou lá e fez mais do que os "pseudo-doutores" que o antecederam. E não posso terminar este post sem dizer que uma das minhas grandes satisfações hoje é ver FHC e seus asseclas morrendo de dor-de-cotovelo, por causa do sucesso do Lula no Brasil e no exterior... QUE PERCAM MAIS UMA ELEIÇÃO EM 2010 E FIQUEM COM PELO MENOS MAIS 4 ANOS DE DOR-DE-COTOVELO!

Abs, Fábio Faiad.

Fábio Machado de Freitas diz:

21/02/2010

Prof. Emir,
Proponho um tema reflexivo e relevante [e ainda politicamente atual] para debate na vossa coluna.
Após o escândalo em 2005 do caixa 2 e mensalão, hiperdimensionado pela mídia manipuladora comercial, e os homicídios ainda não solucionados, que envolviam corrupção, dos prefeitos Toninho do PT e Celso Daniel, que mancharam seriamente, profundamente, a imagem ética e de compromisso político do PT, é possível ainda confiar eticamente e politicamente na ação do PT? Esta é a pergunta: É ainda possível acreditar politicamente e eticamente nesse PT, que abandonou sua bela história de não fazer acordos eleitorais com a direita?
Já dou minha opinião: eu acho que não.
Agradeço aos que leram a minha mensagem.

Abraços a todos os leitores da carta maior.
Sugiro também a leitura do ótimo site www.correiocidadania.com.br
Gentilmente,
Fábio.

Luis José Ariosto Pereira Silva diz:

21/02/2010

VIVA DILMA, VIVA LULA, VIVA O BRASIL, VIVA O VERDADEIRO POVO BRASILEIRO!!!!!!!!!!!!! Chega da ditadura da direita, eles nunca mais vão mandar aqui, que dia lindo esse, eh a democracia que começou em 2003 e vai ter continuismo agora!!!!!!!!!!!!! parabens para todos que acreditam!!!!!!!!

Douglas Rezende diz:

20/02/2010

Excelente texto! Parabéns, professor!
Acho que um pequeno trecho, do sétimo parágrafo, merece destaque especial:
"A mudança fundamental se deu na substituição de Palocci ... por Guido Mantega..."
Acho que essa foi a grande mudança do governo Lula! Ao passar o controle da economia a um economista realmente interessado no desenvolvimento econômico do Brasil, Lula deu um grande passo. Se não fosse o Mantega, a crise de 2009 teria sido muito maior do que uma "marolinha" (lembrando que a crise foi a maior depois de 1929 para o resto do mundo...).
Espero que ele continue. O Mantega, com certeza, tem muito a contribuir para a consolidação e o crescimento da economia brasileira.

luiz pinheiro diz:

20/02/2010

Parabéns ao presidente Lula pelo brilhante discurso, pela escolha da roupa, que não poderia ter sido melhor, e, claro, pela candidata que nos recomendou, essa brava Dilma Rousseff, que nos próximos oito anos, partindo da atual herança bendita, vai com certeza aprofundar as conquistas do povo brasileiro e construir um Brasil próspero, soberano, solidário, generoso, democrático e includente.

Messias Franca de Macedo diz:

20/02/2010

"Preferimos as vozes oposicionistas
[da imprensa golpista],
ainda quando mentirosas, injustas ou caluniosas,
ao silêncio das ditaduras!"

Dilma Brasileira Rousseff - "manifesto" sobre a liberdade de imprensa e respeito à democracia brasileira

O que seria um réquiem anunciado ao PIG (Partido da Imprensa Golpista, fascista eterna, arauta da DIREITONA OPOSIÇÃO AO BRASIL!)


BRASIL - em homenagem à Dilma Brasileira Rousseff, a primeira mãe presidente do Brasil
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Paulo Reguly diz:

20/02/2010

Diante da formação histórica do Brasil e do eterno "entreguismo"da elite brasleira o PT nunca deixou de ser de esquerda. Foi o partido de esquerda que melhor conseguiu, até hoje, ler a conjuntura e agir. Os partidos da extrema esquerda, muito necessários, precisam entender que este é o momento de uma aliança desde a ultra esquerda até o centro. Só chegaremos ao socialismo depois de muita luta contra esses valores impostos depois do regime militar, mas, para isso, devemos, todas as esquerdas compreender que a eleição de Dilma é essencial na trajetória ao socialismo brasileiro.

Messias Franca de Macedo diz:

20/02/2010

DILMA, A MÃE DO BRASIL!

[Depois do pai Lula, a mãe Dilma - dona Lindu do nosso povo e pátria!]

BRASIL – em homenagem à Dilma Brasileira Rousseff, a primeira mãe presidente do Brasil
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Messias Franca de Macedo diz:

20/02/2010

Dilma Brasileira Rousseff é todos nós de agora em diante! Mais do que Lula daqui para a frente, a pátria seguindo em frente, empreendendo a inflexão mais à esquerda...

Cuidar do olhar
menino,
sepultar o renitente atraso
dos ímpios - e impios!
Costurar a sorte
do tecido nação,
alimentar a terra
dos oprimidos
[arrancar-lhe os grilhões],
dançar com os filhos e filhas,
a canção que a mãe
traz no peito:
fecunda, justa, libertária...


BRASIL - em homenagem à Dilma Brasileira Rousseff, a primeira mãe presidente do Brasil
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Mirabeau Bainy Leal diz:

20/02/2010

"A realidade mudou, e nós com ela.
Contudo, nunca mudei de lado.
Sempre estive ao lado da justiça,
da democracia e da igualdade social"

Dilma Rousseff

Antonio Carlos Rocha diz:

20/02/2010

Prezado professor, no início o PT engatinhou também, hoje é uma agremiação balzaquiana. O PSOL ainda é recém-nascido, são naturais os tropeços. Impossível comparar 30 anos de experiência com pouco mais de 3. Vamos ver o PSOL daqui a 30 anos. Não sei se estarei por aqui...
Com respeito e admiração.
Antonio Carlos Rocha

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