22/02/2010
Cidade Juarez, situada na fronteira norte do México, tornou-se a cidade mais violenta do mundo – afora as dos países que estão em estado real de guerra. O governo de Felipe Calderón jogou álcool no fogo, quando mandou tropas do Exército para supostamente terminar com o narcotráfico e as lutas entre os cartéis – o de Juarez e o de Sinaloa -, tendo como resultado a morte de 2.600 pessoas, de um total de 1.300.000 habitantes.
Segundo The Economist, as raízes da violência na Cidade Juarez vêm da assinatura do Tratado de Livre Comércio da América do Norte, que tornou a cidade em um florescente centro industrial. O surgimento de uma grande quantidade de empregos para mão de obra não qualificada encorajou a jovens a abandonar a escola. Muitos deles são mães solteiras, que deixavam sós seus filhos para ir trabalhar. Até que a recessão produziu um imenso desemprego. Cerca de 80 mil jovens na cidade nem trabalham, nem estudam. A cidade tem muito poucos hospitais e escolas, além de espaços esportivos, culturais, parques, que pudessem ser alternativa para o mundo das drogas.
A violência descontrolada na cidade levou cerca de 100 mil pessoas a cruzar a fronteira para os EUA, apesar da dura crise nesse país, enquanto um numero similar se deslocou para outros estados do país, simplesmente buscando fugir da violência.
Depois que 18 jovens foram assassinados em janeiro, em uma festa, Calderón afirmou que se tratava de “gansgsters”, a paciência da cidade se esgotou e as mobilizações contra o governo se multiplicaram. Calderón foi duas vezes, sucessivamente à cidade - depois de nunca ter ido anteriormente -, mas foi recebido com indignação por parte dos familiares das vítimas e de toda a cidade. Foi anunciar um plano de obras sociais. Se desculpou por seu avião ter chegado com duas horas de atraso. Ao que se lhe respondeu: chegou com dois anos de atraso.
Postado por Emir Sader às 13:08
Flavio diz:
24/02/2010
Não consigo entender esses mexicanos. Tiveram no passado o território roubado pelos EUA e hoje em dia fazem tudo que os EUA mandam.
Coutinho diz:
23/02/2010
Pobre México! País de contrastes enormes em sua História: das gigantescas derrotas militares às grandes vitórias populares. Parece que vai precisar de uma nova Revolução, pois daquela grande em mobilização popular, mas confusa nos resultados, já não resta mais nada...
hc diz:
22/02/2010
Caro Emir,
Achei interessante o texto, e gostaria de traçar uma analogia superficial. Moro em Macaé - Rio de Janeiro, onde tive o prazer de ve-lo em uma palestra super interessante, mas certos aspectos que voce ressalta no texto acima, tive o desprazer de constatar aqui nesta cidade. Depois de tres anos morando aqui, já havia notado uma certa incoerencia entre o padrão de vida que a cidade possui, relativamente ao serviço público, e o orçamento. Acho que a falta de cobrança da correta aplicação dos "royalties", tem trazido distorções gritantes. Não se vê por exemplo uma política de assistência social que se preocupe em informar, capacitar ou promover o retorno a sua terra das milhares de pessoas ( a maioria sem qualificação alguma) que procuram a "capital do petróleo" na esperança de vida melhor e acabam mendigando pelas ruas, na melhor das hipóteses. Tem-se claro que há uma manipulação errônea do orçamento local, tendo como outro aspecto o não cumprimento de certos itens relativos a educação, vemos nas escolas patrocinada pela prefeitura a cobrança de insumos para o fuincionamento das mesmas, como resmas de papel, cadernos, durex e envelopes, e ainda há o não fornecimento de uniforme escolar, item constante no orçamento, por 2 anos. Temos ainda o problema do tranposte público com monopólio e linhas insuficientes e mal administradas, esgotos lançados ao rio e mar sem tratamento, buracos intermináveis em vias superficialmente asfaltadas e muitas outras sem. Favelas em franca expansão junto com o tráfico, o que faz a cidade um local parecido com Juarez, o que de certa forma me preocupa, pois procurei esta para criar meu fillho, e mesmo com qualificação nos deparamos com a aversão da maioria das empresas aos profissionais radicados aqui, por acharem que o nível educacional da região não é compatível com as atividades exercidas, preferindo buscar em outros centros, e as poucas que atuam aqui é para recrutar a mão de obra barata que aqui tem. Temos fatores de grande capacidade explosiva, e o que me deixa entristecido é que a tendencia é para o colapso, como o ocorrido em Juarez. Apelo para os guardiães dos contribuintes que não deixem isto acontecer.
orlando sp-sp diz:
22/02/2010
Lendoi ¨Carta Capital¨ notei a carta de um leitor que fazia referencia a um neurótico. Segundo ele, o neurótico repete os erros porque näo é capaz de aprender com os mesmos.
Todos sabemos, pelo menos os que tem bom senso, que o tráfico de drogas é a muleta eleitoral dos conservadores. Caso a droga saia da ilegalidade e seja controlada como qualquer outra droga vendida em farmácias, acabaräo os discursos moralistas e as propinas de todos os quilates. Os policiais mais odiados dos EUA säo aqueles que trabalham na Narcóticos: corruptos, e4xtremamente frios, säo capazes dos piores assassinatos para defenderem suas propinas. Em Tijuana, outra cidade barra pesada, um oficial que assumiu a chefia da polícia local, foi obrigado a renunciar porque foi ameaçado de morte por seus subordinados ao recusar fazer parte da quadrilha de policiais que recebia propina para proteger o tráfico local.
O governo americano, nos bastidores, é tolerante com uma certa quantidade de drogas enviadas ilegalmente ao país. Pobre México, täo longe de deus e täo próximo dos Estados Unidos.
Geraldo Hoffmann diz:
22/02/2010
Prezado sr. Emir,
sou redator-chefe da revista Tópicos (www.topicos.de, da Sociedade Brasil-Alemanha. O senhor teria interesse e tempo para escrever uma curta análise (ca. de 3.500 toques) sobre os dez anos do Forum Social Mundial. Nós faríamos uma versão para o alemão a ser publicada no final de março/início de abril de 2010, mas precisaríamos do texto até meados de março. Como base poderia servir seu texto http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15505, naturalmente modificando o final e respondendo o que trouxe o FSM deste ano.
Ser-lhe-ía muito grato por um feedback positivo.
Atenciosamente
Geraldo Hoffmann
Redator-chefe de Tópicos
www.topicos.de
Bonn/Berlim
Pietro Guerriero diz:
26/02/2010
Emir,
Juarez tem uma caracteristica semelhante a Tijuana. Sao cidades fronteiricas e emparelhadas com cidades na California e, no caso de Juarez, El Paso no Texas.
Cidades de fronteira seca apresentam problemas normais de cidades mais o desafio logistico de manter os dois lados da fronteira em seguranca.
Pela proximidade fisica, se torna um polo de trafico de drogas e de manufaturas.
Tanto um quanto outro apresentam desafios aos administradores. O trafico traz em si a violencia, corrupcao, desagregacao social. As manufaturas atraem contingentes de migrantes em busca de trabalho e melhores condicoes de vida.
Que nao se estranhe a falta de paciencia da populacao. O poder publico e' o responsavel pela seguranca e o bem-estar social. Quando estes faltam, malgrado esforcos dos governos do Mexico e EUA, a populacao reclama. E com direito.