17/01/2011

Neoliberalismo - a cara do capitalismo contemporâneo - e pós neoliberalismo

O capitalismo passou por várias fases na sua história. Como reação à crise de 1929, fechou-se o período de hegemonia liberal, sucedido por aquele do predomínio do modelo keynesiano ou regulador. A crise deste levou ao renascimento do liberalismo, sob nova roupagem que, por isso, se auto denominou de neoliberalismo.

Este impôs uma desregulamentação geral na economia, com o argumento de que a economia havia deixado de crescer pelo excesso de normas, que frearia a capacidade do capital de investir. Desregulamentar é privatizar, é abrir os mercados nacionais à economia mundial, é promover o Estado mínimo, diminuindo os investimentos em politicas sociais, em favor do mercado, é impor a precariedade nas relações de trabalho.

A desregulamentação levou a uma gigantesca transferência de capitais do setor produtivo ao especulativo porque, livre de travas, o capital se dirigiu para o setor onde tem mais lucros, com maios liquidez e menos tributação: o setor financeiro. Porque o capital não está feito para produzir, mas para acumular. Se pode acumular mais na especulação, se dirige para esse setor, que foi o que aconteceu em escala mundial.

O modelo neoliberal se tornou hegemônico em escala mundial, impondo as politicas de livre comércio, de Estados mínimos, de globalização do mercado de trabalho para os investimentos, entre outros aspectos. É uma nova fase do capitalismo, como foram as fases de hegemonia liberal e keynesiana. Não se pode dizer que seja a última, porque um sistema sempre encontra formas – mesmo que aprofundem suas contradições - se outro sistema não surge como alternativa, com a força correspondente para superá-lo.

Mas é uma fase difícil de ser superada, porque a desregulação tem muitas dificuldades para ser superada. Mesmo com a crise atual afetando diretamente os países do centro do capitalismo, provocada pela fata de regulação do sistema financeiro, ainda assim pouco ou quase nada foi feito para o controle do capital financeiro, justamente a origem da crise. Como já se disse: Obama salvou os bancos, achando que os bancos salvariam a economia dos EUA. Mas os bancos se salvaram às custas da economia norteamericana, que segue em crise.

É difícil para o capitalismo desembaraçar-se do neoliberalismo, etapa que marca o final de um ciclo desse sistema. A discussão que se coloca é de se o modelo chinês representa vida útil e inteligência mais além do neoliberalismo ou do capitalismo. Se sua via de mercado se vale do mercado para superar o capitalismo ou se o mercado o vincula de obrigatória e estreita ao capitalismo.

O certo é que ser de esquerda hoje é de lutar contra o neoliberalismo, não apenas resistindo a ele, mas sobretudo construindo alternativas a este modelo, allternativas que projetem para além do capitalismo. O neoliberalismo promove um brutal processo de mercantilização das coisas e das relações sociais. Tudo passa a ter preço, tudo pode ser compra e vendido, tudo é reduzido a mercadoria, em um processo que tem no shopping center sua utopia.

Nesse caso, lutar pela superação do neoliberalismo é desmercantilizar, restabelecer e generalizar os direitos como acesso a bens e serviços, ao invés da luta selvagem no mercado, de todos contra todos, para obtê-los às expensas dos outros. Generalizar a condição do cidadão às expensas da generalização do consumidor. Do sujeito de direitos e não do dono de poder aquisitivo.

Quanto mais se desmercantilizar, quanto mais se afirmar os direitos de todos, mais se estará criando esfera pública, às expensas da esfera mercantil (que eles chamam de privada). Essa pode ser a via de passagem do neoliberalismo como estágio do capitalismo à sua superação, a uma era pós-capitalista. Mas hoje o que nos une a todos é a luta por distintas formas de pós neoliberalismo - pela universailização dos direitos, pela extensão da cidadania em todas suas formas – politica, econômica, social, cultural -, pelo triunfo do Estado social contra o Estado mínimo, da esfera pública contra a esfera mercantil.

Postado por Emir Sader às 01:43

24 Comentários

Flávio diz:

05/02/2011

Em termos macroeconômico o Governo Lula foi um continução do governo FHC. O governo Dilma tudo indica também o será. Só não entendo porque o governo FHC era neoliberal e o governo do Lula e agora da Dilma não? Alguém me explique. Será que toda esta retórica tem a finalidade de tão somente conseguir o poder para benefício pessoal dos companheiros? Algo contundente vai ser feito contra o neoliberalismo? Se o neoliberalismo é ruim e a Dilma e seu partido são antineolibedrias onde estão as políticas pertinentes. Quando falo políticas me refiro a políticas que realmente abalem a extrutura do neoliberalismo. Neoliberal por neoliberal é melhor escolher dentre eles os mais competentes sem este ranço demagógico improdutivo.

Claudio Bittencourt diz:

25/01/2011

Gente, o Mercado é como a Natureza. Ela não reclama, se vinga, ele não reage, apresenta a fatura.

Claudio Bittencourt

Jorge Ernesto Couto de Castro diz:

25/01/2011

Esse é o grande mal do capitalismo, essa tendência de mercantilizar tudo, de transformar tudo em comércio, está contribuindo para aumentar a violência que é uma das filhas do egoísmo e da ganância. Eu não sei se seria possível mudar essa tendência do neoliberalismo ou capitalismo, mas algo deveria ser feito para houvesse menos ganância e egoísmo nesse mundo.
Talvez se todos os países do mundo tivessem programas sociais para ajudarem os pobres, os ex-detentos e etc, acho que talvez assim poderíamos combater a miséria e a violência que são os efeitos negativos do neoliberalismo.

Mirabeau Bainy Leal diz:

21/01/2011

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SÓ P'RA LEMBRAR
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O gigante e a globalização

A China está se modernizando e se integrando à globalização, mas busca fazê-lo de modo autônomo e soberano.
Tudo indica que, na China, o FMI não está dando ordens nem impondo os seus modelos econômicos.

Os chineses nos explicam que estão praticando o que chamam de socialismo de mercado.

A impressão que dá é que eles estão aprendendo a ganhar dinheiro com os capitalistas, para gastá-lo como socialistas.

Até pode ser que os chineses aceitem uma economia de mercado, mas certamente não admitem uma sociedade dominada pelo mercado.

O Estado chinês tem participado diretamente do atual estágio da globalização, mas não abre mão do planejamento, da definição de prioridades.

Ou seja, não permite que o mercado decida em nome da sociedade.

Luiz Inácio Lula da Silva
22/05/2001
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Íntegra em:
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=2348
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ANTÔNIO ALBERTO (Pe.Alberto) MENDES FERREIRA diz:

20/01/2011

“ ... um sistema sempre encontra formas – mesmo que aprofundem suas contradições - se outro sistema não surge como alternativa, com a força correspondente para superá-lo. “

“ O certo é que ser de esquerda hoje é de lutar contra o neoliberalismo, não apenas resistindo a ele, mas sobretudo construindo alternativas a este modelo, allternativas que projetem para além do capitalismo. O neoliberalismo promove um brutal processo de mercantilização das coisas e das relações sociais. Tudo passa a ter preço, tudo pode ser compra e vendido, tudo é reduzido a mercadoria, em um processo que tem no shopping center sua utopia.

Nesse caso, lutar pela superação do neoliberalismo é desmercantilizar, restabelecer e generalizar os direitos como acesso a bens e serviços, ao invés da luta selvagem no mercado, de todos contra todos, para obtê-los às expensas dos outros. Generalizar a condição do cidadão às expensas da generalização do consumidor. Do sujeito de direitos e não do dono de poder aquisitivo. >>

In : cartamaior.com.br ; Neoliberalismo - a cara do capitalismo contemporâneo - e pós neoliberalismo >>

“ ... um sistema sempre encontra formas – mesmo que aprofundem suas contradições - se outro sistema não surge como alternativa, com a força correspondente para superá-lo. “ in : ibidem

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" Quando os pobres são submissos aceitam seu triste destino, então não há nada que temer, são pão abençoado para os poderosos. Os detentores do poder podem dormir tranquilos. Mas se os pobres despertam e adquirem consciência de sua condição, convertendo-se em atores da mudança, então isso produz medo no poder. " >>

>>in:http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17309 >>

Leiam no : padrealberto.blogspot.com => PARA EQUILIBRAR O DESEQUILÍBRIO POLÍTICO. >>

“ ... um sistema sempre encontra formas – mesmo que aprofundem suas contradições - se outro sistema não surge como alternativa, com a força correspondente para superá-lo. “

Cristina Rezende Valle Souza diz:

20/01/2011

Acreditamos na superação da lógica neoliberal, possibilidade histórica de superação do capitalismo. SAbemos o que não queremos, mas como construir coletivamente uma sociedade civil que pouco parece dar conta de saber o que quer!!!

José Paulo diz:

19/01/2011

Na verdade vejo muito comentário perguntando a mesma coisa que eu: Qual a solução para o neoliberalismo da qual eu compartilho da opinião que é um problemasso? Ele respondeu aqui neste trecho:
"O certo é que ser de esquerda hoje é de lutar contra o neoliberalismo, não apenas resistindo a ele, mas sobretudo construindo alternativas a este modelo, allternativas que projetem para além do capitalismo. O neoliberalismo promove um brutal processo de mercantilização das coisas e das relações sociais."
Alternativas que se projetam além do capitalismo! Falando na desigual e regulatória - em termos de sociedade e economia - sabemos de qual modelo o autor está falando. Este é o problema. O modelo não funciona e na teoria é lindo. Na prática só nos resta lembrar de paises que ainda teimam em usá-lo e que quando se abrem para o mercado explodem economicamente. A exemplo a China. Lá tudo é reguladinho, desde dinheiro até o que se pode ver na internet. Bem diferente do que vivemos aqui no Brasil.
Fato é que este sistema proposto pelo autor é um sistema que depende da decisão de alguem sobre o que é importante para a sociedade, ou seja, como alguem comentou abaixo, o homem é bom, mas a sociedade é que o corrompe. No caso o estado gordo controla tudo e a liberdade é restrita com um objetivo que é a manutenção do poder de poucos.
Portanto caro emir, tente ser mais claro quando continuar sua saga anti capitalismo, pois ainda não vi solução agradável.
Outros também comentaram sobre as políticas sociais, mas elas nada tem a ver com este post. China é antisocial e permite que criancinhas montem nossos sapatos. Além disso a fase pré mercado é de grande dificuldades para o povo que vivia basicamente no campo.
Para falar em políticas sociais devemos cair nos exemplos europeus que são baseados em políticas sociais de mercado, que não abrem mão do desenvolvimento tecnologico proposto pelo capitalismo. O maior exemplo deles é a Suécia, que investe forte na cultura do sustentável e por isso pouco sentiu da crise. São participantes atuantes no sistema capitalista mas com a visão de regulação economica e políticas sociais fortes. Porque corremos destes exemplos bons?

Nirsan Grillo Dambrós diz:

18/01/2011

Realmente, é possível perceber que o Brasil está vivendo uma "tímida" fase pós-neoliberalismo. O que isso efetivamente significa? Que há mais intervenção estatal em benefício da sociedade.
A busca e a aplicação de ações afirmativas, políticas sociais de acesso a bens e serviços (privados ou públicos), etc., denotam essa nova fase.
O detrimento do capitalismo selvagem, com suas ações desmedidas e cruéis (ao meio ambiente, à sociedade, aos desiguais...), ainda é ínfimo mas podemos sentir alguns avanços.

Marcia Eloy diz:

18/01/2011

Gosto muito dos artidos do prof. Emir, mas uma coisa é propor uma idéia, outra é pô-la em prática. O Lula, numa entrevista que deu no final do governo para a TV Bandeirante, disse que se ele fosse eleito no ano em que disputou a presidência com o Collor, ele não ficaria nem 3 meses no poder. Concordo com ele. O PT era um partido revolucionário, no estilo PSOL, ou PSTU. O povo não entende a diferença entre o capitalismo e o socialismo, pior, nem sabe que vive num sistema capitalista. Logo, o que o Lula fez, foi se aliar ao capitalismo e ir introduzindo valores socias neste sistema. O sistema e o povo foram assimilando estes novos valores e ele acabou o governo com uma aprovação de 87%. O que eu acho que pode ser feito, é ir ampliando os valores sociais, com novas medidas, e com isto os valores capitalistas vão diminuindo, gradativamente. O que não se pode é querer ser um Dom Quixote: sonhar um sonho impossível e pisar um inacessível chão.

Alan B. Witczak diz:

18/01/2011

Caro Sr. Emir,
venho lendo a tempos seus artigos, mas sempre fico com uma "pulga atrás da orelha": que modelo servia de alternativa ao neoliberalismo?
O estado liberal, modelo econômico produto da Revolução Francesa, sucumbiu em parte, ao menos como era projetado, já no início da década de 20 dando lugar ao estado social. Esse estado social foi legitimado por todo um arcabouço jurídico: a Constituição do México de 1917 e a Constituição do Weimar, de 1919. Após a segunda guerra mundial, face à hegemonia estadunidense, foi sendo incorporado o neoliberalismo, sendo retratado inclusive em nossa Constituição de 1988 (artigos 170, inciso IV, 172, 173, dentre outros dispositivos). O que se vê, numa fácil consulta aos fatos políticos, é que houve uma sucessão de modelos, todos produto das circunstâncias históricas, sempre condicionados por elas.
Atualmente o modelo neoliberal é legitimado por todo o sistema jurídico brasileiro.
Assim, como seria possível outro modelo sem se afetar todo o regime jurídico pátrio?
Me parece a certo ponto um problema insolúvel.
Como diria Rosseau: "o homem é bom, a sociedade que o corrompe."

Celso Carvalho diz:

18/01/2011

Caro Emir, seus textos sempre muito precisos e com uma força muito grande de síntese. A leitura sobre a questão do neoliberalismo me fez pensar o seguinte: Se tomarmos em conta que o setor do capital que se responsabiliza pela condução - política e econômica - hegemônica do atual período histórico é o capital financeiro e levando em consideração os astronômicos ganhos dos bancos nos últimos 8 anos, aqui no Brasil, me pergunto: até onde a política de desenvolvimento do Governo Federal tem rompido com os marcos mais gerais do neoliberalismo? Não tenho nenhuma dúvida de que o capitalismo brasileiro tem se fortalecido em função da retomada do crescimento econômico no Brasil. Embora não tenha, também, nenhum dúvida em relação a sustentação política do que denomino "era Lula" (sendo o campo de batalha mais favorável as trabalhadoras e trabalhadores) me parece que a política, como um todo, vai na contramão do que tu sinalizas como processo de desmercantilização na direção da superação, não do neoliberalismo, particularmente, mas do sistema capitalista como um todo.

Célia Rocha diz:

18/01/2011

A agenda publica nos chama à responsabilidade de construir uma esfera publica ... concordo com vc Emir... aceitar o desafio de resistir a mercantilizaçao das relações em todas as suas facetas... construir alternativas para que o passado dos regimes autoritarios nao seja reiventado e para que os louros do mercado nao vigore como fatalidade.. construir uma esfera publica .. que aponte nao apenas para o acesso aos bens de consumo mas que firme o direito de todos serem reconhecidamente cidadãos em termos de suprir necessidades e de contruir utopias de um mundo mais justo e livre das desigualdades sociais..

Marciel Franzner diz:

18/01/2011

Olá Sr. Emir,
Nos dois últimos posts você faz críticas apontantando os defeitos do capitalismo, porém nao deixa claro as solucoes para estes problemas.
Qual a sua sugestao para modelo economico e político de um país?

Guilherme Coelho diz:

18/01/2011

Saudações do fiel leitor português que anda a sofrer na pele há mais de 30 anos o neoliberalismo, pelas mãos de "socialistas" e "sociais-democratas".
Aqui, como no resto do mundo, o neoliberalismo é o caos, a desordem, a desregulação, o estado minimo para as receitas e máximo para as despesas, a lei do mais forte, o contrário da vida de qualidade.
Aqui, como em todo o lado, o neoliberalismo tem contornos criminosos, ligações a máfias, tráficos, dinheiro fácil, roubo do Estado e dos trabalhadores.
Ao fim e ao cabo, se virmos bem, não será que as medidas neoliberais afrontam as leis gerais como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, as Constituições de muitos países, tratados internacionais, etc.?
A sua pergunta é: após o desastre, o que fazer?
Porque não começar por usar os mecanismos (ainda) legais como os tribunais, para entalar quem nos desgoverna e reduzir-lhes a margem de manobra?
Isto pelo menos ajudaria a consciencializar muita gente para a mudança.
Cumprimentos.

Pedro diz:

17/01/2011

Penso que essa idéia, a desmercantilização, é fundamental para se analisar o mundo em que vivemos. Marx dizia que preço do feijão não é feijão. Oque está em crise atualmente é o preço, relação econômica capitalista. O feijão continua dando boas feijoadas. É preciso insistir que não existe crise alimentar, como querem os chamados especialistas da ONU, turma de ignorantes, mas crise mercantil, crise da forma capitalista de produzir. Precisamos aproveitar este momento para mostrar que o mundo produz alimentos para alimentar todo mundo, que é possível fazer casas para que todo mundo possa habitar, roupa para que todos possam se vestir dignamente, segundo as necessidades. Está na hora de falar em atendimento de necessidades e ignorar a linguagem vazia dos economistas, apologetas da escassez. Verdadeiros bobos da corte.

Alex Castro diz:

17/01/2011

Caro Emir,

Sou escritor e acabei de escrever um romance sobre dois brasileiros em Cuba, sobre política, revolução, humilhação. Adoraria poder te mandar uma cópia.

Abraços,
Alex

Amauri diz:

17/01/2011

Caro Emir, em tempo de campanha não criticamos o governo LULA pelos avanços e pela desgraça que seria se os tucanos/neoliberais voltassem a "escolhambar" o Brasil, PORÉM, agora passada a eleição é preciso APOIAR mas tambem COBRAR as mudanças nescessárias para não ser confundido em muitos aspectos da administração com os governos neoliberais, por exemplo a QUESTÃO DO AGRONEGÓCIO que é nocivo para todo o país, monocultura saturada de fertilizantes e agrotoxicos quimicos que destroem o ecosistema e a saúde de todos, o governo tem a obrigação moral de LIMITAR o tamanha da propriedade da terra (QUE NÃO DEVERIA TER DONO DEVERIA SER DO GOVERNO, DIGO DO POVO) e criar mecanismos para que a agricultura familiar cultive alimentos ORGANICOS para o seu sustento e a venda do excedente, sem isso, não haverá prosperidade de fato a medio e longo prazo.

Domingos diz:

17/01/2011

O capital não pode ser um fim, mas um meio para melhorar a vida de todos os seres humanos.

Carlos W. Azevedo diz:

17/01/2011

Uma análise sobre o neoliberalismo requer a observação sobre os acontecimentos históricos que permitiram mudanças significativas no interior do sistema capitalista global. Tais acontecimentos podem ser entendidos como dispositivos estratégicos que dentro de uma conjuntura específica determinaram os rumos; a receita, pela qual o mundo está submetido atualmente.

Caracterizado por uma resposta política, assim como uma interpretação das condições reais do contexto que foi proposto, o neoliberalismo não apenas se concentra na crítica sobre as regulações "maléficas" do Estado sobre o mercado, mas busca reorganizar o próprio Estado à sua perspectiva de interesses. Isso significa aproximar ou mesmo tornar e fazer do aparelho estatal um reprodutor de sua ideologia e de sua lógica própria para a garantia de continuidade de seus preceitos. Evidentemente que no conjunto desses preceitos e princípios, "liberdade econômica", " a igualdade formal dos proprietários privados" e o individualismo utilitarista" entre outros, estão na base para construção e reprodução de uma sociedade privativa e competitiva, além de recheada de privilégios. Dessa maneira os moldes de interpretação da realidade econômica vão sendo parâmetros exclusivos e único das condições sociais e políticas. O setor mercadológico passa a ser apercebido como o lugar que emana todas formas racionais e eficientes de compreensão e solução de problemáticas da sociedade em voga. Pensar formas que andem na contramão do que está posto é algo que parece impossível e incipiente devido a disposição de elementos que estão fortemente atrelados em perpetuar os interesses dessa forma de política e economia. Não se faz necessário apontar esses elementos, mas destacar que eles direta e indiretamente vão cada vez mais tomando todos os âmbitos e níveis das relações humanas é fato para lutar contra o que está hegemonicamente posto.

Christiane Falcão diz:

17/01/2011

Emir Sade nos proporciona de forma pedagógica, elegante, simples e sensível muitas das preocupações que nos cercam hoje. Leio essa coluna com a admiração de alguém que está se formando politicamente.

Vagner diz:

17/01/2011

Muito bom o texto. Esclarecedor.

Ajelandro diz:

17/01/2011

Caro Emir Sader,

Do alto de vossa sabedoria, inalcançável pela minha precariedade, ensina-me a sua fantástica capacidade de ignorar um bandido do quilate de um Michel Temmer! Durante toda a transmissão da posse de Dilma, o escroque ao lado da esposa fútil, casal de hipócritas amantes de confortos e benefícios individuais, o bandido e a prostituta barata, ônus de Dilma ao lado de Sarneys e outras pesadas tranqueiras. Emir, grande Emir, como você faz para ignorar estes bandidos? Nos ensine, pobre mortais, esta proeza!

luiz fernando nunes diz:

17/01/2011

Sua interpretação consegue, com competência e clareza, nos colaborar à entender melhor o mundo em que vivemos.
Acredito num aprofundamento da discussão, caso você destaque mais o elemento cultural na composição deste sistema, o qual é historicamente constituido.
Obrigado!

antonio de pádua silva diz:

17/01/2011

Volto a comentar o aspecto IMORAL do indivíduo provocador da inflação. Notícia quentinha, domingo (16/01/2011): Galão de água em Nova Friburgo chega a R$ 45,00; litro de leite a R$ 10,00. Que lógica de cálculo econômico justifica tal disparate? Que alterações na planilha de custo do vendedor, ou que expectativa do mercado da água e do leite poderia justificar tal aberração de preço? Não é verdade que a inflação é um fenômeno que escapa do cientificidade da ciência econômica para justificar-se pelas aberrações éticas do especulador? Esse tem de ser denunciado na ONU mediante uma campanha publicitária bem articulada! A ONU tem desenvolvido campanhas de propaganda eficiente contra terrorismo, tortura, pedofilia e outros males. Está na hora de se desencadear uma contra a figura do especulador. Esse seja talvez um primeiro passo para o pós-neoliberalismo,

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