Quarta-Feira, 28 de Junho

28/06/2012 - Copyleft

América Latina, 50 anos depois

por Emir Sader em 28/06/2012 às 16:19



Emir Sader

Em 1962, os EUA impuseram à OEA a expulsão de Cuba desse organismo. A moção conseguiu 14 votos a favor, o voto contrario de Cuba e 6 abstençoes (Argentina, Bolivia, Brasil, Chile, Equador e Mexico). Mais tarde, já com o golpe militar de 1964 no Brasil, os EUA impuseram a ruptura de relações com Cuba, medida que foi seguida de forma subserviente por todos os governos do continente, menos o México.

Tudo isso se dava paralelamente à tentativa fracassada de invasão de Cuba por tropas mercenárias coordenadas pelos EUA, com o apoio direto da Nicarágua de Somoza e da Republica Dominicana de Trujillo, em 1961, e do cerco militar a Cuba, em 1962.

Para termos uma ideia de como mudou o continente desde então, praticamente todos os países retomaram relações com Cuba, a OEA decidiu convidar Cuba de volta ao organismo, mas o governo cubano se recusou ao que Fidel chamou de Ministério das Colônias dos EUA. E, ao mesmo tempo, o continente dispõe de organismos sem a participação dos EUA, como o Mercosul, a Unasul, o Banco do Sul, o Conselho Sulamericano de Defesa, a Comunidade de Estados Latinoamericanos. Já não existirão reuniões da Comunidade Ibero Americana sem a participação de Cuba.
A OEA sobrevive, mas com representação e legitimidade cada vez menores.

Em situações de crise como a do Paraguai, o Mercosul e a Unasul decidiram suspender a participação do governo golpista, em decorrência da cláusula democrática, acordada pelos governos que compõem esses organismos. Em outras, como o conflito da Colombia com o Equador e a Venezuela, o Conselho Sulamericano de Defesa encontrou a solução politica.

Os tempos passaram e mudaram, os EUA têm cada vez menos voz e aliados no continente. Como cantava Cuba:

“Con OEA o sin OEA, y aganamos la pelea".

Tags: Internacional,  Política





Ramalho - 30/06/2012
Golpes de Estado precisam ser formalmente criminalizados e considerados crimes imprescritíveis; praticado o golpe e uma vez recuperada a democracia, os golpistas tem de ser processados por crime de alta traição. Criminalizar os golpes é necessário para desestimula-los.


odorico ribeiro - 30/06/2012
Oi Professor Sader, também deveríamos citar a Telesur. Todo debilitamento que nós consigamos das grandes midias será um grande avanço. Temos esse grande objetivo de conseguir ter uma fôrça mediática que pelo menos se equipare à deles (num primeiro passo). Sem dúvida que nesse sentido há muito por fazer na Unasul, Celac, Mercosul. Nao necessita dizer que a consciência dos povos da América Latina sofrem muito com o ataque mediático da direita multinacional.

Nota: desculpa, mas dá uma ajeitadinha aí no canto cubano ao final do artigo. Um abraço


Marcia Eloy - 30/06/2012
Eu gostaria de saber se os países do Mercosul comercializam com Cuba? Ou o bloqueio econômico feito pelos EEUU a Cuba ainda persiste e é seguido por outros países?


sergio barbosa - 29/06/2012
E a greve geral na Argentina? Não merece uma análise?


Direto de Buenos Aires - 29/06/2012
Qual greve geral, meu querido! Eu moro aqui e o que houve foi uma manipulação política do sindicato de caminhoneiros. A repulsa geral da sociedade a essa greve serviu para discernimento e diferenciação entre pleitos trabalhistas e oportunismos políticos. O gov. aqui goza de amplo apoio da sociedade, tal como expressado nas urnas nas últimas eleições: vitória no primeiro turno.


Antonio Donizete da Silva - 29/06/2012
Não ao golpe, esse deve ser daqui para frente o slogan do continente. Deve-se admitir que as nossas democracias ainda são incipientes, pois saímos a pouco tempo das ditaduras imposta pelos militares com o apoio dos Estados Unidos. O bom é sabermos que a democratização de nossos países encontra-se em processo com alguns resultados satisfatórios. Essa decisão da Unasul e do Mercusul em relação ao golpe acontecido no Paraguai, e a suspensão de sua participação nesses organismos é um desses resultados. Fico muito esperançoso quando vejo acontecer esse tipo de coisa, acreditando mais ainda no quanto melhor, melhor. Viva a América do Sul! Viva a América Latina!


rogerio krieger - 29/06/2012
...prezado sociólogo Emir Sader...condordo com suas ponderações,e digo mais ,dentro da perspectiva de investimentos no Brasil e o futuro com o unasul,mercosul,alba,juntamente aos Brics,e com o início das megalópolis despoluídas da China..o futuro passa por n´s os brasileiros e nossa nobre Presidenta Dilma Roussef,,,longa vida à ela e a sua pessoa(rogerio k.-cidreira)


José Osivan Barbosa de Lima - 11/07/2012
Bonito post cheio de conhecimento para as novas gerações. Isso tudo mostra o quanto o capitalismo é selvagem, dominador, tirano e autoritário.


Mônica Gonçalves - 03/07/2012
Sim, concordo, muita coisa mudou em 50 anos... porém, é notória a participação do Brasil no continente latino como uma porta de entrada pra exploração dos demais países. Nosso país está cada vez mais urbano e industrializado e isto não é sinônimo de saúde, nem do ambiente natural, nem tampouco do cultural. Empresários brasileiros exploram terras e pessoas em outros países e isto não é considerado golpe? Seria um golpe camuflado, com apoio de uma mídia porca que valoriza o "crescimento" econômico como algo positivo, enquanto isto é uma farsa? E o governo que impulsiona o consumo isentando de impostos, beneficiando empresários, não é um golpe de chibata mascarado de "comodidade"? Por que estamos vivenciando greves em diversos setores em todo o Brasil? Como pode não termos tecnologias próprias para geração de energia, por exemplo? É lógica minha incompreensão. Não é possível concordar que se foque apenas no golpe ocorrido no Paraguay, este país teve seus habitantes exterminados com apoio do Brasil, mataram inclusive crianças do sexo masculino para que suas cultura não tivesse continuação, basta ver a história. É um país sofrido, historicamente. E de muita garra. Mas o contexto latino induz à reflexão sobre a dependência de investimentos de mega empresários nesta região para haver "sustentabilidade". O mercado verde é uma farsa! A corda arrebentou onde estava mais frágil, mas o golpe está acontecendo, a cada dia aperta mais o cerco. A privatização da água está caminhando a passos largos (moro no campo, sei o que estou dizendo), consumo massivo de industrializados,... , e a população está cega por uma mídia que joga spray de pimenta nos olhos, depois oferece um anestésico, impressionante... e se paga pelo anestésico! esse é um golpe...


Marquinhos Santa Fé - 03/07/2012
Vamos em frente, estamos no caminho certo!


orlando f filho - 01/07/2012
As elites, claro, jamais perderão o pelo!! Podem chiar, mas minha opinião é que precisamos de uma força de paz para fazer uma intervenção e negociar a retomada do poder e as forças ficarão no país até que a melhor solução apareça. Não é possível que golpes não sejam considerados crimes puníveis. As elites paraguais, atrasadas, tentaram dar um verniz de legalidade, mas foi um tremendo "171" na democracia; foi um estelionato e estelionato é crime uai!!


Raimundo W. S. Melo - 01/07/2012
O golpe das oligarquias- via parlamento, foi um tiro de escopeta nos pés de seus autores. Não somente pelo isolamento político imediato e a aceitação da Venezuela no Mercosul, mas pelo que sofrerão a médio e longo prazos. Com efeito, o golpe serve para destampar a natureza putrefata de como era gerido o poder pelas elites paraguaias. A ferida aumentará progressivamente com a visibilidade, as consequentes tomadas de consciência e mobilização popular que os reduzirão politicamente, permitindo que os novos tempos sulamericanos cheguem, finalmente, ao Paraguai.

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