Quinta-Feira, 22 de Junho

23/11/2014 - Copyleft

Cadê a análise autocrítica da esquerda?

Em meio a sofrida vitória da Dilma, a esquerda sofreu duros reveses, como a eleição de um Congresso mais conservador e a diminuição das bancadas do PT e PCdoB.

por Emir Sader em 23/11/2014 às 10:25



Emir Sader


Em meio a sofrida vitória da Dilma, a esquerda sofreu duros reveses. A própria vitória apertada é um chamado de atenção, que tem que recair sobretudo na falta de democratização dos meios de comunicação, erro fundamental do governo, que quase leva ao fim do ciclo de governos progressistas no Brasil.

Mas a seu lado há outros reveses significativos, como o de um Congresso mais conservador, de diminuição das bancadas da esquerda – do PT mas, pior ainda, a queda de 50% da bancada do PCdoB -, com a derrota de muitos importantes parlamentares de esquerda. Por mais que o financiamento privado das campanhas pese, ele teve o mesmo efeito da eleição anterior, mas o resultado é claramente pior, revelando uma perda de representatividade dos parlamentares da esquerda, como resultado do desgaste das campanhas da mídia, mas também de um  desempenho pioro do que o que existia anteriormente na defesa das grandes causas populares.

A derrota acachapante em São Paulo é a mais grave – pela sua dimensão e pela sua simbologia – entre todos os retrocessos da esquerda. Nao basta explicações menores, como erros pontuais da esquerda, desempenho capital do Alckmin nas prefeituras, etc. etc. Nada disso, junto, explica o tamanho do reves, que revela uma hegemonia tucana no maior estado do Brasil, daquele com movimentos sociais com mais trajetória, com presença de dirigentes com grande trajetória política, no estado de maior luta de classes do país.

 Deve-se apelar, pra começar a Gramsci, para saber como foi possível que a direita organiza-se uma hegemonia tão solida ao longo de duas décadas no estado que o maior nível de contradições de classe do Brasil. Análises concretas – sociais e culturais, além das políticas – são essenciais para dar conta de um fenômeno dessa proporção. E, claro, análise do PT, como partido.

O mesmo se pode dizer para o Rio Grande do Sul. Em Brasília, o mau governo do PT deve ter sido determinante, mas não basta pra explicar o forte antipetismo num lutar que, justamente pelo peso dos funcionários públicos, já foi um núcleo forte do PT.

É certo que as eleições municipais foram ruins pro PT e pra esquerda, mas ficaram escondidas pela vitória do Haddad em São Paulo e alguns outros resultados também em São Paulo. Mas em Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre, entre outros lugares, os resultados já foram muito ruins.

Os próprios paradoxos do governo federal – precisa avançar, mas se choca com correlações de força negativas no Congresso, no Judiciário, na mídia, na própria sociedade – dependem de análises mais profundas e urgentes das novas condições que se enfrenta a nível nacional.  

Tags: Política





Paulo Gilberto Klein - 30/11/2014
Vamos à autocrítica:

1º O PT começou a passar do ponto quando chegou aos cargos públicos e acreditou ter chegado ao Poder.

Lembro muito bem de fazermos panfletos coletivos na primeira eleição da qual participei, em 1986; Acreditava que era por convicção. Que nada, era falta de dinheiro mesmo. Com a eleição de vereadores e deputados, etc, o dinheiro aumenta, o "poder" também e isso começa a ser utilizado para superar posições contrárias dentro do próprio partido. Candidatos se eternizam (viram heróis, messias,como qualquer outro agente político da velha direita política; privilégios se criam e se mantém.

A militância vira um nº de telefone para onde se liga quando falta dinheiro para carregadores de bandeira, ou (essa é boa por que nos leva sempre): "para um debate mais qualificado" com a população.

Até o dia em que você se dá conta de que a reunião de "avaliação da eleição"/ derrota eleitoral numa prefeitura, é subterfúgio para lançamento de uma candidatura "comprometida com os trabalhadores" a deputado e etc e etc.

Infelizmente, este é um caminho sem volta. Estamos em um sistema capitalista, e o "maior partido de esquerda" (da AL e quiçá do mundo) se apequenou nas doações de campanha e (extra-campanha). Virou o que combatia: um partido que vive de eleições.

É o fim?! Aproveitemos esta maré social-democrata enquanto for possível, a menos que alguém aí do outro lado tenha disposição, solidariedade, fé ou coragem para ajudar a "refundá-lo", tornando-o mais solidário e respeitoso com as minorias internas, mais humilde ao ouvir a população trabalhadora na elaboração das políticas públicas, falar "com" ao invés de falar "pelo" povo?

Como diria aquele estadunidense de quem não lembro o nome: "é a economia, estúpido" tudo o que importa e não só no capitalismo, o dinheiro manda.

Mas sabe qual a piada em tudo isto? Justamente quando uma grande parcela dos setores mais privilegiados, reacionários, exploradores, racistas e preconceituosos do Brasil vem babando pedir o fim dos governos do PT, "nosso" partido (hoje ele é tão meu quanto um time de futebol) em sua práxis (ainda se usa esta palavra?) está cada vez mais parecido com os setores privilegiados, reacionários, etc e etc.

Ah, não é bem assim? Claro, estou exagerando. Basta ver as alternativas que o "nosso" partido construiu em termos de políticas de participação popular, administração transparente e, cereja do bolo, candidatos a presidente da República (vida longa ao Lula, "nosso" eterno e único candidato- gosto dele, mas o "nosso" aqui se explica por tudo que citei acima ).

Abraço a todas e todos e pt saudações.





Marcia Eloy - 30/11/2014
O problema é bem mais complexo. O Brasil tem que voltar a crescer. A presidenta tem que tentar,,, mas, se os empresários não quiserem investir e fizerem, como me parece que fizeram este ano, preferirem colocar seu dinheiro para render, fazendo uma espécie de guerra fria com o governo, nem se colocar o Papa no Ministério da Fazenda vai adiantar, embora fosse um excelente nome.


arlene laurenti ayala - 30/11/2014
Na cidade onde moro, Joinville/SC maior cidade de SC o PT venceu em 2008 com o apoio de 10 mil funcionários públicos. Em 2012 teve uma derrota assustadora e quem assumiu a prefeitura foi a ultradireita. O primeiro ato do prefeito petista à época foi propor aumento 0% para os funcionários municipais numa inflação de 5,6%. Funcionários q já têm seus salários baixíssimos quando comparado aos q trabalham nos órgãos estaduais e federais. Para piorar, não sentou para conversar com o sindicato durante os 49 dias de greve. Como virar as costas para seus eleitores e para 10 mil funcionários q estão diariamente em contato direto com a população da cidade? Entrou na justiça alegando ilegalidade da greve. Em síntese, após segmentos da cidade intervirem inclusive a igreja, em razão, da situação insustentável. O prefeito enviou um representante que negociou a inflação parcelada, descontou o dia de quem não repôs os dias parados, os funcionários de nível médio passaram a ganhar RS 800,00, foi desrespeitoso, truculento para com todos os trabalhadores públicos municipais. Além disso, no período em q foi governo cortejava sistematicamente a Associação do Comercio e Indústria, as construtoras da cidade, etc O PT JÁ NÃO É DE ESQUERDA A MUITO TEMPO.


venceslau alves de souza - 30/11/2014
"Fim do ciclo de governos progressistas no Brasil",

"perda de representatividade dos parlamentares da esquerda", "defesa das grandes causas populares", "correlações de força negativas no Congresso, no Judiciário, na mídia, na própria sociedade". Começo a achar que o autor considera o leitor um completo idiota!!! Ufa, como fiz bem em anular meu voto! Viva Levy!



Roméro Samuel Carneiro - 30/11/2014
Vi tardiamente seu artigo Emir,mas acho que ainda é tempo de comentá-lo.

Você diz que o PT necessita de críticas,mas quando vamos fazê-las o iPad misteriosamente trava,e quando não trava,nosso comentário não é editado;em muitos artigos não se permite críticas.

A crítica do comentando Roberto Danunzio não é uma crítica,mas um alerta,Danunzio,na minha opinião,esqueceu um item de extrema importância:A IMPUNIDADE DOS CORRUPTOS. Como pode um partido perder tanto em tão pouco tempo? Temos 4 anos para nos reabilitarmos,vamos parar com esta mania de perseguição,fazer do "Joaquim"e do "mané" bode expiatório e combater a vergonhosa corrupção e então o nosso partido voltará a crecer.

CARTAMAIOR,estava precisando deste seu artigo Emir,aliás,o PT estava precisando do seu artigo,e o PT,não esqueçamos é o Brasil. Vida longa pra você EMIR.


Antonio Augusto Ferreira de Brito - 29/11/2014
A autocrítica é fundamental.



A governabilidade a qualquer preço não convém e o PT não deve abrir mão de fazer política. Foi notória a omissão dos parlamentares petistas durante a intensa campanha midiática para desconstrução da Dilma, salvo poucas exceções, como a de Gleise Hoffman.



O partido precisa depurar seus quadros, livrando-se de políticos como Delcídio Amaral, autor de projeto de lei que pretende privatizar parte do Embrapa e outros claramente envolvidos com corrupção, sob pena de se tornar um novo PMDB, onde cabe qualquer um.


Mário SF Alves - 29/11/2014
Trecho do comentário do Roberto Danunzio :

"A situação é esta, meus caros, não é preciso ser um gênio da sociologia para saber porque o PT está perdendo em geral e quase perdeu o governo federal: não conta mais com boa parte do voto alienado e conta cada vez menos com o voto engajado, consciente, bem informado, isto é, o voto de esquerda. Pela construção de uma oposição à esquerda do PT e aliados, é nossa única saída. "

Questões a esclarecer:

1) Sobre quase perder o governo federal, não seria demais lembrar o jogo bruto e mesmo criminoso adotado pelos adversários contra a presidenta Dilma e contra o PT (inclua-se aí o estranho e inexplicado acidente com o jatinho [R$ 20 milhões] sem dono);

2) Se o governo e o PT fossem politicamente desastrados, decerto a presidenta Dilma não receberia o tal voto engajado, consciente, bem informado, assim qualificados, conforme se depreende do referido comentário.



E, seja como for, à questão posta pelo Emir Sader, que considero oportuna e imprescindível, cabe observar:



Considerando os recursos tecnológicos e a natureza e exposição da contradição social hoje dominante seria cientificamente possível afirmar que os povos do mundo ainda prescindem de uma vanguarda de esquerda?



Marcia Eloy - 26/11/2014
Vocês sabem que eu gostaria de ver o PSOL no poder. Queria ver o que ele iria fazer no mundo atual. Será que seria um novo "Podemos" ou teria que fazer uma Carta aos Brasileiros? Porque ser oposição é fácil, o problema é ser governo.


raul acuña - 26/11/2014
Professor Emir, Boa noite

A militante Nº 1 do PT fez a autocrítica mais valiosa. Sem discursos ou explicações fez a autocrítica na prática. Jogou no lixo o programa que apresentou na propaganda e nos debates e mostrou que estava equivocada, asim como todos aqueles que a apoiamos; Vai entregar o Ministério da Fazenda a um dileto aluno da Escola de Economia da Universidade de Chicago É um Chicago boy.seus formandos em postos de destaque acabaram com a os direitos sociais, emprego, salário, previdência social, etc. em Espanha, Grécia, Portugal e levou aos países de Europa a uma recessão e desemprego inéditas para manter os lucros do capital financeiro. O Senhor Levy fará o mesmo. No Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio o ex-Presidente da Confederação Nacional de Indústria, Senador Monteiro e no Ministério de Agricultura à Senadora Kátia Abreu cujo currículo o Senhor conhece. Na prática a Presidente fez uma autocrítica radical. Possivelmente deseja que todos os que a apoiamos esqueçamos dos direitos dos trabalhadores, emprego salário, auxílio desemprego, bolsas escolares, reajuste de salários e uma política digna e que modifique a injustiça gritante de nosso país. Como dizia o antropólogo famoso "tristes trópicos".


Hélio Trindade - 26/11/2014
Pois é Sr. Carlos Alberto Cardoso, o que eu escrevi anteriormente é bem isso aí que estás dizendo! Concordo plenamente! O PT chama os movimentos sociais, as lideranças sindicais, o MST, os trabalhadores, aposentados, servidores públicos,os estudantes, etc, etc, etc, e conclama todos a apoiarem o PT e sua candidata. Passada a eleição e a vitória de Dilma, ela chama todos os setores conservadores, oligarquias e coronéis para exercer o poder! Como já foi dito por aí: O PT adota a tática do violino, pegar o poder com a mão esquerda e tocar com a direita. Porém, a direita está pensando assim:" se é para tocar com a direita, então vamos com os nossos candidatos!" E como segurar a revolta daqueles que ajudaram o PT a "empunhar" o violino? Existia uma expressão dos militares:"o inocente-útil". Pois agora o PT tratou de resgatar aquela expressou e deu essa alcunha de presente para todos os que ajudaram a elegê-los.


Anildo leal Matsdorf - 25/11/2014
O apontamento é verdadeiro, e precisa ser ser analisado com imparcialidade... O tema "corrupção" detonou...


Marcia Eloy - 25/11/2014
São Paulo é um caso a parte, sempre foi um Estado retrógrado e rico e os ricos lutam para manter o status quo. O maior problema é a falta de comunicação do governo e da esquerda em geral. Não há um jornal da esquerdista, um canal de televisão com debates e palestras que convidem representantes da esquerda, etc...Na época que Paulo Henrique Amorim dirigia o jornal da Band, este ganhou o premio de melhor jornal da televisão e ele tinha um programa chamado "Fogo Cruzado", onde convidava um representante da oposição e um da situação, dava um tema e havia um debate, no final, os telespectadores podiam votar em quem melhor teria defendido o tema. Nada disto existe mais. Hoje só há jornal, com este, na internet e muitos nem sabem que ele existe...


Carlos Alberto de Sousa Cardoso - 25/11/2014
Creio que a primeira pergunta deveria ser para os líderes do pt que cobram da militância empenho na hora da eleição, mas passada a eleição nomeiam uma Katia Abreu para o ministério da agricultura. Isso é um tapa na cara dos movimentos sociais. Essa foi a última eleição que o pt contou com meu voto, pois de esquerda, esse partido só tem a letra morta no papel. E quem construiu esse antipetismo foi a própria truculência do pt ao longo dos anos tanto contra a direita, mas contra muitos partidos e movimentos de esquerda. Bastava uma crítica para ser trucidado.


Hélio Trindade - 24/11/2014
E o bom de tudo o que foi escrito é que Emir deixou de lado as explicações que falam nas ações da "mídia golpista". As respostas para as derrotas do PT encontram-se nas próprias contradições do partido. É dentro da máquina petista que se encontram os seus problemas. Agora ela chama o senhor Levy e a senhora Kátia Abreu para compor seu ministério. O PT utiliza essa massa do bolsa-família, do MST e intelectuais e artistas para ganhar os votos e chegar ao poder. Mas na hora de exercer o poder e governar, aí chamam todos os setores conservadores (banqueiros, ruralistas, empresários, etc). Depois, na época das eleições, os "representantes do povo" e os movimentos sociais serão chamados novamente. Como já foi dito com certa ironia: o PT é um partido de violinista: agarra o poder pela esquerda e toca com a direita!



Marivaldo Antunes Netto - 24/11/2014
Muito a propósito as suas colocações, Emir.

Está na hora de realizarmos um Encontro, Congresso, Seminário, qualquer coisa para que discutamos o que está acontecendo com o PT que está deixando de ser referência às esquerdas. Todo mundo tem uma percepção para o que está errado. Mas se cada um "atira para um lado", não teremos nunca unidade. E sem unidade, não se tem potência a partir das escolhas feitas. Mas, o mais importante é irmos para essas conferências com mente aberta, única forma de aceitarmos com altivez as precariedades (organizacional e ideológica) existente em nossa agremiação. Se não fizermos uma auto-crítica que altere nossa percepção do que realmente está ocorrendo, vamos eternamente ficar choramingando sobre a mídia golpista, como se ela fosse o único obstáculo a ser demovido. No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho.


Giovani Comerlatto - 24/11/2014
Eu já não tenho tanta certeza que Dilma venceu!!! Com Kátia Abreu e Levy no ministério....


Welling Sant - 24/11/2014
O PT e o PCdoB encolheram em representatividade nos parlamentos estaduais e federais devido ao discurso e a prática cada vez mais à direita.



O PSOL, por sua vez, duplicou a votação para presidência da República, duplicou o número de deputados estaduais, e aumentou de três para cinco na Câmara dos Deputados.



Se o PT continuar sua guinada à direita, o seu primeiro desastre eleitoral será experimentado nas próximas eleições municipais e o fechamento da cova será em 2018.


arquimedes andrade - 24/11/2014
Há muitos problemas não enfrentados, alguns:

1) comunicação frágil entre os governos de esquerda e a população;

2) o incentivo aos Núcleos de Base do PT ou Células do PC do B para debater o cotidiano e os projetos nacionais;

3) o incentivo à organização da juventude - o grande celeiro para formar novas lideranças;

4) a burocratização do Partido e a "aposentaria" política de muitos quadros por falta de incentivo a militância voluntária;

5) a formação permanente dos quadros do partido e dos movimentos sociais; e

6) um projeto claro de nação sem tergiversações. Ou melhor, o nosso horizonte é construir uma grande Suécia brasileira (Estado de bem estar social)? Precisa de uma estratégia e tática de reforma e revolução;

7) O PT no governo tem o dever de fazer o Orçamento Participativo sem medo de ser feliz. Discutir todo o processo de planejamento orçamentário como um dos meios para fortalecer o movimento social.

8) Fortalecer as mídias alternativas do campo democrático -popular; criar um jornal nacional progressista e desenvolvimentista a la Celso Furtado e outros;

9) romper com o capital especulativo, sem pátria, sem mãe e sem vergonha na cara. (...)

"É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho.De examinar com atenção a vida real, de confrontar nossa observação com nosso sonho, de realizar, escrupulosamente nossa fantasia" (Lênin).



Atenção: Agir escrupulosamente. Ter vergonha na cara e sem medo de ser de esquerda.



roberto danunzio - 24/11/2014
Número um, não nos esqueçamos que o PT está até hoje no comando em Brasília por causa de um líder carismático que precisou aparar a barba e vestir um terno e contratar um marqueteiro como outro qualquer para ganhar uma eleição. Este partido, depois que aprendeu, passou a trabalhar para o voto alienado. Achava que a ascensão social dos pobres ia garantir-lhe o voto de cabresto, só que o mesmo sujeito que recebe a bolsa família hoje é o pai daquela moçada que não vota em Dilma amanhã, sei lá, porque não gosta de seu penteado, e vota em Aécios, Alkmins e produtos similares porque gostou de seu ar tecnocrático de competência burguesa, igual ao da adversária, mas com um charminho a mais. Quanto à questão de perder em Brasília, grande berço do fucionalismo público, como diz o autor do artigo, Emir Sader não lê estes comentários e está por demais defasado com a realidade. Há, na prática, poucos funcionários públicos federais que votam no PT e se o fazem é por causa do terrorismo da ladainha do vai ficar pior. Só que para este trabalhador ficou cada vez pior, independente do governo. Até os panguás do PSDB negociavam com o funcionalismo de modo menos autoritário. O PT e aliados tratam o servidor em greve e os sindicatos independentes e combativos que os apoiam, tantas vezes, a contrapelo, digamos, da CUT, o PT e aliados tratam o trabalhador, o trabalhador que faz o estado, que é o estado (não funciona no automático, desculpem), trata de forma autoritária, cínica, usando todo tipo de truque sujo para demonizar o movimento grevista, com o apoio do PIG, claro. Esta é a realidade, leitor, do dito Partido dos Trabalhadores. Agora estão passando uma lei de greve no serviço público que praticamente extingue o direito sem nenhuma retribuição, por exemplo, garantia de data base, negociação coletiva, não, é só de um lado que a corda rompe, e vocês sabem que lado é este, ou não sabem? O nome disto é neoliberalismo, o nome disto é desmonte do estado. Assim é tratado o trabalhador público que eventualmente votou em Dilma. A situação é esta, meus caros, não é preciso ser um gênio da sociologia para saber porque o PT está perdendo em geral e quase perdeu o governo federal: não conta mais com boa parte do voto alienado e conta cada vez menos com o voto engajado, consciente, bem informado, isto é, o voto de esquerda. Pela construção de uma oposição à esquerda do PT e aliados, é nossa única saída.


bernardo fortunato costa - 24/11/2014
"Mas em Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre, entre outros lugares, os resultados já foram muito ruins."



Achei estranho essa frase. No rio de janeiro, por exemplo, o candidato era o atual prefeito tido como um aliado e foi eleito com 66% de votos. Pode-se considerar esse resultado muito ruim ? Pela votação recebida com certeza não, mas quando se lembra que o mesmo é um ex-oposicionista ferrenho, convertido ao PMDBismo vá lá. Mas essa foi a escolha do partido. Tem é que se arcar com as consequências dessas escolhas.


apolinario pereira - 24/11/2014
Tens razao emidir sader, lamentavelmente o povo que elegeu a dilma, esqueceu de eleger seus pares, deputados , senadores e governadores , no entanto, a gente tem que entender que a mídia fascista brasileira, fez uma campanha terrivel contra a dilma/lula e como a direitona financiada pela a elite brasileira, jornais, empresarios, tv revistas, tem um poder muito grande, prejudicou os candidados do pc do b e pt e ai entao, favoreceu todo um esquema fascista da direita em detrimento dos colaboradores de dilma/lula, e claro é triste, pois se o povo nao se deixasse levar pela opiniao imprensista e tivesse consciencia, votando em dilma teria que votar nos seus apoiadores, pt e pc do b. Mas vamos a luta!


Welling Sant - 23/11/2014
Em 2014 o PSOL dobrou a votação que teve em 2010 para a presidência da República, aumentou a bancada federal de três para cinco deputados e, nos estados, aumentou de seis para doze deputados estaduais.



Pelo que vemos, quem adotou um discurso e uma prática à esquerda, aumentou sua representatividade e, consequentemente, sua aceitação na população.



O PT e o PCdoB encolheram justamente por terem transitado mais à direita.



Contudo, tudo indica que o que cresceu mesmo foi o número de pessoas que não acreditam na via parlamentar ou, pelo menos, nos atuais partidos políticos.


Jerdeson Soares da Silva - 23/11/2014
Caro professor, vc vem falar de autocrítica depois de 12 anos. Deveria nos respeitar. Eu fiz autocrítica e a consequência disso foi abandonar o PT. Com um autocrítica séria o PT ficaria com poucos afiliados. Olha a Kátia Abreu aí gente.


Paulo Henrique Tavares - 23/11/2014
Para mim, a questão central passou pela área de comunicação do governo. Deixou rolar solto a versão das elites e tivemos de nos esforçar muito para reverter a quase derrota.

Lembro que o discurso da "ética" já estava consolidado nas bocas da classe média, mesmo pessoas que antes votavam no pt.

Em SP a questão também passa pela criminalização do pt, que teve suas principais lideranças presas, e quase todas de SP.

Enfim, eu não sei exatamente a razão do avanço do campo conservador, mas também não vejo o fim do mundo.

No voto, apesar de todas as manipulações e, pela primeira vez, juntar tudo que não presta do lado deles, vencemos.

Acho que esta vitória tem bastante significado. Porém, não podemos deixar de admitir que estamos enrurralados pela direita (hoje) e a culpa é exatamente o governo não ter enfrentado as mentiras e manipulações no tempo certo.

Talvez esta seja a lição que tomamos, espero que o governo aprenda.


Zenio Silva - 02/12/2014
O PT deu uma de fhc quando afirmou que era para esquecerem o que ele havia escrito! O PT ficou igual aos partidos que combateu... Uma pena!


Lúcia Maria Ribeiro Alves - 01/12/2014
Mesmo com a existência dos problemas apontados, não justifica a diferença tão pouca no resultado. Quem um dia votou ou defendeu o PT é inadmissível pensar em votar no PSDB. Só desconhecendo História.

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