Quinta-Feira, 22 de Junho

29/10/2014 - Copyleft

Esquerda latinoamericana se consolida

O Uruguai deve reafirmar continuidade de governos pós-neoliberais na região, em 30 de novembro, fechando vitoriosamente para a esquerda ciclo eleitoral de 2014.

por Emir Sader em 29/10/2014 às 16:01



Emir Sader


Falou-se muito, nos últimos tempos, de um eventual esgotamento do ciclo de governos progressistas da América Latina. Dificuldades reais vividas por países como a Venezuela e a Argentina, somada a uma diminuição do ritmo de expansão das economias da região, alimentaram essas especulações.

O calendário eleitoral deste ano poderia ser um teste para saber do vigor desses governos. O ano começou com a posse de Michele Bachelet, que derrotou a Sebastien Piñera, no Chile. Em seguida a Frente Farabundo Marti elegeu o presidente de El Salvador. Já em outubro Evo Morales se reelegeu no primeiro turno. Agora Dilma se reelege e o desempenho de Tabaré Vasquez no primeiro turno o torna favorito para dar continuidade aos governos da Frente Ampla no Uruguai.

No Uruguai também se especulava sobre um desgaste da Frente Ampla com o passar do tempo, com uma votação do Tabaré que ficaria abaixo da soma dos dois principais candidatos da oposição, que ainda que ganhasse a Frente já não teria maioria no Congresso. A juventude do principal candidato opositor era contraposta à idade de Tabaré, para apontar para um voto de gerações mais jovens, que seriam seduzidas por Luis Lacalle.

As urnas desmentiram essas previsões. Tabaré teve 48% dos votos no primeiro turno, roçando a maioria absoluta e chega ao segundo como franco favorito. A Frente Ampla renovou sua maioria na Câmara e no Senado. E, como espelho significativo da evolução ideológica da sociedade uruguaia sob o governo de Pepe Mujica, apesar da oposição ter conseguido aprovar um referendo sobre a diminuição da idade penal de 18 para 16 anos, aproveitando-se de um clima desproporcionalmente voltado para temas de segurança pública, para forçar o tema como um dos centrais da campanha eleitoral, a maioria se opôs a essa redução.

O mandato de Tabaré pode ter nuances distintas do governo de Pepe Mujica. Já na campanha eleitoral essas diferenças afloraram. Tabaré revelou que pretende fazer uma avaliação da lei que legaliza o consumo de drogas leves, depois de um certo tempo de sua posta em prática, para decidir da sua continuidade ou não.

Durante a campanha também Tabaré criticou o que considerou um duplo comando na politica economica do governo de Mujica. Este respondeu, negando essa dualidade, ressaltando que o seu é um governo plural, onde distintas opiniões podem se manifestar. Tabaré, por sua vez, já anunciou que seu ministro da economia será de novo Danilo Astori, como no seu primeiro mandato, com suas orientações relativamente conservadoras em relação aos temas centrais da economia.

Mas onde os matizes podem ser mais marcados é na politica exterior do governo de Tabaré, com uma busca de acordos alternativos, que não façam o Uruguai depender tanto do Mercosul. Já no seu primeiro governo o Uruguai se propôs a ter um Tratado bilateral de Livre Comercio com os EUA, paralelamente ao Mercosul, mas o comando deste reiterou que o Mercosul é incompatível com Tratados de Livre Comércio.

No entanto, o Uruguai também deve reafirmar a continuidade dos governos pós-neoliberais na região, no dia 30 de novembro, fechando vitoriosamente para a esquerda o ciclo de eleições de 2014. A grande disputa de 2015 serão as eleições gerais na Argentina, em outubro do próximo ano.

Tags: Internacional,  Política





José Arigo da Silva - 31/10/2014
Oh, Emir, Dilma de esquerda?

Só diante do espelho.


José Arigo da Silva - 31/10/2014
Senhoras e senhores, não há duvidar. A Dilma é de direita, tucana, neoliberal. Isto indica sua praxis. Quem pode duvidar? Trabalha com a tesoura: corta, corta, corta. Contingencia. Nunca completou um gasto, já o cortou antes. E agora, suprema glória, imitará o seu ídolo FHC: corta verba do Exército e, tal qual fazia seu guru tucanão, manda a força almoçar em casa e dispensa o expediente da tarde. Possível guerra agora só até o meio dia. Os militares só são soldados até o meio-dia. E, antes, a reforma da Previdência Pública lançou os funcionários entrando agora numa aposentadoria miserável e criou um enorme fundo financeiro para o gozo do Sistema Financeiro, o verdadeiro cliente do governo, que governa para ele, lhe dedicando a metade do orçamento, enquanto Pessoal só consome 10% do mesmo orçamento. E só há Lei de Responsabilidade Fiscal para gastos com estes 10% de Pessoal. Tucanos horrorosos nunca mais.


Irany Cabral - 31/10/2014
Olá Professor!



Precisamos elaborar uma boa crítica sobre os votos contra a Política Nacional de Participação Social. Informar de forma crítica o que é, porque é essencial e porque os poderosos (oposição) querem derrubá-la. Se possível, publicizar de forma ampla antes da votação do senado. Acredito que o artigo poderá contribuir para uma mobilização ampla da população para aprovação da PNPS no senado.


Renato Luiz Menze - 31/10/2014
"Hay que endurecerse, pero sín, perder la ternura jamás!" Isto que tenho a dizer, porque a luta é contínua.


arquimedes andrade - 31/10/2014
A eleição de Dilma vai acelerar o ciclo de desenvolvimento no MERCOSUL e as interfaces com os BRICS. Combinando o desenvolvimento com políticas públicas inclusivas. E certamente a eleição de Dilma terá forte impacto na vitória da Frente Ampla no Uruguai. Passo a passo vamos criando uma AL livre do neocolonialismo monetário

e eliminando nosso grande inimigo: as desigualdades sociais e regionais. E também uma relação com mais soberania e debates em condições de igualdade. E mais: vamos colocar na pauta a militância voluntária, a única capaz de fazer os movimentos sociais e populares da zona de conforto e enfrentar os novos desafios, principalmente o "centrão" no congresso nacional.


roberto correia matos - 31/10/2014
Os sul americanos devem manterem-se distantes dos tacanhos governos neoliberais subservientes aos interesses imperialistas e colonizadores


Krishna Neffa - 29/10/2014
Caro professor,

as eleições de representantes pós-neoliberais renova minha crença nas forças populares.

Fortíssimo abraço.


Marcia Eloy - 05/11/2014
á pessoas que não são nem de esquerda, nem de direita, são a favor deles próprios.


José Arigo da Silva - 04/11/2014
(continuação)

6.Dilma -- aí repetindo Lula -- não regulou a imprensa oligopolizada também e que diz o que quer, ofende Deus e o mundo e por nada é responsabilizada. Pior: ainda paga uma fortuna à VEJA pra mentir a falar mal do governo. Vi por acaso um site que dava em 2011 a bagatela de 11 milhões de Reais do governo para a VEJA em publicidade. Que é isto? Não tem coragem de cortar, porque seria chamada de "bolivariana", mesmo sendo Bolivar um herói ?Quando disseram a Mino Carta que sua revista "Carta Capital" era imprensa chapa branca -- ele sempre apoiou o PT -- ele respondeu que não. Ele recebia só 150 mil do governo. Chapa branca era a VEJA que recebia milhões.

7) Não seria de direita quem mantém constante ameaça às Carreiras Públicas, arrochando salários e acabando com data base para discutir salários?

8) Não seria de direita quem quer acabar com muitos serviços federais, passando-os para estados ou municípios? Prejudicando as carreiras do pessoal e acabando com a efetividade da Instituição, como FHC-COLLOOR por exemplo, acabaram com uma Instituição até então exemplar em Saúde Pública, a Fundação SESP, de grandes serviços prestados enquanto federal, que ajudou demais na saúde nossa e que ao ser municipalizada foi simplesmente liquidada?

Dilma e o PT não anularam isto. Estão devendo.

9) Não seria de direita quem paga 50% do Orçamento ao Sistema Financeiro e só 10% com Pessoal, ativo, aposentado, pensionista, civil, militar? E desse Orçamento tira apenas 22% para suplementar a aposentadoria em geral, do INSS. e que mantém estas proporções ad aeternum?

( continua)


José Arigo da Silva - 04/11/2014
(continuação)

10) Não seria de Direita quem não tem coragem de mexer na aposentadoria, fazendo-a o que deve ser, uma despesa do Governo, do Tesouro, independente de outras receitas especiais? E pagar boa aposentadorias, i.e., iguais ao que o aposentado ganhava na vida ativa, sem estes descontos miseráveis? Por que não usar na aposentadoria o "Sistema de Repartição", em que os atuais ativos pagam a conta do atuais aposentados, em vez de usar o "Sistema de Capitalização" que leva à formação de grandes fundos de reservas que o Sistema Financeiro primeiro usa, alavanca, aproveita e só depois, missão secundária, malpaga aos apsentados?

11) Não é de direita quem , como os tucanos, dividiram os funcionários em dois tipos1) os que tem reajustes anuais da inflação ( Carreiras de Estado) e 2) os que acumulam perdas inflacionárias ano a ano, ad aeternum (outras carreiras). Para os tucanos em FHC eram carreiras de Estado ( não há Lei que a defina, pois por definição todos os funcionários o são): Advogados da União, Policiais Militares, Juízes. Só aqueles que poderiam criar problema ao governo. Nada para professor, pesquisador, jornalista, cientista, economista, enfim, qualquer outra profissão, mesmo sendo de Carreira de Estado. todos os funcionários públicos. Pois bem, o PT e Dilma conservaram esta maldade dos tucanos.

12) Não é de direita quem mantém como está -- Deus me perdoe se já resolveram, mas nada ouvi falar -- o caso dos aposentados do BANESPA? Privatizado o BANESPA , o SANTANDER, banco do colonizador espanhol que o comprou, recebeu milhões em títulos do Tesouro Nacional para pagar mês a mês a complementação das aposentadorias dos aposentados do BANESPA. O rendimento seria suficiente para pagar tais complementos durante toda a vida dos aposentados. No começo, pagou. Depois, de repente deixou de pagar e se apropria indevidamente do rendimento dos títulos.



Aí estão uma dúzia de fatos terríveis. Deve haver mais similares. Mas fiquemos por aqui, torcendo para que nossa Presidente corrija estas e outras.

Queremos isto do fundo da alma e do coração. Oramos a Deus todo o dia por isto. Temos Esperança. Como temos o Esperanto.

Mas sabemos que há que reagir. Doutro modo, só Deus sabe o que pode acontecer. Veja que a eleição presidencial terminou quase empatada. Lula deixou o governo com um grande capital de aprovação. 80%. Num período só tal capital foi desperdiçado. Por políticas de direita. Para 2018 pode ter sido destruído o resto do capital. E Lula teria dificuldade de voltar, se assim ele pretende. Aliás, -- e isto seria outra história e outra postagem aqui, -- Lula se prejudicou por demais e prejudicou o Brasil na mesma proporção por escolher mal como quê gente com quem trabalhar. Roberto Jefferson, a quem daria um cheque em branco e que criou o Mensalão. Paulo Maluf que não deve ter ajudado em eleições em São Paulo. E a nossa cara, amada e ótima presidente Dilma, que seria e foi ótima assessora. Mas jamais poderia liderar a nação. Coitada, ela tem qualidades, mas não as necessárias para Presidente. Data venia e salvo melhor juízo.

(fim)



José Arigo da Silva - 04/11/2014
Amigos, com todo o respeito ao conterrâneo Richard Lamas, respeito e amor que todos nós devemos uns aos outros, pois "há que amar ao próximo, como a si mesmo". Respeito e amor que todos nós devemos a Dilma Rousseff, nossa ilustre presidente eleita e reeleita.



Mas venhamos e convenhamos. Com respeito e amor aos fatos e suas versões, não seria "de direita" quem:

1. Recebe o dólar a R$.1,73 e o bota a R$.2,50, de vez?

2.Em vez de ressuscitar a EMBRATER-Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (sucessora do Sistema ABCAR), a coirmã da EMBRAPA (ambas criadas no regime militar) e fechada por Collor de Mello em pleno delírio neoliberal do Consenso de Washington faz é criar uma "Agência de Extensão Rural"? As Agências são monstrengos tucanos, que não seriam Executivo, nem Legislativo, nem Judiciário, inaugurariam pois um novo Poder ainda não descrito. E, contradição suprema, seria a estatização necessária para funcionar a desestatização da Privatização-Doação-Desnacionalização tucana.

3.Quem da noite pro dia, com todo apoio dos "par(lamentares)" impõe Lei que acaba a aposentadoria integral dos funcionários públicos estatutários que não têm FGTS? E faz exceção para os Militares (Oh, mais uma atitude comunista desse povo). E quem mais ficou de fora? Só Deus sabe.

4.Alguém que ao negociar a Banda Larga do espectro eletromagnético deixa tudo a cargo das telefônicas provenientes da privatização tucana, qual seja o oligopólio OI-CLARO-VIVO-TIM, ineficiente, careiro, maiores tarifas do mundo, tanto assim que 80% dos celulares são pré-pagos, inclusive o que me deram -- pois meu mesmo não compraria, não gosto de ser roubado -- já que ninguém aguenta as contas pós-pagas, roubadas ou roubantes. Lula, no final do seu governo começou a negociar e faria entrar uma estatal para concorrer com o oligopólio. Dilma eliminou isto. Confiou só no oligopólio. E enfiou no povo.

5.Quem como Dilma acabou as viagens diplomáticas Sul-Sul, em geral, que Lula fazia?

(continua)



/


José Arigo da Silva - 02/11/2014
Prezado Richard Lamas, sim. sem dúvida, Dilma preservou os Bancos oficiais. Ainda bem. Mas alguém de esquerda decente não faria as tucanagens dela. Pelo amor de Deus, vc acha pouco o que ele fez.? E, infelizmente, vai fazer neste segundo mandato. E que virá depois? Que Deus nos proteja! Só Ele. O tempora, o mores.


Richard Lama - 01/11/2014
Dilma e esquerda, sim, Jose Arigo da Silva. A direita iria privatizar o BC e outros bancos publicos, esqueceria o BRICS e o Mercusul, acabaria com a participacao popular, o desemprego voltaria (e a miseria)...


Tahia Sarapo - 01/11/2014
A esquerda está ganhando em bloco .

Nem é preciso desenhar,se alguns pensam que Dilma é um simulacro de esquerda apresente propostas.


Amauri Spadari - 01/11/2014
ai, ai... não sei se o Emir é um sonhador ou um hipócrita mesmo.


João Netto - 01/11/2014
Qualquer um(a) que não seja ligado(a) à organização tungana et caterva fascista do Demo... Pode -se dizer de esquerda no Brazil. O resto são os PSOL & PSB da vida, mais o Aloyzo fazenda de R$ 1 Real cada uma...

PARCERIAS