Quinta-Feira, 22 de Junho

18/09/2014 - Copyleft

Neoliberalismo no Brasil, Capítulo III: Marina

Os dois primeiros capítulos do neoliberalismo no Brasil se deram no auge desse modelo em escala mundial. O projeto da Marina seria de um neoliberalismo tardio.

por Emir Sader em 18/09/2014 às 05:38



Emir Sader


“O projeto neoliberal nunca foi tão claro como com a Marina.” (Dilma)

Capitulo I: Fernando Collor de Mello

O neoliberalismo chegou no Brasil no projeto do Collor. Seus carros-chefes midiático foram:

* os “marajás”, como forma de desqualificar aos servidores públicos e ao Estado em geral, estendendo a eles a situação de alguns privilegiados, para atacar o Estado e promover a centralidade do mercado;

* as “carroças”, como forma de promover a abertura do mercado nacional, desqualificando a produção brasileira e exaltando a globalização neoliberal.

A economia brasileira entrou numa profunda crise recessiva, como resultado de uma política aventureira, que confiscou as poupanças dos brasileiros. Foi o começo do escancaramento do mercado interno e a quebra das indústrias brasileiras diante da avalanche de ingresso de capitais estrangeiros. O Estado começou a ser desarticulado, pela adoção de políticas de privilégio do mercado.

Mas a queda de Fernando Collor se deu pelas denúncias de corrupção, como parte do saque do Estado. Deixou apenas começado o projeto neoliberal no Brasil.

Capítulo II: Fernando Henrique Cardoso

FHC retomou o projeto interrompido do Fernando Collor. O Plano Real foi a forma concreta de privilegiar o ajuste fiscal, tomando como objetivo central do seu governo a estabilidade monetária, o combate à inflação.

Nessa sua segunda versão, a estabilidade monetária promoveria distribuição de renda e retomaria o crescimento econômico, pela atração de capitais externos. O controle da inflação se transformou em dívida pública, que foi multiplicada por 10, enquanto a estabilidade monetária não se traduziu em distiribuição de renda mas, ao contrário. A centralidade do mercado, a abertura ao mercado internacional, o desmonte do Estado, a precarização das relações de trabalho, acentuaram a desigualdade e a exclusão social.

O governo FHC foi derrotado pelo seu fracasso até mesmo em controlar a inflação, deixando uma herança maldita para o governo Lula, incluindo uma profunda e prolongada recessão. Os candidatos do seu partido foram sucessivamente derrotados, como expressão do fracasso do governo neoliberal de FHC.

Capitulo III: Marina Silva

Marina ocupa o lugar do tucano Aécio, que já havia demonstrado que pretendia assumir o projeto interrompido de FHC, incorporando a equipe ecnonômica daquele governo. Sua iminente derrota e um acidente aéreo – de contornos obscuros – levou a que Marina Silva assumisse esse projeto.

Seu objetivo expressamente mencionado seria desalojar o PT do governo, mediante uma “nova política”, que na verdade se traduz na desqualificação do Estado e da política, assim como da polarização entre esquerda e direita.

O enunciado do seu programa contém postulados clássicos do neoliberalismo: independência do Banco Central, mudança da política de integração regional pela de livre comércio – expressa na Aliança para o Pacífico -, com a particularidade de rebaixamento do perfil do Pré-sal, como forma de abertura aos capitais estrangeiros na área petrolífera.

Esse projeto trata de não incorrer no erro de Aécio Neves, procurando revestir o projeto no envoltório de uma “nova política”, mas os traços neoliberais ficam perfeitamente à vista. Se faltasse algo, a equipe central da campanha é composta por uma banqueira e dois ideólogos típicos do neoliberalismo.

Os dois primeiros capítulos do neoliberalismo no Brasil se deram no auge desse modelo em escala mundial e latino-americano. O projeto da Marina seria de um neoliberalismo tardio, tendo fracassado no Brasil, na América Latina e no mundo.

Tags: Política





Ricardo Berçot Barroso - 23/09/2014
Algum comentário a repeito da Petrobras? De Pasadena? Instituto Brasil (BA)? Walter Pinheiro? Nelson Pelegrino? Jaques Wagner? Afonso Florence? Vicente Neto? Rui Costa? Ceveró? Graça (?) Fortes?.... A Papuda vai ficar pequena.


Ricardo Berçot Barroso - 23/09/2014
Emir você escreve esses delírios sozinho ou tem ajuda de alguém? Me falaram que você delirava, mais não imaginava que fosse nesse nível. Seu blog é muito ruim!


Saint Clair Ligorio - 20/09/2014
Querem transformar o povo brasileiro em uma criança birrenta e inocente - assim já o fazem, um apito plin-plin dentro de um espelhinho oval, uma balinha e um pirulito de letrinhas lhes acalma. Marina Silva está igualzinha à vassoura de 1960 e ao caça marajás de 1990, só que de saia e colar de índio. Se o povo não abrir os olhos voltaremos a ser capacho da corporatocracia norte-americana - gritaremos desesperados pela s ruas: o petróleo é nosso; e a corrupção da Petrobras..., ah! essa já não será mais conosco. O picadeiro do circo sem lona está pronto: a "nova política" baseada no discurso do emocionalismo pela voz aguda é o tema principal do espetáculo. Não há projeto nacional, não há nada, só blá blá blá, apito plin-plin e o apelo à birra dos inocentes. No final vamos ficar com o palito, entre os dedos, do pirulito que acabou e ouvindo os plin-plin do espelhinho oval.


jose carlos lima - 20/09/2014
Esse texto do Emir Sader deveria ser lido no programa de Dilma na TV, pois servia de alerta há muitos eleitores, já vi universitários pasmos quando lhes disse que o programa de Marina é o neoliberal, muito não sabem disso e o tempo é pouco para o povo ficar sabendo, o texto é curto, claro e certeiro, dá pra ser lido sim,


jose carlos lima - 20/09/2014
A leitura que Marina Silva & Setubal faz do Brasil é uma fraude gigantesca



http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Discurso-do-medo-uma-ova-/31823


vinícius vitoi silva - 19/09/2014
Roberto Danunzio, bom dia.



O governo Dilma foio que mais investiu no IBAMA deste a fundação daquele Instituto.



Quanto ao questão indígena, trata-se de um tema delicado que merece ser discutido fora do calor político eleitoral. Foram séculos de massacre das populações tradicionais que levam ao atual posicionamento de setores conservadores em relação a questão indígenas.


roberto danunzio - 18/09/2014
Desqualificar o serviço público, professor Leblon, é um carro chefe das políticas de todos os governos "democráticos" pós constituição 1988. Nenhum jamais cumpriu o dispositivo constitucional que prevê reajuste anual da remuneração dos servidores federais na data base. Todo trabalhador deve ter seu salário preservado e no caso isto está inclusive colocado na lei maior do estado brasileiro. Simples: "descumpra-se". Todos os governos pós constituição de 88 combateram ardentemente as greves do serviço público, colocando a população contra o servidor e os sindicatos com a ajuda feliz da grande mídia. Dilma Roussef agravou este quadro. Nunca um governo jogou tão sujo contra os sindicatos independentes e contra o servidor em greve, pegando carona na demonização promovida pela mídia para forçar a política do reajuste zero, porque precisa destinar o salário não reajustado do trabalhador para encher o bolso já abarrotado da aristocracia financeira. E as pressões de usineiros, latifundiários e empreiteiras sendo maior do que nunca durante o governo Dilma, ocorre um desmonte jamais visto do Ibama e da Funai e está a galope também a destruição de uma tradição de competência do IBGE. Não estou nem falando dos setores que enfrentam problemas crônicos há décadas e continuam sofrendo. Ah, mas precisamos de tempo! Ah, mas são muito fortes as forças contrárias? Pois bem, passaram-se doze anos, tempo mais do que suficiente, por exemplo, para vitalizar a Funai, para fazer justiça aos povos indígenas e promover, na medida do possível, a preservação ou a adaptação inteligente de sua imensa riqueza cultural. Pergunto: existe uma linha sequer do projeto de governo de Dilma para o próximo mandato que fale na revitalização do Ibama e da Funai? Portanto, meu caro, se quer se pretender mais isento do que os calhordas do PIG, deve informar ao leitor de que o partido que o senhor apóia também participa, de algum modo, no projeto neoliberal de desmonte do serviço público, faça-me um grande favor. Ou então desista da tarefa de informar poque não se informa bem quando se defende subrepticiamente, através da mistificação, os grandes interesses que estão por trás de todos os candidatos "de elite".


Krishna Neffa - 18/09/2014
Marina é a contramão da história.


Victor Emanuel Giglio Ferreira - 18/09/2014
A independência do Banco Central se trata de um verdadeiro golpe, que retira drasticamente os poderes da presidência da república na área econômica, impedindo o presidente eleito de sequer dar palpite sobre a taxa de juros (que o próprio tesouro tem que pagar aos rentistas), a dívida pública, a emissão monetária, os depósitos compulsórios, câmbio, etc. Esses poderes fundamentais seriam outorgados a um funcionário não eleito. Significaria, na prática, uma volta às eleições indiretas. Essa independência do Banco Central (na prática uma quase volta às eleições indiretas) é um astuto golpe político que os poderosos rentistas querem praticar, de modo a, retirando poderes da presidência, impedir que qualquer novo governo eleito venha no futuro reduzir o famoso bolsa juros, verdadeira corveia moderna, que todos os cidadãos são obrigados a pagar aos novos senhores feudais financeiros, através dos governos, em todo o Ocidente, que está regredindo do capitalismo a um neo-feudalismo. Mais, embora eu não seja nenhum entendido em direito constitucional, é bem provável que essa pretendida independência do Banco Central seja, na verdade, inteiramente inconstitucional, em vista de estar retirando drasticamente os poderes da presidência da república na área econômica, provocando na prática graves alterações na função e no equilíbrio entre os poderes institucionais. Portanto, só poderia ser implantada mediante reforma constitucional ou assembleia constituinte.


Orlando F. Filho - 18/09/2014
Penso que o PT deve lembrar na campanha quem foi Marina e o que ela representa hoje, isto é, quer reimplantar um projeto que fracassou no mundo inteiro, como foi citado aqui. O pior não é isso mas ouvir essa mulher manipular seus argumentos tentando ligar o mensalão a Dilma, o que não pegará pois o povo sabe que Dilma deu bilhete prá todos os envolvidos que estavam em seu governo, e ela já declarou várias vezes que não será conivente com corruptos. Então, Marina vai ter que enfiar a violinha no saco porque hoje os tempos são outros e ela ainda vive de um passado, ou melhor, quer reviver um passado tenebroso acontecido na era fhc(bem minúsculo). Sem programa próprio socialista, pois é uma ironia um partido socialista abraçar um programa neoliberal e não é a toa que muita gente torce o nariz para essa mulher.


Orlando F. Filho - 18/09/2014
Puxa pessoal, como esse danunzio é chato!!! Pô, o cara não muda o disco!! Tá loco. Dizer que Dilma é conivente com o projeto neoliberal é tão idiota que não merece comentários. O tontão, um presidente governa para todos os brasileiros, inclusive para os neoliberais. Agora ficar minimizando os avanços dentro de um capitalismo brasileiro que sabemos é muito mais excludente que os eua, por favor. Putz, danunzio vc deve estar meio gagá. Os indígenas, os quilombolas são ativos politicamente e, pode ficar sossegado, que eles saberão conquistar seus objetivos. Chamar o povo de eleitor alienado!! Quanta arrogância, hein. Depois vc fala da "elite" e vc está fazendo a mesma coisa que ela, isto é, discriminando as pessoas que não são tão alfalbetizadas politicamente mas tem muita sensibilidade para saber quem os está enganando. Danunzio, vai tomar sopinha de ervilha tá.

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