Quinta-Feira, 22 de Junho

13/10/2014 - Copyleft

O que os EUA querem do Brasil?

Tudo o que os EUA querem é que o candidato da oposição faça retornar o modelo de governo de FHC e a política de subserviência aos interesses de Washington.

por Emir Sader em 13/10/2014 às 04:59




A intensa disputa eleitora no Brasil voltou a colocar em discussão o tema dos interesses dos EUA no continente. Isolado com o projeto da Aliança para o Pacifico, seus interesses voltaram a aparecer mais claramente com os dois candidatos da oposição no Brasil: Marina e Aecio

Prioridade de acordos bilaterais – claramente, em primeiro lugar, com os EUA – debilitando os projetos de integração regional – do Mercosul à Celac, passando pela Unasul, em primeiro lugar. Isto é, mudança radical da inserção internacional do Brasil que, ao se mover, com o peso que adquiriu, significaria a maior mudança nas relações políticas regionais desde a eleição da série de governos antineoliberais ao longo da primeira década do novo século.

No plano interno, uma virada radical para políticas de mercado, com um duro ajuste fiscal, que enfraqueceria o papel do Estado. Armínio Fraga, o guru do Aécio, disse as coisas mais significativas da campanha eleitoral: que o salário mínimo é muito alto no Brasil, brecado a retomada do desenvolvimento. Que um certo nível de desemprego é “saudável”. Que os bancos públicos crecesceram excessivamente.

Todas afirmações que soam como melodia aos ouvidos do governo dos EUA, da ortodoxia neoliberal, de organismos internacionais como o FMI e o Banco Mundial, do lobby midiático mundial.

Seria uma grande virada da economia brasileira, similar à que se deu no governo FHC, com a diferença de que, naquele momento havia realmente um descontrole inflacionário, enquanto agora a inflação está sob controle, menos da metade da deixada por FHC para o Lula. Mas faz parte da campanha de terrorismo midiático da direita gerar a imagem do risco inflacionário.

Seria uma virada claramente conservadora, neoliberal, antipopular, entreguista, sob todos os pontos de vista. O risco serve para reafirmar aos que duvidavam, como os interesses da politica externa brasileira se chocam frontalmente com a politica externa dos EUA e como o modelo de desenvolvimento economico com distribuição de renda é contraditório com os interesses do grande empresariado brasileiro.

Os andamentos da campanha eleitoral brasileira reafirmam como o grande empresariado em bloco não apenas se opõem, mas se jogam inteiramente contra o governo, como se ve pela oscilações da Bolsa de Valores de São Paulo, conforme as possibilidades do candidato da oposição – segundo a percepção deles – aumentam ou diminuem. Como os porta vozes da grande mídia nacional e internacional, os do FMI, de Washington, nao deixam de expressar confiança e esperança na candidatura que defende expressamente seus interesses.

Tudo o que os EUA querem é que o Brasil mude radicalmente de política, de inserção internacional, de modelo economico, de discurso politico, de alianças na região e no mundo. Tudo o que os EUA querem é que o candidato da oposição faça retornar o modelo de governo de FHC e a política de subserviência em relação aos EUA.

Tags: Internacional,  Política





Fernando de Mattos - 20/10/2014
Caro John Cowperthwaite,

Somente no caso de que seu comentário esteja fundamentado na ignorância dos fatos e não na desonestidade intelectual, quando não há outra resposta possível senão o desprezo, segue uma lista de 35 ações americanas em países estrangeiros, incluindo o nosso Brasil, onde o desrespeito à auto determinação dos povos e os interesses econômicos são ingredientes centrais da sua política externa. http://outraspalavras.net/posts/os-eua-e-a-democracia-discurso-esfarrapado/



De William Blum, um americano crítico à política externa de seu país:

"Primeiro eu pediria desculpas %u214 publica e sinceramente %u214 a todas as viúvas e órfãos, os empobrecidos e torturados e todas as milhões de vítimas do imperialismo norte-americano. Depois eu anunciaria que todas as intervenções globais dos Estados Unidos %u214 inclusive os terríveis bombardeios %u214 teriam fim. E informaria Israel que o país deixaria de ser tratado como um estado da União, mas %u214 estranhamente %u214 como um país estrangeiro. Depois eu reduziria o orçamento militar em pelo menos 90% e usaria o dinheiro para pagar reparações às vítimas e reconstruir os danos das invasões e bombardeios norte-americanos. O dinheiro seria suficiente. Sabe qual é o orçamento militar de um ano dos Estados Unidos? É mais que 20 mil dólares por hora para cada hora desde que Jesus Cristo nasceu. Isso é o que faria em meus primeiros três dias na Casa Branca. No quarto dia, eu seria assassinado".


Fernando de Mattos - 20/10/2014
Caro John Cowperthwaite,

Somente no caso de que seu comentário esteja fundamentado na ignorância dos fatos e não na desonestidade intelectual, quando não há outra resposta possível senão o desprezo, segue uma lista de 35 ações americanas em países estrangeiros, incluindo o nosso Brasil, onde o desrespeito à auto determinação dos povos e os interesses econômicos são ingredientes centrais da sua política externa. http://outraspalavras.net/posts/os-eua-e-a-democracia-discurso-esfarrapado/



De William Blum, um americano crítico à política externa de seu país:

"Primeiro eu pediria desculpas %u214 publica e sinceramente %u214 a todas as viúvas e órfãos, os empobrecidos e torturados e todas as milhões de vítimas do imperialismo norte-americano. Depois eu anunciaria que todas as intervenções globais dos Estados Unidos %u214 inclusive os terríveis bombardeios %u214 teriam fim. E informaria Israel que o país deixaria de ser tratado como um estado da União, mas %u214 estranhamente %u214 como um país estrangeiro. Depois eu reduziria o orçamento militar em pelo menos 90% e usaria o dinheiro para pagar reparações às vítimas e reconstruir os danos das invasões e bombardeios norte-americanos. O dinheiro seria suficiente. Sabe qual é o orçamento militar de um ano dos Estados Unidos? É mais que 20 mil dólares por hora para cada hora desde que Jesus Cristo nasceu. Isso é o que faria em meus primeiros três dias na Casa Branca. No quarto dia, eu seria assassinado".


John Cowperthwaite - 15/10/2014
Querida Marcia, vejo que você compara um museu com a vida de americanos mortos em guerras para proteger os americanos e de tabela brasileiros como você e eu, que até o momento nada contribuiram com o povo americano. Eu tenho muita gratidão por esses heróis anônimos. Os americanos não gostam de guerra, amiga, e nunca gostaram. É algo caro para a economia e para a vida de jovens americanos. As guerras são apenas o único instrumento viável, o único remédio amargo, para proteger as liberdades americanas contra impostores, governos opressores, populistas, bandidos, terroristas, nazistas, fascistas, comunistas e o que mais se colocar como inimigo da América. Eu espero que você não se enquadre em nenhuma dessas alternativas, companheira Márcia. Ao povo americano morto em combate, o meu mais profundo respeito e meu eterno débito com essa nação, que nenhum museu do mundo irá pagar. Se você não acha o povo americano trabalhador, você deve ser uma pessoa com um padrão de eficiência e produtividade muito superior ao deles: uma workaholic. Eu a respeito por isso, mas isso ainda não tira o mérito deles.


Marcia Eloy - 15/10/2014
Como é que é? Estados Unidos lar dos bravos?Bravos, que invadem outros países, jogam bombas em Museus de 5000 anos, não tem o menor respeito pelas outras culturas no mundo, desconhecem as outras culturas, 80¢ do seu povo não tira passaporte pois não tem interesse em conhecer outros países.. A Classe média americana, talvez seja a mais inculta das classes médias do mundo.


Sergio Luiz Machado - 14/10/2014
Excelente artigo professor Emir parabéns pela lucides e objetividade .

Mr John Cowperthwaite tou have listed only countries whrere the USA have made huge direct investiments and have direct political influence as well as are Fiscal Paradises . Brasil has the right to find its way for economic development development with social wealth for all its citizens not for just 1% of the polulation , if the givernment folows your recomendation . I suggest you wtatch in the you tube Mr Dilmas entireSpech in the UNITED NATIONS. Have you watched the 2010 OSCAR AWAREDED DOCUMENTARY INSIDE JOB . If not I suggest alnd all bogglers readers to watch to the the distruction the Wolfs of Wall Street did to the country and to the USA as well .


jose carlos lima - 14/10/2014
O que estão esperando para declarar que o Brasil vive uma situação de golpe nos moldes daqueles dados no Paraguai e Honduras, apesar de que mais "inteligente":?

http://www.jornalggn.com.br/blog/iv-avatar/uma-central-do-golpe-contra-a-democracia-foi-instalada-no-parana


John Cowperthwaite - 14/10/2014
Sérgio e João, o Brasil é um país multicultural. Se uma parte quer se relacionar e viver como cubano, que seja. Se a outra parte quer se relacionar e viver como americano, que seja. Ainda somos livres para escolher, ainda que pouco. O governo precisa ser "laico" e buscar o melhor de cada país. Cuba e Venezuela não têm absolutamente nada, nada, para mostrar de positivo; apenas bravatas, mentiras e fantasias do século XIX. Os EUA são o país mais trabalhador do mundo. São produzidas 500 mil patentes por ano, contra 3 mil do Brasil. O Brasil é considerado um paraíso fiscal; os EUA, não. O Brasil é 14 vezes menor do que os EUA economicamente. Nós temos muito a aprender com os americanos em várias matérias. Essas pessoas de esquerda simplificam ao extremo do ridículo a relação entre países inteiros. A nação americana, lar dos bravos, é baseada em trabalho duro; não em bravatas socialistas. Comercialmente nós precisamos ser subervientes a todos. O que importa é servir bem, e que o cliente volte sempre.


João Lopes de Souza - 14/10/2014
Sr John Cowpertwaite, eu não quero que o Brasil seja subserviente a Cuba, á Venezuela ao Cazaquistão e nem aos Estados Unidos! Eu quero sim, que o Brasil continue cada vez mais independente desses sanguessugas (EEUU e seus satélites) que invadem outros países com o pretexto de defender a democracia e na verdade só defendem os interesses da mutinacionais!


Orlando F. Filho - 13/11/2014
I agree mister john, temos muito que aprender com vocês. Por exemplo: como desenvolver um napalm que, quando grudado ao corpo mesmo que vc entre nágua a dor não passa. Que tal aquela foto da garota vietnamita totalmente queimada e urrando de dor? Que distribuição de democracia hein. E que tal as mais de 145 invasões em todo o mundo. Que tal o mister dan mitrione vir ao meu país para ensinar os gorilas daqui a torturar um preso político? Nota: as "aulas" eram ministradas com um preso de carne e osso sendo torturado ao vivo, em cores. Quer mais mister john ou já chega? São coisas bem diferentes demonstrar amor ao país e defender os assassinatos cometidos por diversos presidentes. Inclusive um capítulo especial para a hipócrita família kennedy.


Orlando F. Filho - 13/11/2014
Outra coisa mister joh. O sr. sabia que 53% dos red necks do seu país não sabem localizar sua cidade no mapa? Então, lá também tem um bando de caipiras ignorantes que não querem saber onde fica mais nada pois, como já dizia um filósofo: "o povo que não sabe reconhecer seus erros, está fadado a repetí-los".


REGINA GONÇALVES FONTES - 13/10/2014
Emir, desculpe-me,mas a virada na economia que você atribui a FHC não se deu no governo de Itamar Franco, com interferências do então presidente Itamar Franco?


John Cowperthwaite - 13/10/2014
Qual é o problema da subserviência? Quem não nasceu para servir não serve para nada, amigo. Isso é um ditado brasileiro usado por quem trabalha muito. Se você acha que uma postura de arrogância e petulância vai trazer alguma coisa de positivo para alguém, eu quero ver. Quero ver mesmo. Não conheço nenhuma teoria comercial que dê respaldo a isso numa situação de bom relacionamento. O Brasil precisa melhorar seus serviços públicos (educação e saúde) e conseguir gerar um PIB que pague por essas contas. Os países desenvolvidos (EUA, NZ, AUS, ALM, Suíça, Cingapura, etc.) têm estudos aprofundados sobre o assunto. Você recomenda que a gente fique subserviente a Venezuela e Cuba? Vamos assimilar o que exatamente de bom? Você deveria estudar um pouco sobre engenharia, inovação, finanças e econometria. Isso lhe fará muito bem e você poderá tirar muitas pessoas da pobreza. Pelo trabalho, não pela agitação.


Edu Montesanti - 13/10/2014
Grande, Emir Sader! Bela e corajosa avaliação, enquanto os bibelôs da grande mídia (que gozavam da ditadura que promoveram tanto quanto o bofe Aécio, Never, época em que Dilma lutava com a vida) ficam aí, catando as migalhas do Império (segundo WikiLeaks, Snowden, seus docs secretos e todas as diárias evidências nas próprias páginas da mídia gorda) com sua velha e envelhecida prática da desinformação em massa (mas perderão de novo, e sabem disso). Vejo como insuficiente diversas melhoras do atual governo, há 12 anos, mas quem, quem foi mais eficiente que ele antes, até Jango?


José Carlos Vieira Filho - 13/10/2014
"Tudo o que os EUA querem é que o Brasil mude radicalmente de política"

E mudando radicalmente de política dê um golpe mortal na união da AL, inviabilize os BRICs, e acabe com um projeto de mundo alternativo a um império homicida e enlouquecido.

E há "brasileiros" que endossam isso. Porque? "bags of money"?.

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