Quinta-Feira, 22 de Junho

11/10/2014 - Copyleft

Pobres contra ricos? São Paulo contra o Nordeste?

Pobres contra ricos? As pesquisas não deixam dúvidas, é uma questão social. São Paulo contra o Nordeste? É manipulação ideológica.

por Emir Sader em 11/10/2014 às 12:13



Emir Sader


A avaliação amplamente favorável dos governos do PT em relação aos governos tucanos teria dado uma vitória tranquila para a Dilma. Só se torna uma disputa tão acirrada, aberta, pelo uso brutal do monopólio dos meios de comunicação – partido da oposição, como confessou diretora da FSP na campanha de 2010 - que se aproveita do maior erro cometido pelo governo: não ter avançado na democratização dos meios de comunicação.
 
A parada agora se decide entre o nível de rejeição fabricado contra a Dilma – em que os preconceitos tem um papel fundamental – e a capacidade da militância de neutralizar relativamente o trabalho dos monopólios midiáticos, convencendo das consequências de uma eventual vitória tucana.
 
A polarização histórica entre a esquerda brasileira e a direita se deu sempre sob essa forma – conquistas sociais, soberania politica e papel ativo do Estado, por um lado, ajuste econômico, subordinação externa e centralidade do mercado, por outro. Foi assim com o Getúlio, que personificou os avanços nos direitos dos trabalhadores, a construção do primeiro projeto nacional e a refundação do Estado no Brasil. A direita se apoiava na ditadura politica como seu argumento fundamental, tratando de desqualificar o fortalecimento do Estado.
 
Hoje o Brasil parece dividido entre ricos e pobres, entre São Paulo e o nordeste, forma que assume a polarização entre as questões social e nacional por um lado, a questão democrática – no sentido liberal, de menos Estado e, portanto, mais mercado. É uma divisão real do ponto de vista social. Os de menor renda, sempre postergados, foram os mais beneficiados pelas politicas do governo, com razão se deixam enganar menos pela mídia, porque suas vidas mudaram realmente para melhor. Os mais ricos ou setores da classe media estão mais envoltos nos mecanismos de manipulação da mídia.
 
A divisão geográfica reflete, em parte a divisão social, mas não completamente. Porque se São Paulo é o estado que concentra mais riqueza e, também, ao mesmo tempo, um estado que acumula imensas desigualdades, com grande pobreza e miséria. É mais um caso de hegemonia da elite dominante, que mesmo reproduzindo as desigualdades, conseguiu montar um mecanismo de propaganda publica e de manipulação da consciência de amplos setores da sociedade – inclusive de parte significativa dos próprios pobres –
 
Pobres contra ricos? As pesquisas não deixam dúvidas, é uma questão social. São Paulo contra o Nordeste? É manipulação ideológica.

Tags: Política





vicente torres mourão - 24/10/2014
Não confudimos S. Paulo com suas elites carcomidas pelo fracasso e pelo ódio ,. Não é por acaso que S. Paulo é governado por um membro da organização secreta OPUS DEI . O povo paulista e o povo paulistano não são inimigos dos nordestinos são explorados pela mesma elite


MARILENA LIMA - 19/10/2014
Tenho ouvido queixas contra o governo Dilma. São as dondocas, indignadas porque já não agradam suas empregadas com roupas e sapatos velhos, manchados ou descolados, pelas horas-extra no serviço domestico. No celular a dondoca esbraveja:

- amiga, vc não vai acreditar! A petulante da minha empregada comprou uma bolsa igualzinha a minha! Vê se pode?

Do outro lado da linha a outra dondoca responde:

-amiga, com o Aécio isso tudo vai mudar. Primeiro este salário mínimo absurdo, que está causando até inflação vai despencar, ai eu quero ver essas petulantes...

- ah, amiga, essa eu não te contei! o meu marido foi no supermercado e encontrou a petulante lá de casa, de listinha na mão, empurrando um carrinho e vestida de roupa de academia!

- oh, minha amiga, mais isso não é nada! A petulante lá de casa tá é fazendo faculdade com esse tal de Pro-Uni. Alguém tem de acabar com esses privilégios, isso é um absurdo!!


Orlando F. Filho - 16/11/2014
Lembrei de mais um instrumento ou modo de tortura durante a ditadura civil/militar:

PERERECA consistia em colocar uma venda no preso na qual estavam ligados dois fios(- ) também ligados a uma maquininha de choque. Quando o sujeito aplicava o choque as órbitas tremiam com o choque e por isso apelidaram de perereca. Não podemos esquecer que a tortura não acabou no brasil. Hoje são aplicadas em presos comuns sem deixar marcas para que o juiz não anule o processo. Isto acontece porque, ao contrário do que fez a argentina, no brasil os torturadores continuam trabalhando tranquilamente na polícia torturando como nunca antes neste país.


Orlando F. Filho - 16/11/2014
Amigos, a elite direitona espalhou nas redes sociais que o PT quer implantar uma ditadura. Para refrescar a memória das elites que deram o golpe civil/militar, descrevo aqui alguns instrumentos de tortura da ditadura com os quais meu pai e outros companheiros foram barbaramente torturados:

CADEIRA DO DRAGÃO-cadeira toda feita de metal onde o preso era amarrado para a tortura> Não havia relógio na sala de tortura e não dava prá saber se era dia ou noite. Perder a noção do tempo é uma das piores torturas.

MAQUINA DE CHOQUE-pequena máquina com dois polos(- ) com uma alavanca. Sentado na cadeira, os gorilas colocavam um dos polos no dedão do preso e com o outro ia variando os locais onde os choques eram aplicados.

AS DUAS TÁBUAS- estas tábuas eram colocadas em cada virilha e as duas pressionavam os testículos do preso.

RINGO, O PASTOR ALEMÃO - esse cachorro eram especialista em morder as genitais dos presos, homens ou mulheres. Originalmente, era usado no carandirú nas rebeliões e depois o doi-codi achou tão legal que pediu o ringo emprestado.

PAU DE ARARA - consistia em amarrar os quatro membros em uma mesma corda e aí passava-se um pedaço de madeira roliço que era acomodado em dois cavaletes ficando o preso na posição do boi no rolete(fazendo uma analogia) e o torturador podia aplicar seus instrumentos sem a preocupação de sofrer alguma reação por parte do preso.

No dia 13 de dezembro de 1968, foi promulgado o AI-5 que deu brecha para prisões sem mandato e assim o preso poderia ser torturado ou até assassinado porque, oficialmente, não existiam presos políticos no brasil. Para que nunca mais se repita.


Norma de Mello Massa - 13/10/2014
Marco, o que tenho feito é desligar a televisão. Procuro meus companheiros na Internet. Vou no

blog da Dilma. Esquece que existe Globo e outros

por aí.


Marcia Eloy - 13/10/2014
Concordo com Carlos Norberto totalmente...


Vilar Da Silva - 12/10/2014
Concordo inteiramente com o conteúdo do artigo do Emir. A classe média espera um redentor que a crucificará no altar dos sacrifícios. Enquanto o Brasil não descentralizar o seu desenvolvimento econômico os governos mais progressistas irão ficar refém dessa mídia oportunista e cafajeste que hoje existe no Brasil, concentrada, especialmente em SP e RJ.


José Carlos Vieira Filho - 12/10/2014
Não é pobres contra ricos.

A nossa história é uma saga da guerra de ricos contra

pobres.


Edu Montesanti - 12/10/2014
Sou nascido e criado no interior de SP. Povo bom, generoso por um lado, mas cheio de ideias pré-concebidas e até imbecilidades de outro. Na capital paulista, onde residi por décadas e espero nunca mais retornar? As figuras dos perfeitos idiotas, impossível se relacionar com os bibelôs paulistinhas que se julgam o centro do universo, que acham que tudo gira em torno do seu umbigo. Povo altamente preconceituoso, irritantemente metido à besta


luiz cezare vieira - 12/10/2014
Mas São Paulo não é a capital do nordeste? No poder o PT avançou na questão social, pouco na democracia participativa, quase nada na reforma do estado e da política. Manter empresas estatais mas aparelhadas por esquemas políticos é retrocesso. Concordo com Olívio Dutra, o PT perdeu o sentido da práxis. Marina, Rede e PSB se abraçaram com a direita. Cabe à esquerda dar um novo sentido ao campo democrático popular que vai muito mal.


Marco - 11/10/2014
É meu amigo, mas com esse programa da TV, tá difícil! Toda vez que assisto este programa tenho raiva. O programa é meloso, lento, sem objetividade e ainda excluiu Lula, não artistas puxadores de votos,


Carlos Norberto osilieri - 11/10/2014
Concordo plenamente com o que você falou Emir.

O PT sempre achou que ganharia com o apoio do Lula, do povo e da militância.

Ele subestimou o poder da mídia reacionária e golpista, que bateu 24 horas por dia, 365 dias por ano no PT.

Outro erro grave, foi deixar correr o julgamento do Mensalão sem fazer nada.

Nós somos um dos poucos países do continente sul americano que não acabamos com a lei da Anistia e os genocidas do regime militar estão soltos e impunes.

A decisão do segundo turno das eleições deste ano vai depender em muito dos votos dos Marinistas, que como a candidata mudam de opinião a toda hora.

Existe um ditado popular que diz "água em pedra dura tanto bate até que fura" e o PT pode ser vítima disso.

Ainda não está nada decidido, temos a militância na rua, o Lula, mas a situação é extremamente delicada.

Se a Dilma perder será uma enorme vitória do conservadorismo no nosso continente, pois o Brasil é o país mais importante. Portas abertas para outras vitórias como Venezuela, Argentina.

Tudo que os americanos sonhavam.

Portanto vamos fazer o possível e o impossível para salvar o nosso país do retrocesso.

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