Quarta-Feira, 28 de Junho
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25/11/2015 - Copyleft

A hora da televisão digital. Será que agora vai?

A digitalização deve ser vista como avanço. Além de imagem melhor, o público terá um leque maior de opções que podem servir de contraponto à televisão comercial



Artigo publicado na Revista do Brasil, novembro de 2015
 
O primeiro desligamento dos sinais da TV analógica no Brasil - essa que estamos acostumados a ver há mais de 60 anos em nossas casas - está previsto para ocorrer no próximo dia 29 de novembro, em forma de teste, na cidade de Rio Verde, em Goiás. 
 
 Com a apagão analógico só quem tiver acesso aos sinais digitais verá televisão na cidade.
 
No ano que vem a previsão é que o desligamento passe a ocorrer nos grandes centros urbanos: Distrito Federal, 3 de abril; São Paulo, 15 de maio; Belo Horizonte, 26 de junho; Goiânia, 28 de agosto e Rio de Janeiro, 27 de novembro. 
 
A expectativa é de que até 31 de dezembro de 2018 a TV digital tenha substituído a analógica em todo o país. Pelo menos é o que se espera. 
 
Já houve um adiamento, de 2016 para 2018. Podem haver outros.
 
As possibilidades de atraso no cumprimento desse cronograma são grandes. 
 
Há entraves sérios como a do acesso de toda a população brasileira aos televisores digitais ou aos conversores de sinal.  
 
Além do pleito das empresas de televisão de deixarem de fora do sistema digital cidades com um número menor de habitantes. 
 
É mais um capítulo da tortuosa implantação da TV digital no Brasil, palco de acirrado enfrentamento entre o interesse público e aquele defendido pelos empresários da comunicação eletrônica. 
 
A disputa é pelo espectro eletromagnético por onde circulam sons e imagens, um espaço limitado e finito, por isso muito valioso.
 
Uma das batalhas já vencidas pelos radiodifusores foi a obtenção, sem concorrência, dos novos canais que serão abertos com a chegada da TV digital. 
 
Onde antes circulava uma programação, agora poderão ser transmitidas quatro ou mais, é a chamada multiprogramação. 
 
Esses novos espaços foram outorgados diretamente aos atuais concessionários sob alegação de que seriam extensões dos canais analógicos.
 
Repetiu-se aqui a argumentação usada quando da chegada da TV ao Brasil, nos anos 1950. 
 
Os então concessionários das emissoras de rádio obtiveram as concessões de televisão sob o argumento de que o novo veículo de comunicação era apenas uma extensão do rádio.
 
No caso atual, esse tipo de interpretação gerou até uma ação de inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal que, no entanto, não a acolheu. 
 
Ainda assim a digitalização deve ser vista como um grande avanço e seus resultados benéficos para o telespectador. 
 
Além de uma imagem de melhor qualidade, o público terá um leque maior de opções na TV aberta, entre elas a presença de novos canais públicos, capazes de servir de contraponto a programações uniformes e sem ousadia, marcas da televisão comercial. 
 
O decreto de implantação da TV digital no Brasil prevê a “exploração direta pela União” de quatro canais: do Executivo, da Educação, da Cultura e da Cidadania. 
 
O primeiro já existe, é a NBR – a televisão do governo federal – com acesso, no entanto, ainda muito restrito. 
 
A expansão do seu sinal é importante para permitir a circulação de informações sobre ações do poder público sonegadas pelos grupos privados.
 
A TV Escola, sob a condução do MEC, já vem produzindo conteúdos relevantes no auxílio e complementação do trabalho de professores e alunos. 
 
Com a expansão do seu sinal, atingindo um público maior, a expectativa é que a programação torne-se mais abrangente, a semelhança do que faz com grande sucesso na Argentina o canal Encuentro, gerido pelo Ministério da Educação daquele pais. 
 
Os canais da Cultura e da Cidadania não possuem referencias anteriores. Saem do zero e começam agora a ser construídos. 
 
No primeiro caso, um grupo de trabalho criado no Ministério da Cultura vem discutindo os procedimentos, a programação e os mecanismos de participação social na emissora. 
 
A ideia central é exibir as obras audiovisuais financiadas com recursos públicos, além de apoiar produções e programas regionais.
 
 O Canal da Cidadania irá fazer uso da multiprogramação. Serão quatro sub-canais para cada município: o primeiro destinado ao poder público municipal, o segundo para o poder público estadual e os outros dois para associações comunitárias, que ficarão responsáveis por veicular programação local.







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