Quinta-Feira, 24 de Julho

13/03/2012 - Copyleft

Os valentes de ontem, os poltrões de hoje e uma pergunta


Eric Nepomuceno

Um coronel da reserva, que também ostenta um diploma de advogado e se chama Pedro Ivo Moézia de Lima, escreveu para a procuradoria da República, em Brasília, pedindo que o Ministério Público Federal abra um ‘procedimento administrativo’ contra Dilma Rousseff e Celso Amorim, respectivamente presidente da República e ministro da Defesa. Diz que violaram a lei, e pede providências. Sua explicação tem a consistência de um pudim de nuvens. Seus argumentos têm a força de uma borboleta de uma só asa. Pouco importa. O que importa é sua prepotência. Não é um civil opinando e agindo: é um militar se insubordinando.

O general da reserva Marco Antonio Felício, autor do texto divulgado pelo Clube Militar desacatando o ministro da Defesa e chamando insolentemente às falas a presidente da República, dá uma entrevista por escrito. Sente-se impune. Lança uma frase que soa a desafio, ao exibir sua certeza de que não será punido. Aproveita para negar que tenha havido tortura durante a ditadura, e garante que volta e meia aparece algum desaparecido. Diz que existem muitos terroristas que não só jamais foram punidos como agora ocupam postos no governo. Não cita nome algum.

De novo: não é um civil, um paisano, dizendo o que pensa. É outro militar se insubordinando. Sua prepotente prerrogativa é justamente o fato de guardar no armário, além de um pijama, uma farda. E como ele e o coronel advogado, há muitos mais.

Ou seja: o ambiente entre os militares da reserva, em especial do Exército e da Aeronáutica, continua fervendo. O que impressiona é o poder que julgam ter para contrariar a verdade e ofender a memória.

O mesmo general Marco Antonio Felício diz que, além de seus colegas da reserva, muitos dos militares da ativa compartilham sua indignação. E que, se pudessem, assinariam o texto que desacata a presidente e o ministro de Defesa.

Quando se nota, nas assinaturas do tal manifesto, a presença significativa de um elevado número de oficiais de alta patente que até muito pouco tempo estavam não só na ativa, mas ocupando postos de destaque em suas respectivas armas, ou seja, no governo, é compreensível que o general Felício pense assim. Difícil de compreender é que não haja nenhuma voz entre os militares da ativa desmentindo o que ele diz.

A esta altura, chama a atenção a obtusa tenacidade com que se manifestam militares, tanto da reserva como da ativa (estes, pela omissão, pelo silêncio) diante de um ato legal, ou seja, a instalação da Comissão da Verdade, que tem a tarefa igualmente amparada em lei de investigar os atos cometidos sob o manto do terrorismo de Estado implantado nos tempos da ditadura que se estendeu de 1964 a 1985.

O inquieto espernear dessa constelação de generais estrelados é sintomático e significativo. Ao denunciar à exaustão o revanchismo que estaria partindo do governo da presidente Dilma Rousseff, deixam nua e exposta aos olhos da rua a verdadeira razão de sua ira, do seu mais profundo temor: que a Comissão da Verdade, além de dar o nome de quem fez o que fez, leve os culpados aos tribunais.

Ora, a Comissão carece de base legal para isso. Os que praticaram terrorismo de Estado estão amparados por uma Lei de Anistia bizarra, que foi ratificada por outra bizarrice da Corte suprema do país. Que ministros do governo e parte da sociedade esperem que, além de se estabelecer a verdade, algum dia se desfaça essa lei e se faça justiça, é um direito de todos nós. Não significa que se trate de uma política de governo, como asseguram, em outro equívoco do tamanho de um dromedário, os esperneantes e estrelados generais e sua tropa.

Se justiça houver algum dia, será para conceder aos militares, além de funcionários civis igualmente implicados em crimes contra a humanidade, aquilo que eles negaram aos torturados, espancados, levados ao exílio, seqüestrados, assassinados. Aquilo que negaram às mulheres humilhadas e violadas: o direito de defesa.

Valentes diante de prisioneiros amarrados, valentes diante de mulheres indefesas e vexadas, agora se derretem, furiosamente, de medo que essa valentia toda seja conhecida e julgada. Onde a hombridade de todos eles?
Sim: algum dia este país saberá honrar o fim daqueles tempos de breu e fazer justiça. Até lá continuará valendo o medo dos que negam o que aconteceu. Negam o que cometeram ou viram alguém cometer. Negam o que sabem e sabiam.

Uma pergunta, enfim, não sai da minha cabeça: de onde esses senhores tiram tamanha empáfia? Qual a fonte de semelhante insolência? O que alimenta esse poder? Aliás, existe, esse poder? Esse poder que o país parece temer?
O que produz essa inércia numa sociedade que prefere o esquecimento à verdade, que prefere a omissão à justiça?






VALMIR RIBEIRO - 31/03/2013
Votar nulo ou em branco é o mesmo que votar no inimigo, pois os votos são manipulados como eles querem. Não existe nenhuma possibilidade de transparência nessa "totalização" que ocorre dentro do TRE e do TSE... Esqueçam essa maldita URNA ROUBOTRÔNICA... O negócio é não votar. Se abster mesmo. Pois com a abstenção, não há como manipular a favor de ninguém. Basta depois das eleições, ir ao cartório, pagar a multa de 2 reais e ficar quites com a justiça eleitoral, sem prejuízo algum em nenhuma área da sua vida, pois é como se tivesse votado. Se não houver mudança radical nesse sistema eleitoral, seremos enganados, roubados no nosso direito de eleger, porque a fraude está ocorrendo livre, desde a eleição da dilmanta e do mHalddad, dois postes de verdade, mas que foram empurrados goela abaixo, por esse mafioso luladrão, que infiltrou bandidos em todas as instâncias do judiciário, a começar pelo próprio STF, que apenas "fingiu" condenar, mas na verdade apenas jogou para a galera, que agora já nem se importa, que dois bandidos condenados estejam na câmara, em comissões capazes de mudar até a própria constituição em benefício da "bandidagem amiga"... Quem está no Superior Tribunal Eleitoral? Os mesmos petralhas que absolveram bandidos e até mudaram votos de condenação já dados, para absolverem depois, quando a pressão do povo já esfriara... Isso inclui as DUAS MINISTRAS, que na caladinha, absolveram vários petralhas e acompanharam o voto do REVISOR petralha LEVANDOWISKY... O problema é que o povo não acompanha com atenção... Estamos nas mãos de uma máfia petralha, infiltrada em todos os mais altos cargos do país... Incluindo todas as instâncias de Justiça... Foi uma Ministra, nomeada pelo PT para o Superior Tribunal Militar, que escondeu da IMPRENSA durante dois anos, até o fim das eleições de 2010, da Dilmanta, TODO O HISTÓRICO DE BANDITISMO envolvendo a então candidata do luladrão cachaceiro... Esqueçam, portanto, essa possibilidade de ver as instituições funcionarem... Se estivessem funcionando, Luladrão não estaria voando em jatinho de empresário, traficando influência mundo afora... O MPF-MG está mudo, engavetando os graves processos que deveriam estar sendo apurados para punir a bandidagem desse canalha. ACORDE POVO! SE NÃO HOUVER CLAMOR POPULAR E INTERVENÇÃO MILITAR, ESSES BANDIDOS VÃO SE ETERNIZAR NO PODER, PORQUE COMO DIZEM OS BANDIDOS; "ESTÁ TUDO DOMINADO"!


nilccemar - 19/05/2012
Há algo que não entendi, da parte dos militares. Não teria havido um reconhecimento de culpa na década de 90, quando, rompendo o silêncio, vários militares prestaram depoimentos ao CPDC/GV, praticamente, se desculpando, e se comprometendo a não mais intervir nas questões políticas ? Outra questão é implicar os civis que se esconderam por trás destes.


José Barros - 18/03/2012
O que pode ser comentado a respeito de verdades tão cristalinas em seu princípio? Apenas, penso, que não realizá-las, atualizando-as de alguma forma digna, legítima e inexorável, torna-nos iguais ou piores em termos da hombridade invocada.


José Ricardo Romero - 17/03/2012
Muito bem, amora. Tem toda razão. Mas não vai dizer que por causa destes argumentos eles podem sair por aí tortutando o povo!


Paulo Teixeira - 16/03/2012
Como é que mesmo depois de episódios como o da explosão das bombas no Riocentro, amplamente desmascarados pela cidadania, ainda apareçam esses zumbis com o mesmo discurso fajuto da época da época da ditadura militar? Quando teremos Forças Armadas verdadeiramente profissionais e submissas às leis do país?


amora - 16/03/2012
A PF não quer ir pra fronteira porque a diária é pouca? Chamem os milicos. A PM não quer subir o morro porque é perigoso? Chamem os milicos. A PM faz greve porque o salário é baixo? Chamem os milicos. A Anvisa não quer inspecionar gado no campo? Chamem os milicos. O Ibama não dá conta de fiscalizar os desmatamentos? Chamem os milicos. Os corruptos ganham milhões e não constroem as estradas? Chamem os milicos. As chuvas destroem cidades? Chamem os milicos. Caiu avião no mar ou na selva? Chamem os milicos. Em caso de calamidades públicas, a Defesa Civil não resolve? Chamem os milicos. Desabrigados? Chamem os milicos. A dengue ataca? Chamem os milicos. O Carnaval, o Ano Novo ou qualquer festa tem pouca segurança? Chamem os milicos. Certeza de eleições livres? Chamem os milicos. Presidentes, primeiros-ministros e visitantes importantes de outros países? Chamem os milicos. Adicional noturno? Não temos! Periculosidade? Não temos! Escalas de 24 por 72 horas? Não temos! Hora extra, PIS, PASEP? Não temos! Residência fixa? Não temos! Certeza de descanso no fim de semana? Não temos! Salário adequado? Não temos! Acatar todas as ordens para fazer tudo isso e muito mais, ficando longe de nossas famílias, chama-se respeito à hierarquia. Aceitar tudo isso porque amamos o que fazemos chama-se disciplina. Quer conhecer alguém que ama o Brasil acima de tudo? Chame um milico!


Daniel Joca - 15/03/2012
Mais uma vez parabéns ao Eric Nepomuceno! Que outros jornalistas ponham o dedo na ferida para que se crie mobilização social de apoio à Comissão da Verdade e que outros militares ajudem a limpar a instituição militar para que não tenhamos de olhar para nosas forças armadas com nojo e vergonha.


João Neves - 14/03/2012
Acho que esses caras não estão com medo de coisa alguma. Acho que simplesmente falam o que pensam. Por mais absurdo que pareça aquilo que parece que eles pensam acho que eles realmente acreditam nisso. Acho que até hoje efetivamente acreditam que fizeram um bem enorme ao País. São uns tapados. Acho que nunca perceberam que foram pura e simplesmente o que a polícia sempre foi: o braço mecânico dos poderosos. De todo modo, falam o que falam, da maneira como bem entendem, porque sabem que isso aqui é um País de bundões e/ou convenientes e, por isso, é provável que nunca sejam punidos por coisa alguma.


Eunice - 14/03/2012
1) Por que existem machistas? Resposta: porque suas mães os educaram assim, e, em muitos casos eles continuam a praticar violência contra mulheres. 2) Por que existem militares assim? Por que foram treinados assim pelos seus chefes. Hora de se criarem mudanças. Democracia é suada.


Anderson - 14/03/2012
Me parece que o medo dos ex(atuais) militares envolvidos nisso tudo é de que a verdade venha a tona!! Só isso, não é medo da punição judicial, o desmascaramento é pior!!


ARTHUR/WALTER - 14/03/2012
Eric, você não acha estranho colocarem um navio de guerra da marinha do Brasil sem nenhuma esperiência na área do Oriente Médio e ainda com a missão de chefiar outros navios de guerra estrangeiros? O que navio vai fazer não tem nada a ver com missão de paz. Parece-me uma forma envolver o Brasil nas rivalidades existentes entre os países envolvidos como Israel x àrabes! E de repente o príncipe inglês vem ao Brasil e o David Cameron, dando uma de "bonzinho" na entrevista à Globonews! Cameron, junto com Barak Obama e Sarcozy deviam ser julgados pelo tribunal de Haya por haver praticado crimes contra a humanidade na matança de mais 50.000 civis líbios. Na Europa esse número chega a mais de 150.000. Aliás por que nunca commentou sobre essa carnificina! Hão que nomear, OS TRÊS, OS "CARNICEIROS DA LÍBIA."


Flavio Wittlin - 14/03/2012
Tenho uma tese muita telúrica: a mesma alma pode habitar corpos diferentes. A do Videla, por exemplo, habita corpos diferentes de determinados ex- e atuais militares e de certos civis brasileiros, não?


fábio de oliveira ribeiro - 14/03/2012
Discordo. Nesta caso a justiça tem que ser RETRIBUTIVA. Quem não deu direito de defesa não tem que ter direito de se defender. E quem espancou merece ser espancado. Besta fera não merece nem civilidade, nem consideração.

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