Quinta-Feira, 30 de Outubro

 

31/07/2011 - Copyleft

Como o sistema financeiro mundial criou a dívida


Marco Antonio Moreno - El Blog Salmón
Marco Antonio Moreno - El Blog Salmón



O colapso econômico é iminente. Os países mais industrializados do mundo enfrentam uma grande crise da dívida provocada pela crise do crédito de 2008, após a crise das hipotecas imobiliárias e a queda do Lehman Brothers. Estas crises originadas por um colapso do crédito costumam ser muito mais prolongadas e profundas que as crises desencadeadas por um surto inflacionário. Grande parte do mundo enfrenta este tsunami da dívida à beira da bancarrota, como acontece com Grécia, Irlanda e Portugal. No entanto, podemos falar de bancarrota quando estes países possuem enormes riquezas em capital humano e recursos produtivos? De acordo com o atual sistema financeiro, sim. E é por isso que os serviços públicos estão sendo cortados e os bens públicos privatizados.

Ao contrário da crença popular, o dinheiro que circula pelo mundo não é criado pelos governos, mas sim pela banca privada em forma de empréstimos, que são a origem da dívida. Este sistema privado de criação de dinheiro tornou-se tão poderoso nos últimos dois séculos que passou a dominar os governos em nível mundial. No entanto, este sistema contém em si próprio a semente da sua destruição e é o que estamos a experimentar na crise atual: a destruição do sistema financeiro que temos conhecido, dado que não tem nenhum tipo de saída pelas vias convencionais. Dados os seus níveis colossais, trata-se de uma dívida impagável.

Para compreender isto, há que referir que o sistema financeiro tem funcionado sempre como um gigantesco esquema ponzi, onde os novos devedores permitem manter a velocidade do crédito. Se se produz um colapso dos novos devedores, o sistema fica sem a opção de conceder mais crédito e, à medida que esta opção se cristaliza com o tempo, o sistema inteiro entra em colapso e requer injeções de liquidez na esperança de que os fluxos voltem à normalidade. A habituação do dna coletivo à dependência do crédito produziu este retorno à normalidade durante várias décadas. Mas até o dna acusa fadiga e nesta co-dependência ao crédito recorda os sintomas da escravatura: é a escravatura da dívida.

A criação de dinheiro através do sistema de reserva fracionada
Os bancos centrais são os responsáveis pela oferta monetária primária, ou base monetária, conhecida também como dinheiro de alto poder expansivo. Este dinheiro de alto poder expansivo é o que chega aos bancos privados, que são quem o reproduz pela via do crédito. A reprodução do dinheiro original depende da taxa de encaixe, ou reservas mínimas requeridas, que produz o efeito inverso: quanto menor é a exigência de reservas, maior é a quantidade de dinheiro que a banca privada cria. Isto conhece-se como o multiplicador monetário e a sua fórmula, muito simples, é m=1/r, onde m é o multiplicador monetário e r o nível de reservas exigidas em percentagem.

Deste modo, perante um nível de reservas de 50% (r=0,5 na equação), o multiplicador monetário é 2, como era nas origens da banca inglesa no ano de 1630. Se o nível de reservas é de 20%, o multiplicador monetário é 5 e se as reservas exigidas são de 10%, o multiplicador é 10 (m=1/0,1), o que indica que está a multiplicar-se dez vezes a quantidade de dinheiro real oferecida pelo banco central.

Grande parte da desregulamentação financeira promovida desde os anos 80 consistiu em dar aos bancos a maior das liberdades para o montante das suas reservas. Deste modo, a clássica norma de reservas em torno de 10% ou 20% foi reduzida a níveis de 1%, e mesmo inferiores, como aconteceu com Citigroup, Goldman Sach. JP Morgan e Bank of America, que, nos momentos mais sérios, afirmavam ter uma taxa de encaixe de 0,5%, com o qual o multiplicador (m=1/0,005) permitia criar 200 milhões de dólares com um só milhão em depósito. E no período da bolha, as reservas chegaram a ser inferiores a 0,001%, o que indica que por cada milhão de dólares em depósito real, se criavam 1.000 milhões do nada.

Esta foi a galinha dos ovos de ouro para a banca. Uma galinha que era de todas as formas insustentável e que foi assassinada pela própria cobiça dos banqueiros que se aproximaram do crescimento exponencial do dinheiro até que este entrou em colapso, demonstrando que toda a ficção se asfixia na conjectura e nada é senão o que é. A solução que os bancos centrais ofereciam era muito simples: mal havia um aumento da inflação, elevavam a taxa de juro para assim encarecerem o crédito e bloquearem os potenciais novos empréstimos (cortando, desta forma, potenciais novos empréstimos) e incentivando, a taxas mais altas, o “aforro” seguro dos prestamistas.

Entende-se agora o abismo em que estamos e por que razão governos e bancos centrais correm a tapar esses enormes buracos que o dinheiro falsamente criado deixou? Entende-se por que razão a Fed e o BCE correm a resgatar o lixo dos ativos tóxicos criado neste tipo de operações? Se ainda há dúvidas, deixo aqui este vídeo (ver acima) que pode ajudar a compreender parte importante deste fenômeno. Este documento foi realizado em 2006 e contém sérias advertências que não foram ouvidas nem pelos governos nem pelas pessoas. Por algo será.

(*) Artigo publicado em El Blog Salmón, traduzido por Ana Bárbara Pedrosa para esquerda.net





Alexandre Carvalho - 30/07/2012
Depois acham muito R$ 3,9bi para a Educação Pública em três anos e acham pouco o Governo destinar quase 50% do OGU para pagamentos de juros e encargos da dívida pública (afora os 50 bi semestrais de "reforço" ao BNDES, as isenções, os incentivos fiscais etc)! Ao mesmo tempo, adiam para 2023 (!) a - quiçá - justa destinação de 10% do PIB para a Educação Pública... precisamos reforçar a participação popular em defesa da EDUCAÇÃO E DA SAÚDE PÚBLICAS!!!


orlando f filho - 28/10/2012
Li há alguns anos que 500 empresas detinham todo o dinheiro que circula no planeta, ou a maior parte dos 32 bilhões de dólares(não tenho certeza se este número é confiável). Não é possível justiça social com este tipo de economia adotada. Já foi mais que provado que uma boa distribuição de renda tem como consequência o crescimento econômico do planeta e isso resultaria em pessoas com dinheiro suficiente para suas necessidades básicas e também o lazer. Utopia, sem duvida.


Victor Medeiros - 22/08/2011
Porisso é que Bertold Brecht dizia: "MAIOR CRIME QUE ASSALTAR UM BANCO É ABRIE UM BANCO"


ANTONIO CARLOS BREDER - 17/01/2013
Pesquisem sobre o GRUPO BILDERBERG e descobrirão quem são os donos do poder MUNDIAL.300 TRILHÕES DE DÓLARES a comprar todos os governos mundiais.


Graccho - 16/05/2012
Totalmente a favor - so que mais vilento- Por mim denunciava todo o sistema bancario privado que nada produz e só ganha as custas do dinheiro de outros e de créditos que ele inventa. Leia a historia das crises nos autores de anti-economia e vai ver que todas foram produzidas pela ganancia dos bancos.


Hernany Prazeres - 12/01/2012
Enquando, as dividas nao forem pagas por singulares e governos os bancos jamais tomarao uma atitude diferente. Na verdade isso e um jogo antigo que realmente se implantou nas economias de mercado que as grandes nacoes industrias adotaram para solver as sua producao em forma de divida para os consumidores em todo mundo menos industrializados e pobres atravez dos bancos em forma de divida (FMI Banco Mundial e outros). A necessidade de se ter mercados cada vez interligados atravez da banca e bolsa de valores estao muito ligado aos principio das politicas governamentais democratica para maior circulacao de investimentos por meio do credito. e qualquer financiamento sem pressedentes o que ocorreu em 2008 a populacao ficou individada e quem paga? sao os governos., e quem sofre a populacao... Devo acreditar que do mesmo modo que cada pais pode viver a sua economia e sobreviver por si so e necessario haver um novo modelo economico mundial.


José Almeida de Souza Jr. - 11/09/2012
Vejam isto também :Segredos do dinheiro, dos juros e da inflação http://www.resistir.info/financas/secrets_of_money_p.html


Luc O'Nail Gontijo - 09/06/2013
Moedas comunitárias, uma solução a ser pensada.


Thiago Martins - 09/01/2012
Pois bem, e não é que já criaram um novo dinheiro, que não é controlado por NENHUM banco e por nenhum governo!! SIM! Um dinheiro novo, que não é baseado na dívida! Que é deflacionário! Que não tem taxas e nem é possível de se cobrarem impostos. Também não se pode bloquear... O nome do novo dinheiro revolucionário da nossa sociedade global chama-se: BITCOIN! Anotem isso, o Bitcoin irá ACABAR com todos os bancos, incluindo o Banco Central (o FED) e também com a Casa da Moeda.


cida toledo - 08/09/2011
o llink do vídeo está quebrado mas o mesmo vídeo esta nesse link http://www.youtube.com/watch?v=vVkFb26u9g8


Francisco - 06/04/2013
Misteriosamente, o vídeo que consta antes do texto "foi removido porque seu conteúdo violou os Termos de Serviço do YouTube". Peço a Carta Maior que republique este texto com data mais recente e coloque o vídeo em algum outro espaço, que não o You Tube, de onde ele não seja removido.


paulomachado - 01/08/2011
isto é a prova de que as moedas se tornaram questão de fé - acredite nelas quem quiser ou precisar... é mais uma guerra santa!!!


Ana Cruzzeli - 01/08/2011
É disso que precisamos. Quando se fala que os bancos estadunidense foram irresponsáveis até mesmo criminosos com o endosso do Tesouro Federal não se tem noção o quanto foram. Com essa pequena aula de matematica temos a dimensão da irresponsabilidade, o que é pior, não está sendo feito nada para se voltar a alavancagem moderação, civilizatória. Podemos dizer sem medo nenhum que essa alavancagem criminosos é que vem provocando crise atrás de crises pelo mundo há décadas.Não vejo outra saida para esse problema: O CAPITAL FICTICIO VAI QUERER CRIA O CAOS. Ou melhor já começou há décadas. A unica maneira para se resolver o problema é a contra-revolução. Desculpe-me Império, mas você precisa cair e rápido.


Aldrabão - 01/05/2012
Aff! O dinheiro da banca é de ficção cientifica? E quem paga a fatura é a crença popular... kkkk É inacreditável que o dinheiro surge como magica, e os cortes que se fazem de salários, impostos, taxas e subsídios etc, da população servem de que? Para pagar a boa vida de quem? Já não basta o atentado que faz-se, para privatizar o Estado por completo, ainda querem diminuir o minimo de cérebro que resta as cabeças. Imagina não demora muito, a Grecia estará sendo Governada por qualquer um que não seja um grego.

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