Quinta-Feira, 28 de Agosto

 

29/06/2011 - Copyleft

Salário é "um risco muito importante" para a inflação, afirma BC


André Barrocal
André Barrocal

BRASÍLIA – O Banco Central divulgou nesta quarta-feira (29/06) seu relatório trimestral de inflação, o documento mais amplo e aprofundado com análises do BC, em que faz previsões mais pessimistas e aponta o salário dos trabalhadores como “um risco muito importante para a dinâmica dos preços” nos próximos meses.

No documento, a diretoria do BC diz que os salários preocupam porque haverá muitas negociações de reajustes no segundo semestre, momento em que a inflação, no acumulado em doze meses, estará acima do limite máximo autoimposto pelo governo. Afirma ainda que a correção prevista do salário mínimo para os próximos anos pode ter impacto nos preços.

No projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2012 que mandou ao Congresso em abril e pode ser votada nesta quarta-feira na Comissão Mista de Orçamento, o governo propôs um mínimo de R$ 616 no ano que vem. O valor resulta de uma fórmula: crescimento econômico do Brasil em 2010 mais inflação. No total, reajuste de 13% dos R$ 545 atuais.

No relatório, o BC diz ainda que o mercado de trabalho está aquecido, com taxa de desemprego em patamar historicamente baixo e “substanciais” aumentos salariais. E que isso também pode ter impacto inflacionário.

“Um aspecto crucial em ciclos como o atual é a possibilidade de que o aquecimento no mercado de trabalho leve à concessão de aumentos reais dos salários em níveis não compatíveis com o crescimento da produtividade, o que, de acordo com algumas evidências disponíveis, aparentemente tem ocorrido em certos setores”, afirma.

No documento, o BC apresenta previsões de inflação futura, com base em cenários distintos. No chamado cenário de referência, a taxa de juros de 12,25%, a maior do planeta, fica congelada daqui até o fim do ano que vem. Neste caso, a inflação seria de 5,8% em 2011 e de 4,8% em 2012. Os dois valores estão acima do calculado no relatório trimestral de março (5,6% e 4,8%, respectivamente).

No cenário de "mercado", o BC segue as apostas do “mercado” e continua a subir a taxa de juros. Neste caso, a inflação seria de 5,8% este ano e de 4,9%, no próximo. Em março, as previsões eram de 5,6% e 4,6%.

As perspectivas pioraram de um relatório para o outro, segundo o BC, por algumas razões. No plano interno, por exemplo, a inflação passada está alimentando a inflação futura, e o esfriamento da economia ainda não pode ser calculado com exatidão.

No cenário externo, o banco acredita que a atividade econômica chinesa traz incertezas que deixam os investidores inseguros.





Ana Cruzzeli - 30/06/2011
Apesar de parecer meio que absurdo, mas o BC tocou num ponto importe há categorias que tiveram aumento muito além da inflação e outras nem reposição de inflação. Nem tanto ao ceu nem tanto a terra, isso se não bem cuidado pode sim provocar distorções. Devemos cuidar para que no futuro estados como SP não sejam vitimas de sua propria gestão, MG também corre sério risco. Como muitos economistas desenvolvimentistas tanto defendem : desenvolvimento e inflação podem caminhar juntas, mas na medida certa. Acho que tem muito governador e prefeito brincando com os trabalhadores do estado é claro.


Luís Felipe - 30/06/2011
Isso porque a retirada de Meirelles seria, supostamente, para fazer o BC tender à esquerda. Daqui uns anos, vou querer um partido mais à esquerda no poder, porque o PT tá ficando muito banana mesmo.


Celso - 30/06/2011
Qual é o salário desses senhores que temem pelos "aumentos salariais"? Um, dois, ou três salários mínimos? Nos 80 tínhamos hiperinflação e arrocho salarial. Se tivermos um pouco de inflação por causa de salário que ganha poder aquisitivo (o Brasil é um dos 3 ou 4 países mais desiguais na distribuição de renda do mundo!!!) é por um excelente motivo.


Amauri - 29/06/2011
O Brasil está pior que a grécia, lá pelo menos os manifestaantes protestam, aqui, diferentemente sobem escandalosamente as taxas de juros já extratosféricas e isoladamente as maiores do mundo e agora vem com esse papo furado só para justificar o ARROCHO salarial já combinado, e o cidadão "dorme em berço esplendido".


José A. de Souza Jr. - 29/06/2011
Até quando estaremos dispostos a dar credibilidade a esses babacas que se sucedem no banco central? Até quando nos faremos reféns voluntários dessa malandragem de palavreado arcano e vazio de conteúdo?


carlos alberto carvalho da silva - 29/06/2011
Um relatório que chama todos os brasileiros de bobos. Não dá mais para a presidenta Dilma tolerar uma política de juros do BC que gera 220 bilhões de juros ao setor financeiro. A desculpa agora são os aumentos salariais acima da inflação, e quando os salários só perdiam?


marco antonio cabral - 06/07/2011
Sim, trogloditas do BC, salário que se aumenta uma vez ano provoca inflação e o aumento dos preços que podem ser aumentados todo dia não. Aliás, o BC tem idéia de quantos trabalhadores são sindicalizados de fato e de direito nesse país e podem lutar de verdade por ganhos salariais superiores ao da inflação. Acho que eles não sabem e pergunto: quanto ganha por mês essa turma do BC? Parece que estamos voltando aos tempos do Delfim, não temos bolo "riqueza" pra repartir, temos que fazer o bolo primeiro. Nem o Henrique Meireles disse isso em todo o tempo de BC e agora vem esse tal de Tombini em tão pouco tempo com tanta asneira. O que alavanca o capitalismo é o consumo e não a produção, produção sem consumo não existe e o consumo se faz com salário, bons salários.


Luiz Pepper - 02/07/2011
O cenário da inflação estaria muito melhor se o governo estivesse cumprindo seu papel na fiscalização de abusos nos preços e reajustes. Os nossos carros são os mais caros do mundo, idem para nosos serviços de telecomunicações, de banda larga 3G, pedágios, dos sanduíches, de refrigerantes e de vários produtos industriais de uso doméstico. As agência reguladoras são dominadas pelos empresários/políticos e o governo é conivente ou omisso. Exemplos: especulação com preços do álcool (ANP) e o sucateamento da Light-RJ (ANEEL) e da infraest. precária das Teles (ANATEL) + o preço excessivo dos pedágios. Isto sim puxa para cima o custo Brasil/inflação.


Emmanuel Alves - 01/07/2011
Tem coisas que eu realmente não entendo e nunca vou entender. Como é que salários provocam inflação? Ora, se os salários é que movimentam a econômia, isto é, o dinheiro injetado no mercado de consumo fazendo girar a produção industrial, o comércio, a agricultura, etc. enfim toda a econômia produzindo impostos e empregos, como é que salário pode ser considerado vilão nessa história? Tava analisando a situação da Grécia e lá, segundo o noticiário, dentre as medidas curativas da economia, uma delas é o desemprego em massa. Como esse pais vai se recuperar se existir uma massa de desempregados e famintos que não estarão produzindo, não estarão consumindo, não poderão ajudar no giro da econômia? Atenção senhores diretores do BC, julgem com sanidade esses seus relatórios que eu acho por demais incoerentes com a realidade que estamos vivenciando. Precisamos sim é acabar com essa porcaria de juros, que faz com que empresas, grandes corporações financeiras principalmente, lucrem fortunas sem produzirem nem mesmo uma cabeça de agulha. Prestem atenção!!!


renato machado - 01/07/2011
Nossos salários , é claro , não os deles. Isto me lembra os velhos tempos de governos anteriores que sempre diziam que o salário era o vilão dq inflação. A história se repete como farsa.


Carlos Cruz - 01/07/2011
A senzala tem que continuar, é o pensamento enraizado na elite brasileira. A tese da inflação de salarios é absurda e hilaria. O custo do salario nos preços é irrisorio, pois ganhamos mal, sofremos uma imensa tributação (os de baixo), gastamos quase tudo para sobreviver e pouco sobra para lazer. O parque industrial brasileiro não está preparado para o consumo atual, não que ele seja imenso. A especulação interna e o lucro imoral, junto com a especulação internacional, é que causam a subida dos preços. Mas a elite brasileira, vesga e ignorante, exige pauperização do trabalhador, aumento da tributação sobre o salario, desoneração da folha (para aumentar os lucros), e estouro da SELIC. Pobre tem que continuar pobre. Dá ansia de vomito...


Ronaldo Irion Dalmolin - 01/07/2011
Proselitismo neoliberal próbanqueiros! Melhor seria: "BC é um risco muito importante para o desenvolvimento do Brasil." (acho melhor estatizar o BACEN enquanto é tempo...)

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