Terça-Feira, 30 de Setembro

06/10/2011 - Copyleft

Nasce um novo movimento social nos Estados Unidos


David Brooks - La Jornada
David Brooks - La Jornada



Somos os 99%, gritaram juntos milhares de estudantes, sindicalistas, veteranos, imigrantes, professores e ativistas de todo tipo na primeira ação massiva contra o cobiça empresarial do 1% mais rico, a corrupção do sistema político e a desigualdade econômica que cresceu desde que o setor financeiro provocou a pior crise econômica desde a Grande Depressão.

A presença de um amplo leque de sindicatos transformou o perfil do movimento iniciado por algumas centenas de jovens, em sua maioria brancos, de universidades privadas, no dia 17 de setembro. Mudou não só em números, mas também em diversidade, gerando o que muitos líderes sindicais e comunitários estão chamando de um novo movimento social por justiça econômica. Algumas fontes policiais estimaram em mais de 10 mil os participantes da marcha e os organizadores calcularam o dobro. Na noite de quarta, ao terminar a manifestação, foram reportadas algumas detenções quando um grupo de manifestantes tentou ingressar em Wall Street.

Bob Masters, diretor político do distrito noroeste do sindicato de telefonistas CWA, declarou: Ocupa Wall Street lançou um novo movimento e juntos ganharemos. Enquanto milhares continuavam chegando à Praça Foley, no meio dos tribunais de Nova York, onde ocorreu a marcha, Masters fez um chamado pela solidariedade ao movimento. “Todos juntos estamos dizendo: já basta!”.

Todo o dia, toda a semana, Ocupa Wall Street, gritavam enquanto caminhavam pela Broadway. Entre eles estavam as filiadas ao Sindicato Nacional de Enfermeiras (com cartazes que diziam ‘Vamos curar os Estados Unidos’), trabalhadores do metrô, motoristas de ônibus do TWU e trabalhadores de lojas de departamentos do sindicato UFCW. Com a brisa, tremulavam bandeiras do sindicato de professores (UFT), dos automotrizes (UAW), do setor público (AFSCME), do setor de serviços (SEIU), de professores e pesquisadores de universidades da cidade de Nova York, como Columbia.

Também participaram da manifestação uma ampla gama de organizações comunitárias, com latinos, hindus, chineses, porto-riquenhos, dominicanos, mexicanos e árabes, entre outros, que se somaram ao ato em solidariedade. “Filipino-estadunidenses” apoiam Ocupa Wall Street, lia-se numa faixa, e outra proclamava o mesmo de parte de indígenas norteamericanos. Estudantes abandonaram as aulas em vários cursos da Universidade Estatal de Nova York para somarem-se aos protestos.

Uma multiplicidade de expressões mostrava o mosaico de cartazes feitos a mão. “Comam os ricos”, “Se o governo não pode deter Wall Street, nós o faremos”, “Quando os ricos roubam dos pobres isso se chama negócio; quando os pobres se defendem se chama violência”, “Protejam as escolas, não aos milionários”.

Circula um par de camisetas de estadunidenses com a imagem de Zapata e um jovem que esteve na Praça Liberdade desde o dia 17 de setembro mostra orgulhoso um emblema do EZLN ao saber que o La Jornada estava cobrindo a marcha.

O mesmo que ocorreu no Egito está acontecendo aqui; já não podemos aguentar mais, afirmou Hank, integrante do Sindicato de Trabalhadores do Transporte Público (TWU), quando marchava. Um turista espanhol tirava fotos da marcha e comentava com seus companheiros: olha que bonita, igual a nós.

Ao passarem por ônibus de turismo, os manifestantes gritavam: deixem de tomar fotos e unam-se a nós. Outros alertavam ao exército de policiais: vocês também são parte do 99%, venham com nós. Trabalhadores da construção que trabalham em um edifício próximo liam exemplares do jornal Wall Street Journal Ocupado.

Tudo começou quando uma marcha desde a praça ocupada a um par de quadras de Wall Street se dirigiu à Praça Foley, a umas dez quadras de distância. Ao chegar ali, se escutou um ensurdecedor grito de júbilo no momento em que se encontravam com um ato organizado pelos principais sindicatos de Nova York com organizações comunitárias. Depois dos inevitáveis discursos, ocorreu a marcha de regresso à rebatizada Praça Liberdade, movimento que levou umas duas horas pelo seu tamanho. Assim se celebrou a solidariedade entre Ocupa Wall Street, sindicatos e organizações comunitárias.

AFL-CIO: o movimento capturou a paixão de milhões nos EUA
Desde Washington, o presidente da central operária nacional AFL-CIO, Richard Trumka, fez uma declaração pública: o movimento conhecido como Ocupa Wall Street capturou a paixão de milhões de estadunidenses, que perderam a esperança nos políticos desta nação e, agora, com esses atos, falam diretamente a eles. Apoiamos os manifestantes em sua determinação de responsabilizar a Wall Street por suas ações e demandar a criação de empregos. Estamos orgulhosos que hoje em Wall Street, motoristas, pintores, enfermeiras e trabalhadores de serviços básicos unam-se a estudantes, proprietários de casas, desempregados e aos que não têm emprego fixo para fazer um chamado por mudanças fundamentais que precisam ser feitas.

Um pouco antes, os integrantes do comitê executivo – presidentes de sindicatos nacionais – tinham aprovado de maneira unânime dar apoio a Ocupa Wall Street.

Também ocorreram ações semelhantes em outras partes do país. Em Boston, centenas de estudantes e enfermeiras sindicalizadas fizeram um ato de protesto contra os altos custos da educação, as reduções orçamentárias na saúde e o que definem como controle do governo pelas corporações. Em Seattle, foram reportadas algumas prisões quando “ocupantes” se recusaram a acatar ordens de abandonar um espaço público.

Em Los Angeles, relata a agência Associated Press, houve um tratamento diferente do governo, depois que conselheiros municipais aprovaram uma resolução de apoio ao Ocupa Los Angeles, e o gabinete do prefeito Antonio Villaraigosa distribuiu 100 capas de plástico para os manifestantes se protegerem da chuva. Também ocorreram ações em Boise, Idaho e outras cidades.

Hoje esse movimento deu um giro que não só ampliou suas bases, mas que, caso essa nascente aliança entre estudantes e trabalhadores se consolide, pode transformar o panorama político dos Estados Unidos.

Tradução: Katarina Peixoto





domingos dos santos - 12/10/2011
Finalmente os estadunidese estão acordano para a pevesidade desse sistema cruel,porem foi nessesario que segacem ao fumdo do posso para tal,mas ante tarde do que nuca,quem sabe o imperio desse de impera sobre os outros e assim de matar milhares em gerras(tal como a dpo iraque)pelas cporações,mas sinceralmente eu vejo a possiblidade da istalação de um regime mas represivo nos EUA,a elite não dessara o poder tão facilmente,quanto a os EUA torna-se um país socialista,duvido muinto,os americanos querem voltarem a ter boa qualidade de vida para tal vão quere um "novo estado de bem esta social"mas socialismo difisilmente,até por que a URSS e os países do leste europeio não s´~ao bom exemplo para ele,independetimente disso o movimento é bom,sega de neoliberalismo.


PAULO ROBERTO DE SOUZA - 10/10/2011
Se me dissessem isso Há duas décadas atrás, eu diria que seria uma utopia. Hoje vejo com alegria que ao liberalismo americano é contestado por boa parte da população, sobretudo de estudantes. É o sinal dos tempos, muita coisa pode mudar daqui para frente e isso me alegra muito.


Gesa - 10/10/2011
Importante essas mobilizações em diversos países questionando o sitema. Nem tudo está perdido.


jose mariano de lana - 10/10/2011
Sempre acreditei que o império auto se destrói, mas a mola motrix para acabar com as distorções, injustiça e exploração, passa inexoravelmente pela organização popular - Viva o socialismo!


Adriano - 07/10/2011
Como lembro de ter dito em algum lugar: O imperialismo tem muito mais chances de acabar com a mobilização popular dos cidadãos conciêntes dos próprios países imperialistas. Eles precisam ter conciência da própria exploração que sofrem além da que é feita em outros países pelos grandes executivos.


rita - 06/10/2011
Muito bom saber sobre esses acontecimentos... pode ser que o estadunidense médio se acorde para as injustiças econômico/sociais não só em território americano, mas também àquelas praticadas pelo mundo afora por parte de norte americanos mal intencionados que tão precariamente administraram essa nação causando essa crise, e, também causando muito mal aos países que sofreram intervenção ianque.


Pablo Oyarzún - 06/10/2011
...enquanto isso, bilionários gargalham em seus iates! ...é preciso ferir a pele ou o bolso dos bilionários! Um molotov e uma pedra na mão de 99% da população contra os 1%... talvez assim a realidade deles realmente mude!!!


Alberto Magno Filgueiras - 06/10/2011
Esta aí, sem dúvida, o renascimento do movimento civil que na história dos EUA ressurge vez por outra ao largo dos partidos oficiais, e que refluíra nos anos de 1970 para dar lugar ao ciclo neoconservador, expressão do declínio do império nas últimas décadas e do tacão financeirista responsável pela longa crise atual (sem solução em vista). Ele só tende a aumentar. E agora, Barack?

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