Sexta-Feira, 19 de Setembro

 

14/09/2011 - Copyleft

7° PIB, Brasil é 72° no ranking da OMS de gasto per capita em saúde


André Barrocal e Maria Inês Nassif
André Barrocal e Maria Inês Nassif

BRASÍLIA – O Brasil ocupa a 72ª posição no ranking da Organização Mundial de Saúde (OMS) de investimento em saúde, quando a lista é feita com base na despesa estatal por habitante. Os diversos governos gastam, juntos, uma média anual de US$ 317 por pessoa, segundo a última pesquisa da OMS, com dados relativos a 2008.

O desempenho brasileiro é 40% mais baixo do que a média internacional (US$ 517). A liderança do ranking de 193 países pertence a Noruega e Mônaco, cujas despesas anuais (US$ 6,2 mil por habitante) são vinte vezes maiores do que as brasileiras.

Apesar de o Brasil possuir a maior economia da América do Sul, três países do continente se saem melhor: Argentina, Uruguai e Chile.

No chamado G-20, grupo que reúne os países (desenvolvidos e em desenvolvimento) mais ricos do mundo, o desempenho do Brasil, no gasto por habitante, também não é dos melhores. Está na 15ª posição - ganha de África do Sul, China, México, Índia e Indonésia.

O baixo gasto estatal por habitante tem sido um dos argumentos usados pelo governo federal para defender a criação de fonte de recursos extras para a saúde – um novo imposto ou a elevação de um já existente.

Além de o Brasil ter uma na saúde uma performance internacional aquém do poderia de sua economia - é o sétimo maior produto interno bruto (PIB) mundial -, o governo também considera o gasto per capita diminuto, na comparação com a medicina privada.

As despesas a partir de convênios particulares movimentam mais do que o dobro das finanças do Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS é gratuito e atende os 190 milhões de brasileiros. Os planos privados beneficiam um quarto da população brasileira.

Nesta quarta-feira (14/09), a presidenta Dilma Rousseff defendeu a ampliação dos recursos para a saúde, usando o argumento do gasto por habitante, durante entrevista depois de um evento.

“O setor público gasta duas vezes e meia a menos do que o setor privado na área de saúde. Isso significa uma coisa que nós todos temos de ter consciência: se você quiser um sistema universal de saúde, gratuito e de qualidade, nós vamos ter de colocar dinheiro na saúde e colocar gestão na área de saúde, as duas coisas”, afirmou.

“O dado é dramático”, disse à Carta Maior o ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão. “As famílias de classe média gastam cerca duas vezes aquilo que o SUS gasta para prover serviços de muita maior abrangência. Há uma disseminação de planos privados de cobertura insuficiente”, completou.

“Fico feliz que a presidente Dilma tenha aludido ao fato de que a saúde suplementar tem um orçamento que é 2,4 vezes superior ao do SUS. Esse é um parâmetro que deve ser considerado”, afirmou à Carta Maior Januário Montone, secretário de Saúde da prefeitura de São Paulo que apoia a criação de um novo imposto para a saúde.







Ricardo L - 30/09/2011
E há pessoas morrendo nas filas de atendimento de misericórdia do sus... Gestão e recurso,correto. Pelo caráter de controle do capital fluindo nos bancos,um imposto do tipo cpmf não aumenta uma série de valores antes sonegados?Pergunto. Aumentando possivelmente outras arrecadações?Podendo até ser bem baixo esse imposto em si,mas isso pode demandar algum tempo para surtir efeito,teria que ser um imposto decrescendo eu acho,pela emergência do sistema semi-falido de saúde . Outrossim,se eu quero um dia ter acesso a um sistema universal gratuito e de boa qualidade de saúde, o posso abandonar nesta etapa de sua construção?


João Antônio Ferrer Guimarães - 19/09/2011
Se a intenção do artigo é justificar mais um imposto, sou contra. Dinheiro para a saúde existe, o que não existe é vontade política do governo para enfrentar a gastança com políticos da base e o desperdício de uma máquina extremamente burocratizada. Sem falar na corrupção. O que deve ser perguntado para a "presidenta" é quais são suas políticas públicas de enxugamento da máquina, combate aos privilégios e adequação do orçamento que já existe para as reais necessidades do país. O resto é balela. Aliás, gostaria de ver o articulista apontando a real responsabilidade do PT neste assunto, afinal são mais de 8 anos no poder, já poderiam ter, pelo menos minimizado o problema. Quem é competente resolve, quem não é discursa. BASTA DE IMPOSTO!


renato machado - 16/09/2011
As verbas para as políticas públicas são rarefeitas. Quando uma área é mais contemplada por fazer uma maior pressão , as outras áreas recebem menos. Os jornalistas , os sindicalistas , a maioria dos políticos , o governo , uma boa parte do judiciário , todos sabem e também sabem que isso é assim por causa da criminosa dívida pública que abocanha todos os anos a metade do orçamento público e que o governo fez de tudo para não auditar. Qualquer mobilização séria sobre recursos para políticas públicas deve focar essa criminosa dívida que enriquece cada vez mais os já muito ricos.


Flavio Wittlin - 14/09/2011
O que está no fundo desta iniquidade é o modelo biomédico ou médico-industrial que o Brasil tem copiado (e mal) dos americanos por décadas. Um modelo que lá no Norte tem sido inegavelmente um fiasco social bem sucedido economicamente. Isto mesmo, a despeito de seus traços perversos de big business, destinado a consumidores que podem pagar por tecnologias high tech voltadas para poucos e devota da hiper-especialização médica, com seu caráter terrivelmente excludente em relaçāo a cerca de 50 milhões de cidadãos daquele país. Pois com ajuda de governos entreguistas e, por que não dizer, de profissionais da saúde compadrinhados e deslumbrados com a ideologia dos mesmos, o Brasil tem sido um macaquito de imitação dos gringos. Em matéria de saúde, o Tea Party é aqui, também, com suas corporaçõeș mėdico-financeiras (os planos privados de saúde, muitos hospitais particulares) e os políticos com elas comprometidos! É da hora o governo brasileiro atual virar esta página desbotada, aplicando a máxima de que país rico é também país saudável, que resgata a saúde pública sequestrada pelo interesse corporativo do capital!


snd - 14/09/2011
dia 15/09/2011,protesto dos trabalhadores da saúde do estado de s.paulo, a partir das 10h, saindo da av. dr. eneas de carvalho, sec. da saúde, no hospital das clínicas. contra as privatizações, OSSs=maneira mais fácil de desviar dinheiro. não somos culpados pela ineficiência da saúde. não somos nós que nomeamos as chefias. é o governador

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