Sábado, 22 de Julho

 

11/07/2017 15:17 - Copyleft

Metalúrgicos do ABC travam Via Anchieta contra reforma trabalhista

Trabalhadores afirmam que continuarão resistindo às reformas pretendidas pelo governo ilegítimo de Michel Temer, mesmo se a reforma for aprovada no Senado


Redação RBA
MARCELO GONCALVES/SIGMAPRESS/FOLHAPRESS

São Paulo – Milhares de metalúrgicos de diversas fábricas e montadoras do ABC paulista ocuparam, desde o início da manhã desta terça (11) a Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo, contra a proposta de reforma trabalhista do governo Temer, que deve ser concluída, em votação no plenário do Senado marcada para hoje. A mobilização dos trabalhadores da Mercedes-Benz, Ford, Volkswagen e Scania ocorre desde as primeiras horas da manhã e, no momento, ocupa a pista local sentido litoral entre os quilômetros 13 e 15. 
 
Os trabalhadores afirmam que a mobilização é um recado aos senadores de que os metalúrgicos não vão aceitar as modificações na legislação trabalhista que atendem apenas aos interesse do empresariado. Mesmo se aprovada, os metalúrgicos do ABC prometem resistir às mudanças. 
 
"O problema já começa pelo nome, a mentira que há em torno desse tema. Reforma dá impressão que é uma coisa boa. Quando a gente faz uma reforma na nossa casa é para ficar melhor, mais aconchegante, mais bonita. O que eles querem fazer não é nada disso. Na verdade, é uma destruição da legislação trabalhista", afirmou o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre.
 
Segundo ele, essa proposta de reforma trabalhista atende aos interesses das grandes empresas multinacionais, que querem ter total liberdade para dispor da mão de obra como bem entenderem. "Eles têm um plano. Estão concentrando em seus países-sede todo tipo de emprego que tem engenharia, tecnologia, salários elevados. Para o resto do mundo, vão ficar como unidades de montagem, desde que não tenham sindicatos, legislação trabalhista, para que eles tenham liberdade para fazer o que bem entender", detalhou Nobre aos trabalhadores. 
 
Somada a terceirização, já aprovada pelo governo, essas medidas vão ter impactos até mesmo na educação, quando o governo poderá licitar a contratação de empresas que contratarão os professores. Para o secretário-geral da CUT, é retrocesso de mais de um século, quando os trabalhadores, sem qualquer vínculo ou contrato se concentravam na porta da fábrica, e o capataz escolhia a dedo quem ia trabalhar naquele dia. 
 
Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão, mesmo se aprovada a reforma, os trabalhadores devem resistir. "Essa manifestação também é para avisar a Volkswagen (e às demais montadoras): Não ousem mexer com o direito dos trabalhadores. Esse recado precisa ser dado."
 
Contudo, segundo ele, a destruição de direitos pode começar em áreas do interior, onde a representação dos sindicatos é mais frágil. A partir daí, as empresas utilizarão o argumento de que é impossível manter as fábricas nas grandes cidades, que contam com sindicatos representativos, frente aos baixos custos das regiões com piores condições de trabalho. 
 
O presidente do sindicato criticou duramente a prevalência da negociação direta entre trabalhadores e empregadores. "A fábrica chama na salinha do chefe. Vamos fazer a negociação, eu e você. Vamos negociar seu PLR (participação nos lucros ou resultados), seu reajuste, vamos negociar sua garantia por doença. É essa condição que está colocada. Mesmo que aprovem, temos que resistir internamente." Ele lembrou, ainda, que a proposta de reforma permite, inclusive, fracionar as férias em três vezes, com períodos menores que 10 dias. 



Créditos da foto: MARCELO GONCALVES/SIGMAPRESS/FOLHAPRESS



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