Domingo, 20 de Agosto

 

19/05/2017 09:45 - Copyleft

Pela renúncia de Temer e por eleições diretas, manifestantes já se reúnem na Esquina Democrática

Ponto nuclear de atos políticos em Porto Alegre, já recebe, desde quinta (18), concentração de manifestantes que exigem a saída de Temer da presidência


Gregório Mascarenhas
Guilherme Santos/Sul21

A Esquina Democrática, ponto nuclear de atos políticos em Porto Alegre, já recebe, desde a manhã desta quinta-feira (18), uma concentração de manifestantes que exigem a saída de Michel Temer da presidência da República e a realização de eleições diretas ainda neste ano. Nomes conhecidos da esquerda gaúcha – entre parlamentares, políticos, líderes de sindicatos e movimentos sociais – se reúnem e discursam para a população que passa em uma das regiões mais movimentadas da cidade, a partir da divulgação, na noite de ontem, de gravações nas quais o presidente Michel Temer discute pagamento de propina com um dos donos do frigorífico JBS – além da notícia de que Aécio Neves, presidente do PSDB, pediu propina de R$ 2 milhões ao empresário para pagar sua defesa na Lava-Jato.
 
Claudir Nespolo, presidente da CUT no Rio Grande do Sul, afirmou que esse foi o primeiro ato de uma nova fase política no país, “após o Supremo Tribunal Federal pegar Michel Temer e Aécio Neves”. O dirigente sindical diz que há uma maioria parlamentar insistindo em fazer reformas, como a da Previdência e da CLT, e que “não tem legitimidade para isso”. Nespolo afirma que Temer deve “sair correndo” e a e classe trabalhadora precisa “debater a solução, que é parar as reformas, recuperar a Petrobras, o pré-sal e antecipar as eleições de 2018. Um país com 14 milhões de desempregados não pode esperar por 2018”, disse. Ele cita o “desmonte das políticas públicas, do SUS, da Previdência” para convocar a população para o grande ato organizado para as 18h, na Esquina Democrática, para denunciar o golpe e exigir a saída de Michel Temer. O dirigente citou a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, além dos partidos de esquerda, para a criação de uma “frente ampla” no país.
 

Para Luciana, que aparece ao lado de Robaina, Fernanda Melchionna e Alex Fraga, há, neste momento, a possibilidade de impedir as reformas que prejudicam a classe trabalhadora. Foto: Guilherme Santos/Sul21
 
O vereador Roberto Robaina, do PSOL, por sua vez, diz que o Brasil vive um momento histórico. “Teve um Senador da República, o Perrella, de Minas Gerais [também citado na delação de Joesley Batista], amigo de Aécio Neves, que teve helicóptero pego com 400 quilos de pasta base de cocaína. No Brasil, se o cara é pego traficando maconha na [Vila] Cruzeiro, ele vai para o Presídio Central; se é rico vai para o Senado”, disse o parlamentar, que também citou as reformas de Michel Temer: “ele entrou no governo para tocar reformas neoliberais e barrar o combate à corrupção. A única saída para combater essa catástrofe é a organização da classe trabalhadora”.
 
Luciana Genro, também do PSOL, definiu o momento como “proporcionado por uma brecha nas instituições apodrecidas desta República”. Ela afirma que a denúncia atinge os grandes partidos e a maior parte do Congresso Nacional e que o impeachment foi feito por “congressistas comprometidos com a corrupção”. Para Luciana, há, neste momento, a possibilidade de impedir as reformas que prejudicam a classe trabalhadora, pois “Temer não vai sobreviver às denúncias. A burguesia e a Globo vão tentar convencer o povo de que não é possível, pela Constituição, de se ter eleições diretas ainda neste ano. Temos que defender uma Assembleia Constituinte sem dinheiro de empreiteiras e bancos”, defendeu a psolista.
 
Para a Sofia Cavedon, vereadora na Capital pelo PT, a população está “atordoada e é vítima de uma alienação provocada propositalmente pela grande mídia. O golpe impõe um projeto draconiano, tanto que a população compreendeu o ‘Fora Temer’”, e citou o Parlamento, o Judiciário e os meios de comunicação como participantes do impeachment. Ela diz que é “muito importante grande unidade das centrais sindicais”, para combater quem quer “lucro e concentração de riquezas” no país. Sofia também denunciou o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, “que está na cadeia, recebendo milhões de reais para ficar quieto.”
 

Sofia Cavedon fala sobre a importância da unidade das centrais sindicais. Foto: Guilherme Santos/Sul21
 
A sindicalista Berna Menezes, da Intersindical, citou o desemprego no país, “inaceitável para a nona economia do mundo” – que já atinge 14 milhões de pessoas. Ela fala sobre a “primarização” – isto é, a volta da centralidade dos produtos não-manufaturados – da economia do país e citou o abandono do Porto de Rio Grande “que tinha 20 mil trabalhadores e agora tem apelas 3 mil – e que eles tentam demitir”. Ela definiu o governo como uma “quadrilha comandada pelo Presidente da República” e que partidos “ganham dinheiro para dar isenções fiscais, como a JBS levou”. Berna pediu também unidade dos movimentos, “independente das diferenças”.
 
Raul Carrión, que foi Deputado Estadual pelo PCdoB, também falou em construir unidade, “juntar forças, construir unidade em um movimento para barrar o golpe das eleições indiretas”. Ele fala em “barrar a entrega das riquezas deste país”, e, sobre a reforma da previdência, diz que Michel Temer é um “canalha que aos cinquenta anos se aposentou. Só os ingênuos pensaram que o golpe foi contra a corrupção.”, disse Carrión.
 
A concentração segue até o final da tarde, quando, às 18h, o ato se inicia na Esquina Democrática.
 
Foto: Guilherme Santos/Sul21



Créditos da foto: Guilherme Santos/Sul21



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