Segunda-Feira, 24 de Julho

05/05/2012 10:09 - Copyleft

O escrutínio da austeridade

por: Saul Leblon

Saul Leblon

" Em todas as capitais há povos que graças a nós voltam a ter esperança e querem terminar com a austeridade. Essa é minha mensagem: sois um movimento que se levanta por todo o mundo; uma exigência de mudança' (François Hollande à multidão em festa na praça da Bastilha, em Paris)

Se alguém passou distraído por três décadas de domínio neoliberal, os últimos quatro anos ofereceram a oportunidade ímpar de acesso a um compacto eletrizante com as melhores (piores?) cenas do que é capaz a convergência entre finanças desreguladas e austeridade suicida. A vítima desse condensado pedagógico é o corpo social europeu mutilado por governantes armados do firme propósito de privilegiar bancos e credores, ao mesmo tempo em que sacrificam direitos, leis trabalhistas, serviços e investimentos públicos.

As cenas finais dessa imolação tangida pelo chicote germânico de Angela Merkel mostram uma montanha desordenada de escombros sociais e políticos arrematada por 17 milhões de desempregados - recorde europeu no pós-guerra. O conjunto faz da UE hoje a sigla tenebrosa de uma empresa demolidora que devasta a mais sólida rede de conquistas da civilização imposta ao capitalismo pela luta progressista dos últimos 60 anos: o hoje esquelético Estado do Bem Estar Social europeu.

Sob o pó desse desmonte as urnas neste domingo fizeram o escrutínio da austeridade suicida.A rejeição do credo ortodoxo por parte de franceses e gregos amplia a margem de manobra de politicas progressistas no passo seguinte da maior crise capitalista desde 1929. Acima de tudo, os revezes sofridos por Sarkozy e pelos kamizazes gregos enviam uma mensagem de urgência ao mundo e diretamente aos governantes progressistas: não basta mais lutar a guerra do dia anterior; a denúncia e a execração do credo mercadista estão consolidadas nas urnas.

Trata-se agora, na Europa e no Brasil, como nas demais latitudes, de acelerar a construção de alternativas consequentes ao modelo que naufraga. Caso contrário, há o risco de se morrer na praia tragado pelo vácuo conservador. Essa, felizmente, parece ser a percepção bem-vinda do governo Dilma, que registrou um importante salto político esta semana. Com intervalo de poucos dias, Dilma emparedou os bancos na esfera dos juros; removeu o piso de conforto rentista oferecido pela poupança --o que favorece o investimento produtivo-- e promoveu um desagravo histórico de personagens e agendas que, a seu tempo e a seu modo, impulsionaram a luta soberana pelo desenvolvimento no país. Agora, a faxina que falta fazer é a da regulação da mídia, cuja pertinência mais que nunca foi evidenciada pelas escutas da Polícia Federal que flagraram um verdadeiro 'consórcio da ilegalidade' formado pelo trinômio 'Veja/Cachoeira/Demóstenes'. null



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