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09/11/2010 10:26 - Copyleft

O que mudou no ensino superior e a renovação na graduação

por: Saul Leblon



Pós-graduação nova no Brasil
Naomar de Almeida Filho, professor titular do Instituto de Saúde Coletiva e do Instituto Milton Santos de Humanidades, Artes e Ciências da Universidade Federal da Bahia, da qual foi reitorFolha de S. Paulo, 12-11-2010.

"Precisamos recriar o modelo nacional de pós-graduação; antes de tudo, o abismo entre graduação e pós-graduação no país deve ser removido". afirma Eis o artigo.


A universidade brasileira vive raro momento de inovação e expansão, propício para rever práticas e repensar estruturas.

Nesse contexto, vale destacar a criação de novas modalidades de graduação, compatíveis com o "college" norte-americano e o "bachelor" de Bolonha, na Europa.

A UFABC (Universidade Federal do ABC) foi inaugurada em 2005 com o bacharelado em ciência e tecnologia, um primeiro ciclo de três anos com onze opções de segundo ciclo.

Em 2007, a UFBA (Universidade Federal da Bahia) aprovou a oferta de bacharelados interdisciplinares como primeiro ciclo para 81 opções de graduação. Dentro do Reuni, outras instituições seguem essa tendência inovadora: UFSC, UFRN, Ufersa, UFCG, UFRB, UFJF, Unifal, UFVJM, UFSJ, Unifei, UFV, UFRJ, Ufac e Ufopa.

A Unesp abre o bacharelado em ciências exatas, curso de três anos com opções de segundo ciclo, e a Unicamp inicia um programa interdisciplinar de dois anos, primeiro ciclo geral para formação profissional específica.

Em 2011, mais de 10 mil estudantes estarão matriculados em 26 cursos de graduação de primeiro ciclo, em algumas das melhores universidades brasileiras.

A graduação se renova, portanto.

Não obstante, se quisermos avançar no desejado processo de internacionalização, precisamos agora recriar o modelo nacional de pós-graduação.

Para isso, antes de tudo, o abismo entre graduação e pós-graduação, que trava a educação superior brasileira, herança do Parecer Sucupira de 1966 e da reforma universitária de 1968, deve ser removido.
Assim, poderemos integrar graduação e mestrado, diferenciando-os do doutorado.

Mestrado é educação em métodos, conhecimentos e práticas, enquanto doutorado implica formação em pesquisa e criação. Por isso, a matriz curricular do doutorado, efetivamente focada na produção orientada de conhecimento e inovação, terá o mínimo de cursos.

Em todos os níveis, componentes curriculares serão organizados não por titulação, mas por nível de profundidade. Flexíveis, estarão abertos a qualquer aluno, de graduação ou de pós, que demonstre estar habilitado a cursá-los.

Enfim, haverá relativa autonomia entre processos formativos e processos avaliativos (exames de qualificação, teses e dissertações), com bancas compostas por examinadores externos aos programas, que, excluindo o orientador, permitirão maior controle de qualidade acadêmica.

Essas propostas articulam soluções consagradas em países com tradição universitária consolidada. A estrutura curricular mínima define o modelo inglês de doutorado.

A centralidade do trabalho de pesquisa, criação ou inovação inspira-se no modelo alemão. A sequência de exames de qualificação tem como referência o modelo norte-americano dos "graduate studies". A avaliação da tese por examinador externo antes da defesa tem base no modelo francês, com a figura do "rapporteur".

Renovada, a arquitetura curricular dos programas de pós-graduação será mais orgânica ao ciclo atual de crescimento da pesquisa nacional. Isso facilitará a inserção internacional da universidade brasileira, contribuindo para o desenvolvimento soberano do país.

Em 2009, número de novos alunos aumentou 17% em relação a 2008 | De São Paulo
29/10/2010

O Brasil pode atingir a marca de 1 milhão de matrículas no ensino superior federal em 2012, ano de conclusão do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Previsão do Ministério da Educação (MEC) aponta crescimento da oferta de vagas superior a 75% em relação aos 643,1 mil alunos matriculados em 2008, quando começou a execução do Reuni.

Números oficiais do Censo da Educação Superior 2009, que será divulgado nas próximas semanas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que foram criadas 210,2 mil vagas nas universidades federais no ano passado, o que representa crescimento de 24% sobre 2008. Com isso, a taxa de matrículas em 2009 registrou a entrada de 752,8 mil novos alunos na rede pública federal, uma alta de 17% em comparação com o ano letivo anterior. Para 2010, a previsão é que sejam registradas 860 mil matrículas (avanço de 14%), revelou uma fonte do MEC.

A taxa de formação dos estudantes reverteu queda de 2008 e voltou a crescer, embora em ritmo mais lento do que o da oferta de vagas: foram 91.576 concluintes em 2009 contra 84.034 no ano anterior, variação positiva de 9%. Na avaliação da fonte ministerial, a tendência é de aumento mais forte das graduações nos próximos anos. "O tempo médio de formação da maioria dos cursos é de 4,5 anos. À medida em o Reuni avança também deveremos registrar alguns repiques nos índices de conclusão dos universitários."



De Norte a Sul, campi viram canteiros de obra

Dois anos depois da implantação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que injetará R$ 3 bilhões até 2012 na rede federal de ensino superior, o Ministério da Educação (MEC) contabiliza a construção de 128 novos campi universitários, que se estendem por mais de 220 cidades brasileiras.

Reitores de todo o país, segundo matéria pública nesta sexta-feira (29) pelo jornal Valor Econômico, afirmaram que depois de mais de dez anos sem investimentos significativos em ampliação, as universidades federais são consideradas "verdadeiros canteiros de obra". "São 3,5 milhões de m2 de área construída ou em fase de reforma em todo o Brasil", diz Maria Paula Dallari Bucci, secretária de Ensino Superior do ministério.

Um exemplo disso, ocorre na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde o orçamento cresceu 56% entre 2004 e 2010, atingindo a marca dos R$ 454 milhões, sem considerar pagamentos a inativos e sentenças judiciais. A adesão ao Reuni permitiu a instituição contratar 450 professores e 400 servidores a partir de 2007.

O reitor Carlos Alexandre Netto informa que outros concursos estão paralisados por causa do período eleitoral. "Os dados mostram que, pela primeira vez, o Brasil vive uma política séria de apoio à educação superior. O que se demonstra é um aumento de 10% do orçamento de custeio, que paga as despesas correntes da nossa instituição, e aumento significativo de capital pelo Reuni, que garante obras, novos cursos e a entrada e permanência de novos estudantes", relata.

Para a deputada Maria do Rosário (PT-SP), que presidiu a Comissão de Educação e Cultura da Câmara em 2009, com o governo Lula as mudanças na área de educação superior trouxeram um verdadeiro divisor de águas. "A educação com o presidente Lula está no centro do projeto de desenvolvimento. Ela tornou-se a mola propulsora da inclusão e da mudança do Brasil. O ensino superior viveu uma estagnação ao longo de muitos anos, e só no governo petista recebeu investimentos significativos", afirmou.

O resultado de tudo isso, de acordo com a petista, é o aumento expressivo do número de jovens cursando ensino superior e, por conseqüência, uma mão de obra mais qualificada para dar subsídio ao crescimento do País como um todo.

Outros exemplos - A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a UFPE, em Pernambuco, planejaram expansão em direção ao interior. No caso da primeira, o crescimento orçamentário, de 77% de 2004 a 2010 (para R$ 203 milhões), permitiu que antigas unidades acadêmicas provisórias - instaladas em Benjamim Constant, a mil quilômetros da sede em Manaus, na fronteira com a Colômbia e o Peru - fossem convertidas em um campus permanente.
A expansão da Ufam também chegou às cidade maiores, como Humaitá, Parintins, Coari e Itaquatiara. Carvalho diz que a escolha dos cursos nesses locais está relacionado com o perfil econômico e cultural, além das tradicionais licenciaturas, estratégia para fortalecer a educação básica. A UFPE focou grandes reformas no campus de Recife e a expansão dos campi de Caruaru e Vitória de Santo Antão. O orçamento da universidade nordestina cresceu 14% nos últimos sete anos, para R$ 300,9 milhões.

O reitor Edward Madureira Brasil, da Universidade Federal de Goiás (UFG), destaca a construção de novos prédios de salas de aula e laboratórios de pesquisa, obras viárias nos dois campi da capital goiana e nos de Jataí e Catalão.

Os planos do pró-reitor de administração da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), Manoel Fernando Martins, para cumprir as metas do Reuni é abrir cerca de mil vagas por ano até 2012. A instituição conta com orçamento de R$ 150,5 milhões neste ano. "Estamos resgatando uma dívida com a sociedade, que permaneceu intocada entre 1994 e 2004. Estamos voltando a manter estrutura do início da década de 1990, resgatando o nível de funcionamento de antes, mas ainda com muito atraso", avalia Martins.

[ Valor Econômico- 29-10]







- 13/11/2010
Enquanto isso, no Paraná, mal o PSDB assumiu e já propôs corte de 38% nas verbas das universidades públicas do estado.



Isso mesmo: 38% de cortes.



Taí o jeitão PSDB de governar, versão Beto Richa.



http://www.youtube.com/watch?v=iW9MDGfd17k


- 12/11/2010
O que mudou no ensino superior no governo Lula foi a precarização e o sucateamento das IFES. Para ser curto e grosso: a meta de ampliação na oferta de vagas de graduação, de expansão da estrutura física das universidades, da diminuição da evasão, não vem acompanhada da necessária contrapartida orçamentária, isto é, existe um descompasso abissal entre projeto de expansão do ensino superior e as verbas destinadas para tanto. De modo que as reais consequências do REUNI e do PNE, de modo geral, serão: intensificação e precarização do trabalho docente (aumento na relação alunos por professor e substituição progressiva de professores efetivos por temporários), falta de incentivos à permanência dos ingressantes no ensino superior, ênfase na dimensão do ensino em detrimento absoluto das dimensões extensão e pesquisa, competição entre as diversas IFES pelos parcos recursos disponíveis.

Claro que não questiono a necessidade imperiosa da expansão da acessibilidade e da permanência no ensino superior, como meio por excelência para o desenvolvimento social, cultural e econômico do país. Trata-se do modo como essa expansão está sendo feita com base nos projetos do governo. Os dados apontados no artigo postado por Saul Leblon dão provas disso, em que pese o fato de que estejam sendo usados, aqui, para demonstrar o aspecto tido com positivo do REUNI: pensar a expansão das vagas no ensino superior em termos absolutos demonstra má-fé ou, pelo menos, ignorância na avaliação das políticas educacionais do governo Lula. De fato, se as estatísticas mostram a ampliação substancial de ingressantes no ensino superior, a contrapartida orçamentária fica muito aquém do necessário. O que mais preocupa, nesse sentido, é o disposto no parágrafo 1º do artigo 3º do decreto que estabelece a criação do REUNI: "§ 1º O acréscimo de recursos referido no inciso III ["III - despesas de custeio e pessoal associadas à expansão das atividades decorrentes do plano de reestruturação"] será limitado a vinte por cento das despesas de custeio e pessoal da universidade [...]." Ou seja, enquanto o projeto expandirá 75% das matrículas nas IFES, o disposto no parágrafo primeiro do artigo 3º impossibilita o aumento proporcional das despesas de "pessoal" (leia-se professores) em 20%.

Por outro lado, a relação entre ingressantes/egressos indica para a falta de apoio à permanência dos alunos no ensino. Analisando os dados apresentados, temos que para cada pouco mais de dois ingressantes, apenas um conseguiu se formar. Além disso, percebe-se uma disparidade entre as duas taxas, posto que a de ingressantes cresce proporcionalmente mais rápido do que a de egressos.

Todos esses dados, se não vistos a partir de uma ótica produtivista e absoluta, mas desde um ponto de vista totalizante que coloque cada variável em relação orgânica entre si (isto é, se não fetichizarmos os dados), teremos que concordar com uma análise mais crítica das políticas educacionais do governo Lula, sobretudo, no tocante às IFES, que estamos analisando aqui. Até 2012, o sucateamento e a precarização só tende a aumentar, enquanto a retórica do governo procurará demonstrar o contrário.


- 11/11/2010
Quero muito entender porque essa campanha contra o ENEM. O percentual de erro na impressão é totalmente aceitável, gostaríamos todos que não tivesse ocorrido mas frente ao volume da adesão é irrisório. Isso é campanha descarada mesmo ? Gostaria de sugerir uma matéria para esclarecer os leitores menos avisados.


- 10/11/2010
Vejamos,

o governo Lula adotou medidas neoliberais na educação, como PROUNI, ou seja, um programa de bolsas que seria muito elogiado pelo Milton Friedman. Isso para atender a burguesia de serviços da educação.

O investimento na educação federal, sobre chantagem do REUNI, é uma demanda da Burguesia Industrial, A CNI tem um documento que defende inclusive a gratuidade.

Já é notório o que o governo faz destrui a Carreira ùnicas dos servidores da educação para achatar salário e regulamentar o ensino, pesquisa e extensão voltado para o mercado. Além disso, o governo lula e a CUT financiam o sindicato arquipelego do PRO-IFEs como forma de desmobilizar o ANDES.

Ou se tem unicidade sindical para todos, ou não se tem, porque aí é muito fácil.

o ponto é o seguinte: o governo Lula foi NEOLIBERAL e o da DILMA continuará sendo. Quero que me prove ao contrário? ao nos esquecemos também da 1º Reforma da Previdência?

Hoje, só no setor público tem 19 m,odalidades de aposentadoria, ou seja, não existe mais paridade, a não ser para algumas carreiras muitos específicas, ou melhor aqueles que gerem o ESTADO.

A muito o Lula deixou de ser operário e o PT de ser um partido reformista.


- 10/11/2010
Eu estudei na graduação em universidade federal durante o governo FHC e voltei agora para a mesma universidade para fazer mestrado...

Não tem comparação... Está tudo muito melhor.

Quem reclama da política educacional do governo federal deve tá fazendo nenhenhém ou trololó por aí... e deve ter saudades de FHC e Paulo Renato Souza.


- 10/11/2010
O QUE SE PRECISA ENTENDER DE FORMA DEFINITIVA É QUE EDUCAÇÃO É UMA QUESTÃO DE ESTADO, NÃO DE GOVERNO. DESTE, OU DAQUELE.

O QUE SE CONSTATA COM RELATIVA FACILIDADE É QUE O CRESCIMENTO FÍSICO, NÃO CORRESPONDE NECESSÁRIAMENTE AO DESENVOLVIMENTO DO ENSINO SUPERIOR DO BRASIL, SOBRETUDO O PÚBLICO. ESTOU REFERINDO-ME A QUALIDADE E OBJETIVIDADE DE ENSINO, PRINCIPALMENTE NA GRADUAÇÃO E NA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA.


- 09/11/2010
Num governo tucano a mNum governo tucano a mídia não daria tanto destaque para estes erros de impressão em 0,00000004% das provas do ENEM.

Como a direita é que manda na mídia, daí este barulho todo

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