Cartas do Mundo

Carta de Nova York: Solidariedade com Brasil nos Estados Unidos

 

17/02/2019 11:09

 

 

Para aqueles de vocês que podem se perguntar por que parei de escrever uma carta de Nova York, a resposta é muito simples. Desde antes do segundo turno das eleições em outubro, tenho me envolvido na organização de uma rede nacional nos Estados Unidos para defender a democracia no Brasil.

Eu, como muitas pessoas progressistas, fiquei chocado e ao mesmo tempo não muito surpreendido com os resultados das eleições. Tenho acompanhado o crescimento da extrema direita internacionalmente, e não é surpresa que tenha criado raízes no Brasil. O uso de fake news e Whats app para confundir os eleitores é um fenômeno internacional. Trump abriu o caminho nos Estados Unidos e foi um exemplo para Bolsonaro e outros seguirem.

Em novembro de 2016, na noite das eleições presidenciais dos EUA, hospedei Jean Wyllys em minha casa em Providence, Rhode Island. Ele estava em uma turnê de palestras na costa leste dos Estados Unidos. Quando os resultados das eleições chegaram, nós dois entramos em estado de choque porque nenhum de nós podia imaginar a vitória de Trump.

Tendo que lidar com o trauma de sua eleição, eu estava um pouco mais preparado do que muitos de meus amigos brasileiros com os resultados eleitorais no final de outubro de 2018, e já havia começado a planejar uma reunião nacional em Nova York para decidir o que deveria ser feito nos Estados Unidos.

O dia 1º de dezembro de 2018 foi um momento histórico para a solidariedade dos EUA com as forças progressistas no Brasil. Duzentos acadêmicos e ativistas se reuniram na Columbia Law School para a reunião que formou a Rede nos EUA pela Democracia no Brasil.

Os pontos de união da rede nacional são simples:

(1) Educar o público dos EUA sobre a situação atual no Brasil;

(2) Defender avanços sociais, econômicos, políticos e culturais progressivos no Brasil;

(3) Apoiar movimentos sociais, organizações comunitárias, ONGs, universidades e ativistas, etc., que serão vulneráveis %u20B%u20Bneste novo clima político.

O Encontro Nacional também decidiu:

(1) encorajar as pessoas a organizar atividades em todo o país em 14 de março ou por volta dele, no aniversário do assassinato de Marielle Franco;

(2) estabelecer um Observatório nos EUA pela Democracia no Brasil, que as Universidades Brown e Harvard concordaram em organizar, que seria um site em inglês com os objetivos de (a) disseminar informações sobre a situação atual no Brasil, (b) preparar material desenvolvido pelos Grupos de Trabalho estabelecidos no Encontro Nacional, (c) divulgar as atividades locais que estão sendo organizadas sobre o Brasil em vários lugares nos Estados Unidos, e (d) servir como uma plataforma para compartilhar informações sobre acadêmicos e ativistas brasileiros que vêm aos Estados Unidos para que possam ser convidados para diferentes universidades para falar sobre o Brasil;

(3) trabalhar para estabelecer um escritório em Washington que poderia ser um centro educacional e de advocacia com uma visão progressista sobre Brasil, que trabalhe com o Congresso, think tanks, ONGs, universidades regionais, a comunidade brasileira e outros.

Nos últimos dois meses, a Rede cresceu tremendamente. Temos contatos em 235 faculdades e universidades em 45 estados e 33 grupos filiados à Rede. Eles são:

Advocacy Group Against Brazil's Far-Right (Worcester, MA)

Assembly for Brazilian Democracy at the University of California, Berkeley

Brazilian Resistance Against Democracy Overthrow (BRADO), New York

Brazilian Studies Association (BRASA)

Brazilians for Democracy and Social Justice (Washington, D.C.)

Center for Economic and Policy Research (Washington, D. C.)

Coletivo Boston Contra o Golpe

Coletivo HuManas

Coletivo Marielle Franco (San Diego, CA)

Collective on Translation and Educational Material

Coletivo Por um Brasil Democrático (Los Angeles)

Columbia Working Group for Democracy in Brazil (New York)

Comitê de Princeton em Defesa da Democracia no Brasil

Defend Democracy in Brazil/New York

Friends of the MST

Grassroots International

Historians for Peace and Democracy

Indiana Committee for Solidarity with Brazil

International Press Committee

Mulheres da Resistência em New York

National Network for Democracy in Brazil at Harvard

National Network for Democracy in Brazil, University of Denver Chapter

Oklahoman Committee for Democracy in Brazil

Penn State Committee for Democracy in Brazil

Re-Existir (Santa Cruz, CA)

The Brazilian Women’s Group (Boston)

The Lantern (University of Texas)

Tricontinental Brasil

United Food and Commercial Workers’ International Union

University of California, Irvine-Orange County Brazilianists

University of Chicago in Solidarity with Marginalized Brazilians

U.S. Network for Democracy in Brazil at Brown University

Witness

Graças ao incrível trabalho preparatório de Alex Main, o Diretor de Políticas Internacionais do Centro para Pesquisa Econômica e Política em Washington, DC, e Andrew Miller, o Diretor de Advocacia da Amazon Watch, ambos Christian Poirier, Diretor de Programas da Amazon Watch, e eu, representando a Rede nos EUA pela a Democracia no Brasil, reuniu-nos com assessores legislativos de representantes do Congresso para falar sobre a situação atual no Brasil, com ênfase especial nos ataques aos direitos humanos e as políticas do novo governo para os povos indígenas.

Entre os destaques dos dois dias no Capitólio estavam as reuniões com Eric Jacobstein, conselheiro sênior de política para a House Foreign Affairs Committee (o comitê na Camara de Deputados sobre assuntos internacionais) e principal assessor do presidente do sub-comitê sobre América Latina Eliott Engel; Daniel Friedman, assessor da política externa do senador Ben Cardin, membro democrata do Comitê de Relações Exteriores do Senado; e Kimberly Stanton, assessor da Comissão de Direitos Humanos Tom Lantos da Câmara dos Deputados dos EUA.

Alex Main e eu também nós reunimos com ONGs locais, sindicatos e grupos de defesa dos direitos humanos na América Latina para discutir a formação de uma Coalizão de Grupos em Washington sobre o Brasil.

Há quarenta e cinco anos, em setembro de 1973, participei de uma manifestação em frente à embaixada brasileira protestando contra o fato de que o governo negou que usasse tortura em presos políticos. A ação foi organizada pelo Comitê Contra a Repressão no Brasil um pequeno grupo que organizou atividades contra as medidas repressivas da ditadura brasileira.

Infelizmente, quatro décadas e meia depois, precisamos nos organizar novamente nos Estados Unidos contra a onda da direita autoritária no Brasil.

Se você quiser receber o boletim bimensal da Rede nos EUA pela Democracia no Brasil, escreve para: democracybrazil@gmail.com.

James N. Green é historiador, professor da Brown University

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