07/05/2011 - Copyleft

A direita, vítima do seu ¿sucesso¿

por Emir Sader em 07/05/2011 às 01:52



Emir Sader

A crise da direita brasileira pode ser remetida às derrotas que sofreu em três sucessivas eleições para presidente e a perspectiva de que essas derrotas sigam ocorrendo no futuro. No fundo dessas derrotas está o desencontro radical entre a direita brasileira e o país realmente existente.

Mas um episódio contribuiu para aprofundar sua crise e sua derrota: o episódio em que ela acreditou que tinha descoberto a chave para desconstruir a esquerda ¿ a crise de 2005 ¿ terminou gerando falsas avaliações na direita, e acabou fazendo com que ela fosse a principal vítima da crise de 2005, das ilusões que se gerou sobre sua onipotência e sobre a suposta fragilidade do governo Lula.

Avaliaram, com sua visão liberal, que o governo Lula havia assaltado o Estado, junto com sindicatos e partidos de esquerda, que teriam gerado os casos de corrupção. Acreditavam que tinham a maioria do país atrás deles, oscilavam entre o impeachment ¿ de que tinham medo, pelas mobilizações populares de apoio ao governo - e o sangramento ¿ para que, nas eleições de 2006, abatessem um governo exangue, isolado, desmoralizado.

Pagaram caro por essa visão reducionista. Quando foram derrotados, na primeira reunião da direção de um jornal estreitamente associado aos tucanos, seu editor circulava, furioso, em torno da mesa, que golpeava incessantemente, gritando: ¿Onde erramos? Onde erramos¿

Erraram em tudo, mas principalmente na onipotência que se injetaram na veia, acreditando que tinham poder para derrubar a Lula e voltar, com os tucanos, ao governo, como nos tempos gloriosos (para eles), do FHC. Foram as principais vitimas da sua criação.

Acreditavam falar em nome de um sentimento nacional contra o Estado, por menos impostos, por menos gastos em politicas sociais, contra o PT, a esquerda, os sindicatos. Faziam a apologia do governo FHC, desprezavam a desigualdade social como o principal problema brasileiro. Como monopolizavam a formação da opinião pública, acreditavam na sua ilusão de que falavam em nome do país.

Depois confiaram na ilusão de que a popularidade do Lula ¿ por seu ¿discurso populista, não por suas politicas sociais ¿ era intransferível e que um candidato com fama de bom administrador, competente dirigente politico, como o Serra, seria imbatível. Se deixaram embalar por suas próprias pesquisas ¿ avalizadas por quem as organizava, que jurava que não haveria transferência de votos e o Serra seria imbatível ¿ para se considerarem favoritos.

Não entenderam o país, não entenderam a vitória de Lula em 2002 e em 2006, não entenderam a derrota do Serra para a Dilma e deles, com todo o monopólio dos meios de comunicação, para a esquerda. Sempre é o povo que ainda não está suficientemente esclarecido para entender sua mensagem.

Agora vive, como resultado de tudo isso, sua pior crise. Serra tentou aparecer como continuador do Lula, depois como seu mais radical crítico de direita - revelando as alternativas que tem, sempre deslocados em relação ao que pretendiam ser, explorando vazios que sobram do amplo espaço coberto pelo bloco que está no governo. Ou uma critica de esquerda ¿ totalmente deslocada das suas bases sociais e sua ideologia ¿ ou de extrema direita ¿ confundindo-se com o DEM.

Vivem, com justiça, uma crise final da aliança organizada por FHC em 1994. Que se realizou e se esgotou na precária estabilidade monetária, que eles mesmos se encarregaram de sabotar e entregar a Lula uma economia descontrolada, em profunda crise recessiva.

Termina uma fase da historia da direita brasileira, que busca rumos que lhe permitam encontrar uma outra cara.

Tags: Política




1 Comentário Insira o seu Coméntario !

Paulo Luiz Mendonça. - 06/05/2013
Igualdade dos políticos brasileiros.



Políticos no Brasil são todos iguais, mesmo aqueles saídos do seio do povo pobre e desamparado. Vamos saber o porquê desta afirmação. Os políticos criados em berço de ouro, os quais são a maioria no nosso país, estes não conhecem o sofrimento do povo menos favorecido, não sabem o que é o precário sistema de ensino, não conhecem o precário sistema de saúde publica, pouco sente a falta de segurança, pois são bem protegidos por guarda costas e carros brindados. O que temos que aprender a observar com inteligência são os políticos populistas saídos do seio do povo, os quais surgem deslumbrantes com promessas de resolver todos os problemas que atinge principalmente os mais pobres.

Estes políticos com raízes na pobreza conhecem e sentiram na pele o péssimo sistema de saúde, o péssimo ensino e a falta de segurança sentiram na pele o descaso dos governantes também sentiram na pele o efeito desastroso da corrupção.

Com tudo isso se esperava que políticos com estas qualificações de ter sofrido junto ao povo fossem excelentes para governar o país e resolver os problemas cruciais que impede o Brasil de progredir, mas não é isso que aconteceu. Tivemos por oito anos o Lula um retirante saído do seio do povo pobre e desamparado. Qual foi o resultado benéfico para o Brasil, nenhum de monta que se possa bater palma. As reformas estruturais as quais eram sistematicamente cobradas por ele e seu partido permaneceram estagnadas nas gavetas do congresso. Uma pessoa saída do seio do povo, conhecedor dos problemas do nosso país, sobe a rampa do palácio da alvorada, imediatamente sofre um apagão na sua memória, esquece seu passado, e passa a se preocupar somente com o bem estar dos seus companheiros e seus familiares. Esquece que suas raízes foram plantadas lá no sertão pernambucano ao lado de gente humilde, também ao lado dos demais brasileiros que depositaram nele a esperança de dias melhores, são frustrados e abandonados a própria sorte.

Enganar o povo pobre com bolsa família ou qualquer outro tipo de esmola, isso não é resolver problemas é sim enganar a população que esperava mais reformas estruturais e não estas esmolas que trazem no seu bojo a intenção pura e simples de compras de votos.

Uma coisa importante para reforçar o descaso com o povo. Se perguntarmos para todos os brasileiros se aprovam a construção de doze estádios para a copa do mundo, todo brasileiro de bom senso responderá que isso é um absurdo. Este procedimento de fazer obras faraônicas tem um único objetivo, favorecer as empreiteiras e fomentar ainda mais a corrupção. Pensem, usem o bom senso e a razão, dinheiro para a saúde, ensino e segurança não há, mas para obras faraônicas ai sim o dinheiro aparece como por encanto. Diante disso dá para continuar a ser petista de carteirinha, ou é hora de começar a desconfiar de pobres que mudam seus discursos após subirem a rampa do palácio da alvorada..



Paulo Luiz Mendonça.