26/01/2013 - Copyleft

A reeleição de Dilma

por Emir Sader em 26/01/2013 às 11:24



Emir Sader

A reeleição da Dilma deve ser a mais fácil, em comparação com as eleições do Lula e a da própria Dilma. Todas as condições estão dadas para que a Dilma se reeleja no primeiro turno.

O governo passou seu pior ano em 2012, com estagnação da economia, com o processo do “mensalão”, mas manteve a expansão das políticas sociais e um apoio político invejável. Nada faz prever que a economia tenha um desempenho tão fraco nos dois anos que restam do primeiro mandato, facilitando a consolidação e a extensão das políticas sociais – o fator fundamental de apoio do governo.

A oposição, derrotada nas eleições municipais, não consegue projetar candidatura competitiva. Nem Aécio, nem Alckmin, nem Serra têm qualquer possibilidade de fazer com que a oposição detenha a queda acentuada de apoio da oposição ao longo dos anos. O velho dilema entre reivindicar o governo FHC, fazer campanha diretamente reacionária ou competir com a plataforma do governo revela-se um círculo vicioso sem saída para a oposição. Competirão, mas sem esperança de vitória, nem de campanha com entusiasmo. Será mais um passo para a redução da oposição tradicional à intranscendência.

A imprensa, como precisa sugerir certo interesse no tema das eleições presidenciais, insiste em especular com a candidatura de Eduardo Campos, que teria a vantagem de tirar um partido da base de apoio do governo. Mas o próprio Eduardo Campos já revelou que seu partido ambicionaria a vice-presidência de Dilma – o que poderia projetá-lo para 2018 – ou simplesmente apoiará a Dilma, buscando o apoio da Dilma, do Lula e do PT para 2018.

Resta a Marina, que começa a árdua tarefa de conseguir as 500 mil assinaturas para registrar seu partido – Semear seria o nome – até novembro. Nas pesquisas, Marina aparece em segundo lugar, como resultado do recall de 2010. Poderia ter um protagonismo similar, mas seu desempenho seria insuficiente para um segundo turno, diante do enfraquecimento do bloco tucano.

A ultra-esquerda não vai ter espaço próprio, seja pelo fracasso do seu projeto político, seja porque Marina canaliza votos light que, no passado, foram da ultra esquerda.

As opções eleitorais da população não se orientam pelo estreito círculo em que se movimentam as direções partidárias. O decisivo é o sucesso do governo e a força política que emana daí, das únicas duas grandes lideranças nacionais, complementares – as de Lula e de Dilma. Por isso grande parte das especulações presidenciais se transferem para 2018.

Tags: Política




11 Comentários Insira o seu Coméntario !

Lindaeugenia - 29/01/2013
Ao contrario de muitos comentaristas, eu concordo absolutamente com Emir, pois na minha opinião, o povo brasileiro está cadad vez mais dormido, então, é muito mais simples manipular e ganhar votos. Dilma e boa presidencia, seguindo os exemplos de Chavez: dar alimentação pros eleitores e continuar com a clase media com abstinencia política, sobre tudo,os jovens, lhe garante mais que fácilmente a eleção.


Kamila - 28/01/2013
Gosto muito de seus textos...mas penso que contar com a vitória não é algo muito bom. A oposição é suja, e mesmo sem muitas chances, não perdem o gosto de tentar derrotar aqueles que conquistaram algo unico e jamais visto nesse país que é o reconhecimento do Brasil! Precisamos estar atentos, pois a mídia golpista vai vir como forte aliada!


Carlos Folezzi - 28/01/2013
Apesar de ser um dos intelectuais latinoamericanos que mais admiro acho que Emir está sendo u pouco "leve" na sua analise. Como alguma vez disse Marx, "todo o que é solido se esvaece no ar". Deduzir a releição de Dilma apenas da evolução da economía é quanto menos, simplificador. Tanto como tentar reduzir o cresciento de Eduardo Campos a um fenómeno da mídia ignorando que se trata de um político articulado, com um modelo de gestão muito eficiente e com carisma e inteligencia fora do comum. Tanto que levou faz pouco tempo atras a diser a Lula que "Eduardo tem a idade para ser meu filho e inteligencia para ser meu pai"


Cibele - 27/01/2013
É muito bom ler o que você escreve. Ainda que eu não concorde com tudo, seu foco sempre ilumina alguma parte que eu ainda não tinha conseguido enxergar.


Amauri Spadari - 26/01/2013
Hoje o favoritismo da Dilma vencer em primeiro turno é enorme, porém temos quase dois anos de caminhada pela frente, e tudo dependerá de como vai estar o bolso e a barriga saciada do eleitor.

O governo precisa estar um passo a frente, um passo a frente para não entrar na onda de que aumentar 5% a gasolina, não vai trazer riscos para a reeleição, posso garantir que para a maioria das pessoas pesa muito mais 5% de aumento na gasolina do que os 18% de redução na tarifa elétrica possa significar de alívio, visto que as pessoas gastam 3 ou até 4 vezes mais gasolina que energia eletrica, sem falar que o aumento da gasolina seria o carro chefe para um aumento ssignificativo da inflação, algo em torno de 7 a 8% ao ano e em dois anos mais de 15%, que teria uma forte corrosão do eleitorado pró-Dilma.

Em resumo, a reeleição está bem encaminhada, vai depender das "políticas" que o governo praticar daqui até a eleição, e o quanto vai conseguir resistir as pressões dos usineiros e distribuidoras de combustível, bem como dos "diretopres" da petrobras.


Julio Calbek - 26/01/2013
Caro Emir,

a despeito de sua grande importância política e inteectual, sua análise peca pela superficialidade. Dilma em 2010 teve que enfrentar um segundo turno acirrado, que você próprio desempenhou papel importante no grande evento com os intelectuais.

A candidatura de Eduardo Campos o "Imperador de Pernambuco" está posta há 3 meses em toda a imprensa.

Ele candidatou-se para receber o apoio do PiG. A imprensa não especula. Ela realiza o que Eduardo planejou.

Lembra de Collor? Candidato sem partido de um menores estados do Nordeste? Lembra onde ele foi parar?

Por favor, Eduardo não está bricando. Preste mais atenção nos passos dele. Aécio não tem a mínima chance pois não tem o espirito competitivo que a cobra dos olhos verde.


MARCILIO JOSE VIEIRA NETO - 26/01/2013
Muito lúcida a análise do Sader.


Walter Eudes - 26/01/2013
EMIR,sei não... É uma precipitação perigosa esta sua previsão. (antemão esclareço compartilhar muito de vossas ideologias e praxis: sou socialista e eleitor de Lula e Dilma). Mas assisti (e todo mundo viu) uma construção de mais de 20(vinte) anos ruir, golpeada por um egoísmo nunca visto antes na história desse país, de um rancor incrível!! falo de que trasformaram o mérito e luta de nosso amigo peão e ex-boia-fria Lula em vergonha nacional, quando há pouco mais de um ano, ao término de seu mandato a Nação inteira lhe rendia históricas e indiscutíveis homenagens . São capazes de tudo!! e esta linha Emir, de DAR POR CERTO uma continuidade neste sofrível BRASIL MELHOR que estamos tentando fazer, deixará uma parcela grande de pessoas acomodadas NO QUE JÁ É VITÓRIA e as fileiras da militância podem se escassiar na hora dos embates decisivos. NÃO SE ILUDA!! Vão vir COM TUDO em 2014 e se houver acomodação dos partidários de Dilma... ACABOU-SE!! Porque a METODOLOGIA IDEOLÓGICA desta direita é FORTÍSSIMA: foi construída por mais de duas décadas e seus ecos de Ditadura Militar que simplesmente EXCLUIU O PENSAMENTO CRÍTICO das massas - meta esta que deve ser diária a ser resgatada... COMANHEIRO... O QUE É ISSO???


José Ricardo Romero - 26/01/2013
A esperança só deixa de ser vazia quando sustentada por uma alta dose de desconfiança e precaução. Concordo em parte com o Sr. Walter Eudes. O que me tira o sono e me enche de indignação é que o STF e a PGR acabou com o estado de direito no Brasil. O vergonhoso desempenho do judiciário, cúmplice da sórdida artimanha golpista da direta que se serve dos partidos de oposição e do PIG, não permite garantir a nenhum candidato ou partido que não seja desta direita fascista, a confiança nas regras democráticas. Quem pode confiar nas leis e nas garantias constitucionais com esta composição do STF e o coadjutor PGR? Estas instituições estão nas mãos e associadas aos interesses internacionais que se servem dos partidos da oposição e da mídia velha. Não tenho tanta certeza assim, como tem o Emir.


leon bevilaqua - 06/02/2013
gostaria de ler uma manifestação deste conceituado blog quanto a um próxima privataria da embrapa


Márcio - 06/02/2013
É incrível como há pessoas que levam a sério esse autor com suas ''únicas duas grandes lideranças nacionais'',as quais fazem com que a educação desse país se torne cada vez mais medíocre,criando cotas as quais simbolizam a carência intelectual dos nossos alunos,verdadeiros atestados de incompetência de nossos governantes em tomar medidas em relação aos problemas sociais como as altas taxas de homicídios,uso de entorpecentes por parte dos jovens.



Lula e Dilma são parte do partido mais sujo e totalitário dessa nação.