31/01/2014 - Copyleft

Acabou o ciclo do PT?

Dilma mantem alto apoio popular, é favorita para reeleger-se este ano, os índices sociais são melhores ainda do que quando a economia crescia mais.

por Emir Sader em 31/01/2014 às 06:59



Emir Sader

A cantilena volta a cada eleição. Em 2006, nem era preciso, porque o ciclo seria cortado logo no início, se as previsões da oposição de que, depois da campanha midiática contra o governo e o PT e o estrangulamento de recursos no Congresso, dessem certo.

Não contavam com a astúcia do governo Lula, que já podia contar com os resultados da prioridade do social, que havia acertado a mão com as políticas sociais e pôde derrotar de novo a oposição. Em 2010 então, os que teorizavam que era o lulismo o que segurava o governo, se entusiasmavam com a possibilidade de voltarem a governar, amparados na “científica” previsão do diretor do Ibope e na galhofa de que a Dilma era um poste.

A eleição da Dilma permitiu demonstrar como o esquema de governo valia mais alem do “lulismo”, mantendo e intensificando o modelo econômico-social. Agora, a falta mal disfarçada de entusiasmo da oposição apela para um suposto "fim de ciclo do PT”, o que alentaria os desalentados candidatos da oposição a buscarem alguma esperança para encarar a mais difícil campanha da oposição.

O coro neoliberal na mídia entoa: terminou o modelo de crescimento econômico induzido pelo consumo, pela distribuição  de renda. Faz terrorismo para que as taxas de juros sigam subindo, apelando para um suposto descontrole inflacionário. Propõe o abandono do modelo econômico e a volta à centralidade do ajuste fiscal, que levou o Brasil à profunda e prolongada recessão que o FHC deixou de herança pro Lula.

Sabemos o que é “fim de ciclo”, com o fim do curto ciclo tucano, apesar das suas ameaças que teriam vindo para destroçar o Brasil por 20 anos. A política econômica de estabilização monetária e de ajuste fiscal se esgotou, FHC conseguiu esconder a crise de janeiro de 1999 e a nova e arrasadora negociação com o FMI – que o fez levar a taxa de juros a 49% (sic) -, para poder se reeleger. Mas em seguida a economia naufragou numa profunda e prolongada recessão, sendo resgatada só pelo governo Lula.

O apoio ao governo do FHC desceu a seu mínimo, não conseguiu eleger seu candidato e, dali pra frente, só enfrentou derrotas eleitorais. Não tem nada a propor, candidatos tucanos renegavam o governo FHC, quem o reivindica ressuscita os que levaram o pais ao pântano, corre o risco de nem sequer chegar em segundo lugar nas eleições deste ano. Isso é esgotamento, fim de ciclo.

A Dilma mantem alto apoio popular, é favorita para reeleger-se este ano, os índices sociais são melhores ainda do que quando a economia crescia mais, o Lula continua a ser o maior líder politico do Brasil, o PT tem projeções para obter o melhor resultado da sua história para governadores e para o Parlamento.

Os problemas que o governo enfrenta só podem ser superados não pelo abandono do modelo que permitiu o país crescer e distribuir renda, simultaneamente, como nunca havia feito na sua história. Mas pelo seu aprofundamento, pela quebra do poder do capital especulativo, por um papel mais ativo ainda do Estado na economia, pela extensão e aprofundamento das políticas sociais. E não pelo seu abandono, para o retorno a pacotes de ajuste prometidos pelos candidatos da oposição, com as duras consequências que conhecemos.

Não há fim de ciclo do PT. Dilma e Lula tem a popularidade que falta a FHC. O país não entrou em recessão, como com os tucanos, com a exclusão social que caracterizou o seu governo. A maioria da população claramente prefere a continuidade do governo do PT às propostas regressivas da oposição. O Brasil se prepara para a segunda década de governos posneoliberais.

Tags: Política




12 Comentários Insira o seu Coméntario !

Antônio Augusto Zoppi - 31/01/2014
As instituições jornalisticas usam a mentira como forma de argumento. O interesse mesquinho está colocado acima do público. Contudo a linguagem do texto está chula. Parece desrespeitar as autoridades do PT.


Rodrigo Möller Silveira - 31/01/2014
É bom ler o Blog do Emir. Assim sei que realmente as cabeças pensantes não ficam deslumbradas com os brados da grande e pútrida mídia golpista. Espero que desta vez não reinventem outro golpe!



veronica miranda - 31/01/2014
Hoje se fala em muitos lugares no país que finalizou um ciclo. Mas, não vejo ninguém falar que o ciclo é desse ou outro partido. O que está em xeque é um sistema político e de representação política. Ao mesmo tempo há quase consenso, inclusive do próprio governo e dito pela presidente Dilma, que uma Reforma Política é necessária.

Agora, não concordo que há uma oposição grande dizendo isso. Concordo mais com Vanderlei Guilherme dos Santos de que não há oposição. Talvez esse seja o problema central que não conseguimos observar direito. Não há forma para se colocar as insatisfações, as discordâncias e se fazer as críticas necessárias, sejam elas construtivas ou não. Esses são aspectos necessários a uma democracia e por isso as pessoas estão nas ruas reclamando. É exatamente por isso. As pessoas têm necessidade de participar, criticar, construir, mas infelizmente não há mais esse espaço. Qualquer pessoa que faz uma crítica, sugestão e participa ajudando a esclarecer as cabeças é considerada "inimiga" do governo, oposição e coisas do gênero. Isso meu caro chama-se "paranoia do poder". Ocorre muito em ditaduras.

Um ciclo está se encerrando sim. E infelizmente não só o PT, mas todos os partido desse sistema vão se decompor. Se você observar bem esse processo já começou há algum tempo, ele está só sendo finalizado. Pode estar certo de que isso vai ser melhor para todo mundo. As formas como vai acontecer esse final é que podem ser melhores ou piores, dependendo das forças sociais em questão e das forças reacionárias também. Não gostaria de incluir o governo atual como força reacionária, mas se o governo reagir assim será pior pra ele. Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver. E a arrogância nunca é uma boa conselheira, principalmente em épocas de crise. Ou será que você não enxerga também que há uma crise política?


Antônio Augusto Zoppi - 31/01/2014
A SABEDORIA DO LULA E DA DILMA NÃO É ASTÚCIA.


Alexandre Coelho - 31/01/2014
Concordo plenamente!

É Dilama lá, com Lula do lado.

A oposição está perdida e a mídia desesperada. Irão certamente recorrer aos golpes mais baixos. E cada vez mais, a máscara cai e mídia mostra sua cara, sempre contrária ao interesse do povo brasileiro.


carlos a. nunes - 05/02/2014
Denominar a triste passagem deste grupo de políticos, bem organizados é verdade, de "ciclo" é uma afronta à verdade dos fatos. O país foi pilhado, mensalizado, exaurido, e mais uma vez enganou a todos que acreditaram nas intenções do carismático chefe, justamente a de quebrar o ciclo de práticas políticas corruptas e etc. Deveriam ser todos presos e enviados a uma ilha bem distante... e junto com eles, todos voces do cartamaior, vassalos, que ficam vomitando suas teorias exóticas, cheios de inveja, recalcados como todos os fracassados comunistas que, complexados, incomodam o resto do mundo com seus complexos... vão pra Cuba, lá é ótimo, ou vão pra Coréia do Norte, ou juntem-se às FARC... mas largar a zona sul, praia e whisky... não tem a menor graça né?


Luiz Carlos do Nascimento - 05/02/2014
Dilma e o PT têm boa chance. Mas temos pela frente os que pretendem tumultuar a Copa do Mundo. Conseguirão? E o comportamento da inflação? O Palácio do Planalto me parece bem preocupado. Se fizermos uma boa Copa do Mundo, se a inflação estiver sob controle, a reeleição da presidenta é certa.


Marcia Eloy - 05/02/2014
Eu acho estranho pessoas que leem Carta Maior e que não respeitam os comentários que são feitos e ainda xingam as pessoas que leem. Se eu devo ir para Cuba, há pessoas que devem ir para os Estados Unidos, aliás a maioria da classe média brasileira que vai lá uma vez por ano poderia ficar por lá. Também poderiam lei O Globo, eu não leio e não entro em nenhum site que não tenha o mínimo de coerência com aquilo que eu penso.


Orlando F. Filho - 04/02/2014
Eu ouço rádio o dia inteiro(inclusive AM). A rádio bandeirantes AM faz inserções da FIESP de meia em meia hora e o sr. Paulo Skaff(que não é dono de indústria, apenas um testa-de-ferro) exaltando as escolas móveis do sesi, senai. O que me parece é que há uma tentativa de catapultar esse farsante pois o PIG já sacou que o playboyzinho das alterosas será massacrado por Dilma. É bom não facilitar para esses caras e Lula estará ao lado de Dilma pois só assim o PIG e a oposição não terão chance. Sartre disse certa que política não é a arte de meter a mão na merda, mas enfiar o braço inteiro. Yeah!!!


Evaldo José Guerreiro Filho - 04/02/2014
Acredito nas referências apresentadas por Emir. Acho que deve ser uma disputa complicada como as demais, mas acredito também que a maioria de nós, povo brasileira, queira o aprofundamento dos avanços dos Governos Lula-Dilma. Porém, gostaria de ver o autor abordar este tema, ou seja, como avançar as conquistas? Pelo que acredito, isso passaria pelo Partido, sua força mobilizadora, suas mais diversas ramificações sociais, sua capacidade criativa de aproveitar e bem dirigir as novas forças que vem surgindo, reciclando as tradicionais, que mudam com uma nova condição social. Porém, hoje não o vejo com essa capacidade, pelo menos não o Partido que aparece, ou seja, as agremiações nucleares da atual composição que sustenta o Governo Federal. Sei também que essa força deveria produzir avanços na democratização da mídia e na reforma política, para ficarmos apenas em dois exemplos conhecidos. A minha pergunta é, como fazer isso, como progredir nesses avanços e avançar em questões estruturais como estas? Onde está esse Partido ou será que ele não é mais necessário? Se o Emir pudesse abordar esses temas para nos aprimorar o debate e a consciência, acredito que seria importante.


Alvaro Fernando Avila de Souza - 03/02/2014
Excelente artigo!

Parabéns, prof. Emir! Lembro apenas que entender necessária uma reforma política em nada quer dizer que seja "fim do ciclo" político - ainda mais fim do ciclo do PT. Muito antes ao contrário!

Significa que, ao fim do ciclo do PSDB e da velha política no poder, com a eleição do PT, seu ciclo apenas começou. E esse sim demanda, para aprofundar as suas políticas públicas, de uma reforma política, fortalecendo os partidos (e não personalidades políticas) e diminuindo as influências do poder econômico, com o financiamento público exclusivo de campanhas - como constam inclusive na proposta de reforma política já apresentada pelo governo Dilma, PT e várias outras associações, e ainda parada no Congresso Nacional.


CLAUDIO FRANCISCO SALVADOR - 01/02/2014
Para melhorar ainda mais, a DIlma poderia mandar embora o tal ministro Bernardo Mosca Morta e chamar o Franklin Martins para terminar o que ele começou!