09/11/2013 - Copyleft

Barack Obama: pato manco?

Muito precocemente Obama parece ter esgotado completamente os sonhos com que foi eleito há cinco anos e com as esperanças com que foi reeleito há um ano.

por Emir Sader em 09/11/2013 às 13:46



Emir Sader

Completa-se um ano da reeleição do Obama e nada indica que seu mandato será distinto do primeiro. Nada de terminar com Guantanamo, as guerras do Iraque e do Afeganistão não amainam, não desencalha a reforma da saúde e não consegue aprovar a nova lei de imigração. Muito cedo o Obama virou pato manco. É como se seu mandato começasse a terminar precocemente.
   
Até no plano da política internacional as coisas estão longe do que Obama planejava. No começo do ano, tinha em perspectiva um ataque à Síria, que debilitasse o governo do Assad, acreditando que retomaria as negociações de Genebra, com o suposto da saída do presidente atual como condição.

Obama não conseguiu crias as condições politicas para militarizar o conflito, como os EUA costumam fazer. Perdeu o apoio da Grã Bretanha, dos norte-americanos, até mesmo dos militares dos EUA. Teve que se somar à iniciativa russa de negociações de paz, que se afirmam como a via de solução do conflito sírio.

O passo seguinte, que seria o de passar da derrota do governo do Assad ao isolamento do Irã e a abertura da via para o ataque ao Irã, não pôde concretizar-se. Ao contrário, o que parecia impossível no começo do ano, se concretiza: negociações diretas dos EUA com o Irã. Nos dois casos, Síria e Irã, se está prestes à assinatura de acordos de paz, para desespero de Israel, da Arábia Saudita e do Kuait.

A projeção da Rússia como agente de negociações de paz no mundo e a da imagem de Putin como líder mais poderoso do que Obama, complementam um quadro internacional que teve inflexões importantes nestes últimos meses.

Não faltasse todo esse cenário, os escândalos de espionagem denunciados por Snowden, não param de provocar desgastes aos EUA, até com seus aliados mais próximos, como a Alemanha a França e o México.

Muito precocemente Obama parece ter esgotado completamente os sonhos com que foi eleito há cinco anos e com as esperanças com que foi reeleito há um ano. Entram os EUA em ano de eleições parlamentares e os cenários presidenciais começam a ser desenhados, entre um novo líder republicano e a nova tentativa de Hilary para ser a candidata dos democratas.

Para quem foi eleito como o primeiro presidente norte-americano, depois do desgaste de George Bush, numa bela campanha, o fim do mandato de Obama é melancólico, sem nem sequer garantir que poderá eleger seu sucessor. Mais um sintoma do longo processo de decadência da hegemonia norte-americana no mundo. Também no plano político – além do econômico – se desenha o mundo multipolar do século XXI.

Tags: Internacional




7 Comentários Insira o seu Coméntario !

Marcia Eloy - 13/11/2013
O comentário do Sr. Claudio é pertinente e do Sr. Marcelo é prepotente.


Dárcio Argento - 11/11/2013
mas vc´s da esquerda consciente, sensata e racional, alimentaram esperanças que o obama mudaria algi significativamente? depois os black blocs é que são igênuos


Marcelo de Souza - 10/11/2013
Análise inepta e comentários mais ainda (Cruzeli ... Deveria ser Cruz credo)

Pato manco (lame duck) descreve o presidente dos EUA que governa em desvantagem no Congresso. Funciona assim: os mandatos parlamentares são de 2 anos e os senadores, 4 anos. O presidente eleito normalmente ganha uma das casas. Obama ganhou o Senado. Como não existe troca de partidos ele deve manter o Senado durante todo seu segundo mandato. Nada de patomanquice. Se nas eleições parlamentares do ano que vem houver uma vitória democrata ele será um pato lépido e fagueiro. Se não, as coisas continuarão como estão


Ana Cruzzeli - 10/11/2013
Só uma pequena observação.

Putin está corrigindo seus proprios erros. Se na invasão da Libia ele tivesse sido mais firme não aconteceria a invasão e o conflito genocida na Siria. Ele aprendeu, mas aprendeu tarde . O Obama, ou melhor os EUA perdem por várias razões de um mundo multipolar onde Putin faz parte, contudo não devemos nos esquecer da morte do embaixador dos EUA na Libia, fato espantoso, pois a nova capital estrategicamente deslocada para Benghazi era toda em favor dos EUA. Tripoli que era pro Kadaffi. Aquilo foi um divisor de águas e deu força ao parlamento ingles a tomar mais cuidado nessas incursões ianques. Sempre achei que a Libia, depois de ser alertada por pessoas mais estudas do que eu da historia recente daquele pais, seria o Davi a ser derrotado e Kaddafi mesmo caido não seria fácil de ser domado e pelo que se viu foi isso mesmo . A selvageria em territorio libio deixou marcas profundas na humanidade e a morte brutal de um presidente de um simples homem foi a pá de cal na Sra. Hillary Clinton. Aquele WAU durante o empalamento do Kaddafi está gravado. Poucas vezes vi uma mulher tão sangue frio em toda minha vida. Barack Obama tinha que ter demitido a vibora naquele dia, tiveram que inventar uma doença para cascavel sair de cena depois que notaram que Benghazi era ainda problema. A Libia vai ficar na historia como Davi, os laços de amizade com Moscou eram historicos e Putin não deu a mão quando Kaddafi pediu. Se a Libia não tivesse sido invadida o Egito hoje não estaria nessa merda e esse cenário foi bem descrito naquele 2011. Se Kaddafi caisse os EUA tomariam Cairo tempo depois como hoje se viu. Espero que o filho de Kaddafi convença a oposição na reconstrução do seu pais nos moldes antigos, pois foi esse que deu certo e o Egito ganhará e muito com um Libia renascida. Espero que Putin olhe novamente para Libia pelo menos para acalmar seu legado comunista. A Libia tem que ser reunificada urgentemente para o bem de toda Africa.

Quanto ao telefonema EUA para o Irã foi consequencia do arduo trabalho do Lula ao dizer que quando um não quer dois não brigam. O Irã aprendeu e muito com o jeitinho brasileiro de aceitar o chamemento para uma prosa e o Obama teve que se agarrar a esse jeitinho como ultima tabua de salvação de suas enumeras derrotas e pela constatação de uma realidade apontada por Lula lá atrás. O MUNDO TÁ CANSADO DE GUERRA. O, vamos dialogar sempre é bem visto pelo eleitorado. Obama está dialogando com Irã por questões internas, seu eleitorado vê com bons olhos um dialogo com Irã, tanto é que ele ficou melhor na fita depois daquele telefonema. O Putin ganhar o premio Nobel da paz antes do Lula é injusto, o Lula fez mais que ele, mas vá lá, o Lula faz de um jeito tão fácil que a gente se pergunta: Uai, num deu nem trabalho ! A pergunta que se deve fazer é a capacidade da pessoa em evitar um conflito, em derramar sangue. Depois do sangue derramado, mediar e retroceder é quase inevitável, haja visto que guerrear cansa, chega uma hora que um lado desisti mesmo.O mundo não está preparado para aqueles que enxergam antes uma forma de evitar derramamento de sangue, logo o mundo não está preparado ainda para o Lulismo. Ainda não, mas a historia é cheia de atalhos. Esperemos. Quanto ao Obama, ele é muito dissimulada, vigilancia sempre. Na Siria não deu certo, qual seria outro pais alvo? Depois da Libia e Paraguai onde eu apostava que o Obama não se meteria, eu tô acreditando em tudo. Muito cuidado doravante. O judiciário brasileiro botando as manguinhas de fora não é simples coincidência. .


Drummond Obelix - 09/11/2013
As dificuldades de Obama nada têm a ver com a quebra da hegemonia norte-americana, quebra essa que, aliás, nada indica que esteja realmente ocorrendo. O que está havendo por lá é o aprisionamento presidencial pelos conservadores, sobretudo os reacionários.


Rui - 09/11/2013
Esse é o grande perigo da decadência americana, para aparecer um louco achando que uma 3a. guerra restabeleceria o poder a eles não custa nada.


Claudio Santos de Almeida - 09/11/2013
Sr. Emir Sader, boa tarde.



Queira perdoar a ausencia dos acentos, mas uso um computador sem a devida configuracao.



Eh sempre com muito apreco que leio Carta Maior e o faco regularmente.



Gosto de suas analises e por isso senti-me na obrigacao de oferecer um ponto de vista diferente - e tentar tecer alguma comparacao com situacoes semelhantes.



Eu creio que o Sr. Obama nao eh uma pessoa cujos objetivos nao tenham sido atingidos. Moro nos Estados Unidos e aqui, parece-me que o que vem ocorrendo eh de fato um lento, porem permanente desgaste da posicao do partido Republicano. A cada atraso nas reformas de base que o Sr. citou, os republicanos vao lentamente perdendo espaco.



O ultimo exemplo foi a perda (historica) do Estado da Virginia, que ocorreu esta semana derradeira.



O atraso de votacoes pertinentes pelo congresso eh tatica bem conhecida da gente quando se trata de reformas que ampliem o bem-estar social do pais, querseja os EUA ou o Brasil. Mas a cada vez que o Partido Republicano aqui o faz, paga custos politicos altos.



Assim como o governo do Partido dos Trabalhadores no Brasil nao eh perfeito e talvez longe mesmo disto, em minha opiniao eh o melhor governo que tivemos no Brasil no seu tempo historico como nacao brasileira. E um dos poucos governos que tem condicao de oferecer variacoes ao modelo economico que fora desenhado no mundo em geracoes anteriores.



Aqui, essa representacao eh realizada pelo partido Democrata, que assim como o PT nao eh homogeneo.



Se me permite, apenas para elemento de comparacao, envio o link de um video de Rachel Maddow, comentarias da MSNBC, que tenho assistido com muito gosto por estes dias.



Neste ultimo ela fala especificamente da imigracao, masha tambem comentarios sobre a Virginia, se gostar.



http://www.msnbc.com/rachel-maddow-show



Com muito apreco Sr. Sader,





Claudio Santos de Almeida.