27/11/2012 - Copyleft

Dez anos da política de cotas

por Emir Sader em 27/11/2012 às 06:59



Emir Sader

Há não muito tempo, um estranho conglomerado de jornalistas, artistas, antropólogos, esquerdistas arrependidos, entre outros, se lançou ao ataque contra a politica de cotas, contra as ações afirmativas. Afirmações como as de que estaríamos “introduzindo” (sic) o racismo no Brasil (brilhante afirmação de Ali Kamel, em livro propagandeado por milhares de posters), como se a escravidão não fosse um dos pilares da historia brasileira, a de que constitucionalmente “somos iguais diante da lei”, entre outras expressões da ignorância, da má fé, dos preconceitos, juntaram a antropólogos da USP, a gente como Caetano (que nem parece que nasceu na Bahia, antes de tornar-se um cronista conservador do Globo), a editorialistas indignados, em campanha frenética em torno do igualitarismo.

Não foi o suficiente para brecar esse avanço democrático no Brasil – o país mais desigual do continente mais desigual do mundo. O Judiciário aprovou por unanimidade a politica, o Congresso fez o mesmo, diante da impotência dos conservadores. A própria realidade desmentiu as falsas concepções dos conservadores, mostrando como os cotistas tem excelente desempenho, superior à media, a entrada deles não rebaixou o nível das universidades, ao democratizar o acesso às faculdades pelas cotas.

Estranhamente, durante a recente greve dos professores universitários, reitores de universidades federais, em manifesto, expressaram a opinião de que seriam eles e não os parlamentares – em nome de todo o pais – quem deveria decidir critérios de ingresso nas universidades. (E, em meio a centenas de assembleias da greve, não houve uma única manifestação de desacordo por parte dos grevistas.) São resquícios, junto a editoriais ranzinzas, da resistência à politica de cotas.

Como se o Brasil não tivesse uma divida histórica, gigantesca, com os milhões de pessoas, a primeira geração de trabalhadores da historia brasileira, que durante séculos construiu a riqueza do país, exportada para o consumo das elites europeias. Cometeu-se o maior crime de lesa humanidade, tirando do seu mundo a milhões de pessoas, trazendo-as como gado para as Américas, onde eram consideradas raça inferior, para produzir riquezas para os que cometiam esses horrendos crimes.

A política de cotas, iniciada no Brasil na UERJ, durante a reitoria de Nilcea Freire, cumpre dez anos, com enorme caudal de experiências a aprender, para liquidar de vez os preconceitos e repara, minimamente, as injustiças secularmente cometidas.

Me lembrarei sempre, na reunião com o primeiro grupo de alunos cotistas, quando uma senhora negra disse que ela vivia na favela do Esqueleto, que foi destruída para dar lugar aos prédios da Uerj. Ela passava sempre por ali e lhe doía que sua casa tivesse sido destruída para dar lugar a uma instituição que lhe negava o acesso. Até que finalmente ela pode voltar ao espaço que havia habitado, agora, orgulhosa, como estudante de Serviço Social graças à politica de cotas. Quantas histórias como essas estão aí para serem contadas, mas que a mídia privada esconde, porque não tolera a democratização por que o Brasil passa.

Tags: Direitos Humanos,  Política




37 Comentários Insira o seu Coméntario !

Ademir - 30/11/2012
"os cotistas tem excelente desempenho, superior à media"



Beleza, vamos então introduzir cotas tambem no IME, ITA e AMAN para melhorar o nivel destas universidades...


Alberto - 30/11/2012
Vejo um imenso furor em torno desta questão de cotas nas universidades públicas. Emir Sader, de cujo material sempre fiz uso em sala de aula com meus alunos, possui lá sua razão, mas, infelizmente, peca ao generalizar a questão da qualidade dos alunos e das universidades pós o estabelecimento de cotas. Tenho observado aqui em minha cidade,Ji-Paraná-Ro., fatos que comprovadamente se opõem às afirmações deste artigo. No curso de matemática da Universidade Federal de Rondônia, Campus de Ji-Paraná, a qualidade do aluno que entra nas turmas de Matemática tem sido tão baixa que, para não "espantá-los", tornou-se necessário transformar o primeiro semestre em uma espécie de "introdução" à matemática, dado o baixíssimo nível do aluno. Como professor de cursinhos preparatórios para concursos, tenho-me deparado com alunos que sequer sabem fazer uma conta de divisão na chave. E isso por um número só. E olha que sou professor da área de exatas. Além disso, tenho ministrado aulas também para alunos formandos em Matemática que questionam exatamente a queda que sofreram na qualidade do curso por conta de várias teorias pedagógicas introduzidas no curso. Eles não falam necessariamente da questão das cotas, mas da qualidade em geral dos alunos que estão adentrando as portas da universidade. E olhe que o curso de Pedagogia daqui já ficou classificado como o oitavo do Brasil. Creio que o problema da qualidade do ensino neste país ainda está nas raízes, na educação básica. A educação pública deste país tomou rumos bastante difíceis, e por que não dizer ruins. Mas isso, só o futuro dirá.


Alexandre - 30/11/2012
Olá, sou biólogo e acho muito delicado este assunto.

Primeiro a definição de raça e o enquadramento de indivíduo em cada uma das classes raciais é impreciso, ainda mais em um mundo miscigenado. Entendo haver uma injustiça histórica contra parcela da população (raça?), mas mesmo que tal parcela ficasse bem determinada outros fatores devem ser considerados, talvez não pelo cor da pele mas pela classe social. Os miseráveis polacos do Sul do Brasil não tem os mesmos direitos. Ainda esta distinção de cotas ameniza um deturpação histórica mas se perpetuado pode criar um injustiça futura.


francisco martins dos anjos filho - 30/11/2012
ao Biologo Alexandre: é óbvio que na natureza só existe a raça humana, porém o ser humano não se sujeita a natureza produzindo injustiças cmo o racismo. Diante disso, as cotas são necessarias, sim, tanto cotas racias como cotas sociais. Lembre se que nenhum fanatico da ku klux klan aceitaria argumentos cientificos de que não existem "raças", nem tampouco nossos racistas brasileiros que tem vergonha de assumir o racismo. Se fromos nos pautar somente pela lei da natureza, nem vc teria esudado e se tornado biologo, mas contentarseia em ser tão somente uma criatura da natureza só com instintos e mais nada.


Pedro Castro - 30/11/2012
Caro Emir,

BRAVO!!!

Se não conseguimos ainda ir muito longe (o numero de

jovens negros assassinados diariamente no pais continua

assustador) ao menos a politica de cotas vai minimizando

essas enormes mazelas de nossas raizes escravocratas!!!


Cibele - 30/11/2012
Demorei um pouco para entender. Mas sou a favor das cotas raciais.


leon - 29/11/2012
Estão querendo impor um sistema em que as porradas só atinjam os patriotas e dignos do PT . OS prevaricadores agressivos , corruptos e perigosos ,ficam com as benesses.


Eurico - 29/11/2012
Meu caro Emir,



Só gostaria de lembrar que na reunião aberta do Conselho Universitário da UERJ, realizada na Capela Ecumênica, os parlamentares estaduais presentes foram massacrados por apresentarem a idéia de se criar o sistema na Universidade do Estado (UERJ). Entre os parlamentares estava o atual governador Sérgio Cabral. Infelizmente, o fato é que o sistema de cotas foi aprovado apesar da opinião contrária de muitos dirigentes e líderes acadêmicos da UERJ, à época. E, é claro, o argumento recorrente era o da meritocracia no trato das coisas universitárias. Seria bom para a História e uma prova de transparência democrática, que a transcrição daquela reunião do CO fosse publicada.


leon - 28/11/2012
os dedos duros tEM telhados de vidro imensos ,principalmente os caluniadores de gente boa como o dirceu e o lula.


Patrick De Souza - 28/11/2012
Sou a favor das cotas, tanto para negros, índios e alunos de escola pública, pois as cotas e uma importante política de inclusão social. Como o professor Emir Sader destacou muito bem "os cotistas tem excelente desempenho, superior á média"; o que prova que promover políticas públicas de inclusão social, como as cotas, além de promover a integração social e democratizar o ensino, também eleva o nível das universidades.


Lara Olivel - 28/11/2012
"Os cotistas tem excelente desempenho, superior à media, a entrada deles não rebaixou o nível das universidades."

Isso não quer dizer que quem é beneficiado pelas cotas têm as mesmas condições de disputar as vagas na universidades que aqueles que não são. Muitas vezes quem está na escola particular têm mais acesso à uma melhor preparação do que aqueles que estão na escola pública. Percebemos isso observando que as melhores médias das escolas no ENEM são de instituições particulares. A partir do momento em que ambos ingressam na universidade, ambos têm acesso aos mesmos professores, livros e etc. Então comparar a média de depois do ingresso e antes do ingresso não é correto, porque antes do ingresso existem N questões que diferem as escolas, o ensino, os professores. Não que a faculdade pública nivele todo mundo, mas ela oferece oportunidade para todos igualmente, basta cada um perceber qual a sua dificuldade e procurar ajuda na própria institução, que muitas vezes têm um local de apoio ao aluno.

A maior diferença é que não tem como pagar por um professor ou livro melhor na universidade pública, é td a mesma coisa para o rico e para o pobre, já no ensino fundamental e médio se pode...

Enfim, só se pode comparar as médias dos alunos quando ambos se encontram no mesmo universo.





Tiago Felipe Ambrosini - 28/11/2012
As cotas aprovadas esse ano no congresso são para 50% de alunos da escola pública, para universidades e escolas técnicas federais (os Ifets). Dentro dos 50% há a subdivisão: pretos, pardos e indígenas, além da renda familiar menor ou maior que 1,5 salário mínimo per capita. Acho justo pois os melhores cursos federais (técnicos e superiores) infelismente não eram em sua maioria ocupados por estudantes da rede pública. A lei das cotas poderá reverter essa distorção.

Porém, não se pode deixar de dizer que as Cotas são filhas da teoria da exclusão social: a sociedade é boa, alguns estão fora dela, então vamos incluí-los. Acontece que inclusão social está longe de ser emanciapação humana. Se a sociedade está podre não adianta colocar para dentro, devemos mudar a sociedade. Não basta ser melhor tem que ser diferente.

O governo do PT abraçou a ideia das melhorias. Melhora a renda, melhora o acesso a educação superior e técnica, melhora o financiamento, só melhora, mas não modificou as estruturas de dominação da sociedade brasileira.

Tenho certeza que os movimentos sociais que lutaram históricamente por mais direitos aos negros não desejam somente a inclusão social, almejam sim uma sociedade emancipada.


Branca - 28/11/2012
Professor discutiu as cotas, mas não o que o PT (não) fez para melhorar a qualidade do ensino e inserir tais etnias e classes por seu próprio mérito no ensino superior. Tudo, tudo isso para manter o status quo do poder estabelecido, que pode muito bem ser resumido nisto (queiram os céus que, desta fez, o intelectual receba senso democrático natalino a ponto de publicar esta humilde opinião): Neste mundo mecanicista que desconecta o ser humano da sua fonte, os jovens serão escutados quando forem meios para obtenção de poder e dinheiro. Alguns destes jovens, quando crescerem, serão selecionados pelo sistema mecânico que rege nossas vidas para continuar comandando o show.


alice franca leite - 27/11/2012
Foi muito engraçada a cara de Roberto d'Ávila quando o antropólogo Roberto Damatta disse que é a favor das cotas! De minha parte como professora em instituíções públicas desde a Universidade ao Ensino Médio ou Fundamental acho que deviam investir muito mais na Educação Pública Gratuita e de Qualidade--- o lema das greves de meu tempo:

PARA ACABAR COM ESTA ABERRAÇÃO HUMILHANTE POR SER SELETIVA e COMPETITIVA que é a praga do tal do Vestibular!

Selecionar pessoas é o mesmo que catar feijão...eu já reclamava disso no Colégio de Aplicação...Formar corações e mentes---eis o desafio dos Governos realmente democráticos!!!


Pablo Oyarzún - 27/11/2012
Sou a favor das cotas, pois elas estão aí não só para preencher as lacunas sociais criadas pelo racismo no passado, mas estão também para preencher as lacunas criadas pelo racismo atual e futuro. Ano passado um policial coxinha agrediu um universitário negro porque supôs que ele não fosse aluno da universidade... O que fez aquele policial supor que o aluno não pertencia a universidade? Quantos profissionais competentes tem oportunidades negadas por racismo do empregador?

...empresas italianas com muitos funcionarios italianos, empresas portuguesas com muitos funcionários portugueses, empresas alemãs com muitos alemães... é o que os facistas chamam de coincidência.


davenir - 27/11/2012
markolapa é mais um "universalista de conveniência". Se agarra na universalização, de que não existem raças, que somos todos iguais. É muito conveniente falar d igualdade justamente quando são os negros que usufruem dessa politica. Justamente quando são os negros que tomam consciencia do racismo que sofrem. Justamente quando começam a tomar consciencia de que são negros e não há problema nenhum com isso.

Ai aparecem os universalistas de conveniência, por que foi conveniente acabar com a identidade cultural dos negros, misturando as várias etnias e reduzi-los a um tipo só, agora que o "rastro" do passado de cada um foi perdido e decidem que éssa é a hora de se unir por uma causa em comum, vem o senhor markolopa e diz que é fascismo?

Na boa markolopa vai se informar melhor vai....


markolopa - 27/11/2012
Eu sou contra a política de cotas raciais. Isso porque ela supõe que os brasileiros possam ser classificados em função desse critério. Não existem divisões entre raças, nem biologicamente nem culturalmente no Brasil. Tentar fabricá-las é um grande erro, na minha opinião. Para mim, o equívoco, que eu chamo de fascizante, começou no governo de FHC quando foi introduzido o quesito raça no censo. Sou a favor das cotas para estudantes vindos da escola pública.





Marcelo Aguiar - 27/11/2012
Nosso colega markolopa estaria com plena razão se não tivéssemos uma dívida com o negro e se não houvesse racismo. A torcida, caro markolopa, a forte torcida é que em muito pouco tempo você venha a ter razão, ou seja, que a política de cotas raciais não seja mais necessária. Daí seu discurso será bastante acertado. É para isso que brilhantemente caminhamos. Quaisquer distorções que tenhamos pontualmente quanto a critérios, não inviabilizam o global, o todo, a política de cotas raciais. E viva esse novo Brasil que nos enche de orgulho e esperanças.


José Ricardo Romero - 27/11/2012
A única coisa aproveitável do comentário do Markolopa é a última frase. Eu também sou a favor das cotas para estudantes vidos das escolas públicas, junto com as outras cotas, como acaba de fazer o governo com os 50% de vagas reservadas nas universidades federais. Esta medida deveria também ser extendida às escolas técnicas.


marcos cesar gouvea - 27/11/2012
"os cotistas tem excelente desempenho, superior à media"



Essa verdade é o maior argumento contra as cotas, pois os supostos beneficiários mostram que tem todas as condições de disputar suas vagas no vestibular sem facilidades ou "empurrãnzinhos"


Fabio Nogueira - 27/11/2012
Markolopa,deve ter acompanhado o discursos anti-cotas dos 112 cidadaos antirracistas.. Meu,querido: o censo pergunta sua cor,responde se quiser. Esse discurso já dançou,não adianta vim mais com terrorismo. Perdeu,una-se a Yvonne Maggie,Magnoli ,Kamel e toda sua gangue.



COTAS JÁ!!


ze - 27/11/2012
do lado da favela do esqueleto no morro da mangueira na década de '30 Noel Rosa dormia no barraco de Cartola : o Maracanã em frente a estes locais ainda era pista de corrida de cavalos. querer colocar o museu da música na zona sul é roubar a zona norte de sua história. e nem falamos da residência imperial na Quinta ali juntinho !


Davenir - 11/12/2012
eva maria, das cotas que não te beneficiam, tu é contra. mas quando tu vai comprar teu carrinho com imposto reduzido ai tu não reclama, não é?



o fato de tu ser trabalhadora, não te exime de ser interesseira.


eva maria - 09/12/2012
..que culpa tenho de ter nascido bem depois... e também sou uma trabalhadora...e como ficamos nós aqui da " massa"...e bem pobre tive que pagar universidade não sou contra ...e na minha época nem merenda , livros se os pais tinham para bancar! Se não tínhamos dinheiro para cadernos...e aí ...eu tenho que pagar pelos erros dos antepassados?!...e nem falo de mim por que fiz com muito esforço universidade...as vezes me pergunto pra quê?!...

e como eu há milhares nas mesmas condições...


eva maria - 09/12/2012
é isso ai...e vamos levar isso a sérios mas lembrar que existem outros na mesma situação.


WALMIR SILVA RAMOS - 07/12/2012
Infelizmente, o nosso muito querido CAETANO VELOSO, sendo baiano, declarou-se contra as COTAS.

Como baiano, filho, neto e bisneto de baianos, por parte de pai e por parte de mãe, sou, escancaradamente, a favor das COTAS.

Foi um dos muitos atos corajosos do LULA e agora, prosseguindo, e invovando muito, da Presidenta DILMA ROUSSEFF.

Que o UNIVERSO a proteja PRESIDENTA.

Estamos constatando que, o ex-Presidente LULA, conserva

perante o povo brasileiro, e perante o mundo, a sua credibilidade.

O nosso muito querido e admirado OSCAR NIEMEYER, teve divulgado, agora, de forma mais ampla, o seu pensamento a favor dos mais pobres, abonando todas as ações do nosso corajoso e audacioso LULA ( isso porque contraria uma ELITE brasileira, bastante frustrada pela evolução financeira dos mais pobres ( parte pequena dessa mesma ELITE ) ).

Até hoje, os CIEPS, etão sendo utilizados de forma parcial.

A grande meta será, com certeza, a grande revolução na QUALIDADE da EDUCAÇÂO, com acesso amplo e gratuito, para a grande massa populacional.

Meu pai, ÁLVARO JANUÁRIO RAMOS, citava, sempre, a seguinte máxima " INTELIGÊNCIA, NÃO É PRIVILÉGIO DE NINGUÉM, MAS, CULTURA SIM".

Siga em frente PRESIDENTA DILMA SOUSSEFF.

(a) WALMIR SILVA RAMOS



Rodolfo Pasquale - 06/12/2012
Me surpreendi quando, em um editorial do Globo, era ressuscitado o velho e quebrado argumento de que as cotas rebaixam o nível de ensino das universidades.



Lamentável.


davenir - 04/12/2012
"O problema não é a cor da pele, e sim a falta de oportunidade, a ausência de qualidade para concorrer a uma vaga no vestibular."



Não dá mais pra reproduzir essa ideia de que não existe racismo aqui no Brasil e que somos tratados todos por igual, mesmo na riqueza e principalmente na pobreza o negro sempre sofre por ser negro.


Sandra Maciel - 04/12/2012
O Brasil precisa do sistema de cotas. Não é por acaso que o STF e Congresso e a Presidência anuiram com o sistema de cotas, o Brasil não poderá ser a 6ª econõmia do mundo se abrir mão de 98 milhoes brasileiro, sem acesso a produção de novas tecnologias e conhecimento, se não formar professores, o sistema de cotas é isso, proporcionar que mais da metade da população brasileira, seja mão de obra qualificada, para enfrentar os desafios que se avizinham, para um país que precisa produzir energia, precisa construir portos, etc. E, as universidade só teram a aganhar com o multiculturalismo, e para quem pensa que somo todos "iguais', nada melhor que sermos todos "iguais" na universidade, ou será que a igualdade é branca.


TatianaN - 03/12/2012
Acho esse ponto de vista defensável, como também acho o que defende cotas para alunos advindos de escola pública.

O problema não é a cor da pele, e sim a falta de oportunidade, a ausência de qualidade para concorrer a uma vaga no vestibular.

Aí não se excluem os negros: se incluem os brancos que não tiveram oportunidade.

Mas concordo com o amigo que classificou certas partes do texto como piegas...

Com todo respeito, parece meio "romantizado", meio "sociólogo de gabinete", sei lá.


nilccemar - 02/12/2012
Bufão, interessante essa experiência de sua esposa com a aluna cotista. Eu, tenho cá para mim, que o acesso dessas populações no meio acadêmico só vem a beneficiar a todos, a enriquecer o saber. É sangue novo no pedaço. Renovação, O meio acadêmico é muito distante da realidade. Esse senhor FHC é exemplo disso. Conclama seus militantes ( que não é notório que existam ) a ir às ruas ouvir o clamor do povo ! Ora veja, como se comporta o acadêmico, ou academicista, para conseguir votos é que percebe que não tem contato algum com o povo, um sociólogo !


nilccemar - 02/12/2012
Ora Carlos, francamente, fica claro no texto que a política afirmativa de descriminação positiva dos negros, pretende suprir uma defasagem provocada no passado pela ESCRAVIDÃO, contra ELES perpetrada, não contra brancos. A questão do acesso da população em geral a universidades é tratada à parte, de outro modo, com o ENEN. A ESCRAVIDÃO jogou essas populações completamente despreparadas no mercado de trabalho assalariado, para competir com os brancos. Essa defasagem se mantém até os dias de hoje, a medida visa neutralizar esses efeitos maléficos, é uma política compensatória, você não tem esse histórico familiar. Contempla, com justiça, essa população, e não lhe prejudica em nada. Equivale a uma pequena reserva de mercado para deficientes físicos, que também não prejudica os outros.


Bufão - 02/12/2012
Parabéns Emir. Você levanta sempre a bandeira da justiça social, uma bandeira que provoca a ira da nossa elite e de grande parte da classe média, que acha este discurso bom quando está de baixo, mas muda de lado fácil quando consegue um lugar ao sol (Vide os exemplares do nosso judiciário).



Essa semana minha esposa, que é assistente social, vivenciou um exemplo da importância das cotas. Após falar para um grupo de estudantes de medicina sobre a importância do lado humano da profissão e estimular os novatos a evitarem a abordagem meramente técnica da doença, foi abordada em particular por uma aluna cotista que lhe falou que o fato de ser pobre e ter dependido de hospitais do SUS, lhe dava uma visão muito diferente do resto da turma e o fato de ser cotista um compromisso ainda maior.


MARIA ANGELA ABDUCH - 02/12/2012
Pelos comentários percebe-se mais uma vez e não é de se estranhar em país tão racista como o Brasil, o quanto o sistema de cotas raciais para os negros incomoda os brasileiros. Medo de que se percam as evidentes cotas para os brancos nas universidades públicas?


Roberto Carlos de Carvalho Gomes - 01/12/2012
Não se trata de ter dívidas com os negros. Trata-se de ter uma dívida social. A história da educação no Brasil, desde o império mostra que o desejo é manter os menos favorecidos longe e sem acesso. Como fazemos com o cidadão que vem à nossa porta no horário do almoço e dizemos que não temos nada para dar e que é impedido de entrar no restaurante que estamos.


Carlos - 01/12/2012
Emir, não era só esta senhora que vivia na Favela do Esqueleto: muitas outras viviam lá, gente de todas as cores. O sistema de cotas beneficia algumas destas pessoas e seus descendentes, e deixa de fora outros tantos, por serem brancos. Obviamente, uma injustiça. O parágrafo piegas que fecha o texto não esconde a falta de argumentos para discriminar as pessoas pela cor da pele, privando metade delas (os brancos) de um atalho para o acesso a um bem público (vagas em universidades públicas e gratuitas).


nilccemar - 01/12/2012
Aí, acho que a questão é mais ABOLIR A HISTÓRIA. Esse é um ataque frontal à História do Brasil, dirigida ao episódio ESCRAVIDÃO. Parece que até que prosperou a idéia de Fukuima do FIM DA HISTÓRIA. Explicitou, esse "intelectual", o desejo neo-liberal de abolir a história. Tal qual se tenta negar a escravidão, apareceu uma tese acadêmica de direito, recente, negando a existência de campos de concentração no nazismo.