08/12/2011 - Copyleft

Diário de Marrocos (3): Globalização neoliberal arrasa as culturas locais

por Emir Sader em 08/12/2011 às 08:08



Emir Sader

No plano cultural, dos hábitos, dos costumes, das formas de viver, a globalização promove um achatamento, uma homogeneização, uma imposição de estilos de vida e de consumo, arrasadores. Os shopping-centers sao a expressão mais avançada desse processo.

Eu me lembro de ter estado numa capital brasileira de um estado com fortes tradições locais pouco tempo antes da instalação do primeiro shopping-center na cidade e retornar poucos meses depois. As mudanças foram avassaladoras. A praça central havia sofrido uma devastação: fechado o principal cinema, desaparecido o comércio local, deterioração em termos de violência, de preservação das condições mínimas de salubridade, de segurança, de tudo.

Varios cinemas impunham a mesma programação global, se instalavam as mesmas lojas do centro sul do Brasil e do norte do mundo, com as mesmas marcas e as mesmas mercadorias. Desaparecia a gastronomia local, o artesanato, a musica e a literatura local.

O mesmo acontece em todos os lugares a que chega a globalização neoliberal. Uma cidade como Fez, a mais bonita do Marrocos, preserva ainda suas tradições, a medina central é a melhor expressão das formas de vida e de costume da civilização marroquina, com toda a sua diversidade. Mas uma cidade como Casablanca ou mesmo Rabat, é vitima das formas de imposição dos estilos de consumo da forma norteamericana de vida.

Instala-se agora em Casablanca, com grande estardalhaço, o maior shopping center do norte da Africa: o Morocco Mall. Empregando 6 mil trabalhadores, em uma extensão de 70 mil metros quadrados, o empreendimento se propõe a ter 14 milhões de visitantes. Dentre eles, os 2% mais ricos do país, que devem ser responsáveis por 20% das compras.

Os estilos de vida locais serão esmagados sob o peso das marcas globalizadas, todas presentes no novo shopping-center: Louis Vutton, Prada, Dior, Gucci, Zara, Lacoste, Galeries Lafayette, Nokia, Fnac. 90% dos espaços já foram vendidos. A inauguração se deu na segunda feira desta semana. E nos perguntamos o que esta gente simples, pobre, tem a ver com esse estilo importado de vida, luxuoso e completamente alheio a esta civilização milenar?

Tags: Internacional,  Política