01/08/2012 - Copyleft

E se o golpe de 2005 tivesse dado certo?

por Emir Sader em 01/08/2012 às 08:42



Emir Sader

Um historiador inglês (Neill Ferguson, História virtual) se dedicou a pensar vias alternativas daquelas que triunfaram efetivamente na história realmente existente, como exercícios de pensamento sobre o que teria sido se não fosse. Por exemplo: e se a Alemanha de Hitler tivesse triunfado na Segunda Guerra? E se a URSS não tivesse desaparecido? E outras circunstâncias como essas.

No Brasil podemos pensar o que teria acontecido se várias tentativas de golpe militar – antes e depois da de 1964 – tivessem triunfado, o que teria acontecido com o Brasil. Um bom exercício também para entender o presente, quando as mesmas forças que protagonizaram essas tentativas no passado – as fracassadas e a vencedora de 1964 – se excitam de novo e, como toda força decadente, tratam de dar aos estertores da sua última tentativa, uma dimensão épica, que somente uma classe que não pode olhar para sua vergonhosa historia golpista, pode fazer. Juizes, jornalistas, políticos derrotados, usam os superlativos que suas pobres formas de expressão permitem, para falar “do julgamento do século”, do “maior caso de...”.

Pudessem assumir a história do Brasil como ela realmente ocorreu e ocorre, se dariam conta que o maior julgamento da nossa história teria sido o da ditadura militar – aventura da qual essas mesmas forças participaram ativamente -, que destruiu a democracia no país, violou todos os direitos humanos, em todos os planos – políticos, jurídicos, sociais, culturais, econômicos -, abriu as portas para o assalto do Estado e do pais às grandes corporações nacionais e internacionais, impôs a ditadura também no plano da liberdade de expressão, prendeu, torturou, assassinou, fez desaparecer, alguns dos melhores brasileiros.

Em suma, passar a limpo essa página odiosa da nossa história – que tem as impressões digitais dos mesmos órgãos de comunicação que lideraram a ofensiva golpista de 2005 – teria sido o maior julgamento da nossa história, onde seriam réus eles mesmos, junto à alta oficialidade das FFAA, grande parte dos empresários nacionais e internacionais, entre outros.

Podemos, por exemplo, especular o que teria sido o país se tivesse triunfado o golpe contra Getúlio, em 1954. Era um movimento similar ao que triunfou uma década depois, com origem na Doutrina de Segurança Nacional, típica ideologia da guerra fria. Na Argentina, por exemplo, a queda de Peron, um ano depois do suicídio do Getúlio, introduziu o tipo de militar “gorila” (a expressão nasceu na Argentina, com o golpe de 1955), que se generalizaria a partir do golpe brasileiro.

Na Argentina, com a proscrição do peronismo, Arturo Frondizi conseguiu se eleger presidente, mas nem ele, nem os presidentes ou ditadores que o sucederam – houve novo golpe em 1966, que também fracassou, como o de 1955 - conseguiram estabilizar-se, frente à oposiçao do peronismo, principalmente do seu ramo sindical, que tornou impossível a vida a todos os governos, até o retorno de Peron, em 1973.

No Brasil, um objetivo central do golpismo era evitar a continuidade do getulismo, expressada no JK, mas também no Jango. A famosa frase – suprassumo do golpismo – de Carlos Lacerda, de que “Juscelino não deveria ser candidato; se fosse, não deveria ganhar; se ganhasse, não deveria tomar posse; se tomasse posse, não deveria poder governar”, espelhava aquele objetivo.

Se Getulio nao tivesse apelado para o gesto radical do suicídio, para brecar a ofensiva golpista, o movimento de 1964 teria surgido uma década antes. Ao invés das eleições relativamente democrática de 1955, teríamos tido uma ditadura militar mais ou menos similar à de 1964. As consequências teriam sido ainda mais catastróficas, porque o sacrifício do Getúlio conquistou dez anos, que o movimento popular aproveitou para se fortalecer amplamente. Nessa década avançou não apenas a industrialização, mas também o movimento sindical e outros movimentos populares, assim como a consciência social na massa da população. Uma ditadura – ou algum regime duro, mesmo se recoberto de formas institucionais, mas que impedisse a continuidade do regime getulista – teria atuado sobre um movimento popular com muito menor capacidade de organização e de consciência social.

Na Argentina os militares tiveram que, em prazos mais ou menos curtos, convocar novas eleições, o fizeram depois de prescrever o peronismo, a grande força politica e ideológica, do campo popular argentino. No Brasil, teriam feito algo similar, castrando a democracia brasileira da vitalidade que os movimentos populares possuíam e imprimiam ao país.

De qualquer forma, grande parte dos retrocessos que a ditadura
impôs ao Brasil, teriam sido antecipados por um movimento de direita que tivesse se apropriado do Estado brasileiro em 1964. Nossa história seria ainda pior do que ela foi, a partir do golpe triunfante de 1964.

Outras tentativas golpistas existiram durante o governo do Juscelino, pelo menos duas de caráter militar – por membros da Aeronáutica -, de menor monta, mas as articulações golpistas nunca deixaram de existir, de tal maneira que os antecedentes do golpe de 1964 vem da fundação da Escola Superior de Guerra, por Golbery do Couto e Silva e Humberto Castelo Branco, vindos da guerra na Itália, sob influência e patrocínio diretos dos EUA, que desembocou finalmente no golpe vitorioso de 1964, que não por acaso teve nesses dois militares seus protagonistas fundamentais.

E se nos perguntarmos o que teria sido do Brasil se o movimento de um golpe branco contra o Lula – que poderia ter sido um impeachment ou uma derrota eleitoral em 2006 – tivesse triunfado?

Se nos recordamos que o candidato da direita era o neoliberal acabado que é Alckmin, podemos imaginar os descalabros a que teria sido submetido o país. (O que torna ainda mais absurda a posição da ultra esquerda, que se absteve ou pregou o voto nulo diante da alternativa Lula ou Alckmin.) Só para recordar uma circunstância concreta, quando Calderon triunfou no México, de forma evidentemente fraudulenta, nas eleições presidenciais de julho de 2006, Alckimin saudou-a como o caminho que o Brasil deveria seguir. (Ver artigo aqui na Carta Maior, comentando essa similitude assumida por Alckmin.)

Significaria, antes de tudo, a retomada de um Tratado de Livre Comércio com os EUA, ja que a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) tinha sido substituída por tratados bilaterais com países do continente, como o Chile, entre outros, pelos EUA, depois que o Brasil contribuiu decisivamente para enterrar a ideia de uma America Latina totalmente aderida ao livre comercio, subordinada completamente aos EUA.

Os processos de privatização que FHC não tinha conseguido completar, pela resistência do movimento popular brasileiro, seriam retomados, atingindo a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Economica, a Eletrobras, entre outras empresas sobreviventes do vendaval privatizando do governo dos tucanos.

Mas sem ir mais longe, bastaria imaginar o que teria sido o Brasil – e também a América Latina – se a crise internacional do capitalismo, iniciada em 2007 e ainda vigente, tivesse encontrado o Brasil tendo ao neoliberal duro e puro do Alckmin como presidente. Estaríamos ainda pior do que um país como a Espanha ou a Grécia ou Portugal. Estaríamos devastados pela recessão, pelo desemprego, pelos compromissos escorchantes do FMI.

Basta esse quadro realista do que estaríamos vivendo se o golpe de 2005 tivesse dado certo. O seu objetivo inicial era tentar impor uma derrota de longo prazo à esquerda, que teria fracassado, com Lula, seu principal dirigente, por um prazo longo, permitindo que as forças tradicionais da direita retomassem o controle do Estado brasileiro.

O julgamento que começa esta semana é, sobretudo, o julgamento de uma tentativa frustrada de golpe branco contra um governo popular e democrático, eleito pelo voto popular e legitimado pela reeleição do Lula e pela eleição da Dilma. O povo já disse sua palavra.

Tags: Política




41 Comentários Insira o seu Coméntario !

Leopoldo de Dorinha - 28/08/2012
Esse julgamento do STF é um teatro. O que deve ser julgado é o sistema político-eleitoral brasileiro, esse lixo que funciona como acesso de seres bizarros aos mais altos cargos públicos do país e com maior poder de influência.


Sergio Uliano - 21/08/2012
Exelente reflexão.Mas é preciso não perder de vista que



as forças do atraso e neoliberais voltaram a namorar com os golpes; golpes de NOVO tipo.



No Brasil, o PSDB e o PFL apoiaram explicitamente o golpe no Paraguai.



Nos EUA já se fala abertamente em " golpe brando ".


José Osivan Barbosa de Lima - 15/08/2012
Gostei do post e concordo com a mensagem. Mas graças a Deus o povo brasileiro está a tento e não cai mais na onda de golpe militar que tanto mal já fez ao povo brasileiro.


Mauricio - 09/08/2012
Se o Cachoeira abrir a boca e contar como foram feitas as arapongagens e as filmagens que deram origem a farsa do mensalão ficará tudo mais claro. Seja como for, a aprovação da presidente DIlma segue imbativel 75% (pesquisa CNT/JUL12). E os que diziam nos anos 90 que o Lula iria quebrar o Brasil se fosse eleito, hoje estão sem argumento nenhum.


mario - 09/08/2012
Quem deu golpe em quem ?


Beatriz Belle - 05/08/2012
Golpes - Golpe branco - Ditadura - onde o neoliberais inflam o peito, cheio de amargor que é uma qualidade de um dos piores amargos dentro de lideranças, massacrando a própria sociedade, um povo, uma nação, enfim, todos os sintomas de uma ditadura sangrenta, fria e calculista. Apenas "adormece" como vulcão enfurecido, como o pior vulcão Tambora, na ilha de Sumbawa, na Indonésia, que na erupção matou mais gente em toda a história (100 mil) em 1815, com suas chamas de 40 km de altura, com dióxido de enxofre, um verdadeiro inferno, como é o inferno de quem passou pelas dores, sendo torturados, mortos e desaparecidos até hoje impune. Ditadura maldita. Concordo plenamente com Emir quando ele refere a começar pelo golpe branco contra o Lula, seria um pé no pescoço e armaduras até nos dentes contra a nossa Nação, a intenção seria a retomada. Dai a importância em estar ativo não somente em nossas memórias, mas debater, sacudir o tapete porque é sabido que se te muita coisa em sigilo, e outras tampados.



Vamos peneirar, passar a limpo e não permitir que tanta mentira, tanta tortura esteja ainda em nossos dias adormecidas. Alerta contra os vulcões da ditadura, a herança maldita que existe bem abaixo de nosso nariz, de Golbery do Couto e Silva e Humberto Castelo Branco, e os atuantes, infiltrantes - FHC, Serra, Alckmin e assim por diante...



Devido a miscigenação política penetrada para tentar golpes como na matéria anterior de Emir sobre Serviço Secreto de FHC monitorou militantes antineoliberalismo . É repugnante!


Caetano. - 05/08/2012
Desde quando eleição significa absolvição de crimes?


Silvio Da-Rin - 05/08/2012
Brilhante texto, Sader. Por formação, acostumei-me a não especular com hipóteses do tipo "se a História tivesse sido diferente...". Mas seu artigo faz conjecturas altamente pertinente e está ancorado na História do Brasil desde a Revolução de 1930. Nesses oitenta anos, estamos vivendo o confronto de sempre: as oligarquias de um lado e o povo do outro.


Walter Eudes - 04/08/2012
Não vejo dúvidas: INDEPENDENTEMENTE do resultado deste julgamento, a esquerda política brasileira ( ou o que se assemelha a esta cunha ideológica), tendo como expoência o PT, terá que mergulhar em profundo revisar de princípios, metodologias. Condenados ou não os acusados, todo o campo dito de esquerda JÁ ESTÁ golpeado no Brasil. Em definitivo, foi-se a "ingenuidade" e "pureza" que abundava na campanha presidencial e 1989, em outras seguintes e em cada prefeito(a) ou governador(a) eleito pelo voto direto por uma população que tomou coragem e apoio em ver um pouco mais diferente o modo de governar um país, um estado, uma cidade. Se haverá tempo hábil a esta geração que amadureceu buscando essa chance para se reabilitar politicamente (sendo ou vitimas ou culpados!) não sabemos. Mais é certo: é muito difícil, muito difícil mesmo não encontrar entre tanta gente popular e/ou anônima desta geração "em pauta" que não tenha doado boa parte de suas vidas por um projeto, por um sonho, por uma luta de um Brasil melhor; e se não o Brasil IDEAL, que caberia nos desejos de milhares e milhares, esse Brasil melhorou. Alguém duvida? A história não para... e se é pra recriar novas esperanças de tanto anseio possível em nossos governos que se comece por essa gente que está sofrendo tanto assédio (sejam inocentes ou não). Até aqui, as vitórias destes senhores e senhoras alvos de tanta "pancadaria" merecem respeito, principalmente pelos seus ternos anos de juventude sacrificada em prol deste futuro que usufruímos agora.


Thomaz Magalhães - 04/08/2012
Se Lula tivesse caído, assumiria o vice-Alcencar que morreria e assumiria o presidente da câmara e depois provavelmente a Dilma seria eleita no primeiro turno com grande vantagem sobre quem fosse. Pena que não caiu, preguiça da oposição.


Aldenôra Nascimento Moraes - 03/08/2012
Caro Emir,

Comcordo com cada palavra do seu artigo, entretanto, em nenhum momento, você disse que os acusados, são inocentes. Não entendo, portanto, como é possivel que pessoas historicamente comprometidas com a construção de uma democracia, pessoas que sabem muito bem, do a elite burguesa dessa país, é capaz de fazer para se peretuar no poder, puderam colocar em risco um projeto político, construído ao longo de anos, por milhares de homens e mulheres, às custas de muito sangue, suor e lágrimas. Devo ser mesmo muito burra, porque por mais que me esforce, não consigo encontrar nenhuma resposta capaz de justificar tanta irresponsabilidade e inconsequência. Penso que a questão não é se este julgamento é o maior da história, ou não, nem tampouco, os exageros da mídia, de juízes, políticos, ou quem quer que tenha feito pior, o que mais me dói, como uma das fundadoras do PT, é que meus companheiros, não tinham o direito de nos fazer viver esse maldito momento. Todos nós sabíamos que - por todos os motivos que você tão bem elencou - não podiámos cometer erros, por menores que fossem. E nesse caso específio, não podemos nos valer da máxima: " errar é humano".



Lúcia Ribeiro - 03/08/2012
Para os que não entenderam, não se trata de não se condenar quem colaborou com o esquema do mensalão. Claro,vejo que não caberia um impeachement contra Lula na ocasião das denúncias do mensalão. Havia gente numa verdadeira rede, envolvendo vários partidos, cujos modos operacionais não começaram com o governo do PT; e claro se o golpe tivesse se consumado estaríamos em situação pior do que a

Europa. Porém, gostaríamos de ver que a mesma importância dada ao assunto pelas grandes mídias fosse dado às ações de Serra, FHC, Daniel Dantas, Gilmar Mendes, etc.


Armando - 03/08/2012
Acho difícil conceituar o governo JK como continuidade do getulismo. Haja vista o financiamento do Plano de Metas pelo capital externo, dando partida ao processo de elevação da dívida externa a níveis estratosféricos, que até hoje sangra as nossas riquezas, e detonando o processo inflacionário. E a malfadada implantação do rodoviarismo, sucateando a rede ferroviária e o transporte hidroviário, atendendo os interesses das megacorporações automobilísticas e produtoras de petróleo.



Políticas centrais do desenvolvimentismo de JK, em franca oposição ao que o trabalhismo de Getúlio propunha. Gerando uma crise que estoura no governo Jango e foi caldo de cultura para o golpe de 64 (que não se pode esquecer, foi apoiado por camadas significativas da população, de todas as classes). E pelas quais até hoje o Brasil paga um preço altíssimo.



Pela linha de raciocínio do artigo, talvez fosse o caso de se perguntar: o impeachment do Collor, no qual o PT teve um papel linha-de-frente, também poderia se considerar um golpe ?







Rodrigo Dias - 03/08/2012
É preciso rechaçar as teorias conspiratórias. Evidente que havia e há interesses políticos em jogo com o caso do mensalão. Mas é interessante notar como toda a retórica passa ao largo das provas colacionadas a respeito do pagamento de propinas a parlamentares. Deixemos de lado por um instante o poder da grande imprensa, o preconceito que há e sempre haverá contra Lula, para nos atermos aos fatos. Houve o pagamento? Houve a tomada do Estado por um grupo que se jactava de sua ética, e que jogou todo o discurso pela janela assim que adentrou o Palácio? São perguntas que tem que ser feitas à margem de paixões políticas. E discordo da análise especialmente no que pertine a dizer que o governo Lula-Dilma é de esquerda, PORQUE NÃO É. É a continuidade da mesma política econômica de FHC. O mais triste, como eu sempre costumo dizer, não é o mensalão: são as votações do Congresso Nacional que foram compradas com esse dinheiro: reforma predatória da Previência, retirada de direitos de funcionários públicos de todos os níveis, absolutamente nada em favor da população que a esquerda deveria defender.


Nena - 03/08/2012
Estranhei muito alguns comentários aqui postados, alguns que duvidam que esta artimanha mal engendrada mas muito divulgada do mensalão não teria sido um golpe. Porque esta dúvida? Foi e está sendo usado pela mídia como um Golpe Branco para desestabilizar o Governo Dilma/Lula e em especial inutilizar as forças políticas do PT.

Outros ainda acreditam que houve um mensalão engendrado pelas hostes do PT, vejam a defesa do Dirceu e a fala do Rui Falcão e parem de ler e assistir O PIG.

Pessoal não dá pra duvidar que foi uma tentativa de golpe contra o governo Lula e que é e está sendo um golpe na liderança política do PT e por consequencia um claro e irrefutável golpe na nossa presidenta.


proletario - 02/08/2012
"Laura diz:

01/08/2012

A pergunta esta mal feita. Parte-se do suposto de que houve tentativa de golpe. Logo. o texto perde o sentido."





Dito pelo gvernador Tarso genro:



"Acresce-se que aqui no Brasil - sei isso por ciência própria pois me foi contado pelo próprio José Alencar- o nosso Vice presidente falecido foi procurado pelos golpistas “por dentro da lei” e lhes rejeitou duramente."



http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20450


Joaquim Pinheiro de Araújo - 02/08/2012
Que esquerda é o PT/Lula/Dilma? Os servidores estão sentido na pele, mas tb nas lutas, o desnudamento dessa turma. A postura do governo em nada difere dos tucanos, que o diga os professores e o ANDES que têm de conviver com o autoritarismo, mentiras e uma entidade pelega (PROIFES) criada no ministério da educação na Era Lula. Aliás, sobre a greve nas universidades, Emir parece que não está vendo. Ela está sendo muito didática...

É isso, o capitalismo é contradição. Afinal não foi o PT que contribui para que a sociedade acreditasse que a ética na política era importante. Então agora é provar do veneno...


Cleto José Vilar Maia - 02/08/2012
Concordo quando diz que se trata de mais uma tentativa,frustrada e defasada,da nossa mais que vetusta e também hidrofóbica direita de realizar uma espécie de "terceiro turno";todavia é preciso responder serena,porém,altiva e firmemente, à mais esta encenação política de qualidade vexatoriamente duvidosa das tradicionais oligarquias insanas deste País.Mesmo porque é sempre bom lutar pela manutenção do espírito e da vitalidade democráticas.Abaixo à "politicaria" udenista.


Marcelo Delfino - 02/08/2012
Quando eu lembro que Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva integraram (talvez ainda integrem) o famigerado Consenso de Washington, isso me dá o direito de rechaçar essa retórica demo-tucana e lulo-dilmista. Prefiro pensar em dias melhores. Seja pro futuro ou pra hipóteses do passado que não se realizaram. Acredito que teríamos algum avanço neste país se a quartelada de 1964 tivesse fracassado como as ocorridas durante os anos anteriores.


carlos saraiva e saraiva - 02/08/2012
Caro Emir, o momento histórico brasileiro e internacional é outro. Em 2005, o objetivo era, primeiro, o golpe contra lula e o esfacelamento do PT. O golpe, não saiu, tentaram o desgaste do Lula e do partido , para voltarem via eleitoral, não deu certo. Agora, não é o governo Dilma, que está em pauta e sim a destruição do PT, dada sua capilarização politica e fortalecimento institucional. Está em pauta, a desmoralização e o enfraquecimento da liderânça de Lula, nacional e internacionalmente. Assim a direita, pensa voltar, com o apoio de uma certa "esquerda", "democrática", que acredita no "canto de sereia" de hegemonizar a disputa com o PT, isolando-o, bem como o aparecimento de um novo líder, levando Lula ao ostracismo. O lamentável é essa , que você , denomina de ultra esquerda, entrar e participar desse jogo golpista. O futuro está nas mãos de uma ação, positiva, destemida do PT, junto com os movimentos sociais, a classe ascendente e intelectuais, lúcidos e comprometidos como você.


rogerio krieger - 02/08/2012
...se o golpe de 2005 tivesse dado certo estariamos na oposição unidos sem norte,pois o pais taria quebrado e o hoje o eco da renacionalização da VALE,já é possível(imagina se seria viável BB CEF e PETROBRAS nas maos dos gringos multi eua e outros +).Mais do que nuca AFARSA DO MENSALÂO NÂO VAI PEGAR ,pois o JULGAMENTO DO SÉCULO SERÁ A CPI DA PRIVATATRIA TUCANA E A CO MISSÂO DA VERDADE,ESSES SIM,sem falar no MARCO REGULATÒRIO DAS COMUNICAÇÕES E OUTROSbabados mais.É ISSO AÌ GRANDE PENSADOR FILÓSOFO E SOCIOLOGO emir sader (rogerio krieger-cidreira)


Joaquim Saraiva - 02/08/2012
Amigos, que vcs gostem do ex-presidente Lula, tudo bem, eu entendo, inclusive pq também gosto, mas negar a propina paga pelo PT a parlamentares e partidos políticos em troca de apoio (mensalão), é um absurdo. A miríade de documentos produzidos nos autos da ação penal que tramita no STF é contundente, comprovam cabalmente a existência de pagamento de mesadas.

A mídia brasileira aliena? Sim, claro! Agora, será msm que o PIG é tão poderoso a ponto de comprar todas as demais instituições (PF, MPF…) e pessoas, conspirando nessa senda contra a ordem vigente? Tapar os olhos para esse descalabro, o maior escândalo político do país, é tornar-se condescendente com toda a canalhice já comprovada. Gosto muito do blog, mas, sinceramente, às vezes, sinto que ele tenta alienar tanto quanto a própria Globo, Veja…

VIOMUNDO, demos a César o que é de César!


Ana Cruzzeli - 01/08/2012
Assino embaixo, e...



Toc, toc , toc na madeira



Aquele golpe quase deu certo se não fosse o Lula ter peitado os golpistas.

Esse julgamento tem que ter essa analise fria dos ministros sobre o que significa esse fato politico que de penal não tem absolutamente nada a não ser um politico que tentou roubar os Correios ( Roberto Jefferson) e foi pego no momento do roubo. Tirando isso não há nada desabonador na campanha de 2002 e na gestão do Lula desde o primeiro momento.



Daqui há uns 20 ou 30 anos falaremos desse golpe e como andamos no fio da navalha e sobrevivemos.



É por isso e muito mais que essa direita que aí está não faz falta ao Brasil, muito pelo contrário.



Armando do Prado - 01/08/2012
Mas, parodiando os udenistas: é preciso manter a eterna vigilância, pois os golpistas continuam em seus posots inconformados e, principalmente, agindo seja via mídia ou através da política oportunista.


LENIRA MORAES - 01/08/2012
A IMPRENSA GOLPISTA SE DELEITA EM REGISTRAR O

"JULGAMENTO DO SECULO"A MELHOR RESPOSTA É IGNORA-LA.PERDERAM EM 2005,2006 E 2010,

UMA LEI DE IMPRENSA SE IMPOE HOJE!


maria ribeiro - 01/08/2012
Duas perguntas que não querem calar: 1) qual o motivo de se julgar já, apenas membros do PT, quando membros do outro partido estão envolvidos em atos iguais anteriores (com gilmar e fhc em listagens)? 2) qual a importância para a Justiça se um ministro se aposenta em setembro? o que isso importa à Nação?


Luis Renato - 01/08/2012
Emir, fiquei com uma duvida aqui: Do que se desculpava o Lula quando se dirigiu 'a Nacao, em Junho de 2005? Seria a tal "tentativa de golpe"?

Ate' onde me lembro a maioria dos politicos, mesmo de oposicao a ele, deu a ele, Lula, um credito de confianca, incluindo ai' o sr. Jefferson que agora se desdiz.

No mais, como disse o colega Eduardo, eleicao nao e' julgamento, embora nossos politicos continuem a pensar (e agir) assim.


nilccemar - 01/08/2012
Emir, tenho certeza que o que manteve Lula no poder foram os movimentos sociais. Desta vez, diferentemente da realidade que circundou Vargas, não existe mais uma sociedade amorfa, com indivíduos atomizados e sujeitos a pressões da midia. Na realidade, há um temor respeitoso aos movimentos organizados, por mais que isso não seja explicitado. A maioria silenciosa, que costumava legitimar os golpes, atualmente tem dimensões bem menores. O jogo do poder mudou muito, e os golpistas apenas fingem não ver isso, além do que, já não podem mais contar com os militares, que estão cumprindo seu compromisso de não mais interferirem na ordem política.


Rafael Sousa - 01/08/2012
Deixa ver se entendi: qdo o povo elege Maluf, ele é ignorante, porque vota nele apesar de ser corrupto. Qdo o povo elege o PT, ele absolve o partido das acusações criminais. É isso mesmo?

Qdo até as maiores inteligências são tomadas pela ignorância, é sinal de que os tempos vão mal...


Gutenberg - 01/08/2012
Golpe? Os malandros passam a mão no dinheiro e chamam de golpe?


Laura - 01/08/2012
A pergunta esta mal feita. Parte-se do suposto de que houve tentativa de golpe. Logo. o texto perde o sentido.


Maria do Rocio Macedo - 01/08/2012
É incrível a tentativa das mídias capitalistas/neoliberais, de fomentar atitudes que o povo,por si só, não teria. Essas mídias estão tentando, com esse estardalhaço que fazem,novamente desestabilizar o País; só que os tempo mudaram; elas não estão mais como o mesmo poder que tinham antes; agora é diferente e vai ser muito mais diferente, até que eles revejam suas velhas e podres intenções!


ricardo silveira - 01/08/2012
Bom exercício para a esquerda pensar melhor sobre o que faz. Acho que a direita, hoje, tendo FHC à frente junto com a mídia golpista, vai perder mais uma batalha. O STF não vai condenar ninguém sem prova. E, mais à frente poderemos rememorar: e se a direita ganhasse novo fôlego com condenações sem provas do caso “mensalão”?


pedrinho adeniro escher - 01/08/2012
O PIG - Partido da Imprensa Golpista, cuja credibilidade está caindo cada dia, é a voz do desespero da elite neoliberal. A sabedoria dos que amam a pátria brasileira desde 2003 ignora a hipocrisia e o ódio dos golpistas, reelege pela terceira vez o projeto da soberania, da justiça social e desenvolvimento. Mas fiquemos atentos. Ditadura, nunca mais!


Eurico - 01/08/2012
Não sou tão otimista assim. Gostaria que nossa democracia fosse tão sólida que pudesse aguentar violentas greves gerais como acontece na França. Alguma coisa me lembra o Chile, quando os caminhoneiros paralizaram o transporte exatamente no mês em que as terras do sul estavam preparadas para receber as sementes. No Brasil, parece-me que a antiga classe média está inquieta e não gostou de receber a nova classe que ascendeu. Agora trata de colocar uma faca no pescoço do governo e reivindica: O céu é o limite!

As vivandeiras assanhadas e os oportunistas de plantão se regozijam e berram: provem agora, governistas, provem de seu próprio veneno.


anibal jr - 01/08/2012
A eleição de um governo popular comandado pelo "analfabeto"sábio e competente Presidente Lula foi um duro golpe na direita que inconformada, tenta desde 2002 armar ciladas e golpes, com auxílio das famiglias dominantes dos meios de comunicação. O julgamento de várias pessoas pelo STF inclui uma sobre a qual não há provas, nem indícios de falcatruas, apenas acusações de um desclassificado corrupto. Penso que o STF deve julgar com bastante clareza e isenção para que a Justiça seja concluída nesse episódio. Que seja concluída, pois a Justiça começou a ser feita com a frustração da tentativa de golpe contra Lula, reeleição de Lula, eleição da Presidenta Dilma; ufa! Agora só falta a eleição do Haddad prá reiniciarmos uma gestão decente na cidade de São Paulo.


Dario - 01/08/2012
Por pouco, muito pouco não veríamos o que vemos hoje, aumento de empregos, economia estável, estado democrático e de direito, tranquilidade social, distribuição de riqueza ( ainda meio tímida, mas presente), liberdade para fazer greves e manifestações quem quiser, liberdade de expressão até pra Globo! enfim um povo e um país transparente que novamente crê na suas capacidades. E que contrasta com a crise internacional do neoliberalismo seco. Viva Lula, viva Dilma, viva o PT, viva as eleições livres deste ano e dos outros!


Joel Carlos - 01/08/2012
Só de pensar que poderiamos está vivendo sob o controle furioso dos: Demotucanos, blindados pelos Gilmares Mendes e pelo PIG, sem direito a reclamar, criticar, exercer o direito de párar quando é preciso reivindicar direitos, me faz tremer. Por isso, o povo precisa está atento, e mesmo que esse golpe que já está sendo armado pela Extrema Direita, conduzido pelo PIG, para nas ruas e nas urnas revertê-lo


Eduardo Oliveira - 01/08/2012
Uma derrota eleitoral não é golpe, faz parte da democracia.

O povo não realiza julgamentos jurídicos. O povo pode eleger Maluf e esse ser condenado no Poder Judiciário. O povo pode apoiar um governo da direita, como Alvaro Uribe, ou um governo da esquerda, como Chavez, e nada disso vai significar um julgamento jurídico.

Se fosse suficiente o julgamento pelo povo, o Poder Judiciário deveria ser extinto.

Ou então os governantes seriam considerados inimputáveis perante o Poder Judiciário.



Milton Junior - 01/08/2012
Muito importante a análise histórica que foi apresentada no artigo, mas como brasileiro e pesquisador da História do Brasil, gostaria de fazer apenas uma reflexão que tem sido a minha angústia e de muitos outros brasileiros:

Será que no Brasil dos políticos profissionais existe ESQUERDA, CENTRO e DIREITA?


Patricia - 01/08/2012
Análise muito lúcida, Emir. Espero que essa bandidagem nao volte ao poder jamais.