20/07/2014 - Copyleft

O Brasil, depois da Copa

Triste pelo resulado futebolístico, mas orgulhoso porque tudo ocorreu bem, a imagem do Brasil volta a se projetar no mundo de maneira positiva.

por Emir Sader em 20/07/2014 às 15:34



Emir Sader


O Mundial, para o Brasil, começou com a decisão da Fifa, ja fazem 7 anos, de realizar sua 20. versão no Brasil (decisão que se complementa com a decisão posterior de realizar também as Olimpiadas de 2016 no Rio.) Causou euforia imediata, mas ficou nisso, com o empurra empurra da Fifa sobre os prazos das obras e itens afins.   

O segundo capítulo veio em junho de 2013, com as surpreendentes manifestações de massa de jovens, a partir da reivindicação do cancelamento do aumento das tarifas de ônibus nas principais cidades do país que, frente à insensibilidade dos seus prefeitos, desembocou em grandes e reiteradas manifestações em em todo o país.
   
Estas assumiram um lema de grande apelo – Educação e saúde nível Fifa -, criticando as condições dos serviços públicos, em comparação com as exigências impostas pela Fifa para a construção dos estádios de futebol para o Mundial.

Foram manifestações surpreendentes, porque se davam no marco do maior processo de democratização social no país mais desigual do continente mais desigual do mundo. Esse marco se refletiu no fato de que ninguém reivindicava nem aumento de salários, nem empregos, dado que o Brasil vive uma situação de praticamente pleno emprego, enquanto que os salários foram sempre aumentados acima da inflação desde 2003, fazendo com que o salário mínimo seja superior em 70% no seu poder aquisitivo real, diante do que era no final do governo de FHC.
   
Também por isso foram mobilizações desconcertantes, sobretudo para a esquerda, porque foram protagonizadas por jovens até aquele momento distantes da política. Não pelos jovens de origem popular, beneficiários das políticas sociais do governo, que pertencem à base firme de apoio do governo, mas basicamente por setores de filhos da classe média tradicional, que haviam estado distantes das grandes transformações operadas nos setores populares do país desde 2003.

Pela primeira vez, em muito tempo, a popularidade do governo foi afetada, caindo de forma significativa, ainda que sem beneficiar a oposição, porque aparecia como uma rejeição da política em todas as suas formas tradicionais.

As manifestações se enfraqueceram, seja porque não desembocaram em reivindicações concretas – salvo a original, vitoriosa, do cancelamento do aumento das tarifas de transporte -, assim como pelo aparecimento de grupos violentos, que afugentaram a participação da massa dos jovens.

A imprensa opositora, apoiada pela Fifa e pela mídia internacional, criou um clima de terror sobre as condições em que se daria o Mundial no Brasil. O Ministério de Relações Exteriores da Alemanha chegou a dizer que o Brasil era “um país de alto risco”. Ninguém deixou de vir por isso, mas todos chegaram com expectativas sumamente negativas sobre como está o país.

O que terminou fazendo com que as excelentes condições de organização – aeroportos, estádios, transporte, segurança – surpreendessem de maneira ainda mais positiva a todos os que vieram, somada à ja conhecidas simpatia e hospitalidade dos brasileiros. O Mundial do Brasil foi consagrado como o melhor de todos por todos os que vieram, incluída a mídia internacional, que mudou radicalmente sua visão anterior.

Qual é o Brasil despois da Copa? Foi a melhor das Copas em termos de organização e de festa e o pior em termos futebolísticos para o Brasil. Mas sem consequência alguma para a política brasileira, como foram os casos da derrota de 1950 ou da vitória em 1970, em plena ditadura militar.
       
A  campanha presidencial se apresenta exatamente como antes da Copa ou inclusive em condições um pouco melhores para o governo – dado que a Dilma recuperou pontos e se distancia ainda mais dos seus adversários – que antes.  A confiança na capacidade do governo de organizar grandes eventos se fortaleceu – tirando qualquer duvida sobre os Jogos Olímpicos. O péssimo desempenho futebolístico serve ao governo para aprofundar suas propostas de democratização e transparência do futebol, a partir da consciência da importância que esse esporte tem para o país e como a Lei Pelé, promulgada no governo FHC, significou o neoliberalismo no futebol, enfraquecendo os clubes e entregando todo poder aos empresários. Volta-se a colocar a revogação dessa lei, como condição pare retomar processos de formação de novas geracões de jogadores que permaneçam no país.

O país vive uma espécie de passagem de um turbilhão, vivido intensamente por milhões e milhões de brasileiros e de turistas que desfrutaram do país  - muitos seguem em suas férias por aqui nos distintos lugares que passaram a conhecer durante o Mundial. Triste pelo resulado futebolístico, mas orgulhoso porque tudo ocorreu bem, a imagem do Brasil – agora o país da Copa das Copas – volta a se projetar no mundo de maneira muito positiva. Entramos agora numa curta campanha presidencial, com a propaganda na televisão – com espaços muito mais amplos para o governo do que para a oposição e com a participação do seu maior líder, Lula. A indefinição é sobre a existência ou não de um segundo turno na eleições presidenciais.



Tags: Política




5 Comentários Insira o seu Coméntario !

roberto garcia - 18/07/2014
aqui esta o link para a materia referida em meu comentario anterior:



http://dealbook.nytimes.com/2014/07/17/markets-of-the-once-fragile-five-countries-are-now-soaring/?emc=edit_dlbkam_20140718&nl=business&nlid=67636045


Orlando F. Filho - 18/07/2014
Primeiro, não acredito em nada que venha do PIG, pois acreditar na folha, estadão não dá pois são agentes interessados na derrota de Dilma. Será que a folha, estadão, plubicou a solenidade na qual aécio, o playboyzinho das alterosas, entregou uma placa de ouro para josé maria marin, tirou foto ao lado dele e colocou no página da campanha mas depois retirou. Mas a cbf de marin deixou a foto lá(não entrei para conferir). Aécio tem ligações estreitas com essa gente que afundou o brasil, inclusive marin foi o delator da ditadura que causou a prisão e o assassinato de wladinir herzog, pois ele e wadih helu, em discurso na câmara municipal, disseram que havia uma célula comunista na tv cultura. Herzog, ingênuo, concordou em prestar depoimento no doi-codi onde foi barbaramente torturado e assassinado e depois montaram uma cena ridícula simulando um suicídio com O SUICIDA AJOELHADO!!! Tentarão ligar o fracasso do brasil no futebol a Dilma(tem um canalha tucano radialista, jornalista que trabalha na jovem pan, fernando sampaio, todo dia ele critica dilma ligando-a ao facasso da copa, o que todos sabemos é mentira. Votarei em Dilma pois Aécio na presidência será o caos, a volta do neoliberalismo excludente. Pensem com o cérebro e não com esòfago.


Marcia Eloy - 17/07/2014
Hoje saiu o resultado da pesquisa Data Folha, nada animadora para o PT. Fiquei chocada com a apatia do PT frente as manifestações. O PT foi criado nas fábricas e logo cedo ganhou as ruas. O seu lugar é nas ruas, logo cabia a ele uma contra manifestação mostrando ao Brasil os bons resultados do seu governo. A apatia do PT foi pior que o da seleção brasileira.


Orlando F. Filho - 17/07/2014
Vamos fazer uma análise fria da situação. O PT, desde que é governo, conseguiu modificar a vida de milhões de pessoas as quais sairam da linha da pobreza com medidas ousadas em se tratando de Brasiil. O sucesso da Copa em termos de logísitica calou a boca do PIG o qual, em falta de alternativas, desceu a lenha na fracassada seleção canarinho. Por que deu errado? Justamente porque o comando da cbf está nas mãos das pessoas mais retógradas deste país, superando inclusive o manjadíssimo ricardo teixeira, que odiava futebol. Os estudantes pertencentes à classe média brasileira são tão excludentes e mal informados quanto seus pais. Mal infrormados talvez seja forte de mais. Digamos analfabetos políticos, pois não sabem interpretar um fato de acordo com a realidade vigente. Dilma não seria vaiada se lá estivessem trabalhadores de verdade que souberam reconhecer em Dilma uma grande brasileira que foi torturada, quase morreu por lutar pelo direito a uma democracia plena. Foi constrangedor para Dilma, e percebi isso, ela assistir a festa de Angela merck com a alemanha campeã. Fica uma lição para todo o povo brasileiro, mais para os arrogantes de plantão, que talento só é reconhecido quando o talentoso tem a humildade de tratar os seus como iguais.


Jaime Brasil - 16/07/2014
A as prisões arbitrárias e a violência policial, Emir?